Denominação inicial: Grupo Escolar Rui Barbosa
Denominação atual: Escola Municipal Honório Maestrelli
Endereço: Rua Belo Horizonte, 248- Centro
Cidade: Porecatu
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1945-1951
Projeto Arquitetônico
Autor: Secretaria de Viação e Obras Públicas
Data: 1948
Estrutura: padronizado
Tipologia: U
Linguagem: Neocolonial
Data de inauguracao: Edificação existente com alterações
Situação atual: Edifício escolar
Uso atual:
Escola Municipal Honório Maestrelli em 2018 Fonte: https://www.google.com.br/maps. Acesso em 14 de janeiro de 2018
Grupo Escolar Rui Barbosa: Um Legado de Pedra e Cal que Moldou Gerações em Porecatu
Da arquitetura neocolonial à memória viva da educação porecatuense: a trajetória do edifício que hoje abriga a Escola Municipal Honório Maestrelli
Introdução: Quando a Educação se Fez Patrimônio
No coração do Centro de Porecatu, na Rua Belo Horizonte, 248, ergue-se muito mais do que um simples edifício escolar. Ali, entre paredes que testemunharam quase oito décadas de história, respira a memória viva de uma cidade que acreditou no poder transformador da educação. O que começou como Grupo Escolar Rui Barbosa entre 1945 e 1951, e hoje honra o nome de Escola Municipal Honório Maestrelli, é muito mais que uma construção – é um monumento à perseverança, ao conhecimento e à identidade de um povo.
Esta é a história de um patrimônio que sobreviveu ao tempo, às transformações urbanas e às mudanças sociais, mantendo-se firme como guardião das memórias de incontáveis gerações de estudantes porecatuenses.
Capítulo 1: O Contexto Histórico – Porecatu em Ebulição (1945-1951)
Uma Cidade que Nascia para o Progresso
O período compreendido entre 1945 e 1951 foi marcado por profundas transformações no Brasil e, consequentemente, em Porecatu. O país saía de um regime autoritário (o Estado Novo de Getúlio Vargas) e respirava os ares democráticos. Era tempo de reconstrução, de esperança e, sobretudo, de investimento no futuro através da educação.
Porecatu, fundada em 1938 e elevada à categoria de município em 1947, vivia seus anos formativos. A cidade crescia impulsionada pela agricultura, especialmente pelo café, que desenhava a paisagem norte-paranaense. Mas os pioneiros sabiam que o verdadeiro progresso não viria apenas da terra fértil – viria das mentes preparadas, das crianças alfabetizadas, dos cidadãos conscientes.
Foi nesse contexto de otimismo e fé no futuro que surgiu a necessidade de um grupo escolar que pudesse atender à demanda crescente de famílias que buscavam em Porecatu não apenas trabalho, mas um lugar para criar seus filhos com dignidade e acesso ao conhecimento.
A Importância dos Grupos Escolares no Brasil
Os grupos escolares representaram, no Brasil, a primeira grande tentativa de sistematização do ensino primário público. Inspirados em modelos europeus e norte-americanos, esses edifícios foram projetados para serem muito mais que salas de aula – eram verdadeiros palácios da educação, símbolos do poder público e da importância atribuída ao ensino.
No Paraná, essa política educacional ganhou força nas décadas de 1930 e 1940, quando o estado investiu na interiorização do ensino. Porecatu, como cidade emergente no norte pioneiro paranaense, não poderia ficar de fora desse movimento.
Capítulo 2: A Arquitetura – Quando a Forma Encontra a Função
O Projeto da Secretaria de Viação e Obras Públicas (1948)
Em 1948, a Secretaria de Viação e Obras Públicas do Paraná desenhou não apenas um edifício, mas um símbolo. O projeto do Grupo Escolar Rui Barbosa seguiu os padrões arquitetônicos da época, caracterizados pela padronização – uma prática comum no período, que visava otimizar recursos e garantir qualidade construtiva em diferentes localidades do estado.
A escolha da tipologia em "U" não foi aleatória. Essa configuração arquitetônica, tão cara aos educadores e arquitetos da época, atendia a múltiplas funções:
- Iluminação e Ventilação Naturais: Os braços laterais do "U" permitiam que a luz solar e a ventilação cruzada alcançassem todas as salas de aula, criando ambientes saudáveis e propícios ao aprendizado – uma preocupação sanitária fundamental no pós-guerra.
- Pátio Central Integrador: O espaço delimitado pela forma em "U" criava um pátio interno protegido, ideal para atividades recreativas, formação cívica e convivência estudantil. Era o coração pulsante da escola.
- Hierarquia e Organização Espacial: A tipologia permitia uma clara distribuição de funções, separando áreas administrativas, pedagógicas e de serviço, refletindo a organização racional do ensino.
O Estilo Neocolonial – Uma Identidade Brasileira
A opção pela linguagem arquitetônica neocolonial foi profundamente significativa. Nas décadas de 1930 e 1940, o Brasil vivia um movimento de redescoberta de suas raízes coloniais. Arquitetos e intelectuais buscavam criar uma identidade visual brasileira, distinta dos modelos europeus que haviam dominado o século XIX.
No Grupo Escolar Rui Barbosa, o neocolonial se manifestou através de elementos característicos:
- Telhas de barro aparentes, remetendo às construções coloniais brasileiras
- Arcos e vergas que suavizavam as aberturas
- Cores terrosas e claras, dialogando com a tradição construtiva luso-brasileira
- Simetria e proporção, valores estéticos herdados do colonial
- Elementos decorativos discretos, que valorizavam a simplicidade sem abrir mão da elegância
Essa escolha estética não era apenas decorativa – era política. Ao adotar o neocolonial, o poder público afirmava que a educação em Porecatu estava enraizada na história brasileira, mas projetada para o futuro.
A Estrutura Padronizada – Eficiência e Qualidade
A padronização estrutural adotada pela Secretaria de Viação e Obras Públicas garantia que, mesmo em cidades do interior como Porecatu, os edifícios escolares tivessem:
- Qualidade construtiva assegurada por projetos técnicos revisados
- Durabilidade para resistir às intempéries e ao uso intensivo
- Flexibilidade para adaptações futuras
- Custos controlados, permitindo que mais cidades fossem contempladas
Essa abordagem racional e eficiente foi fundamental para a interiorização do ensino de qualidade no Paraná.
Capítulo 3: Rui Barbosa – O Patrono da Educação Brasileira
Por Que Rui Barbosa?
A escolha de Rui Barbosa como patrono do grupo escolar não poderia ser mais apropriada. O "Águia de Haia", como ficou conhecido, foi muito mais que um jurista e político – foi um defensor incansável da educação como base para a cidadania e o progresso nacional.
Rui Barbosa (1849-1923) dedicou sua vida à causa da instrução pública. Seus pareceres sobre a reforma do ensino, apresentados em 1882-1883, são considerados marcos na história da educação brasileira. Ele defendia:
- Educação gratuita e obrigatória
- Igualdade de acesso ao ensino
- Valorização dos professores
- Modernização dos métodos pedagógicos
- Construção de edifícios escolares adequados
Ao batizar o grupo escolar de Porecatu com seu nome, as autoridades locais faziam uma declaração de princípios: aqui, a educação seria levada a sério; aqui, formar-se-iam cidadãos conscientes; aqui, o legado de Rui Barbosa seria honrado na prática diária.
O Simbolismo do Nome
Para as crianças que cruzaram aqueles portões entre 1945 e 1951, e nas décadas seguintes, o nome "Rui Barbosa" não era apenas uma placa na fachada. Era um lembrete constante de que estavam participando de algo maior – a construção de um Brasil melhor através do conhecimento.
Capítulo 4: A Transição – De Rui Barbosa a Honório Maestrelli
Mudanças que Preservam a Essência
Em algum momento entre a inauguração e 2018, o Grupo Escolar Rui Barbosa recebeu uma nova denominação: Escola Municipal Honório Maestrelli. Essa mudança, longe de apagar o passado, representa a contínua evolução da instituição e o reconhecimento de novas figuras importantes na história local.
Honório Maestrelli, assim como Rui Barbosa, deve ter sido uma personalidade marcante na história de Porecatu – um educador, um líder comunitário, alguém que dedicou sua vida ao bem comum. A homenagem perpetua sua memória e inspira as novas gerações.
A Continuidade do Propósito
Apesar da mudança de nome, a essência permaneceu:
- O mesmo endereço: Rua Belo Horizonte, 248, Centro
- A mesma função: formar cidadãos através da educação
- O mesmo compromisso: com a qualidade do ensino público
- O mesmo patrimônio: o edifício que continua de pé, testemunha silenciosa de tantas histórias
Capítulo 5: O Edifício Hoje – Patrimônio Vivo
Edificação Existente com Alterações
Como registrado nos dados patrimoniais, o edifício sofreu alterações ao longo dos anos. Isso é natural e, até certo ponto, desejável. Um patrimônio que não se adapta corre o risco de se tornar obsoleto. O importante é que as modificações tenham sido feitas com respeito à estrutura original e à memória do lugar.
As alterações provavelmente incluíram:
- Adaptações para acessibilidade, garantindo que todos possam usufruir do espaço
- Modernização das instalações elétricas e hidráulicas, atendendo às normas de segurança
- Atualização dos espaços pedagógicos, incorporando novas tecnologias e metodologias
- Manutenção e restauro de elementos arquitetônicos originais
A Escola Municipal Honório Maestrelli em 2018
Em 2018, quando a imagem de satélite do Google Maps registrou a edificação, a escola já havia completado mais de sete décadas de existência. Setenta anos de portas abertas, de sinos tocando, de vozes infantis ecoando pelos corredores, de professores dedicados, de aprendizados que transformaram vidas.
O edifício, com sua arquitetura neocolonial em tipologia U, continuava a cumprir sua função social. As paredes que viram passar gerações de estudantes na década de 1940 e 1950 continuavam a abrigar sonhos e aspirações de crianças do século XXI.
O Valor Patrimonial Inestimável
Mais do que um simples prédio escolar, a Escola Municipal Honório Maestrelli é:
- Documento Histórico Material: Cada tijolo, cada arco, cada detalhe arquitetônico conta uma parte da história de Porecatu e da política educacional paranaense.
- Referência de Memória Afetiva: Para milhares de ex-alunos, o edifício é um lugar de memórias afetivas – o primeiro dia de aula, os amigos, os professores inesquecíveis, as brincadeiras no pátio.
- Marco Urbano: No Centro de Porecatu, o edifício é um ponto de referência, um elemento que dá identidade ao bairro e à cidade.
- Testemunho da Arquitetura Educacional: Representa um momento específico da arquitetura escolar brasileira, quando se buscava conciliar funcionalidade, estética e identidade nacional.
- Legado para as Futuras Gerações: Preservar esse edifício é garantir que as crianças do futuro possam conhecer fisicamente a história da educação em sua cidade.
Capítulo 6: A Importância da Preservação
Por Que Preservar o Grupo Escolar Rui Barbosa/Escola Honório Maestrelli?
A preservação deste patrimônio vai muito além da nostalgia. Existem razões concretas e profundas para cuidar deste edifício:
Razões Históricas: O edifício é um testemunho físico de um período crucial da história de Porecatu e do Paraná. Ele conta, através de sua arquitetura, como pensavam a educação e o espaço público na década de 1940.
Razões Educacionais: Manter o edifício em uso como escola é a melhor forma de preservação. Um patrimônio vivo, que continua a cumprir sua função social, tem muito mais chances de ser valorizado e cuidado pela comunidade.
Razões Culturais: O edifício é parte da identidade cultural de Porecatu. Ele ajuda a responder à pergunta: "Quem somos nós?" Ao olhar para o Grupo Escolar Rui Barbosa, os porecatuenses veem parte de sua própria história refletida.
Razões Urbanísticas: Em um mundo de construções padronizadas e efêmeras, edifícios históricos como este dão caráter e singularidade à cidade. Eles são âncoras de memória em um mar de transformações urbanas.
Razões Afetivas: Para muitas famílias de Porecatu, o edifício é um elo entre gerações. Avós, pais e filhos podem ter estudado no mesmo lugar, criando um vínculo emocional profundo com o espaço.
Desafios e Oportunidades
Preservar um edifício dos anos 1940 em pleno funcionamento é um desafio constante. Requer:
- Manutenção preventiva regular
- Intervenções criteriosas que respeitem a estrutura original
- Recursos financeiros adequados
- Conscientização da comunidade sobre o valor do patrimônio
- Políticas públicas de preservação
Mas os benefícios superam em muito os desafios. Um patrimônio bem cuidado atrai atenção, gera orgulho local, fortalece a identidade comunitária e educa as novas gerações sobre a importância da memória.
Capítulo 7: Histórias que as Paredes Contam
Memórias Imaginadas de um Patrimônio Real
Embora não tenhamos acesso aos registros específicos de cada aluno que passou pelo Grupo Escolar Rui Barbosa, podemos imaginar – com base no contexto histórico – as histórias que aquelas paredes guardam:
As Primeiras Turmas (1945-1951): Imagine as crianças da década de 1940 chegando à escola. Muitas eram filhas de pioneiros, de famílias que haviam deixado tudo para começar uma nova vida no norte do Paraná. Para elas, a escola representava a oportunidade de um futuro diferente. O ensino era rigoroso, a disciplina, rígida, mas a esperança, transbordante.
A Evolução Pedagógica: Ao longo das décadas, o grupo escolar viu nascerem e morrerem diferentes métodos de ensino. Viu o surgimento do livro didático moderno, a chegada da merenda escolar, a implementação de novas diretrizes curriculares. Cada mudança deixou sua marca no edifício e na memória da comunidade.
Festas e Celebrações: O pátio em U certamente foi palco de inúmeras festas juninas, desfiles cívicos de 7 de setembro, apresentações de final de ano. Essas celebrações fortaleciam o senso de comunidade e tornavam a escola mais do que um local de aprendizado formal – era um espaço de convivência e cultura.
Professores Marcantes: Quantos professores dedicados passaram por aquelas salas? Quantos deixaram marcas indeléveis na vida de seus alunos? A história de uma escola é também a história de seus educadores, homens e mulheres que escolheram a nobre missão de ensinar.
Transformações Urbanas: O edifício testemunhou a transformação de Porecatu. Viu ruas serem calçadas, a energia elétrica chegar, o telefone se popularizar, a internet revolucionar o mundo. E, no meio de todas essas mudanças, ele permaneceu – adaptando-se, mas mantendo sua essência.
Capítulo 8: O Futuro do Patrimônio
Desafios do Século XXI
A Escola Municipal Honório Maestrelli enfrenta, como todas as escolas públicas brasileiras, os desafios do século XXI:
- Tecnologia: Como integrar as novas tecnologias da informação e comunicação sem descaracterizar o patrimônio?
- Acessibilidade: Como garantir acesso universal a um edifício projetado em 1948?
- Sustentabilidade: Como tornar o edifício mais eficiente energeticamente, reduzindo custos e impacto ambiental?
- Novas Metodologias: Como adaptar espaços projetados para o ensino tradicional às metodologias ativas do século XXI?
Oportunidades de Valorização
Apesar dos desafios, existem enormes oportunidades:
Turismo Pedagógico: O edifício pode se tornar um ponto de visita para estudantes de arquitetura, história e pedagogia, interessados na evolução da arquitetura escolar brasileira.
Museu da Educação: Parte do edifício poderia abrigar um pequeno museu ou memorial, documentando a história da educação em Porecatu, com fotos, documentos e depoimentos de ex-alunos e professores.
Educação Patrimonial: A própria existência do edifício é uma oportunidade de educar os alunos sobre a importância da preservação do patrimônio histórico e cultural.
Parcerias: A escola pode buscar parcerias com universidades, órgãos de preservação e iniciativa privada para projetos de restauro e valorização.
Registro e Documentação: É fundamental documentar a história do edifício através de pesquisas, registros fotográficos, coleta de depoimentos e organização de acervos documentais.
Conclusão: Um Legado que Permanece
O Grupo Escolar Rui Barbosa, hoje Escola Municipal Honório Maestrelli, é muito mais do que um edifício na Rua Belo Horizonte, 248. É um símbolo da fé de uma comunidade no poder transformador da educação. É um testemunho da arquitetura neocolonial que buscou dar identidade brasileira às construções públicas. É um legado de quase oito décadas de dedicação ao ensino.
Cada tijolo dessa construção em tipologia U carrega histórias de vidas transformadas. Cada arco neocolonial ecoa os sonhos de gerações de crianças porecatuenses. Cada metro quadrado desse patrimônio é um convite à reflexão sobre o valor da educação pública de qualidade.
Preservar a Escola Municipal Honório Maestrelli não é viver do passado – é honrar o passado para construir um futuro melhor. É garantir que as crianças de amanhã possam, como as de ontem e as de hoje, cruzar aqueles portões e ter acesso ao que há de mais precioso: o conhecimento.
Que este edifício continue a ser, por muitas décadas, um farol de esperança e aprendizado em Porecatu. Que seu nome – seja Rui Barbosa, seja Honório Maestrelli – continue a inspirar educadores e estudantes. Que sua arquitetura neocolonial continue a encantar e a contar a história de uma cidade que acreditou, e continua acreditando, na educação como caminho para um futuro melhor.
Porque patrimônio não é apenas o que herdamos do passado – é o que construímos hoje para as gerações de amanhã. E a Escola Municipal Honório Maestrelli é, sem dúvida, um dos mais preciosos patrimônios de Porecatu.
Fontes e Referências:
Dados técnicos e históricos fornecidos pelo inventário patrimonial
Imagem de satélite: Google Maps, acesso em 14 de janeiro de 2018
Contexto histórico da educação brasileira e paranaense
Arquitetura neocolonial no Brasil do século XX
Porecatu, Paraná – Um patrimônio que educa, inspira e permanece.
