segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Utah Beach: O Desembarque Esquerdo da Operação Overlord

 

Praia de Utah
Desembarques da Normandia, Segunda Guerra Mundial

Tropas americanas desembarcando em Utah.
Data6 de junho de 1944
LocalPouppeville, La Madeleine, Manche (perto de Sainte-Marie-du-Mont), França
DesfechoVitória Aliada
Beligerantes

 Estados Unidos
 Reino Unido
 Canadá
 Países Baixos

 Alemanha

Comandantes

 J. Lawton Collins
 Theodore Roosevelt Jr.

Alemanha Nazista Karl-Wilhelm von Schlieben

Forças

Praia: 4ª Divisão de Infantaria
90ª Divisão de Infantaria
4º Regimento de Cavalaria

  • 21 000 soldados

Saltos aéreos: XVIII Corpo de Paraquedistas
82ª e 101ª Divisões Aerotransportadas

  • 14 000 soldados

12 320 soldados

Baixas

3 396 mortos ou feridos

Desconhecidas

Utah (em inglês: Utah Beach), chamada comumente de Praia de Utah, foi o nome de código de um dos cinco setores de desembarque de praia do componente de assalto anfíbio da Operação Overlord ao território da França ocupada, em 6 de junho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Utah era a praia mais a oeste de todos os setores usados nos Desembarques da Normandia, na Península do Cotentin, a oeste dos rios Douve e Vire. Os desembarques em Utah foram feitos por tropas do exército dos Estados Unidos, apoiados por navios da marinha americana e da sua Guarda Costeira, com elementos também da Marinha Real Britânica, Canadense, Holandesa e de outras nações Aliadas.[1][2]

O objetivo de conquistar o setor de Utah era assegurar uma cabeça de praia na costa mais ao norte da Península do Cotentin, próximo aos importantes portos de Cherbourg. O ataque anfíbio, encabeçado principalmente por soldados da 4ª Divisão de infantaria e do 70º Batalhão de blindados, era apoiado por inúmeras unidades de paraquedistas da 82ª e 101ª Divisões Aerotransportadas lançadas atrás da costa horas antes. O objetivo era isolar a entrada da península, evitando que os alemães reforçassem Cherbourg, permitindo que os americanos tomassem os portos rapidamente. Utah, junto com a Praia Sword no flanco leste, foi adicionada ao plano de invasão apenas em dezembro de 1943. Essas mudanças aumentaram a escala da operação e atrasou todo o planejamento em um mês para que mais homens e equipamentos pudessem ser levados a Inglaterra. As forças Aliadas atacando a Praia de Utah enfrentaram dois batalhões do 919º Regimento de granadeiros, parte da 709º Divisão de infantaria da Wehrmacht. Embora as defesas em toda a Normandia tivessem sido fortalecidas por ordens do marechal Erwin Rommel, no começo de outubro de 1943, as tropas que defendiam a área eram conscritos com equipamentos não muito bons.[3]

O comandante supremo aliado, Dwight D. Eisenhower, falando com o primeiro tenente Wallace C. Strobel e os homens da Companhia E, 2º Batalhão do 502º Regimento de Infantaria de para-quedistas pouco antes do Dia D, em 5 de junho de 1944, no Greenham Common Airfield, Inglaterra. O batalhão de Strobel foi um dos primeiros a saltar na Normandia.
Zonas de salto de paraquedistas e desembarque de planadores na Península do Cotentin planejadas para o Dia D, 6 de junho de 1944.

O Dia D em Utah começou as 01:30h da madrugada, quando unidades americanas de paraquedistas das 82ª e 101ª Divisões Aerotransportadas e planadores militares foram lançados na Normandia,[4] mais especificamente no canto sudeste da Península do Cotentin, com o objetivo principal de capturar a crucial encruzilhada de Sainte-Mère-Église, capturar pontes intactas ao longo do rio Merderet, assumir posições estratégicas para prevenir o reforço alemão, inutilizar uma bateria costeira em Saint-Martin-de-Varreville, capturar a eclusa do rio Douve em La Barquette (ao lado Carentan) e garantir as quatro saídas atrás da praia de Utah para que a 4ª Divisão de Infantaria pudesse avançar rapidamente após desembarcarem. Outro objetivo crucial para os paraquedistas americanos da 101ª Divisão Aerotransportada era tomar a cidade de Carentan, para consolidar as cabeças de praia de Utah e Omaha. Embora os paraquedistas tenham conquistado seus objetivos com certa facilidade, muitas unidades aerotransportadas foram lançadas longe de seus objetivos e nos lugares errados devido ao mal tempo e ao fogo antiaéreo, e não conseguiram se mover para os pontos pré-determinados até o fim do primeiro dia. A locomoção foi dificultada pelos pântanos e campos inundados pelos alemães e muitos planadores foram danificados durante o pouso por postes de madeira fincados no chão. No desembarque em si, a infantaria e os tanques americanos vieram em quatro ondas a partir das 06:30h da manhã, e tomaram a praia e as regiões vizinhas rapidamente, sofrendo poucas baixas. Enquanto isso, os engenheiros começaram a limpar os obstáculos e as minas na costa, pouco antes dos reforços serem desembarcados também. Ao fim do primeiro dia de operações, os Aliados haviam capturado apenas metade da área que pretendiam, com várias tropas alemães ainda segurando algumas boas posições defensivas, mas as cabeças de praia estavam completamente seguras.[1]

A 4ª Divisão de infantaria do exército americano desembarcou 21 000 homens em Utah no primeiro dia e sofreram 197 baixas. Os quase 14 000 paraquedistas que foram lançados viram os combates mais intensos, sofrendo 2 500 baixas (entre mortos, feridos ou desaparecidos). Cerca de 700 homens das unidades de engenharia, de tanques e da marinha foram mortos ou feridos por fogo inimigo. As baixas alemãs são desconhecidas, mas presume-se que tenham sido bem altas. A importante cidade de Cherbourg foi tomada apenas em 30 de junho, após três semanas de intensos combates. Antes de recuarem os alemães danificaram todos os portos na costa, atrasando o progresso Aliado. Os portos só voltaram a ficar operacionais em setembro.[5]

Fotos

Referências

  1.  Balkoski, Joseph (2005). Utah Beach: The Amphibious Landing and Airborne Operations on D-Day, June 6, 1944. Mechanicsburg, PA: Stackpole Books. ISBN 0-8117-0144-1
  2. Lee, Demorris A. (6 de junho de 2008). «For Largo man, D-day is like yesterday». The St. Petersburg Times. Consultado em 18 de junho de 2017. Arquivado do original em 24 de maio de 2014
  3. Beevor, Antony (2009). D-Day: The Battle for Normandy. New York; Toronto: Viking. ISBN 978-0-670-02119-2
  4. Ambrose, Stephen. D-Day June 6, 1944: The Climactic Battle of World War II. New york: Simon & Schuster, 1995. ISBN 0-671-88403-4.
  5. Ford, Ken; Zaloga, Steven J (2009). Overlord: The D-Day Landings. Oxford; New York: Osprey. ISBN 978-1-84603-424-4

Bibliografia

Utah Beach: O Desembarque Esquerdo da Operação Overlord

Visão Geral e Contexto Histórico

Utah Beach (Praia de Utah) foi o nome de código atribuído a um dos cinco setores de desembarque anfíbio da Operação Overlord, que marcou o início da libertação da Europa ocidental ocupada pela Alemanha Nazista em 6 de junho de 1944 (o Dia D), durante a Segunda Guerra Mundial.

Situada no setor mais a oeste de toda a operação de desembarque na Normandia — especificamente na costa oriental da Península do Cotentin, a oeste dos rios Douve e Vire —, a praia foi designada para ser conquistada por tropas do Exército dos Estados Unidos, contando com o apoio essencial de navios da Marinha dos Estados Unidos, da Guarda Costeira americana e de destacamentos navais da Marinha Real Britânica, Canadense, Holandesa e de outras nações Aliadas.

Objetivos Estratégicos e Planejamento

O plano original traçado no final de 1943 previa apenas três praias principais de assalto. No entanto, em dezembro de 1943, o plano foi expandido com a inclusão de Utah (no flanco oeste) e da Praia Sword (no flanco leste). Essa ampliação aumentou significativamente a escala da operação e exigiu o adiamento de todo o cronograma em um mês para garantir o acúmulo de tropas e equipamentos necessários na Inglaterra.

Os Alvos Principais

  • A cabeça de praia na Península do Cotentin: O objetivo fundamental era estabelecer posições firmes para facilitar a captura posterior do porto de águas profundas de Cherbourg, vital para a logística e o fluxo contínuo de suprimentos aliados.

  • Isolamento da Península: Evitar que as forças alemãs pudessem enviar reforços em massa para Cherbourg.

  • Apoio Aerotransportado massivo: A invasão anfíbia — encabeçada principalmente pela 4ª Divisão de Infantaria e pelo 70º Batalhão de Blindados — foi precedida e flanqueada pelo lançamento noturno de milhares de paraquedistas das 82ª e 101ª Divisões Aerotransportadas.

As Forças em Confronto

O Dispositivo Aliado

  • Forças Anfíbias: 4ª Divisão de Infantaria americana e o 70º Batalhão de Blindados.

  • Tropas Aerotransportadas: 82ª e 101ª Divisões Aerotransportadas dos EUA, responsáveis por asegurar os acessos terrestres e neutralizar defesas internas nas primeiras horas do Dia D.

As Defesas Alemãs

A defesa do setor de Utah estava sob a responsabilidade do 919º Regimento de Granadeiros, integrado à 709ª Divisão de Infantaria da Wehrmacht.

  • Embora o marechal Erwin Rommel tivesse ordenado o fortalecimento sistemático das defesas ao longo de toda a costa normanda a partir de outubro de 1943, as tropas alocadas diretamente para defender aquela área específica consistiam majoritariamente em soldados conscritos com recursos e equipamentos limitados.

O Desenrolar do Dia D em Utah (6 de Junho de 1944)

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|                            CRONOLOGIA RESUMIDA DO DIA D                           |
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| 01:30h            | Início dos lançamentos de paraquedistas e planadores.         |
| 06:30h            | Início das ondas de desembarque anfíbio da infantaria/tanques.|
| Fim do Primeiro Dia| Cabeças de praia seguras, apesar de objetivos parciais.      |
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1. A Operação Aerotransportada da Madrugada (01:30h)

Horas antes da chegada dos barcos à costa, as divisões aerotransportadas 82ª e 101ª iniciaram seus saltos na base sudeste da Península do Cotentin. Seus objetivos principais eram:

  • Capturar a encruzilhada estratégica de Sainte-Mère-Église.

  • Tomar pontes intactas sobre o rio Merderet.

  • Neutralizar uma bateria de artilharia costeira em Saint-Martin-de-Varreville.

  • Capturar a eclusa do rio Douve em La Barquette (próximo a Carentan).

  • Assegurar as quatro estradas que cruzavam os pântanos e serviam de saída atrás da praia de Utah, permitindo o avanço rápido da 4ª Divisão de Infantaria.

  • Tomar a cidade de Carentan (pela 101ª Divisão) para unificar as cabeças de praia de Utah e Omaha.

Desafios do Salto: Devido a condições meteorológicas adversas e fogo antiaéreo intenso, muitas unidades foram lançadas em locais incorretos e dispersas por pântanos e campos propositalmente inundados pelos alemães. Vários planadores sofreram acidentes ao colidir com postes de madeira cravados pelos defensores (os chamados Spargeln de Rommel). Apesar disso, os paraquedistas cumpriram a maioria de seus propósitos operacionais essenciais.

2. O Desembarque Anfíbio (06:30h)

A partir das 06:30h da manhã, a infantaria e os blindados americanos avançaram em quatro ondas sucessivas sobre a areia. Graças a desvios de correnteza favoráveis e à eficácia do bombardeio pré-desembarque, a praia foi tomada com relativa rapidez e índice reduzido de baixas iniciais. Engenheiros militares logo iniciaram a varredura de minas e a abertura de caminhos na costa, permitindo a chegada contínua de reforços.

Ao cair da noite do dia 6 de junho, embora os Aliados tenham alcançado apenas metade dos objetivos territoriais estipulados no planejamento original — com focos de resistência alemã ainda ativos —, as cabeças de praia estavam firmemente garantidas.

Balanço de Baixas e Consequências

  • 4ª Divisão de Infantaria: Desembarcou cerca de 21.000 homens no primeiro dia, registrando 197 baixas.

  • Tropas Aerotransportadas: Os quase 14.000 paraquedistas enfrentaram os combates mais encarniçados, contabilizando aproximadamente 2.500 baixas (entre mortos, feridos e desaparecidos).

  • Engenharia, Blindados e Marinha: Cerca de 700 homens foram mortos ou feridos pelo fogo inimigo.

  • Baixas Alemãs: Embora os números exatos permaneçam desconhecidos, estimam-se perdas humanas severas.

A Conquista de Cherbourg

A cidade portuária de Cherbourg foi totalmente tomada pelas forças aliadas em 30 de junho de 1944, após três semanas de combates intensos na península. Antes de recuarem, as tropas alemãs executaram a destruição sistemática da infraestrutura portuária, retardando o avanço logístico aliado até que os portos fossem completamente recuperados e reabertos em setembro daquele ano.

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