domingo, 19 de julho de 2026

Mariana Claudina Barroso Pereira de Carvalho Condessa do Rio Novo (Três Rios, 1816 — Londres, 5 de junho de 1882)

 

Mariana Claudina Pereira de Carvalho
Condessa do Rio Novo
Dados pessoais
Nascimento1816
Paraíba do Sul, Rio de Janeiro 
Morte5 de junho de 1882 (66 anos)
Londres, Inglaterra Reino Unido
Nome completo
Mariana Claudina Barroso Pereira de Carvalho
CônjugeJosé Antônio Barroso de Carvalho
PaiAntônio Barroso Pereira Filho
MãeClaudina Venância de Jesus
Retrato em meio corpo, de frente, da Condessa de Rio Novo (Senhora Mariana Claudina Pereira de Carvalho) representada com cabelos penteados para trás, buço aparente e trajando indumentária preta. Dimensão: A 72.0 X L 59.0 cm
Mariana Claudina Pereira de Carvalho, Condessa de Rio Novo, óleo sobre tela por Karl Ernest Papf, 1882. Acervo da Casa da Marquesa de Santos/Museu da Moda Brasileira.

Mariana Claudina Barroso Pereira de Carvalho, a Condessa do Rio Novo (Três Rios, 1816 - Londres, 5 de junho de 1882) foi uma fazendeira brasileira. Ela recebeu o título de condessa após enviuvar-se de José Antônio Barroso de Carvalho, primeiro barão e visconde do Rio Novo.[1]

A Condessa é tida como ícone nos municípios de Paraíba do Sul e de Três Rios por ter distribuído, antes de morrer, seus bens e terras a mais de 300 escravos que tinha, que também ganharam alforria seis anos antes da Lei Áurea.[2]

Benfeitorias

A Condessa do Rio Novo foi uma abolicionista e benemérita notável. Em 1882 não somente libertou todos os seus escravos, mais de quatrocentas pessoas, como criou, em sua fazenda Cantagalo (Paraíba do Sul), a Colônia Nossa Senhora da Piedade, para garantir a distribuição de lotes de terras aos seus libertos.

Também construiu duas escolas para os filhos de seus ex-escravos e para os de outras famílias desfavorecidas de fortuna.

Seus gestos atraíram a admiração dos clubes emancipadores e de importantes abolicionistas, como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio. À D. Mariana é atribuída a criação da primeira reserva ecológica da região, no distrito de Bemposta, numa área em que ela proibiu a instalação de "casas de negócios ou outras quaisquer indústrias". O Hospital Nossa Senhora da Piedade, de Paraíba do Sul, que presta atendimento hospitalar, bem como a Casa de Caridade, que promove educação de meninos e meninas desemparados, nasceram da vontade da Condessa, deixada por testamento.

No ano de 1884, em Ouro Preto, então a capital da província de Minas Gerais, em sua homenagem foi fundada a Sociedade de Libertos Condessa do Rio Novo. A Condessa do Rio Novo Faleceu em Londres, no ano de 1882.

Morte e Sepultamento

Mariana veio a falecer em 1882, aos 66 anos, vitimada por um câncer. Segundo documentos e cartas, em 1877, a condessa descobriu um tumor no ovário e, em 1882, partiu para a Inglaterra para se tratar. Ela viajou acompanhada de uma escrava e do médico Randolpho Penna, casado com uma sobrinha dela.

Em 3 de junho de 1882, ela chegou a Londres. Ali seria atendida pelo médico Thomas Spencer Wells (1818-1897), obstetra e pioneiro em cirurgias abdominais. O procedimento foi marcado para o dia 5. Cartas arquivadas no Itamaraty contam que a condessa morreu às 18h do mesmo dia, por exaustão, ao não conseguir se recuperar da cirurgia, conforme atestou o então cônsul-geral do Brasil em Londres, José Luiz Cardoso de Salles.[3]

Em seu testamento, ela doou seus bens, e terras, e libertou seus escravos. No documento, Mariana manifestou ainda o desejo de ser enterrada em sua terra natal, junto aos pais e ao marido.

Em setembro de 1882, o Club de Libertos Contra a Escravidão, com sede em Niterói, encomendou um retrato pintado em homenagem ao grande feito abolicionista da Condessa e o entregou em doação à Câmara Municipal da Corte no Rio de Janeiro. A pintura esteve ali disposta por muitos anos, sendo a única mulher dentre os homenageados da Câmara a ter seu retrato exposto.[4]

Sepultamento

Segundo a história contada na cidade, o corpo foi trazido para a Capela Nossa Senhora da Piedade, no bairro Cantagalo, anos depois.[5]

Na segunda metade da década de 2010, porém, a pesquisadora Cinara Jorge descobriu que seu corpo pode estar sepultado nas catacumbas de um cemitério na capital britânica.[5]

Ela chegou a essa conclusão ao colher informações para o livro ‘Pioneiros dos Três Rios - A Condessa do Rio Novo e sua Gente’, de sua autoria, a pesquisadora descobriu, ao ler uma notícia do jornal “Novidades”, datada do século 19, que, no momento do sepultamento, o caixão foi aberto e, para a surpresa de familiares, foram encontrados apenas alguns ossos envolvidos em serragem, sem a arcada dentária e cabelos, o que levantou suspeitas de possível fraude.[5]

Sua busca para desvendar o mistério começou por analisar registros históricos guardados no Arquivo Nacional, no Museu da Justiça, na Biblioteca Nacional, no Itamaraty e no Consulado do Brasil, em Londres.[5][6]

O mistério aumenta já que, na época, esqueletos como o enviado para Três Rios, em 1882, eram estudados em laboratórios e somente médicos tinham acesso. Porém, segundo a pesquisadora, ao se analisar documentos históricos, estes levantam suspeitas sobre a conduta e personalidade do médico Randolpho Penna, revelando que ele preencheu cheques assinados pela Condessa e deu calote no aluguel em Londres.[5][6]

Referências

  1. g1.globo.com/ Condessa do Rio Novo pode não estar sepultada em Três Rios, RJ
  2. odia.ig.com.br/ Restos mortais da maior heroína de Três Rios podem não estar na cidade
  3. BBC A misteriosa história da condessa brasileira que tem dois túmulos
  4. Gazeta de Notícias, 1898, 210ª Ed.
  5.  odia.ig.com.br/ Restos mortais da maior heroína de Três Rios podem não estar na cidade
  6.  JORGE, Cinara. Pioneiros dos três rios: A condessa do Rio Novo e sua gente. Três Rios, RJ: Boa União, 2012.

Mariana Claudina Barroso Pereira de Carvalho

Condessa do Rio Novo
(Três Rios, 1816 — Londres, 5 de junho de 1882)
Mariana Claudina Barroso Pereira de Carvalho foi uma fazendeira, abolicionista e benfeitora brasileira, cuja trajetória se destaca por atitudes raras e avançadas para o século XIX: a libertação de todos os seus escravos anos antes da Lei Áurea e a doação de terras e bens para garantir o futuro das pessoas que haviam sido sua propriedade.

Vida e Título

Nascida em Três Rios, região centro-sul do Rio de Janeiro, em 1816, casou-se com José Antônio Barroso de Carvalho, que recebeu os títulos de 1.º Barão e depois Visconde do Rio Novo. Após a morte do marido, Mariana passou a usar o título de Condessa do Rio Novo, herdando também uma grande fortuna, extensas propriedades rurais e mais de 400 pessoas escravizadas.
Sua atuação transformou-a em referência nas cidades de Três Rios e Paraíba do Sul, onde até hoje é lembrada com admiração e respeito.

Ação Abolicionista e Obras Sociais

Mariana se tornou uma das vozes e ações mais expressivas da causa abolicionista na região. Seus principais feitos incluem:
Libertação antecipada: Em 1882, libertou todos os seus escravos — cerca de 400 pessoas — seis anos antes da assinatura da Lei Áurea, em 1888. Não se limitou apenas à alforria: distribuiu lotes de terra para mais de 300 deles.
Colônia Nossa Senhora da Piedade: Em sua fazenda Cantagalo, em Paraíba do Sul, organizou essa comunidade para que os ex-escravos pudessem morar, plantar e construir suas vidas com autonomia.
Educação e saúde: Mandou construir duas escolas voltadas aos filhos dos libertos e a crianças de famílias pobres. Deixou também em testamento os recursos para a criação do Hospital Nossa Senhora da Piedade e da Casa de Caridade, instituições que ainda atendem a população local.
Preservação ambiental: Foi pioneira ao criar uma área de proteção no distrito de Bemposta, proibindo ali a instalação de comércio e indústrias — considerada a primeira reserva ecológica da região.
Suas ações chamaram a atenção e o apoio de grandes nomes do movimento abolicionista, como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio. Em 1884, em Ouro Preto, foi fundada a Sociedade de Libertos Condessa do Rio Novo, em sua homenagem.

Últimos Anos, Doença e Morte

Por volta de 1877, Mariana descobriu um tumor no ovário. Em busca de tratamento mais avançado, decidiu viajar para a Inglaterra em 1882, acompanhada de uma escrava e de seu genro, o médico Randolpho Penna.
Chegou a Londres em 3 de junho de 1882, e seria operada por Thomas Spencer Wells, cirurgião renomado na época. O procedimento ocorreu no dia 5 de junho, mas a Condessa não resistiu, falecendo por exaustão logo em seguida, aos 66 anos.
Em seu testamento, deixou clara sua vontade: doação de todos os bens, libertação de todos os escravos e o desejo de ser sepultada em sua terra natal, ao lado dos pais e do marido.

O Mistério do Sepultamento

Durante décadas, acreditou-se que seu corpo havia sido trazido ao Brasil e enterrado na Capela Nossa Senhora da Piedade, em Paraíba do Sul. Mas pesquisas recentes levantaram uma grande dúvida:
  • Ao analisar documentos, a historiadora Cinara Jorge descobriu que, quando o caixão supostamente com seus restos mortais chegou ao Brasil e foi aberto, havia apenas ossos soltos envolvidos em serragem, sem dentes nem cabelos — características que geraram suspeita de que não se tratava de seu corpo.
  • Registros apontam que seu médico, Randolpho Penna, tinha conduta questionável: usou cheques assinados por ela e deixou dívidas na Inglaterra.
  • Hoje, a hipótese mais forte é que seu corpo permaneceu em Londres, possivelmente nas catacumbas de um cemitério britânico, enquanto os ossos enviados ao Brasil poderiam ser de outra pessoa, usados para simular o cumprimento de sua última vontade.
Mesmo com essa incerteza sobre o local exato de seu descanso, seu legado permanece vivo: ela é um exemplo raro de elite rural que usou sua riqueza e poder para lutar contra a escravidão e promover dignidade e cidadania.

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