CURITIBA: CRÔNICAS DE ELEGÂNCIA, TRADIÇÃO E VIDA SOCIAL
Um Retrato Inédito da Alta Sociedade Curitibana Através dos Registros de E.G.C.
CURITIBA: CRÔNICAS DE ELEGÂNCIA, TRADIÇÃO E VIDA SOCIAL
Um Retrato Inédito da Alta Sociedade Curitibana Através dos Registros de E.G.C.
INTRODUÇÃO: O ESPELHO DA SOCIEDADE
As páginas preservadas revelam um capítulo fascinante da história de Curitiba: o brilho da vida social, a solenidade dos grandes enlaces e a tradição dos bailes de gala. Através da coluna assinada por E.G.C., a capital paranaense é apresentada não apenas como uma cidade em crescimento, mas como um palco de elegância, onde famílias tradicionais, igrejas históricas e clubes seculares ditavam o ritmo do calendário social. Este artigo reconstrói, com fidelidade aos documentos origina, o cenário de uma Curitiba marcada pela requinte, pela fé e pela preservação de costumes que atravessavam gerações.
CAPÍTULO I: OS ENLACES MAGNÍFICOS NA IGREJA DE SANTA TEREZINHA
A Igreja de Santa Terezinha surge nos registros como o cenário privilegiado para dois grandes casamentos que marcaram a agenda social curitibana.
O Casamento de Vera Maria Coelho e Mario B. Coutinho
No dia 17 de dezembro, às 15 horas, a Igreja de Santa Terezinha recebeu o enlace de Vera Maria Coelho e Mario Barroso Coutinho. A cerimônia foi celebrada pelo Arcebispo Metropolitano D. Manoel da Silveira D'Elboux, conferindo ao ato uma solenidade religiosa e social de grande impacto. Vera Maria, filha do Major João de Almeida Coelho e de D. Amélia Barroso Coelho, desfilou em vestido de noiva clássico, acompanhada pelo pai. Mario, filho do Sr. Mario Coutinho e de D. Maria Helena Barroso Coutinho, aguardava no altar.
A lista de padrinhos e madrinhas refletia o prestígio das famílias: Sr. Francisco de Paula Xavier, Sr. Walter Pizzini, Sr. Alfredo da Luz, Waldemar O. Luz, Maria de Lourdes Corrêa, Elvira de Sá e Nélia Sotero. A decoração floral ficou a cargo de D. Raul Wanderley, enquanto os arranjos de mesa foram assinados por D. Alfredo Bordin, as senhoritas Darcy Dering e Maria, e o buquê da noiva foi preparado por D. Othonia Rocha. Após a bênção nupcial, os noivos receberam as felicitações nos salões da residência dos pais da noiva, onde foram presenteados com objetos de prata e iniciaram a lua de mel em Buenos Aires.
O Casamento de Marlene e Egas da Silva Mourão
No dia 5 de janeiro, às 11 horas, a mesma Igreja de Santa Terezinha foi palco do enlace de Marlene, filha de D. Maria de Lourdes Marino Pinto da Silva e do Sr. Egas, com Egas da Silva Mourão. A cerimônia contou com a presença do Padre Juca e de uma extensa lista de padrinhos e testemunhas, incluindo D. Augusto Bruno Monteiro Laffite Rocha, D. Cecyl Maria de Neiva, D. Leopoldo Cabral da Silva, D. Hugo Alencarques Barreto, Lourenço da Silva Mourão, D. Laura Fabícin da Silva e D. Raul Grillo de Souza Lobo.
O salão da igreja recebeu nomes ilustres da sociedade, como o Dr. Paulo Guimarães, D. José Siqueira, Benjamin de Andrade Mourão, Dr. Tirso Gomes da Silva, D. Vilma Plínio Carvalho de Oliveira, Dr. Roberto Pente Correa Alvim, Dr. André Fabich, D. Joaquim Marques de Souza, D. Helena da Costa Lopes, Dr. Antônio de Souza Arrigas e Dr. Lauro Lata. A recepção, realizada na residência dos pais da noiva, seguiu o padrão de elegância da época, com presentes em prata e lua de mel também em Buenos Aires. O evento foi registrado como um dos marcos que abriam o calendário social do novo ano.
CAPÍTULO II: A TRADIÇÃO DOS BAILES DE DEBUTANTES DO CLUBE CONCÓRDIA
O Clube Concórdia afirmava-se como uma instituição central na vida social de Curitiba, mantendo viva uma tradição iniciada em 1928: o baile das debutantes. Em 1958, o clube realizou mais uma edição memorável, apresentando à sociedade jovens que desfilavam com graça, elegância e a solenidade exigida pelo ritual de passagem para a vida adulta.
As fotografias e crônicas da época registram o brilho dos vestidos, a postura impecável e a organização impecável do evento. Entre as jovens apresentadas destacam-se:
- Maria Angela Tasso, filha do casal Alexandre Tasso, descrita como graciosa e encantadora.
- Regina Maria Tronques, filha do casal Armando e Lydia Tronques.
- O grupo principal de debutantes, que incluía: Claudia Bueno (Dama de Honra), Walda Bueno, Maria Helena Bueno (Presidente da comissão), Marilse Klüver, Maria Klüver, Dora Angélica Freid, Yara Wendling, Regina Rosenmayer e Renata Pereira Lins. A presidente da comissão de debutantes, Rute Klüver Groters, também é mencionada nos registros.
O baile não era apenas uma festa, mas um rito de passagem meticulosamente organizado, onde a alta sociedade curitibana se reunia para celebrar a juventude, a tradição e os laços familiares. A valsa, executada por todos os presentes, marcava o ápice da noite, unindo gerações em um mesmo compasso de elegância.
CAPÍTULO III: PERFIL DA JOVEM DO MÊS: VERA MARIA AMARAL
A coluna de E.G.C. também dedicava espaço para perfilar jovens que representavam o novo espírito de Curitiba. Vera Maria Amaral, eleita "Jovem do Mês", nasceu na capital paranaense em 27 de dezembro de 1938, filha do Professor Carlos e de D. Maria Amaral. Com 18 anos e estudante do segundo ano da Universidade do Brasil, Vera Maria concedeu uma entrevista que revela os gostos, sonhos e valores da juventude curitibana da época.
Gostos e Preferências:
- Música e Cinema: Apreciava o clássico e Orlando Teixeira, demonstrando pouca inclinação pelo jazz. Frequentava o cinema cinco vezes ao mês, citando filmes como "Rei do Ralo" e "Rio à Solteira", e elogiava o diretor Delmer Daves.
- Leitura e Cultura: Lia jornais como o "Jornal do Brasil" e "O Globo", e nutria o desejo de viajar para conhecer novos horizontes, já tendo visitado alguns estados brasileiros.
- Ideais e Valores: Defendia um casamento baseado na verdadeira felicidade e no companheirismo, rejeitando o materialismo. Acreditava que o segredo da beleza estava na boa saúde e na alegria. Seu lema de vida era claro: "Muita ação! Não há nada de novo na terra sob o sol. Aproveitar e tornar capaz de atingir a felicidade suprema."
- Religiosidade e Sociedade: Católica praticante, preferia a missa matinal e a simplicidade da missa em francês. Valorizava as festas sociais pelo bom gosto e pela oportunidade de convivência, embora mantivesse uma postura serena diante das obrigações da alta roda.
Vera Maria Amaral sintetizava, em sua juventude, a mistura de tradição e modernidade que caracterizava a elite curitibana: educada, culta, religiosa e com os pés firmes nos valores familiares, mas aberta aos novos tempos.
CAPÍTULO IV: O MOVIMENTO SOCIAL E O CALENDÁRIO DE FESTIVIDADES
Os registros de E.G.C. funcionavam como um verdadeiro cronograma da vida social curitibana. O "Movimento Social" não era apenas uma coluna de fofocas, mas um registro histórico de como a cidade se organizava em torno de seus clubes, igrejas e famílias.
O Baile Mademoiselles, realizado no Clube Concórdia, foi destacado como um verdadeiro sucesso, reunindo figuras representativas da sociedade em um desfile de moda e elegância. As senhoritas curitibanas desfilavam com roupas que ditavam tendências, enquanto a tradicional valsa fechava a noite com a participação de todos os presentes. A coluna registrava com precisão os nomes, os trajes, os presentes e os destinos das luas de mel, criando um arquivo vivo da memória afetiva e social da cidade.
O encerramento do ano era marcado por esses grandes eventos, que funcionavam como pontos de encontro da aristocracia e da burguesia culta de Curitiba. A repetição de cerimônias na Igreja de Santa Terezinha, a frequência aos salões do Clube Concórdia e a organização dos bailes de debutantes demonstravam uma sociedade coesa, onde a etiqueta, a fé e a tradição eram pilares inegociáveis.
CONCLUSÃO: CURITIBA, UM LEGADO DE REQUINTE E MEMÓRIA
As páginas analisadas revelam uma Curitiba que viveu seu apogeu social através da solenidade dos casamentos, da tradição dos bailes de debutantes e do cultivo de uma juventude educada e consciente de seu papel na sociedade. A Igreja de Santa Terezinha e o Clube Concórdia não eram apenas endereços, mas símbolos de uma época em que a elegância era uma linguagem própria e os registros sociais funcionavam como crônicas históricas.
Através dos nomes de Vera Maria Coelho, Mario B. Coutinho, Marlene, Egas, das debutantes do Concórdia e da jovem Vera Maria Amaral, Curitiba se mostra como uma cidade que sabia celebrar a vida com pompa, fé e sofisticação. A coluna de E.G.C. preserva, com riqueza de detalhes, o tecido social de uma capital que crescia sem abandonar seus rituais, mantendo viva a memória de uma época em que cada enlace, cada valsa e cada perfil de jovem do mês eram pedaços de uma história que ainda ecoa nos salões e nas igrejas que marcaram a identidade curitibana.
Este registro é um tributo à elegância, à tradição e à vida social que moldaram o caráter de Curitiba, provando que a história de uma cidade também se escreve nos vestidos de noiva, nos buquês de flores, nos salões de baile e nas palavras de suas juventudes mais brilhantes.
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