| Tipo | castelo |
|---|---|
| Fundação | |
| Estilo | arquitetura gótica |
| Arquiteto | Raymond du Temple (d) |
| Patrocinador | Luís de Valois, Duque d'Orleães |
| Proprietário | Luís de Valois, Duque d'Orleães |
| Estatuto patrimonial | |
| Website | pierrefonds.monuments-nationaux.fr |
| Localização | Pierrefonds, Oise |
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| Coordenadas |
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O Castelo de Pierrefonds (Château de Pierrefonds em francês) é um imponente palácio fortificado, situado em Pierrefonds, no bordo Sudeste da Floresta de Compiègne, a Norte de Paris, entre Villers-Cotterêts e Compiègne, no departamento de Oise.
O castelo apresenta a maior parte das características defensivas da Idade Média.
Este palácio está classificado como Monumento Histórico desde 1848.
História
No século XII, já se elevava um castelo no lugar dito de "le Rocher" de Pierrefonds (O Rochedo de Pierrefonds).
Século XIV
Quase três séculos depois, em 1392, o Rei Carlos VI, eleva o Condado de Valois (do qual Pierrefonds fazia parte) a Ducado, e dá-o a seu irmão Luís de Valois, Duque de Orléans. Este último oferece o castelo original às Irmãs do Santo Suplício e, de 1393 à sua morte em 1407, faz construir um novo edifício pelo arquitecto da Corte, Jean le Noir, na localização actual.
Século XVII

Em Março de 1617, no início turbulento do reinado de Luis XIII, o Château é propriedade de François-Annibal d'Estrées (irmão da bela Gabrielle d'Estrées), membro do "Partido dos Descontentes" liderado por Henrique II, Principe de Condé. O palácio é sitiado e invadido pelas tropas enviadas por Richelieu, à época Secretário de Estado da Guerra. Empreende-se então o seu desmantelamento, mas este não chega ao seu termo devido à amplitude da tarefa. Os trabalhos exteriores são arrasados, as caras destruidas e são praticadas sangrias nas torres e nas muralhas.

Século XIX
O palácio permanecerá em ruínas durante dois séculos, até que Napoleão Bonaparte o resgata em 1810 por menos de 3.000 francos. Ao longo do século XIX, quando há uma redescoberta da arquitectura da Idade Média, torna-se uma "ruína romântica". Em Agosto de 1832, Luis Filipe, oferece um banquete no Château de Pierrefonds por ocasião do casamento da sua filha Louise com Leopoldo de Saxe-Cobourgo-Gota, primeiro Rei dos Belgas. Como outros artistas, Corot representa as ruínas em várias ocasiões entre 1834 e 1866.
O príncipe presidente Charles Louis-Napoléon Bonaparte visita o Château de Pierrefonds em 1850. Seguindo os conselhos de Prosper Mérimée, Napoleão III, tornado Imperador, manda em 1857 o arquitecto Eugène Viollet-le-Duc empreender o seu restauro.

Conta uma anedota que estando o Imperador hesitante entre o restauro do Château de Pierrefonds e o de um outro château, Eugénie Bonaparte lhe terá proposto que tirasse à sorte, tendo saído o nome de Pierrefonds. Isso terá acontecido por ela, para satisfazer a sua preferência, ter escrito esse nome nos dois papéis do sorteio.
Este restauro devia limitar-se a uma simples recuperação no estado das partes habitáveis (torre de menagem e anexos), devendo as ruínas "pitorescas" subsistir para a decoração. Em 1861, o projecto ganha amplitude: o soberano desejava, agora, fazer uma residência imperial, devendo, para isso, o palácio ser inteiramente reconstruido. Os trabalhos de reconstrução, que terão custado na época 5 milhões de francos (dos quais 4 milhões foram lançados na lista civil do Imperador), foram parados em 1885, seis anos após a morte de Viollet-le-Duc, pela partida de Napoleão III. Por falta de dinheiro, a decoração das salas permaneceu inacabada.

Viollet-le-Duc fará para o palácio um trabalho muito mais de inveção e recriação que propriamente de restauro. Imaginou como terá sido o château, sem se basear estritamente na história do edifício. O pátio interior, com as suas galerias Renascentistas, tanto quanto as pinturas polícromas de inspiração medieval que mostram o seu ecletismo e a sua liberdade de interpretação.
Reconhece-se, pelo contrário, na sua arquitectura exterior, os excelentes conhecimentos que tinha da arte do século XIV.[1] O arquitecto oferecerá, contudo, tanto no parque como nas fortificações, um leque eclético de construções defensivas de outras épocas. O arquitecto deu livre curso à sua inspiração muito pessoal. Chegou mesmo a desenhar o seu gato, que se encontra fundido sobre os telhados do palácio.
Este trabalho não deve fazer esquecer aquele que Viollet-le-Duc efectuou no Château de Roquetaillade.
Tendo morrido antes do fim das obras, seria o seu estilo a terminar a construção, apesar de o palácio não voltar a ser habitado.
Apesar de os seus detractores reprovaram esta reinvenção de uma arquitectura neo-medieval, que tomou muitas liberdades com a verdade arqueológica, Viollet-le-Duc fez mostra nesta reconstrução de um extraordinário sentido de elevação e de volumetria ede uma incontestável sensibilidade do local.[2]
Um monumento a redescobrir


No termo de um período de alienação que viu diminuir os seus visitantes (100.000 em 2000), o domínio é dirigido desde 2003 pela enérgica conservadora Isabelle de Gourcuff. A galeria das esculturas de sepúlcros foi objecto de uma nova cenografia depois da afectação definitiva das esculturas em gesso provenientes, a maior parte delas, da necrópole da Basílica de Saint-Denis.[3]
Estas sepulturas e as estátuas que as cobrem representam personagens históricas estritamente ligadas à monarquia francesa, e haviam sido encomendadas por Luis Filipe para o Museu Nacional do Château de Versailles.
O parque, pelo seu lado, foi objecto de um programa de restauro.
O Chateau de Pierrefonds nos meios de comunicação social
O palácio serve frequentemente de local de rodagens de filmes e séries de televisão, como por exemplo: les Visiteurs (Os Visitantes), Merlin (série), Jeanne d'Arc (Joana d'Arc) de 1999, etc.
Notas e referências
- Viollet-le-Duc era um antigo militar, autor de obras reconhecidas sobre fortificações.
- Qualidades que se encontram em duas outras reconstruções maiores: a cidadela de Carcassonne e o sítio de Vézelay.
- Cenografia Hélène Richard e Jean-Michel Quesne Artigo de Michèle Leloup no L'Express de 3/08/2006
O Castelo de Pierrefonds: A Obra-Prima Romântica e a Ousadia de Viollet-le-Duc
Erguido majestosamente na borda sudeste da Floresta de Compiègne, no departamento de Oise, o Castelo de Pierrefonds (Château de Pierrefonds) é um dos exemplos mais fascinantes da arquitetura fortificada na Europa. Muito além de uma simples relíquia medieval, o monumento personifica a fusão entre a rigorosa engenharia militar do século XIV e a romântica imaginação oitocentista, tendo sido classificado como Monumento Histórico desde 1848.
Raízes Medievais e a Ascensão do Século XIV
A história do local remonta ao século XII, período em que já se erguia uma fortificação no sítio conhecido como le Rocher de Pierrefonds. Contudo, a grande transformação estrutural ocorreu em 1392, quando o rei Carlos VI elevou o Condado de Valois a Ducado, concedendo-o ao seu irmão, Luís de Valois, Duque de Orléans.
Após doar o castelo original às Irmãs do Santo Suplício, Luís de Orléans encomendou a construção de um novo e sumptuoso edifício ao arquiteto da Corte, Jean le Noir, cujas obras decorreram entre 1393 e a morte do duque em 1407. O resultado foi um imponente palácio fortificado que concentrava as mais avançadas características defensivas da Idade Média.
O Declínio: O Sítio do Século XVII e a Ruína
O destino do castelo mudou drasticamente no início do século XVII, durante o reinado turbulento de Luís XIII. Em março de 1617, o palácio pertencia a François-Annibal d'Estrées, aliado do "Partido dos Descontentes" liderado por Henrique II, Príncipe de Condé.
Visto como uma ameaça política, o castelo foi sitiado e invadido pelas tropas de Richelieu, então Secretário de Estado da Guerra. O governo ordenou o seu desmantelamento sistemático, embora a grandiosidade da tarefa tenha impedido a destruição total:
As estruturas exteriores foram arrasadas.
As fachadas sofreram graves danos.
Foram abertas brechas profundas (sangrias) nas torres e muralhas para inutilizar o seu potencial defensivo.
Durante os duzentos anos seguintes, Pierrefonds permaneceu abandonado, transformando-se numa célebre "ruína romântica". O seu ar melancólico e misterioso fascinou gerações de artistas e figuras públicas:
1810: Napoleão Bonaparte adquiriu o local por menos de 3.000 francos.
1832: O rei Luís Filipe ofereceu um banquete memorável no castelo por ocasião do casamento da sua filha Louise com Leopoldo de Saxe-Coburgo-Gota, o primeiro Rei dos Belgas.
1834 a 1866: O pintor Jean-Baptiste-Camille Corot imortalizou as ruínas em várias telas, consolidando o apelo estético do lugar no imaginário romântico.
A Renascença: O Grandioso Restauro de Viollet-le-Duc
A viragem definitiva na história de Pierrefonds deu-se sob o Império de Napoleão III. Após a visita do príncipe presidente Charles Louis-Napoléon Bonaparte em 1850 — e instigado pelos conselhos de Prosper Mérimée —, o Imperador encarregou o célebre arquiteto Eugène Viollet-le-Duc, em 1857, de restaurar o monumento.
Uma famosa anedota da época conta que a escolha de Pierrefonds resultou de um sorteio sugerido pela Imperatriz Eugênia entre dois castelos. Para garantir a sua preferência, ela teria escrito "Pierrefonds" em ambos os papéis.
Da Recuperação à Recriação Total
Inicialmente, o projeto previa apenas uma intervenção modesta para tornar habitáveis a torre de menagem e os anexos, preservando as ruínas pitorescas como elemento decorativo. No entanto, em 1861, o projeto ganhou uma escala monumental: Napoleão III decidiu transformar o local numa residência imperial, exigindo a reconstrução integral do palácio.
Os trabalhos estenderam-se até 1885, consumindo cerca de 5 milhões de francos (dos quais 4 milhões saíram da lista civil do Imperador). As obras foram abruptamente interrompidas devido à queda do Império e à partida de Napoleão III, deixando a decoração interior de várias salas inacabada após a morte de Viollet-le-Duc em 1879.
O Estilo Único e a Liberdade Criativa
Viollet-le-Duc adotou uma abordagem muito mais inventiva e recriativa do que estritamente arqueológica.
No exterior: Demonstrou um profundo e irrepreensível conhecimento da arquitetura militar do século XIV, combinando-a com elementos defensivos ecléticos de outras épocas tanto nas fortificações quanto no parque.
No interior: Deu largas à sua imaginação, criando o pátio interior com galerias renascentistas e aplicando pinturas polícromas de inspiração medieval que refletiam o seu ecletismo.
Detalhes peculiares: O arquiteto inseriu toques de humor pessoal, como a inclusão de uma escultura do seu próprio gato fundida sobre os telhados do palácio.
Legado
Apesar de as suas escolhas terem sido severamente criticadas pelos detratores da época, que apontavam o desrespeito pela estrita verdade arqueológica em prol de uma visão neo-medieval, a intervenção de Viollet-le-Duc em Pierrefonds — a par do seu trabalho no Castelo de Roquetaillade — continua a ser admirada. O arquiteto dotou o monumento de um extraordinário sentido de elevação, volumetria e integração paisagística, eternizando um dos marcos mais impressionantes da arquitetura histórica francesa.

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