| Maria Amanda Paranaguá Dória | |
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Fotografia feita entre 1881 e 1884 | |
| Nascimento | 12 de junho de 1849 |
| Morte | 15 de agosto de 1931 (82 anos) |
| Nacionalidade | Brasileira |
| Progenitores | Mãe: Maria Amanda Pinheiro de Vasconcelos Pai: João Lustosa da Cunha Paranaguá |
Maria Amanda Lustosa da Cunha Paranaguá (Salvador, 12 de junho de 1849 – Rio de Janeiro, 15 de agosto de 1931) foi uma dama de companhia da princesa Isabel e baronesa de Loreto.
Pelo lado paterno, era descendente da tradicional família Cunha Lustosa, do Piauí: filha de João Lustosa da Cunha Paranaguá, 2.º Marquês de Paranaguá e sobrinha dos barões de Paraim e de Santa Filomena. Pelo lado materno, era neta de Joaquim José Pinheiro de Vasconcelos, Visconde de Monserrate.
Em 1862, enquanto cavava um canteiro, a princesa Isabel atingiu Amanda acidentalmente com uma pá. Mesmo tendo perdido a visão do olho direito devido ao incidente, ela permaneceu como uma das poucas e mais fiéis amigas da Princesa Isabel até o fim da vida. Casou-se na Corte, em 30 de maio de 1868, com Franklin Américo de Meneses Dória – advogado, político e, posteriormente, barão de Loreto –, tornando-se, por conseguinte, baronesa consorte de Loreto.
"Amandinha" como era chamada por familiares e amigos, nunca chegou a gerar filhos e, neste sentido, tornou-se uma opção sua envolver-se em questões políticas do país. A partir do começo da década de 1880, Amanda juntou-se à campanha abolicionista, contribuindo com sua influência e donativos em favor da libertação de pessoas escravizadas. Era amiga de André Rebouças, Machado de Assis e de outros intelectuais da época, também afeitos à causa da Abolição. Empreendeu marcante esforço pela alfabetização de crianças pobres e órfãs, chamadas à época de "desvalidas", o que lhe rendeu a alcunha de "Mãe dos Analfabetos", pelo jornalista Valentim Magalhães.
Em 15 de outubro de 1886, Amanda foi nomeada "dama de palácio, com exercício junto à Princesa Imperial". Naquela mesma ocasião, Maria José Velho de Avellar Tosta, esposa de Manuel Vieira Tosta Filho, futuros barões de Muritiba, outra amiga íntima da herdeira do trono e de Amandinha, também foi nomeada dama de palácio.[1]
Por seu forte desempenho contra a escravidão e seu apoio à princesa Isabel, em sua Terceira Regência (1887-1888), foi chamada por ela de "minha ministrinha" e agraciada, com o marido, com o baronato. Por despacho de 15 de junho de 1888, tornaram-se barões de Loreto, com honras de grandeza, em referência ao lugar de nascimento do seu marido, Franklin, na Ilha dos Frades, província da Bahia. [2]
Por ocasião do golpe militar republicano de 15 de novembro de 1889, dois dias depois, Amandinha e Franklin seguiram para o exílio, voluntariamente, com a família imperial, de onde só retornariam ao Rio de Janeiro, em agosto de 1890.[3] Desde então, a baronesa de Loreto tornou-se informante requisitada dos ex-soberanos no Brasil, passando a conceder entrevistas e colecionar objetos dos tempos da Monarquia. Amanda faleceu aos 82 anos de idade, no Rio de Janeiro, onde foi sepultada no Cemitério São João Batista.
Referências
- BRASIL. Decreto de nomeação de Amanda Paranaguá Dória, baronesa de Loreto, para a função de dama de palácio com exercício junto à princesa imperial. Assinado barão de Mamoré, com a rubrica do imperador. Rio de Janeiro, 15/10/1886. DL 299, pasta 2. Rio de Janeiro: Coleção baronesa de Loreto. Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
- CALMON, Pedro (1981). Franklin Dória, barão de Loreto. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército.
- Dos surtos do príncipe à morte da imperatriz: o exílio da família imperial brasileira
- Cruz, Itan. A serviço de Sua Alteza Imperial: Amanda Paranaguá Dória, dama da princesa Isabel (1849-1931). Dissertação de mestrado em História. Instituto de História. Universidade Federal Fluminense. Niterói, 2018.