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terça-feira, 28 de julho de 2026

Afonso Sardinha, o Moço: O Mestiço Pioneiro das Minas e da Siderurgia Colonial

 

Afonso Sardinha, o Moço, foi um bandeirante paulista. Era um caboclo, filho do sertanista português Afonso Sardinha e da índia Tupinambá. Em 1589 ele e seu pai descobriram, em uma de suas excursões, minério de ferro, urânio e o sopé do Morro Araçoiaba (próximo à atual cidade de Iperó, em São Paulo).[1] Tinha acompanhado o pai em todos seus feitos.

Feitos

D. Francisco de Sousa chegou a São Paulo em maio de 1599 com grande comitiva e visitou então as minas de Afonso Sardinha o Moço, Bacaetava, São Roque e Jaraguá.

Dom Francisco em 1601 nomeou Diogo Gonçalves Laço capitão das minas de ouro e prata do Ibiraçoiaba. Na ocasião, declarou Afonso Sardinha o Moço como seu descobridor, com Clemente Alvares. Eram minas, mas de flancos de montanha ou "grupiaras". Ordena aos dois Afonso Sardinha as diligências que somente serão executadas por Nicolau Barreto no ano seguinte.

Esta importante bandeira de Nicolau Barreto teve início em agosto de 1602. Partiu de São Paulo, autorizado Nicolau por Dom Francisco a descobrir ouro e prata (o objetivo real teria sido a pesquisa de ouro e prata no Peru). Desceram o rio Tietê e o rio Paraná, atingiram o rio Guairá mas trouxeram apenas índios de volta a São Paulo, onde chegaram em 1604. Haviam-na integrado Afonso Sardinha o Moço; Simão Borges Cerqueira, fidalgo da Casa Real; Ascenso Ferreira; Pedro Leme; Manuel Preto; Francisco de Alvarenga.[carece de fontes]

Pensa-se que queriam na verdade penetrar no reino do Peru à procura de minas, já que o mesmo soberano dominava o continente. Desta bandeira resultou que o governador Dom Francisco Arias de Saavedra, adiantado do Rio da Prata, mandou por terra a São Paulo emissários para falar com Dom Francisco de Souza, que impediu o quanto pode a ida de bandeiras escravagistas.[carece de fontes]

Final da vida

Testamento

Afonso o Moço fez testamento em 1604 no sertão, que se pode ler em Silva Leme, volume I, página 76. Foi escrito pelo padre João Alvares, um dos capelães. Nele declara possuir 80.000 cruzados de ouro em pó, enterrado em botelhas de barro. Declara ser descobridor das minas de ouro no Brasil: nas serras de Jaguamimbaba, hoje Serra da Mantiqueira; na de Jaguara, termo de São Paulo; na de Vuturuna, termo da vila de Parnaíba; e na de Hiriraçoiaba ou Araçoiaba, no município de Iperó, termo de Sorocaba. Fez também dois engenhos de ferro em que fundia com abundância tal metal, tudo à sua custa, circa 1590. Declara que desde 1592 morava na Embuaçava, terras dadas pelo pai.[carece de fontes]

Morte

Afonso Sardinha morreu em confronto com nativos do sertão, em 1604.[2]

Legado

Afonso Sardinha, o Moço, iniciou o ciclo do ouro das minas de São Paulo, descobrindo ouro de 1589 a 1600 na serra da Mantiqueira, em Guarulhos, Jaraguá, São Roque e Ipanema (onde também encontrou ferro).[3] Seu companheiro nas diligências era Clemente Álvares, mineiro prático. Em 1598, com outros Paulistas e mais de 100 índios, fizera entrada para «saltear índios» e descobrir metais, supondo-se que atingiu nas Minas Gerais o sertão do Jeticaí.

Com seu filho Pedro Sardinha, também grande sertanista, desenvolveu os trabalhos de mineração no Jaraguá, que Brás Cubas tentara, mina donde diz ter extraído 80 mil cruzados e que o neto Gaspar Sardinha ainda explorava em 1636 com lucro.[carece de fontes]

Deixou dois filhos legítimos, Luzia e Pedro.[3]

Referências

  1. biblioteca.ibge.gov.br (PDF) https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/saopaulo/sorocaba.pdf. Consultado em 17 de dezembro de 2018 Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  2. «Falecimento de Afonso Sardinha, "O Moço" - 01/01/1604 de ( registros)». brasilbook.com.br. Consultado em 7 de outubro de 2024
  3.  www.asbrap.org.br (PDF) http://www.asbrap.org.br/documentos/revistas/rev17_art6.pdf. Consultado em 17 de dezembro de 2018 Em falta ou vazio |título= (ajuda)

Afonso Sardinha, o Moço: O Mestiço Pioneiro das Minas e da Siderurgia Colonial

Afonso Sardinha, o Moço, foi um célebre bandeirante e sertanista paulista. Mestiço (filho do português Afonso Sardinha, o Velho, e de uma mulher indígena Tupinambá), acompanhou o pai em todas as suas empreitadas de desbravamento, destacando-se como um dos pioneiros absolutos na descoberta de metais preciosos e na atividade siderúrgica no Brasil colonial.

⛏️ 1. As Descobertas: Ferro e Ouro

Afonso Sardinha, o Moço, teve um papel central na abertura do ciclo aurífero e mineiro no planalto paulista:

  • O Morro de Araçoiaba (1589): Em conjunto com o pai, descobriu minério de ferro (e depósitos associados) no sopé do Morro de Araçoiaba, na atual região de Iperó (São Paulo). Mais tarde, por volta de 1590, construiu e operou à sua custa dois engenhos de ferro para fundição.

  • Ciclo do Ouro Paulista: É considerado o iniciador da busca e exploração aurífera nas minas de São Paulo, tendo descoberto ouro entre 1589 e 1600 em diversas frentes:

    • Nas serras de Jaguamimbaba (atual Serra da Mantiqueira).

    • Na serra de Jaguara.

    • Na serra de Vuturuna (Parnaíba).

    • Em Guarulhos, Jaraguá, São Roque e na própria região de Araçoiaba/Ipanema.

  • Juntamente com o seu parceiro técnico Clemente Álvares (mineiro prático) e o seu filho Pedro Sardinha, desenvolveu fortemente as lavras do Jaraguá, de onde afirmou ter extraído fortunas avaliadas em dezenas de milhares de cruzados.

🧭 2. Expedições e Relação com o Governo

  • A Visita de D. Francisco de Sousa (1599): O Governador-Geral das Minas, D. Francisco de Sousa, deslocou-se a São Paulo para inspecionar pessoalmente as minas descobertas por Afonso Sardinha, o Moço, bem como os jazigos de Bacaetava, São Roque e Jaraguá, vindo a nomear oficialmente os descobridores em 1601.

  • A Bandeira de Nicolau Barreto (1602): Integrou a expressiva bandeira liderada por Nicolau Barreto que partiu de São Paulo em agosto de 1602 em direção ao interior (com presumíveis objetivos de reconhecimento rumo ao Peru), regressando em 1604.

📜 3. O Testamento de 1604 e o Fim da Vida

  • O Testamento: Estando em pleno sertão, Affonso Sardinha, o Moço, redigiu o seu testamento em 1604 (apontado pelo padre capelão João Alvares). Nele, declarava possuir uma colossal fortuna em ouro em pó (cerca de 80.000 cruzados) enterrado em botelhas de barro, além de reiterar o seu estatuto de pioneiro na fundição de ferro e na descoberta de minas nas serras paulistas e mineiras. Desde 1592, residia nas terras da Embuaçava, doadas pelo pai.

  • Morte: O sertanista acabou por morrer em 1604, em pleno sertão, num confronto com nativos.

  • Descendência: Deixou dois filhos legítimos, Luzia e Pedro Sardinha (este último também um reconhecido sertanista que daria continuidade à exploração mineira no Jaraguá).


Afonso Sardinha, o Velho: Pioneiro do Sertão e Fundador da Siderurgia Brasileira

 Afonso Sardinha , o Velho, foi um sertanista da Capitania de São Vicente, natural de Portugal.[1] Em 1589 ele e seu filho (Afonso Sardinha,o Moço) descobriram, em uma de suas excursões, minério de ferro no Morro de Araçoiaba - próximo à atual cidade de Iperó, estado de São Paulo.[2] Afonso Sardinha, o Velho, morreu depois do filho, em 1616.

História

A terra

No século XVI, a região de Sorocaba, era o ponto para onde convergiam e a que se limitavam os indígenas Tupi do rio Tietê, os Tupiniquins e os Guaianazes de Piratininga, os Carijós dos campos de Curitiba, os Guaranis de Paranapanema e outros das nascentes desse rio, sendo lugar muito percorrido e conhecido por diversas tribos, o que facilitou ao colonizador suas empreitadas. Por volta de 1589, numa entrada liderada por Afonso Sardinha, descobriu-se minério de ferro no Morro Araçoiaba.

Estada no Brasil

Não se pode afirmar quando Afonso Sardinha, português, chegou à Capitania de São Vicente. Tampouco se sabe onde nasceu nem a data. Deve porém ter sido dos mais velhos moradores da Capitania. Ao chegar, foi morar na Capitania de Santos. Em seu testamento, fala em papéis de crédito que um pirata inglês lhe havia levado, em várias transações próprias de quem negocia com navios e cargas. Ao chegar a São Paulo, em data ignorada, mas anterior a 1570, montou depósitos de açúcar e adquiriu casas que alugava aos vigários. Finalmente adquiriu uma grande fazenda pelo que se diz que em 1580 seriam homem de posses. Fazia, no fim do século XVI, vir negros da África como escravos. Enviava mercadorias à Metrópole ao menos uma vez por ano. Analfabeto como quase todos, assinava o nome com uma cruz com três hastes. Em seu Testamento, de 13 de novembro de 1592, descreve seus bens, especialmente uma grande Fazenda que, segundo vários autores, seria na região de Parnaíba. Foi casado com Maria Gonçalves. Não tinha filhos com ela mas um, ilegítimo e mameluco, de alguma índia. No seu testamento, declara expressamente "o que faço por não ter herdeiro forçado(herança legítima) a quem de direito deva deixar a minha fazenda (bens) porque Afonso Sardinha, o Moço, é havido depois de eu ter casado com minha mulher e por eu já ter dado a ele o que devia lhe ter já dado de minha fazenda até 500 cruzados, nos quais entram as terras onde está no Amboaçava…" Era uma grande soma o que prova a sua riqueza.

Aparece pela primeira vez em Livros de Atas e de Registro da Câmara de São Paulo, em 1575, ao tomar posse como Almotacel. Depois, em 1576 e 1577, seu nome aparece como vereador. Entre 1578 e 1586, não há menção. Em 1587, foi eleito Juiz e se manteve vereador. Tomou posse em 27 de Janeiro. Teria vivido na Vila nos dois anos seguintes, pois, em 1592, foi nomeado para comandar um grupo (uma verdadeira bandeira) que avançou pelo sertão para acabar com as invasões dos índios. Aliás, em 1585 (fato que pode explicar sua ausência da Vila de São Paulo), tomou parte na expedição de Jerônimo Leitão para os lados de Paranaguá, para combater os índios Carijós.

Em 9 de julho de 1615 ainda, com sua mulher Maria Gonçalves, fez doação ao altar de Nossa Senhora da Graça do Colégio de Santo Inácio, da vila de São Paulo, de todos os seus bens móveis e de raiz, com terras de Carapicuíba, por serem casados há 60 anos sem herdeiros. Afonso Sardinha o Moço era bastardo e mesmo assim já morrera.

Bandeira

Diversas vezes comandou expedições militares contra os índios. Não foi, até 1593, membro de qualquer entrada para preagem de índios ou procura de ouro. Dedicava-se mais a negócios comerciais e residia na Vila de Santos (depois da de São Paulo), mas foi um Bandeirante, sendo inclusive nomeado «Capitão da Gente de São Paulo» para cuidar da defesa da Vila contra as incursões e dar fim ao gentio invasor.

O grande feito: forja de ferro

Em 1597, depois de descobrir minério de ferro magnetítico no morro de Araçoiaba, Sardinha instalou a que talvez seja a primeira operação siderúrgica das Américas: duas forjas para produção de ferro, que duraram pelo menos 20 anos. Em 1980 foram encontradas ruínas que provavelmente referem-se a esse empreendimento.[3] O minério de Araçoiaba foi, muito posteriormente, aproveitado pela Fábrica de Ferro de Ipanema em Iperó,São Paulo. Este fato conferiu a Afonso Sardinha o título de Fundador da Siderurgia Brasileira.

Referências

  1. H. V. Castro Coelho. «POVOADORES DE S. PAULO – AFONSO SARDINHA» (PDF). Revista da ASBRAP nº 17. Consultado em 12 de dezembro de 2018
  2. «Sorocaba» (PDF). IBGE. Consultado em 12 de dezembro de 2018
  3. Zequini, Anicleide (2006). «Arqueologia de uma fábrica de ferro: Morro de Araçoiaba, séculos XVI a XVIII». Universidade de São Paulo. Consultado em 3 de julho de 2020

Bibliografia

  • NOWATZKI, Carlos Henrique - Primórdios do cristianismo na América do Sul austral: Uma história sobre cavaleiros, padres, indígenas, reduções e cruzes 
  • ALMEIDA PRADO, João Fernando de - As bandeiras (p.61)
  • MAGALHÃES, Hebelardo - Os minerais e sua magia 
  • VIOTTI, Hélio Abranches - Anchieta, o apóstolo do Brasil (p.74)
  • ZEQUINI, Anicleide (2006). «Arqueologia de uma fábrica de ferro: Morro de Araçoiaba, séculos XVI a XVIII». Universidade de São Paulo. Consultado em 3 de julho de 2020

Afonso Sardinha, o Velho: Pioneiro do Sertão e Fundador da Siderurgia Brasileira

Afonso Sardinha, o Velho, foi um notável sertanista, comerciante e bandeirante português radicado na Capitania de São Vicente. Ficou historicamente consagrado pelo seu papel no pioneirismo económico da colónia e, sobretudo, por ter descoberto minério de ferro e instalado as primeiras forjas siderúrgicas nas Américas, no final do século XVI.

🗺️ 1. Contexto Geográfico e Histórico

No século XVI, a região de Sorocaba e arredores funcionava como um ponto de convergência de várias nações indígenas — incluindo os Tupi do rio Tietê, os Tupiniquins e Guaianazes de Piratininga, os Carijós de Curitiba e os Guaranis do Paranapanema. Este território, amplamente percorrido e conhecido pelas tribos locais, facilitou a penetração e o conhecimento geográfico por parte dos primeiros colonizadores portugueses.

📜 2. Vida, Chegada e Ascensão no Brasil

A data exata da chegada de Afonso Sardinha a Portugal e o seu local de nascimento permanecem incertos, mas decerto tratou-se de um dos moradores mais antigos da Capitania de São Vicente:

  • Percurso Comercial e Enriquecimento: Inicialmente radicado em Santos, desenvolveu intensa atividade comercial e marítima (tendo registado prejuízos com ataques de piratas ingleses). Posteriormente fixou-se em São Paulo, onde montou armazéns de açúcar, comprou casas para arrendar, adquiriu vastas propriedades agrícolas (nomeadamente na região de Parnaíba) e investiu no tráfico de escravizados africanos e no comércio com a Metrópole.

  • Perfil Pessoal: Sendo analfabeto, assinava os seus documentos oficiais com uma cruz de três hastes. Foi casado durante cerca de 60 anos com Maria Gonçalves, com quem não teve herdeiros legítimos. Deixou um filho ilegítimo, Afonso Sardinha, o Moço, fruto de uma união com uma mulher indígena.

  • Atividade Política e Militar: Teve forte intervenção na governação local de São Paulo:

    • Tomou posse como Almotacel (1575).

    • Exerceu funções de vereador (1576, 1577 e 1587) e foi eleito Juiz em 1587.

    • Participou em expedições punitivas e de defesa, integrando a armada de Jerônimo Leitão aos campos de Paranaguá (1585) contra os índios Carijós e comandando forças de proteção à vila contra ataques nativos, o que lhe valeu o título de Capitão da Gente de São Paulo.

⛏️ 3. O Grande Feito: A Descoberta do Ferro e a Siderurgia

O marco mais relevante da biografia de Afonso Sardinha deu-se em 1589, quando, numa expedição exploratória realizada em conjunto com o seu filho (Afonso Sardinha, o Moço), descobriu jazidas de minério de ferro magnetítico no Morro de Araçoiaba (próximo da atual cidade de Iperó, no estado de São Paulo).

  • A Primeira Operação Siderúrgica: Em 1597, aproveitando o minério de Araçoiaba, Sardinha implementou duas forjas dedicadas à produção de ferro — um empreendimento pioneiro considerado por muitos historiadores como a primeira operação siderúrgica das Américas, cujas atividades perduraram por pelo menos duas décadas. Ruínas associadas a este empreendimento histórico foram redescobertas em 1980.

  • Legado: Séculos mais tarde, o mesmo minério de Araçoiaba viria a ser explorado pela célebre Fábrica de Ferro de Ipanema. Este feito pioneiro garantiu a Afonso Sardinha, o Velho, o título incontestável de Fundador da Siderurgia Brasileira.