Afonso Sardinha, o Moço, foi um bandeirante paulista. Era um caboclo, filho do sertanista português Afonso Sardinha e da índia Tupinambá. Em 1589 ele e seu pai descobriram, em uma de suas excursões, minério de ferro, urânio e o sopé do Morro Araçoiaba (próximo à atual cidade de Iperó, em São Paulo).[1] Tinha acompanhado o pai em todos seus feitos.
Feitos
D. Francisco de Sousa chegou a São Paulo em maio de 1599 com grande comitiva e visitou então as minas de Afonso Sardinha o Moço, Bacaetava, São Roque e Jaraguá.
Dom Francisco em 1601 nomeou Diogo Gonçalves Laço capitão das minas de ouro e prata do Ibiraçoiaba. Na ocasião, declarou Afonso Sardinha o Moço como seu descobridor, com Clemente Alvares. Eram minas, mas de flancos de montanha ou "grupiaras". Ordena aos dois Afonso Sardinha as diligências que somente serão executadas por Nicolau Barreto no ano seguinte.
Esta importante bandeira de Nicolau Barreto teve início em agosto de 1602. Partiu de São Paulo, autorizado Nicolau por Dom Francisco a descobrir ouro e prata (o objetivo real teria sido a pesquisa de ouro e prata no Peru). Desceram o rio Tietê e o rio Paraná, atingiram o rio Guairá mas trouxeram apenas índios de volta a São Paulo, onde chegaram em 1604. Haviam-na integrado Afonso Sardinha o Moço; Simão Borges Cerqueira, fidalgo da Casa Real; Ascenso Ferreira; Pedro Leme; Manuel Preto; Francisco de Alvarenga.[carece de fontes]
Pensa-se que queriam na verdade penetrar no reino do Peru à procura de minas, já que o mesmo soberano dominava o continente. Desta bandeira resultou que o governador Dom Francisco Arias de Saavedra, adiantado do Rio da Prata, mandou por terra a São Paulo emissários para falar com Dom Francisco de Souza, que impediu o quanto pode a ida de bandeiras escravagistas.[carece de fontes]
Final da vida
Testamento
Afonso o Moço fez testamento em 1604 no sertão, que se pode ler em Silva Leme, volume I, página 76. Foi escrito pelo padre João Alvares, um dos capelães. Nele declara possuir 80.000 cruzados de ouro em pó, enterrado em botelhas de barro. Declara ser descobridor das minas de ouro no Brasil: nas serras de Jaguamimbaba, hoje Serra da Mantiqueira; na de Jaguara, termo de São Paulo; na de Vuturuna, termo da vila de Parnaíba; e na de Hiriraçoiaba ou Araçoiaba, no município de Iperó, termo de Sorocaba. Fez também dois engenhos de ferro em que fundia com abundância tal metal, tudo à sua custa, circa 1590. Declara que desde 1592 morava na Embuaçava, terras dadas pelo pai.[carece de fontes]
Morte
Afonso Sardinha morreu em confronto com nativos do sertão, em 1604.[2]
Legado
Afonso Sardinha, o Moço, iniciou o ciclo do ouro das minas de São Paulo, descobrindo ouro de 1589 a 1600 na serra da Mantiqueira, em Guarulhos, Jaraguá, São Roque e Ipanema (onde também encontrou ferro).[3] Seu companheiro nas diligências era Clemente Álvares, mineiro prático. Em 1598, com outros Paulistas e mais de 100 índios, fizera entrada para «saltear índios» e descobrir metais, supondo-se que atingiu nas Minas Gerais o sertão do Jeticaí.
Com seu filho Pedro Sardinha, também grande sertanista, desenvolveu os trabalhos de mineração no Jaraguá, que Brás Cubas tentara, mina donde diz ter extraído 80 mil cruzados e que o neto Gaspar Sardinha ainda explorava em 1636 com lucro.[carece de fontes]
Deixou dois filhos legítimos, Luzia e Pedro.[3]
Referências
- biblioteca.ibge.gov.br (PDF) https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/saopaulo/sorocaba.pdf. Consultado em 17 de dezembro de 2018 Em falta ou vazio
|título=(ajuda) - «Falecimento de Afonso Sardinha, "O Moço" - 01/01/1604 de ( registros)». brasilbook.com.br. Consultado em 7 de outubro de 2024
- www.asbrap.org.br (PDF) http://www.asbrap.org.br/documentos/revistas/rev17_art6.pdf. Consultado em 17 de dezembro de 2018 Em falta ou vazio
|título=(ajuda)
Afonso Sardinha, o Moço: O Mestiço Pioneiro das Minas e da Siderurgia Colonial
Afonso Sardinha, o Moço, foi um célebre bandeirante e sertanista paulista. Mestiço (filho do português Afonso Sardinha, o Velho, e de uma mulher indígena Tupinambá), acompanhou o pai em todas as suas empreitadas de desbravamento, destacando-se como um dos pioneiros absolutos na descoberta de metais preciosos e na atividade siderúrgica no Brasil colonial.
⛏️ 1. As Descobertas: Ferro e Ouro
Afonso Sardinha, o Moço, teve um papel central na abertura do ciclo aurífero e mineiro no planalto paulista:
O Morro de Araçoiaba (1589): Em conjunto com o pai, descobriu minério de ferro (e depósitos associados) no sopé do Morro de Araçoiaba, na atual região de Iperó (São Paulo). Mais tarde, por volta de 1590, construiu e operou à sua custa dois engenhos de ferro para fundição.
Ciclo do Ouro Paulista: É considerado o iniciador da busca e exploração aurífera nas minas de São Paulo, tendo descoberto ouro entre 1589 e 1600 em diversas frentes:
Nas serras de Jaguamimbaba (atual Serra da Mantiqueira).
Na serra de Jaguara.
Na serra de Vuturuna (Parnaíba).
Em Guarulhos, Jaraguá, São Roque e na própria região de Araçoiaba/Ipanema.
Juntamente com o seu parceiro técnico Clemente Álvares (mineiro prático) e o seu filho Pedro Sardinha, desenvolveu fortemente as lavras do Jaraguá, de onde afirmou ter extraído fortunas avaliadas em dezenas de milhares de cruzados.
🧭 2. Expedições e Relação com o Governo
A Visita de D. Francisco de Sousa (1599): O Governador-Geral das Minas, D. Francisco de Sousa, deslocou-se a São Paulo para inspecionar pessoalmente as minas descobertas por Afonso Sardinha, o Moço, bem como os jazigos de Bacaetava, São Roque e Jaraguá, vindo a nomear oficialmente os descobridores em 1601.
A Bandeira de Nicolau Barreto (1602): Integrou a expressiva bandeira liderada por Nicolau Barreto que partiu de São Paulo em agosto de 1602 em direção ao interior (com presumíveis objetivos de reconhecimento rumo ao Peru), regressando em 1604.
📜 3. O Testamento de 1604 e o Fim da Vida
O Testamento: Estando em pleno sertão, Affonso Sardinha, o Moço, redigiu o seu testamento em 1604 (apontado pelo padre capelão João Alvares). Nele, declarava possuir uma colossal fortuna em ouro em pó (cerca de 80.000 cruzados) enterrado em botelhas de barro, além de reiterar o seu estatuto de pioneiro na fundição de ferro e na descoberta de minas nas serras paulistas e mineiras. Desde 1592, residia nas terras da Embuaçava, doadas pelo pai.
Morte: O sertanista acabou por morrer em 1604, em pleno sertão, num confronto com nativos.
Descendência: Deixou dois filhos legítimos, Luzia e Pedro Sardinha (este último também um reconhecido sertanista que daria continuidade à exploração mineira no Jaraguá).