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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Curitiba em Movimento: Do Škoda 1101 ao Nino, da Posse Presidencial aos Ecos do Passado — Uma Celebração de Vida, Cultura e Progresso

 Curitiba em Movimento: Do Škoda 1101 ao Nino, da Posse Presidencial aos Ecos do Passado — Uma Celebração de Vida, Cultura e Progresso




Curitiba em Movimento: Do Škoda 1101 ao Nino, da Posse Presidencial aos Ecos do Passado — Uma Celebração de Vida, Cultura e Progresso

Na página 28 da revista Divulgação, o leitor é imediatamente recebido por um anúncio vibrante que promete “o automobilismo perfeito”: o Škoda 1101, exibido com orgulho em preto e branco, seu capô alongado e linhas elegantes refletindo a estética moderna da década de 1950. O texto, assinado pela Prodoco S.A., destaca não apenas o design, mas também o conforto, a economia e a robustez do veículo — atributos essenciais para uma sociedade em ascensão. O preço? R$ 25 mil, um valor acessível para a época, especialmente considerando que o carro vinha equipado com motor de 4 cilindros, câmbio sincronizado e freios hidráulicos. A propaganda, assinada por “Monsenhor”, sugere que o Škoda não era apenas um meio de transporte, mas um símbolo de status e modernidade, ideal para quem queria se destacar nas ruas de Curitiba. Ao lado, pequenos anúncios de empresas como “Terrum & Schinzel Ltda.” e “Fábrica Campineira” completam a cena, mostrando que a cidade já vivia um boom comercial, com negócios de todos os portes buscando espaço no mercado.

Já na página 30, a atmosfera muda — e se torna mais íntima, acolhedora, quase familiar. O Bar e Restaurante Nino, localizado no Edifício do Club Curitibano, surge como um refúgio gastronômico onde o sabor italiano se funde com a tradição brasileira. O texto descreve o ambiente como “elegante e simpático”, com paredes decoradas por quadros e móveis de madeira escura, criando um clima aconchegante perfeito para jantares românticos ou reuniões de negócios. O cardápio, elaborado com cuidado, oferece desde massas caseiras até carnes grelhadas, tudo acompanhado por vinhos finos e um serviço impecável. Mas o verdadeiro diferencial do Nino está em sua história: fundado por um casal ítalo-brasileiro, o restaurante se tornou um ponto de encontro para políticos, artistas e comerciantes, transformando-se em uma instituição da vida social curitibana. A foto em preto e branco, que mostra a fachada do estabelecimento, reforça essa sensação de tradição — com o nome “NINO RESTAURANTE” em letras maiúsculas, como um convite para entrar e desfrutar de uma experiência única.

Na página 24, a atenção se volta para a política — e para um momento histórico: a posse de Zacarias de Góis e Vasconcelos como presidente do Paraná. O texto, intitulado “A posse de Zacarias na Presidência do Paraná — Um acontecimento cômico que ocorreu”, mistura formalidade com leveza, descrevendo a cerimônia com detalhes vívidos. A presença de autoridades militares e civis, além de representantes de todo o estado, conferiu à ocasião um caráter solene, mas também descontraído — como quando o novo governador, ao subir ao palanque, foi saudado com aplausos entusiásticos e até mesmo algumas piadas. O discurso de Zacarias, embora breve, deixou claro seu compromisso com a educação, a saúde e a infraestrutura — pilares fundamentais para o futuro do Paraná. E mesmo com a tensão política que pairava no ar, a cidade respirava esperança, como se todos soubessem que aquele era apenas o começo de uma nova era. A foto do Braz Hotel, ao fundo, reforça essa sensação de progresso — com sua fachada imponente e janelas amplas, o hotel simbolizava a modernização da capital paranaense, tornando-se um marco do desenvolvimento urbano.

Na página 5, a nostalgia toma conta. O título “Voltando ao passado” introduz uma série de fotos que remontam à inauguração da Estrada do Mar e Praia do Leste, em 29 de julho de 1927. As imagens, em preto e branco, capturam momentos históricos: autoridades caminhando ao lado da via recém-aberta, com o mar ao fundo e o céu azul como testemunha. O texto, escrito com um tom poético, evoca a emoção daquela época — quando a cidade ainda descobria suas próprias belezas naturais. A presença de figuras como o Presidente Castelo Branco, o Deputado Chácara Portugal e o Coronel Bertoldo Hauer, entre outros, confere à cerimônia um caráter de união nacional. E mesmo décadas depois, essas imagens continuam a emocionar, lembrando aos curitibanos que sua história estava escrita em cada pedra, em cada rua, em cada praia. A foto de D. João Brega, Dr. Manoel da Rocha e Dr. Martins Camargo, vestidos com ternos e chapéus, retrata a elegância da época — um contraste fascinante com o mundo moderno que se formava ao redor deles.

Finalmente, na página 12, a cultura literária da cidade floresce com a coluna “Eterno Encanto”, que traz reflexões poéticas sobre a vida cotidiana. Os textos, escritos por autores como Bernardo Pereira de Vasconcelos e Joaquim Gomes de Souza, falam de amores, desilusões e pequenas alegrias, conectando leitores através de experiências universais. A revista Divulgação se tornara um espelho da alma curitibana — onde o progresso tecnológico convivia harmoniosamente com a nostalgia, e onde o sabor de um bom prato podia ser tão importante quanto a assinatura de um decreto presidencial. A seção “Brasil Anedótico” adiciona um toque de humor, com histórias divertidas que fazem o leitor sorrir, enquanto “O Papel da Penitenciária na Sociedade” oferece uma análise séria sobre o sistema penal — mostrando que a revista não tinha medo de abordar temas complexos, mesmo que de forma acessível.

Assim, Curitiba se apresentava como uma cidade multifacetada — moderna, mas acolhedora; progressista, mas respeitosa com suas raízes; cosmopolita, mas profundamente ligada à sua identidade local. Em cada página, em cada anúncio, em cada foto, havia um pedaço da alma da cidade — vibrante, dinâmica e sempre pronta para abraçar o futuro, sem nunca esquecer seu passado.