Denominação inicial: Mitra do Arcebispado de Curitiba
Denominação atual: Igreja Santa Terezinha
Categoria (Uso): Instituição Religiosa
Subcategoria:
Endereço: Avenida Visconde de Guarapuava esquina com Rua Padre Ildefonso
Número de pavimentos: 1
Área do pavimento:
Área Total:
Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos
Data do Projeto Arquitetônico: 23/07/1937
Alvará de Construção: N° 2779/1937
Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de uma Igreja e Alvará de Construção.
Situação em 2012: Não construída
Imagens
1 – Desenho da fachada principal da Igreja.
2 – Planta com Corte A-B da igreja.
3 – Planta com Corte C-D da igreja.
4 – Projeto com a planta baixa da igreja.
5 – Área de instalação da igreja.
6 – Alvará de Construção.
Referências:
1, 2, 3, 4 e 5 - CHAVES, Eduardo Fernando. Igreja Santa Therezinha. Avenida Visconde de Guarapuava. Batel – Curitiba. Fachada principal; fachada lateral; cortes A-B e C-D; planta do pavimento térreo, perfil do terreno; implantação, representados em seis pranchas. Microfilme digitalizado.
6 - Alvará nº 2779
1 – Desenho da fachada principal da Igreja.
2 – Planta com Corte A-B da igreja.
3 – Planta com Corte C-D da igreja.
4 – Projeto com a planta baixa da igreja.
5 – Área de instalação da igreja.
6 – Alvará de Construção.
6 – Alvará de Construção.
6 – Alvará de Construção.
6 – Alvará de Construção.
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba.
Igreja Santa Terezinha: O Santuário que Permaneceu no Papel — Um Projeto de Fé em Curitiba
“Algumas igrejas são feitas de tijolos. Outras, apenas de intenção. Ambas pertencem a Deus.”
Na esquina da Avenida Visconde de Guarapuava com a Rua Padre Ildefonso, no bairro do Batel — hoje pulsante centro urbano de Curitiba —, um templo dedicado a Santa Teresinha do Menino Jesus esteve prestes a nascer.
Projetada pelo arquiteto Eduardo Fernando Chaves em 23 de julho de 1937, a Igreja Santa Terezinha, vinculada à Mitra do Arcebispado de Curitiba, foi devidamente autorizada pelo alvará de construção nº 2779/1937 e detalhada em um conjunto completo de pranchas arquitetônicas. Contudo, apesar de todos os preparativos, a construção não chegou a ser realizada. Em 2012, mais de setenta e cinco anos após seu projeto, confirmava-se que o templo permanecera no plano do desenho, sem erguer suas paredes no mundo físico.
Mesmo assim, sua existência documental é rica, simbólica e profundamente reveladora da fé, do urbanismo e das esperanças pastorais de uma época.
Um Projeto Impregnado de Devoção
O projeto arquitetônico de Chaves para a Igreja Santa Terezinha refletia a linguagem sóbria, funcional e espiritualmente orientada que marcava suas obras religiosas. Em seis pranchas meticulosamente elaboradas — hoje preservadas em microfilme digitalizado —, o arquiteto delineou:
- A fachada principal, com traços equilibrados, portal central e proporções que evocavam acolhimento;
- Cortes estruturais (A-B e C-D) que revelavam um espaço interno único, voltado para a celebração comunitária;
- A planta baixa, pensada para fluidez litúrgica e acessibilidade;
- A implantação no terreno, cuidadosamente ajustada à geometria da esquina entre a Visconde de Guarapuava e a Rua Padre Ildefonso;
- O perfil do terreno, demonstrando atenção às condições reais do lote urbano.
Prevista para ser construída em alvenaria de tijolos — técnica comum e confiável na época —, a igreja seria modesta em escala, mas rica em simbolismo. A escolha de Santa Teresinha, a “pequena flor do Carmelo”, como padroeira, revela a intenção de criar um espaço de espiritualidade íntima, acessível e profundamente humana, em sintonia com as aspirações de uma comunidade urbana em formação.
O Silêncio da Obra Não Iniciada
Embora o projeto tenha avançado até a fase de licenciamento oficial, a construção nunca foi iniciada. Os motivos exatos permanecem no campo das hipóteses, mas é plausível considerar:
- Limitações orçamentárias da Mitra Arquidiocesana naquele período;
- Mudanças nas prioridades pastorais, com foco em regiões mais periféricas ou carentes;
- A rápida valorização imobiliária do entorno do Batel, que pode ter tornado inviável a destinação do terreno para fins religiosos;
- Ou mesmo a ausência de um movimento comunitário sólido capaz de impulsionar a obra por meio de doações e mutirões — prática comum na época.
O fato é que, enquanto outras igrejas do mesmo arquiteto foram erguidas e se tornaram marcos de bairros inteiros, a de Santa Terezinha permaneceu um desenho de esperança, guardado em arquivos, mas nunca traduzido em pedra e cal.
Um Legado que Habita os Arquivos
A ausência física da Igreja Santa Terezinha não diminui sua importância histórica. Pelo contrário: seu projeto é um testemunho precioso da forma como a Igreja Católica, em meados do século XX, pensava sua presença na cidade em expansão. Revela também a sensibilidade de Eduardo Fernando Chaves ao traduzir a liturgia em arquitetura, mesmo quando o templo não chegava a ser construído.
Mais do que um “sonho interrompido”, o projeto representa uma intenção concreta de santificar o espaço urbano — uma tentativa de semear fé no coração de um bairro que, décadas depois, se tornaria um dos mais dinâmicos de Curitiba.
Epílogo: A Memória que Ora
Hoje, onde deveria estar o sino de Santa Terezinha, ouvem-se os sons do trânsito, do comércio, da vida moderna. Nenhum altar, nenhuma nave, nenhuma vela marcam o lugar. Mas nos arquivos da cidade, nas linhas traçadas à tinta por Chaves, e na memória dos que estudam a história urbana de Curitiba, o projeto permanece vivo — não como ruína, mas como oração em forma de plano.
Que este templo de papel continue a nos lembrar de que nem toda construção precisa tocar o céu com torres para tocar o coração de Deus.
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