quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O Castelo de Rivau: Fortaleza, Renascimento e Tradição Equestre na Turena

 

Castelo de Rivau
Apresentação
Tipocastelo
château
Fundação
Estilorenascimento
Abertura
Estatuto patrimonial Inscrição MH ()
 Classe MH (, )Visualizar e editar dados no Wikidata
Websitewww.chateaudurivau.com/fr
Localização
LocalizaçãoLémeré, Indre-et-Loire
 França
Coordenadas
Fachada do Castelo de Rivau, França

O Castelo de Rivau (em francês: Château du Rivau) é um palácio fortificado da região do Touraine, em França. O castelo foi fortificado no século XV e depois humanizado no Renascimento, sendo ao mesmo tempo uma fortaleza impenetrável e um lugar de vida agradável. Está situado no território da comuna de Lémeré, departamento de Indre-et-Loire, a 10 minutos de carro de Chinon pela estrada D749.

Rabelais, na sua obra Gargântua, faz doação do Castelo de Rivau ao capitão Tolmère em recompensa pelas suas vitórias aquando das guerras picrocholinas.

O Castelo de Rivau está classificado como Monumento Nacional desde Julho de 1918.[1]

História

Vista aérea do Château du Rivau

As terras onde se situa o castelo haviam estado desde o século XI nas mãos dos Beauvau, uma família aparentada com os Condes de Anjou. No século XIII, a família entrou ao serviço dos reis de França e muitos dos seus membros deram a vida pelo Reino. Em 1438, através do casamento de Isabelle de Beauvau com João II de Bourbon, os Beauvau acabaram mesmo por ter uma ligação com a família real.

Quando Pierre de Beauvau, camareiro de Carlos VII, casou em 1438 com Anne de Fontenay, trouxe o Castelo de Rivau como dote para o casamento. Em 1442, o camareiro recebeu permissão para fortificar o castelo. Em 1510, o seu sucessor, François de Beauvau, castelão de Rivau e primeiro escudeiro do rei Francisco I, mandou construir uns estábulos monumentais nas dependências do pátio, os quais forneceriam os seus garanhões ao rei. No século XVII, os garanhões de Rivau tornaram-se nos mais importantes do Touraine. Já em 1429, no final da Guerra dos Cem Anos, Joana d'Arc e os seus seguidores vieram buscar cavalos a Le Rivau para a luta contra o cerco de Orleães pelos ingleses. Com efeito, Le Rivau já era na época um lugar reconhecido pela qualidade dos seus apetrechos e cavalos de guerra.

No século XVII, por influência externa do Renascimento, o edifício não era exactamente nem um palácio nem uma fortaleza. As demolições de Richelieu, que não tolerava edifícios majestosos nas proximidades do seu castelo, só pouparam Le Riveu porque a irmão do cardeal tinha casado com Jean de Beauvau. No final do século XVII, a família Beauvau deixou o Touraine e mudou-se para a Lorena. Le Rivau tinha estado na sua posse ao longo de 247 anos.

Restauro

A partir de 1992, os novos proprietários empreenderam uma importante de renovação para prevenir a decadência do castelo e dos estábulos e para lhe devolver o seu brilho de antigamente. Numa campanha de restauro que durou dez anos, a construção transformou-se de novo numa fortificação medieval com fosso dreando, ponte levadiça, mata-cães e seteiras.

O interior do palácio pode ser alcançado a partir do pátio por uma escada em espiral. À entrada pode ler-se o lema da família Beauvau: Beauvau sans départir. Os barrotes principais do edifício medem 80 por 60 centímetros e têm, portanto, um corte transversal maior que as de qualquer outro castelo do Loire. Foram necessárias árvores com 300 anos de idade quando foram abatidas.

O grande salão está pavimentado com pedras do Touraine. As janelas da fachada oeste foram ampliadas no Renascimento. Foi possível preservar a decoração original com folhas de videira.

Hoje, o Riveau, classificado como monumento histórico, atrai os visitantes pela sua história mas sobretudo pelos seus maravilhosos jardins de contos de fadas.

Jardins de contos de fadas

Château du Rivau

O Vale do Loire também é conhecido por seus jardins : jardins francêses de Villandry e jardins contemporâneos como os de Rivau.

Com efeito, os quatorze jardins do Castelo de Rivau de design recente, reconhecidos pelo Ministério da Cultura como "jardins notáveis",[2] evocam um mundo maravilhoso e fantástico para o grande prazer dos visitantes. Está ali presente a arte medieval de jardinagem, enquanto exposições temporárias e permanentes exibem arte contemporânea.

Existem quatorze jardins temáticos: o jardim dos nós de lavanda, a horta de Gargantua, a florista encantada, o labirinto de Alice no país do Rivau, a florista enamorada, a Cassinina, a trufeira, a via dos cheiros, a horta do paraíso, o jardim dos poções de amor, o jardim secreto e por fim, o jardim da princesa Rapunzel. São realmente fabulosos e quem os visita semte-se num conto de fadas, lembrando mitos e lendas da literatura e do folclore. Os visitantes podem andar por caminhos de anões, de gigantes, de fadas boas e de figuras míticas.

Os jardins do Castelo de Rivau também alegram os botânicos pela colecção de mais de 500 rosas, obtidas por criadores como David Austin e André Eve, e pelas suas plantas raras, num ambiente ainda muito contemporâneo graças às esculturas e às exposições de artistas vivos.

Podem citar-se, por exemplo, obras de Fabien Verschaere,[3] Cat Loray,[4] Jerôme Basserode[5] Frans Krajcberg ou Philippe Ramette apresentadas nos jardins do Rivau.

O Castelo de Rivau: Fortaleza, Renascimento e Tradição Equestre na Turena

O Castelo de Rivau (Château du Rivau), localizado na comuna de Lémeré, no departamento de Indre-et-Loire, representa uma das mais fascinantes sínteses arquitetônicas e históricas da região do vale do Loire. Situado a apenas dez minutos de carro de Chinon, este palácio fortificado transita com singular harmonia entre o rigor defensivo da Idade Média e a elegância humanizada do Renascimento, consagrando-se como um patrimônio de imestimável valor cultural classificado como Monumento Nacional desde julho de 1918.

Raízes Medievais e a Ascensão dos Beauvau

As terras que abrigam o castelo pertencem à história da nobreza francesa desde o século XI, período em que passaram para o controle da ilustre família Beauvau, tradicionalmente ligada aos Condes de Anjou. Com a aproximação e o alinhamento da família com a coroa francesa no século XIII, os Beauvau consolidaram sua influência política e militar. O ponto de virada na história arquitetônica do local ocorreu em 1438, quando Pierre de Beauvau, camareiro do rei Carlos VII, desposou Anne de Fontenay, incorporando o domínio ao seu patrimônio.

Reconhecendo a importância estratégica da posição e o contexto turbulento da época, o camareiro obteve em 1442 a autorização real para fortificar o sítio. O resultado foi a edificação de uma estrutura de feições austeras, com muralhas espessas e elementos defensivos robustos que projetavam uma imagem de fortaleza intransponível, sem contudo abdicar das comodidades necessárias para a residência senhorial.

Tradição Equestre e Ligação com Joana d'Arc

A relevância histórica de Le Rivau estende-se muito para além de sua arquitetura militar, destacando-se de maneira indelével na tradição equestre da Turena. Já no final da Guerra dos Cem Anos, em 1429, o castelo figurava como um centro de excelência na criação de animais, a ponto de Joana d'Arc e seus companheiros de armas terem recorrido aos seus domínios para obter cavalos de combate fundamentais para romper o cerco inglês a Orleães.

No século XVI, essa vocação equestre atingiu o seu apogeu. Em 1510, François de Beauvau — sucessor na propriedade, castelão de Rivau e primeiro escudeiro do rei Francisco I — ordenou a construção de estábulos monumentais no pátio interno do complexo. Destinados a fornecer garanhões de alta qualidade para a coudelaria real, esses espaços transformaram-se, no século XVII, nos mais importantes e prestigiados de toda a província da Turena.

A Era Renascentista e a Influência Literária de Rabelais

Com a transição para o Renascimento, a função primária do edifício passou por uma profunda metamorfose. Deixando de ser estritamente uma estrutura bélica, o castelo adaptou-se aos novos ideais estéticos e de conforto, humanizando-se através de aberturas mais amplas, refinamentos decorativos e a integração harmoniosa com a paisagem circundante.

Essa atmosfera única não passou despercebida pelos grandes nomes da literatura francesa. O célebre escritor François Rabelais imortalizou o domínio em sua monumental obra Gargântua, na qual o protagonista concede o Castelo de Rivau ao capitão Tolmère como recompensa por suas brilhantes vitórias durante as chamadas guerras picrocholinas.

Sobrevivência Arquitetônica e o Legado dos Beauvau

O destino do castelo esteve por um triz durante o século XVII, período em que o poderoso Cardeal Richelieu ordenou a demolição de diversas fortificações e residências majestosas que pudessem fazer sombra ao seu próprio castelo na região. Le Rivau só escapou da destruição graças a uma contingência familiar: a irmã do cardeal era casada com Jean de Beauvau, circunstância que garantiu a preservação do patrimônio.

A família Beauvau manteve a posse do domínio por cerca de 247 anos, até que, no final do século XVII, optou por deixar a Turena e transferir-se para a região da Lorena. Essa mudança marcou o encerramento de um ciclo dourado, mas deixou cravado na história da França um dos testemunhos mais notáveis da arquitetura de transição medieval-renascentista.

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