Lagartixinha-amazônica | |||||||||||||||||
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Gonatodes humeralis (Guichenot, 1855) | |||||||||||||||||
| Sinónimos[2][3] | |||||||||||||||||
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Lagartixinha-amazônica (nome científico: Gonatodes humeralis), também conhecida popularmente como lagartixa-da-mata, lagartinho-bicudo, lagartinho-colorido, lagartinho-pintado e lagarto-do-folhiço,[2] é uma réptil da família dos esferodactilídeos (Sphaerodactylidae).
Taxonomia e sistemática
A lagartixinha-amazônica faz parte da família dos esferodactilídeos (Sphaerodactylidae). Foi descrito por Alphonse Guichenot em 1855 e seu holótipo (hoje perdido) era ZMB 7189.[2] Pinto et al. (2019) analisaram o situação taxonômica de Gonatodes humeralis com base em dados moleculares. Seus resultados indicaram que, ao contrário do que esperavam e das evidências obtidas em estudos similares com outros lagartos amazônicos, a espécie é monotípica na América do Sul continental, apesar de sua ampla distribuição. Por outro lado, as populações de Trindade e Tobago mostraram-se geneticamente distintas. Como consequência, revalidaram o nome G. ferrugineus para a população de Trindade, embora ressaltem que, até o momento, os dois táxons não podem ser diferenciados com base em características morfológicas.[1]
A espécie Cnemaspis timoriensis foi originalmente registrada na Indonésia (Timor), mas essa localidade é considerada equivocada, uma vez que o táxon é atualmente reconhecido como sinônimo de Gonatodes humeralis. Embora C. timoriensis tenha prioridade nomenclatural sobre G. humeralis, Rösler et al. (2019: 501) recomendaram a submissão de um pedido formal à Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN), conforme o Artigo 23.9.3 do Código, visando a supressão do nome Cnemaspis timoriensis. Esta espécie é conhecida apenas por dois espécimes: o suposto tipo e um exemplar depositado no MTD, que, na verdade, não corresponde a G. humeralis. Bauer (2013) já havia apontado que esses espécimes provavelmente não pertencem ao gênero Cnemaspis. Posteriormente, Rösler (2016) concluiu que o exemplar do Museu Nacional de História Natural (MNHN) provavelmente representa um Garthia ou Homonota, enquanto o espécime do ZMB é um Gonatodes. Em comunicação pessoal (22 de julho de 2017), A.M. Bauer sugeriu a exclusão definitiva dessa "espécie".[2]
Descrição
A lagartixinha-amazônica é caracterizada por lamelas subdigitais proximais tão largas quanto o próprio dígito, totalizando entre 15 e 21 sob o quarto dedo. Os dedos das mãos e dos pés apresentam duas fileiras laterais de escamas em cada lado na porção distal. A região ventral da cauda exibe um padrão sequencial repetitivo: duas escamas medianas únicas dispostas uma após a outra, cada uma em contato látero-distalmente com uma escama de cada lado, seguidas por uma escama mediana única ligeiramente maior, que se articula lateralmente com duas escamas de cada lado. O número de escamas ao redor da metade do corpo varia de 100 a 137, enquanto as ventrais totalizam de 48 a 78. Machos vivos apresentam um padrão dorsal vermiculado em tons de vermelho, amarelo e marrom; a cabeça exibe listras e manchas cinza-claras ou amarelas e vermelhas, com uma barra ante-umeral branca ou amarela precedida por uma distinta mancha preta arredondada.[2] A espécie apresenta dimorfismo sexual na coloração, com os machos mudando rapidamente para cores vibrantes como vermelho, roxo e laranja para responder às interações sociais. Em contraste, as fêmeas tendem a mudar para cores opacas e camufladas para garantir a segurança de si mesmas e de seus filhotes.[4]
Distribuição e habitat
A lagartixinha-amazônica possui ampla distribuição na Amazônia e nas terras baixas adjacentes do Brasil, Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela (incluindo a Cordilheira Costeira), Colômbia, Equador, Peru (Loreto[2]) e Bolívia (Beni, Pando e Santa Cruz[2]). Nas Guianas, estende-se ao litoral, abrangendo também a porção oriental da Venezuela. No Brasil, ocorre em todos os estados amazônicos (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), alcançando o Maranhão a leste e o Mato Grosso ao sul da região amazônica, onde provavelmente se dispersa por matas de galeria e outros tipos de vegetação arbórea. Sua distribuição altitudinal varia desde o nível do mar até cerca de mil metros de altitude. Habita diferentes tipos de florestas, como terra firme, várzea, igapó, florestas primárias e secundárias, além de matas de galeria e fragmentos florestais em áreas de savana. Também pode ser encontrada em árvores isoladas em clareiras amplas e em ambientes urbanos, como parques e jardins com presença de árvores. A espécie tolera áreas perturbadas, ocorrendo em bordas de floresta e até no interior de habitações humanas.[1][5]
Ecologia
A lagartixinha-amazônica é uma espécie diurna, não heliotérmica. Sua dieta é composta por uma variedade de artrópodes,[1] uma grande porcentagem da dieta (10-30%) consiste em formigas.[2] É ovípara e tem como predadores serpentes e lagartos de maior porte.[1] Ocorre em simpatria com diversas espécies maiores do mesmo gênero, como G. annularis, G. concinnatus, G. hasemani, G. tapajonicus e G. nascimentoi.[2]
Conservação
A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica lagartixinha-amazônica como pouco preocupante (LC), considerando sua ampla distribuição, abundância, capacidade de adaptação a ecossistemas alterados pelo homem e presença em diversas áreas protegidas. É uma espécie comum e bastante difundida em Trindade e é um dos lagartos mais comuns na Amazônia e espera-se que tenha uma população estável. A espécie está presente em diversas áreas protegidas e reservas indígenas ao longo de sua distribuição. Devido à sua alta capacidade de adaptação às perturbações causadas pelo homem, não necessita de medidas de conservação específicas.[1] Em 2018, foi classificado como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[6][7]
Referências
- Calderón, M.; Perez, P.; Avila-Pires, T.C.S.; Aparicio, J.; Moravec, J.; Schargel, W.; Rivas, G.; Murphy, J. (2019). «Gonatodes humeralis». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2019: e.T44579283A44579292. doi:10.2305/IUCN.UK.2019-2.RLTS.T44579283A44579292.en
. Consultado em 17 de junho de 2025 - «Gonatodes humeralis (Guichenot, 1855)». The Reptile Database. Consultado em 17 de junho de 2025. Cópia arquivada em 21 de janeiro de 2025
- «Gonatodes humeralis (Guichenot, 1855)». Global Biodiversity Information Facility (GBIF) (em inglês). Consultado em 8 de maio de 2025. Cópia arquivada em 29 de abril de 2025
- Vitt, Laurie J.; Zani, Peter; de Barros, André A. Monteiro (1997). «Ecological variation among populations of the Gekkonid lizard Gonatodes humeralis in the Amazon Basin» (PDF). American Society of Ichthyologists and Herpetologists. 1: 32–43
- «Ocorrência de Gonatodes humeralis». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 17 de junho de 2025. Cópia arquivada em 17 de junho de 2025
- «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018
- «Gonatodes humeralis (Guichenot, 1855)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 8 de maio de 2025. Cópia arquivada em 29 de abril de 2025