Anolis brasiliensis | |||||||||||||||||
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Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Anolis brasiliensis Vanzolini & Williams, 1970 | |||||||||||||||||
| Sinónimos[2] | |||||||||||||||||
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Anolis brasiliensis, popularmente conhecido como calango-bandeira ou papa-vento,[2] é uma espécie de lagarto da família dos dactiloídeos (Dactyloidae) endêmica do Brasil.[3]
Etimologia
Calango deriva da quimbundo kalanga com sentido de "lagarto".[4]
Distribuição e habitat
Anolis brasiliensis é endêmica do Brasil e ocorre nos estados de Goiás, Pará, Tocantins, Maranhão, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso, bem como no Distrito Federal, nos ambientes florestados dos biomas cerrado e caatinga e enclaves savânicos no bioma Amazônia. Estima-se que ocorra numa área de 2 496 527 quilômetros quadrados. [1][5] Talvez ocorra na Bolívia. Sua localidade tipo é a Barra dos Tapirapés, em Mato Grosso.[2] Vive em vegetações aberta sobre troncos de árvores ou serapilheira em mata de igapó não inundável. A maioria dos indivíduos é encontrada na sombra ou sob o sol filtrado em dias nublados e ensolarados, sendo que a temperatura corporal média de 30,6 °C e não varia entre microhabitats. [6]
Ecologia
Anolis brasiliensis é uma espécie diurna. Há registro de infecção pelo nematoides Rhabdias sp. e Subulura lacertilia.[1] Mesmo sendo ovíparos, a dieta dos lagartos é dominada por aranhas, grilos/gafanhotos, formigas e besouros. Embora os lagartos que comiam presas grandes comessem menos presas, não existe correlação entre o tamanho ou o número de presas e o tamanho do corpo do lagarto.[7]
Descrição
Anolis brasiliensis pode atingir tamanho máximo de 69 milímetros. Apresenta tíbias curtas e corpo alongado. Possui fila dupla de escamas vertebrais aumentadas da nuca até a base da cauda. Há fileiras de escamas dorsais com quilhas fracas, que aumentam em número em direção à cauda, passando gradualmente entre fileira dupla de escamas alargadas e grânulos nos flancos. As escamas dos braços são maiores do que as escamas vertebrais e as escamas do focinho variam moderadamente de quilhadas a lisas e apresentam tamanho heterogêneo, sem distinção entre as escamas anteriores e posteriores. Há semicírculos supraorbitais com escamas largas e geralmente lisas. A região supraocular possui escamas grandes e quilhadas, circundadas por escamas pequenas. A região interparietal é maior que as escamas adjacentes. Sua lamela tem colocação azul ou azul-acinzentada.[1][2]
Estado de conservação
A espécie foi avaliada na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN / IUCN) como menos preocupante, haja vista ocorrer numa ampla área e não ter ameaças evidentes à sua sobrevivência, apesar de ocorrer numa área na qual houve perda de vegetação nativa em decorrência da conversão das área naturais em agricultura de larga escala.[1] Acredita-se que seja particularmente vulnerável à extinção caso seu habitat seja alterado.[8] Em 2007, Anolis brasiliensis foi classificada como vulnerável na Lista de espécies de flora e fauna ameaçadas de extinção do Estado do Pará;[9][10] em 2014, como em perigo no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo;[11] e em 2018, sob o nome de Norops brasiliensis, como pouco preocupante na Lista Vermelha do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). [12][13]
Referências
- Colli, G. R.; Fenker, J.; Tedeschi, L.; Bataus, Y. S. L.; Uhlig, V. M.; Silveira, A. L.; da Rocha, C.; Nogueira, C. de C.; Werneck, F.; de Moura, G. J. B.; Winck, G.; Kiefer, M.; de Freitas, M. A.; Ribeiro Júnior, M. A.; Hoogmoed, M. S.; Tinôco, M. S. T.; Valadão, R.; Cardoso Vieira, R.; Perez Maciel, R.; Gomes Faria, R.; Recoder, R.; Ávila, R.; Torquato da Silva, S.; de Barcelos Ribeiro, S.; Avila-Pires, T. C. S. (2020). «Anolis brasiliensis». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2020: e.T75089949A75089975. doi:10.2305/IUCN.UK.2020-3.RLTS.T75089949A75089975.en
. Consultado em 5 de maio de 2023 - «Anolis brasiliensis VANZOLINI & WILLIAMS, 1970». Consultado em 5 de maio de 2023. Cópia arquivada em 5 de maio de 2023
- «Norops brasiliensis (Vanzolini & Williams, 1970)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 5 de maio de 2023. Cópia arquivada em 5 de maio de 2023
- Grande Dicionário Houaiss, verbete calango
- Borges-Nojosa, D. M.; Caramaschi, U. (2003). «Composição e análise comparativa da diversidade e das afinidades biogeográficas dos lagartos e anfisbenídeos (Squamata) dos brejos nordestinos». In: Leal, Inara R.; Tabarelli, Marcelo; da Silva, José Maria Cardoso. Ecologia e conservação da Caatinga (PDF). Recife: Universitária, Universidade Federal de Pernambuco. pp. 181–236. Consultado em 5 de maio de 2023. Cópia arquivada (PDF) em 18 de fevereiro de 2022
- Vitt, Laurie J.; Shepard, Donald B.; Vieira, Gustavo Henrique Calazans; Caldwell, Janalee P.; Colli, Guarino R.; Mesquita, Daniel (2008). «Ecology of Anolis Nitens Brasiliensis in Cerrado Woodlands of Cantão». Copeia. 2008 (1): 144-153. Consultado em 5 de maio de 2023
- D'Angiolella, Annelise; Gamble, Tony; Avila-Pires, Teresa C. S.; Colli, Guarino R.; Noonan, Brice P.; Vitt, Laurie J. (2011). «Anolis chrysolepis Duméril and Bibron, 1837 (Squamata: Iguanidae), Revisited: Molecular Phylogeny and Taxonomy of the Anolis chrysolepis Species Group». Bulletin of the Museum of Comparative Zoology. 160 (2): 35-63. Consultado em 5 de maio de 2023
- Mesquita, Daniel O.; Costa, Gabriel Correa; Figueredo, Sol; França, Frederico Gustavo Rodrigues; Garda, Adrian; Soares, Ana H. Bello; Tavares-Basto, Leonora; Vasconcellos, Mariana M.; Vieira, Gustavo Henrique Calazans; Vitt, Laurie J.; Weneck, Frernanda P.; Wiederhecker, Helga; Colli, Guarino R. (2015). «The autecology of Anolis brasiliensis (Squamata, Dactyloidae) in a Neotropical savanna». The Herpetological Journal. 25 (4): 233-244. Consultado em 5 de maio de 2023
- Extinção Zero. Está é a nossa meta (PDF). Belém: Conservação Internacional - Brasil; Museu Paraense Emílio Goeldi; Secretaria do Estado de Meio Ambiente, Governo do Estado do Pará. 2007. Consultado em 2 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 2 de maio de 2022
- Aleixo, Alexandre (2006). Oficina de Trabalho "Discussão e Elaboração da Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção do Estado do Pará (PDF). [S.l.]: Museu Paraense Emílio Goeldi; Conservação Internacional; Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (SECTAM). Consultado em 5 de maio de 2023. Cópia arquivada (PDF) em 19 de junho de 2022
- Bressan, Paulo Magalhães; Kierulff, Maria Cecília Martins; Sugleda, Angélica Midori (2009). Fauna Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo - Vertebrados (PDF). São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SIMA - SP), Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Consultado em 2 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 25 de janeiro de 2022
- «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018
- «Avaliação do Risco de Extinção dos Lagartos Brasileiros» (PDF). Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2020. Consultado em 10 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 11 de dezembro de 2024