terça-feira, 17 de junho de 2025

Guerra do Pente – 1959

 

Guerra do Pente – 1959




A Guerra do Pente, ocorrida em dezembro de 1959, foi uma das maiores revoltas populares de Curitiba e foi motivada pela recusa da emissão de uma nota fiscal na compra de um pente de cabelo.

No início do dia 08 de dezembro do referente ano, o subtenente da Polícia Militar do Paraná, Antônio Tavares, foi à loja Bazar Centenário, localizada na praça Tiradentes, para adquirir um pente para uso próprio. Após a sua compra, foram solicitadas a emissão de nota fiscal, porém o dono da loja, Ahmed Najar, decidiu, provavelmente porque o valor mínimo para emitir uma nota era de 50 cruzeiros, enquanto o pente custava 15. 

Após a recusa da nota fiscal, a confusão foi iniciada e o subtenente proferiu uma série de insultos ao lojista. 

Com a briga, Tavares foi arremessado para fora da loja e teve sua perna quebrada, assim, muitas pessoas que estavam nas redondezas, como no Bar do Rei, invadiram e depredaram o espaço.

A partir dessa situação, a confusão geral levou a conta e diversas outras lojas de sírios e libaneses também foram invadidas e saqueadas, e o conflito durou até de madrugada, quando a polícia e os bombeiros contiveram momentaneamente o movimento.

No dia seguinte, uma revolta novamente tomou conta da praça Tiradentes, e o então governador Moysés Lupion, pediu uma intervenção do exército nas ruas. Foi somente no terceiro dia que a paz foi restaurada, e muitos afirmam que o encerramento da revolta se deu pela morte por infarto do senador do PTB Abilon de Sousa Naves.

As três fotografias retratam diferentes momentos da revolta, sendo a primeira a prisão de um comerciante e a tentativa de ataque do PM ao fotógrafo da imagem. A segunda, a detenção de Salim Mattar, dono da Casa Três Irmãos, localizada na praça Tiradentes, e a terceira, veiculada pelo jornal Diário da Tarde, o tanque de guerra durante a intervenção do exército.

Fontes: Acervo Curitiba Histórica / Grupo Antigamente em Curitiba / Acervo Janaína Fromohls / Turistória 

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Uma bela vista da Avenida Luiz Xavier, da década de 1930.

 Uma bela vista da Avenida Luiz Xavier, da década de 1930.


Pode ser uma imagem de 2 pessoas, rua e texto que diz "KлBm pjc AINALAN おい MSTIA Curitiba- avenida Luiz Xavier, mm 1930 fotografia de Domingos Foggiato acervo de Paulo José da Costa"

Michael Jackson, o eterno rei do pop e um dos artistas mais idolatrados da história, morreu no dia 25 de junho de 2009, tendo apenas 50 anos de idade. A causa foi uma intoxicação aguda causada por medicamentos para que pudesse dormir

 Michael Jackson, o eterno rei do pop e um dos artistas mais idolatrados da história, morreu no dia 25 de junho de 2009, tendo apenas 50 anos de idade. A causa foi uma intoxicação aguda causada por medicamentos para que pudesse dormir.


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Na época, o cantor estava prestes a iniciar uma série de apresentações em Londres, que recebeu o nome de “This is It”, e vinha ensaiando bastante para aqueles que seriam seus últimos shows como artista. No entanto, por mais que estivesse determinado a fazer de “This is It” um sucesso, a verdade é que Michael Jackson não vinha muito bem, seja do ponto de vista pessoal, profissional e financeiro.
Michael Joseph Jackson estreou no showbiz quando era criança, cantando com os irmãos dele no grupo Jackson 5, que fez sucesso nas décadas de 1960 e 1970, lançando hits como "ABC" e "I'll be there". Muita gente não sabe, mas o Jackson 5 esteve no Brasil em 1974, eles fizeram shows no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. Na capital federal, um cancelamento repentino levou a quebradeira. Na época com 16 anos, Michael já era o rosto mais conhecido do grupo e tinha uma carreira solo bastante produtiva, mas continuava cantando, paralelamente, com os irmãos.
Foi em 1979, com o álbum "Off the wall", que a trajetória dele fora dos Jackson 5 explodiu. A partir daí, o cantor emplacou uma série de megahits como "Rock with you", "Billie Jean" e "Beat it". Impossível não citar a música "Thriller", lançada em 1982, no álbum de mesmo nome, que teve algo em torno de 70 milhões de cópias comercializadas até hoje, tornando-se o disco mais vendido de todos os tempos. "Thriller" e outros vários sucessos dos anos 1980 elevaram Michael Jackson ao olimpo da indústria do entretenimento e, com milhões de discos vendidos, ele virou o rei da música pop. Só que, com o passar do tempo, o artista americano se tornou uma figura cercada de controvérsias. As mudanças na sua aparência, o estilo de vida polêmico e os relacionamentos do cantor ganharam destaque no noticiário. Pouco antes de fazer uma turnê inesquecível no Brasil, em 1993, o popstar de então 34 anos foi acusado pela família de Wade Robson de abusar do menino, que na época tinha 11 anos. O processo caiu como uma bomba em sua carreira. Denúncias similares surgiriam depois, e durante anos, parecia que o nome Michael Jackson estava sempre envolto por escândalos.
Até que em junho de 2005, cantor foi absolvido de todas as acusações de abuso infantil. Àquela altura, o artista já tinha se tornado uma pessoa avessa a aparições públicas. Ele deixou o tribunal sorrindo e acenando para seus fãs e os fotógrafos, mas, depois, ficou ainda mais recluso. Michael foi morar no Bahrein, no Golfo Pérsico, a convite do príncipe Abdullah bin Hamad bin Isa Al Khalifa. Em maio de 2006, ele se mudou com os filhos para uma zona rural da Irlanda, onde viveu por seis meses. Apenas pessoas muito próximas à família e os moradores locais sabiam que o rei do pop estava lá.
Mas o artista retomou as rédeas da carreira e, em março de 2009, depois de quase oito anos sem fazer um show e 12 anos sem fazer turnês, Michael anunciou a série de 50 grandes apresentações na Arena O2, em Londres. Todos os 750 mil ingressos à venda se esgotaram em menos de quatro horas. Nos ensaios, várias pessoas da produção e do elenco de artistas diziam que o cantor parecia bem disposto e totalmente focado, perfeccionista como sempre foi quando o assunto era sua música e a forma de apresentá-la em cima de um palco. Ninguém via motivos pra suspeitar de uma tragédia iminente.
Na noite de 24 de junho de 2009, o cantor se mostrou bem-humorado quando liderou uma sessão de ensaios no estádio do Staple Center, em Los Angeles, e chegou em casa, no bairro de Holmby Hills, por volta da meia noite, junto com o cardiologista Conrad Murray, que era o médico particular do artista. Michael tinha um histórico longo de insônia e, com frequência, usava diversas drogas para conseguir dormir. Ao longo daquela madrugada, Murray administrou remédios de uso restrito, mas as horas se passaram, e o atormentado artista americano não pegava no sono de jeito nenhum.
Assim que chegou em sua residência, o astro ainda tirou um minuto para conversar com um pequeno grupo de fãs que o esperava do lado de fora. Em seguida, foi escoltado por seus seguranças para seu quarto, onde Conrad Murray o aguardava. Jackson logo reclamou para o médico que estava cansado e precisava dormir, mas que não estava conseguindo. Murray, então, deu ao astro um coquetel de medicamentos para ajudá-lo a pegar no sono e ficou ao seu lado para monitorá-lo. Mesmo assim, o astro não conseguiu dormir e passou a implorar a Murray para que lhe desse “leite”, termo usado para o poderoso sedativo propofol, pois se assemelha bastante com a bebida. O médico já havia usado o medicamento no cantor nas noites anteriores – o que explica sua atitude diferente nos ensaios finais – e não estava disposto a aplicá-lo novamente.
No entanto, quando já eram 10h40 da manhã, Jackson ainda não havia conseguido dormir. Murray acabou cedendo ao pedido do seu cliente e injetou 25 miligramas de propofol, diluídos em lidocaína. Ao notar que Jackson havia pegado no sono, Murray o deixou rapidamente para ir ao banheiro. No entanto, assim que retornou, notou que o cantor não respirava e estava com o pulso fraco. O médico passou a fazer ressuscitação cardiopulmonar por 10 minutos e aplicou flumazenil – droga que elimina os efeitos do propofol – antes de chamar ajuda dos demais funcionários da residência.
Apenas às 12h21 – mais de uma hora e meia após o médico nottar que o cantor não respirava – que um segurança da residência ligou para a emergência. Os paramédicos chegaram cinco minutos mais tarde e notaram que Jackson já estava sem pulso. O rei do pop foi encaminhado ao Hospital Ronald Reagan, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, onde chegou às 13h14. Médicos tentaram ressuscitá-lo por mais de uma hora, mas sem sucesso. Michael Jackson teve sua morte confirmada às 14h26 e nos deixou com apenas 50 anos de idade, gerando uma enorme comoção em todo o planeta.
A autópsia foi realizada no corpo de Michael Jackson no dia seguinte de sua morte e a família do cantor chegou a solicitar uma segunda. Os resultados só foram divulgados no dia 28 de agosto de 2009. Segundo o laudo, o astro morreu por conta de uma intoxicação aguda causada pelo propofol, que foi agravada pela presença de outras drogas em seu corpo, como lorazepam, midazolam e diazepam. O documento destaca que ele estava saudável.
Neste mesmo dia, a polícia afirmou que considerou a morte de Michael Jackson como homicídio. Por conta disso, em novembro de 2011, Conrad Murray foi julgado e condenado por homicídio culposo e ainda teve sua licença médica revogada. Murray foi sentenciado a ficar quatro anos detido, mas foi liberado em 2013 por conta da alta população carcerária da Califórnia e bom comportamento.
O funeral de Michael Jackson ocorreu em 7 de julho. Primeiro, sua família e amigos próximos realizaram uma cerimônia privada no cemitério Forest Lawn antes do evento público, que ocorreu no ginásio Staples Center e teve a presença de grandes artistas, como Mariah Carey, Stevie Wonder, Lionel Richie, Jennifer Hudson, entre outros.
O funeral público ficou marcado pela tocante e emocionante fala da filha de Michael Jackson, Paris, que tinha apenas 11 anos na época. “Eu só queria dizer, desde que nasci, papai sempre foi o melhor pai que vocês poderiam imaginar e eu só queria dizer que eu amo ele… demais.”

sábado, 14 de junho de 2025

Relembrando uma bela vista da AVENIDA REPÚBLICA ARGENTINA, na altura do BAIRRO NOVO MUNDO, registrado por Arthur Wischral em 1958.

 Relembrando uma bela vista da AVENIDA REPÚBLICA ARGENTINA, na altura do BAIRRO NOVO MUNDO, registrado por Arthur Wischral em 1958.


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Uma vista do alto, contempla, a antiga Br 116, hoje Linha verde, próximo ao Armazém da Maria, onde funcionava o Auto Posto Brasilia➤ Atual Eletrorastro da Linha Verde. Imagem do ano de 1958. Foto de Bruna Goularte

 Uma vista do alto, contempla, a antiga Br 116, hoje Linha verde, próximo ao Armazém da Maria, onde funcionava o Auto Posto Brasilia Atual Eletrorastro da Linha Verde. Imagem do ano de 1958. Foto de Bruna Goularte


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sexta-feira, 13 de junho de 2025

RUA ENGENHEIROS REBOUÇAS ESQUINA COM A AVENIDA OMAR SABBAG. CAPANEMA Outubro/1964. Foto : Arthur Wischral

 RUA ENGENHEIROS REBOUÇAS ESQUINA COM A AVENIDA OMAR SABBAG.

CAPANEMA
Outubro/1964.

Foto : Arthur Wischral

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ESTRADA DO MATO GROSSO (Atual Rua Comendador Araújo) UMA VISTA DA PRECÁRIA RUA COMENDADOR ARAÚJO, DOS PRIMEIROS ANOS DA DÉCADA DE 1900, CONTRASTA COM BELAS EDIFICAÇÕES.

 ESTRADA DO MATO GROSSO

(Atual Rua Comendador Araújo)

UMA VISTA DA PRECÁRIA RUA COMENDADOR ARAÚJO, DOS PRIMEIROS ANOS DA DÉCADA DE 1900, CONTRASTA COM BELAS EDIFICAÇÕES.  

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Travessa da Lapa abre ou não abre ao trânsito? 1971

 Travessa da Lapa abre ou não abre ao trânsito? 1971


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Lixeiro, "Boca-quente", "Beco da Lapa", Travessa da Lapa.

Escolha o nome e depois vá observar. A qualquer hora do dia você verá bares imundos, desocupados, mundanas, lixo, sujeira, ferro, trapos velhos, pó do dia e da chuva, além de uma infinidade de outras anormalias, bem no centro da cidade. Tudo funciona na Visconde de Guarapuava, entre a João Negrão e Barão do Rio Branco, com prolongamento até a Marechal Floriano.

Eis a "Boca Quente", "Beco da Lapa", "Travessa da Lapa" (que é o nome certo): será aberta ao trânsito? Os proprietários dos imóveis comerciais da área vizinha estão movendo uma campanha em favor da abertura da artéria, que se acha fechada ao tráfego de automóveis há mais de dez anos. Se isso acontecer, será modificado em parte o atual aspecto do local.

AS COISAS VÃO MUDAR

Um comerciante da redondeza — pediu para não ser identificado — afirmou-nos o seguinte: "O povo deseja a abertura da Travessa da Lapa ao trânsito de veículos. Esse pedaço da cidade está mal-assombrado. É o reduto preferido de marginais, desocupados, vagabundos e viciados de toda espécie. A abertura do trânsito acabaria com o ambiente escuro e doentio que a Travessa da Lapa (fechada) criou, ou ao menos favoreceu em muito."

Os moradores locais são unânimes em afirmar que isto é uma pouca vergonha. Há inclusive, hostes familiares que se dedicam exclusivamente à exploração do lenocínio, descaradamente, cujas andanças permanecem pela rua, de dia e à noite.

Nas proximidades existe um internato enorme de escolares, diurnos e noturnos, e bem grande, houve até constituição por parte de alunas, à saída das aulas, para a compra de lenços. A situação social permitiu que os contatos fossem facilitados e as relações estabelecidas com os da Rodoviária: caminhões de desocupados, camelôs e louqueiros.

Além de ser inútil, conforme acrecentam os moradores e comerciantes, o que ali se convencionou "Beco da Lapa", hoje Travessa da Lapa, é uma artéria de comunicação normal. Por ela podem passar caminhões de pequeno e médio porte, ônibus e carros particulares. De qualquer ponto da Visconde de Guarapuava, do lado direito, pode-se entrar na Travessa e sair na Marechal Floriano, na altura do Colégio Estadual. Ela não é servida por trilhos da R.F.F.S.A., como a parte compreendida entre a André de Barros, parte do mesmo quarteirão. Os trilhos da R.F.F.S.A. da Travessa da Lapa, ligando a Visconde à Marechal, desapareceram desde setembro.

Essa parte da margem direita (que está sem trilhos) está fora de linha. A despropriação, no entanto, é fácil, uma vez que se trata de trecho curto, onde as construções, em sua maioria, pertencem às oficinas da Rede Ferroviária.

Outro fator ainda contribui para tornar a artéria imprópria ao fechamento. Isso foi afirmado aos entrevistadores: Concentração de iluminação, é noite, e policiamento. Pela Travessa passam centenas de alunos, meninas e mulheres pelas noites, onde não há um só agente da autoridade. E esse é um risco local, inclusive, já houve assalto a mão armada.

EM ANDAMENTO

Da Câmara Municipal vem a notícia: requerimento do edilado à Prefeitura Municipal, ligando-se à abertura da Travessa da Lapa entre as ruas Visconde de Guarapuava e André de Barros, com saída natural à Marechal Floriano, obrigando-se à mudança do retorno da rua Visconde com Barão do Rio Branco. A questão foi levada a exame das comissões de Urbanismo e Movimento, com pareceres favoráveis.

A última dificuldade está no setor da Rede Ferroviária, onde os imóveis serão objeto de desapropriação, se a Prefeitura assim o decidir. A medida está sendo estudada e brevemente será realizada uma reunião dos secretários da Prefeitura e engenheiros da Rede, para que se resolva de vez esse problema urbanístico e de saúde pública. 

A Nau "Santo António e São José" foi construída no Arsenal da Marinha da Bahia em Salvador para a marinha portuguesa em 1763

 A Nau "Santo António e São José" foi construída no Arsenal da Marinha da Bahia em Salvador para a marinha portuguesa em 1763.


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Participou de diversas ações navais nas décadas posteriores à sua construção. Em 1777 lutou contra a Invasão espanhola em Santa Catarina. Em 1784, participou na Expedição contra Argel, como parte da Esquadra do Sul.
Sofreu uma modernização em 1794, sendo o seu nome mudado para Infante D. João Carlos. Em 1808, passou a designar-se Martim de Freitas. Fez parte da frota que transferiu a família real portuguesa e sua corte para o Brasil durante a invasão francesa de Portugal . Durante o Guerra da Independência do Brasil , foi apreendido pelos brasileiros e incorporado à recém-formada marinha brasileira para combater as forças portuguesas estacionadas no Brasil, sendo sua primeira nau capitânia , cujo comandante era o almirante Thomas Cochrane , o primeiro almirante do Brasil Império, o navio passou a se chamar Pedro I.em homenagem ao primeiro imperador do Brasil. Em 10 de novembro de 1822 hasteou pela primeira vez a bandeira do Império do Brasil, que foi acompanhada por uma salva de canhão.
Pedro I partiu para a Bahia a fim de bloquear as forças portuguesas ali estacionadas. Em 4 de maio de 1823 lutou contra uma frota portuguesa maior , danificando-a, mas sem vitória de nenhum dos lados, pois os macacos da pólvora portugueses se recusaram a fornecer munição para as armas no auge da batalha.
Em 1832 , Pedro I estava servindo apenas como navio-prisão , pois já estava muito podre e incapaz de navegar. Naquela época, sua tripulação era de apenas 186 homens. Algumas de suas peças foram retiradas para serem vendidas. Na segunda metade de 1833 ainda servia como navio-prisão, sendo sucateado no Rio de Janeiro
Imagem: "Nau Pedro I". Pintura de Eduardo de Martinho, Museu Histórico Nacional
Ref Terra da Santa Cruz

Os diversos caipiras, segundo Cornélio Pires

 Os diversos caipiras, segundo Cornélio Pires


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Cornélio Pires contestou intelectuais da época que tachavam o caipira de inútil, bêbado, ridículo e até ladrão

Nascido em Tietê-SP, Cornélio Pires conseguiu, ao mesmo tempo, conhecer a alma paulistana do início do século XX, quando morou em São Paulo, e a alma caipira, em sua vivência nas cidades interioranas, ditas também caipiras, como Botucatu e Piracicaba. Foi, sem mais discussões, o grande pioneiro do folclore e da literatura regional paulista.

Em 1910, estreou com o livro “Musa Caipira”, que iria tornar-se um dos clássicos dessa literatura regional. Na imprensa de Piracicaba, publica, em 1914, a novela “Tragédia Cabocla”, em dialeto caipira, onde registrou “rezas e muxirões, com sambas e bate-pés”. Nessa época, nasce, também, o Cornélio Pires humorista-conferencista, que iria correr o Brasil levando a sabedoria, a picardia e a malícia do caipira paulista.

O CAIPIRA DE CORNÉLIO

Sem metodologia ou qualquer pretensão acadêmica, Cornélio Pires, com sua vivência junto ao caipira de São Paulo, acabou criando a sua própria teoria sobre ele. Tentou descrevê-lo, “tal como é”, reagindo ao pessimismo de “certos escritores”, conforme escreveu, que apresentam o caipira, “o camponês brasileiro coberto do ridículo, inútil, vadio, ladrão, bêbado, idiota e `nhampã´!”

Como que repetindo Euclydes da Cunha, Cornélio Pires qualifica o caipira: “é um obscuro e um forte”. E parece compor um hino ao narrar-lhe a saga do caipira:

“Ei-lo tangendo suas `tropas´cargueiras, empoeiradas ou cobertas de lama, pelos caminhos tortuosos e esburacados, furando matas virgens, galgando montanhas ásperas, vadeando rios revoltos e pestíferos, afrontando pantanais e `atoledos´, atravessando campos e campos, vencendo dezenas de léguas a pé ou arcado e molengão sobre o burro manteúdo, ao monótono `belém-belém´do sino pendurado ao pescoço da madrinha ruana!”

Esse caipira – assim o enxerga Cornélio Pires – é nascido “fora das cidades, criados em plena natureza” e, por isso, se tornam “tímidos e desconfiados ao entrar em contato com os habitantes da cidade”. No entanto, são expansivos , alegres, folgazões e francos quando “em seu próprio meio”, onde, “revelando rara inteligência”, são “mais argutos, mais finos que os camponeses estrangeiros”, referindo-se aos colonos imigrantes.
E completa: “Dócil e amoroso é todo camponês; sincero e afetivo é o caipira.”

CLASSIFICAÇÃO CAIPIRA

A partir de suas observações pessoais e vivência, Cornélio Pires “classificou” quatro tipos de caipiras: o branco, o caboclo, o preto e o mulato.

CAIPIRA BRANCO– Fosse hoje, Cornélio Pires seria qualificado como “politicamente incorreto” ou preconceituoso. São textuais as suas observações sobre o caipira branco: “quer dizer de melhor estirpe. Meia mescla, descendente de estrangeiros brancos, gente que possa destrinçar a genealogia da família até o trisavô, confirmando pelo procedimento, o nome e a boa fama dos seus genitores e progenitores. Podem ser alvos,
morenos ou trigueiros... São brancos. ”
Esses “caipiras brancos” descendem dos primeiros povoadores e de fidalgos ou “nobres decaídos de suas pompas”: os Bandeirantes.
Cornélio Pires descreve-os: “por mais pobres que sejam, são sempre proprietários e, com seus cobrinhos e suas terras, podem andar remendados mas andam limpos. Usam chinelos de liga, sapatões ou botinas de elástico, são altos e não têm pés muito grandes. As barbas são abundantes e os lóbulos das orelhas, gordos e destacados das faces. Não dispensam o paletó, não usam colete, mas não passam sem um lenço amarrado ao pescoço, chapéu de pano, calça de riscado e uma boa cinta de couro curtido.

...As suas casas, apesar de serem de chão e telha vã, são asseadas, bem varridas, ostentando nas linhas enxadas de cabos envernizados pelo uso, ficando atrás da porta os machados e foices. Nas estanqueiras não faltam a espingarda, a patrona de couro de jaguatirica, o laço, o cabreço, o bornal, o freio, serigote ou socado, o corote, o samburá e um poncho."

As “caipiras brancas”, por sua vez, “são mulheres asseadas e amorosas, fugindo às cores berrantes tão apreciadas pelos caipiras caboclos. Excessivamente pudicas, suas filhas, aos sete para oito anos, já usam saias compridas…” Os penteados prediletos delas são: “pericote na nuca ou no alto da cabeça; a trança longa e cheia ou duas tranças pendentes, usando, também, quando pouco cabeludas, trancinhas em rondilha.”

Os “caipiras brancos” são, para o escritor, “os mais hospitaleiros dos homens.”

CAIPIRA CABOCLO– Seriam os descendentes diretos dos bugres com bandeirantes brancos, catequizados pelos primeiros povoadores do sertão. Enquanto o “caipira branco” dizia pertencer a uma família – Amaral, Arruda Campos, Camargo, Bueno, Botelho e outras – o “caipira caboclo” referia-se a si mesmo: “eu sou da raça de tal gente…” Fortes e magruços, Cornélio Pires diz que não ficavam carecas e nem sofriam do coração ou conheciam a tuberculose. Barba rala, fios espetados aqui e ali, pele bronzeada, “cor de cuia ou de cobre”, era chamado no tempo das bandeiras de "Mameluco".

As famílias de “caipiras brancos” raramente aceitavam casamentos com “caipiras caboclos”. O prestígio da “caboclada” não era dos melhores entre os intelectuais: inteligentes e preguiçosos, velhacos, barganhadores como os ciganos, desleixados, sujos e esmulambados, mas valentes, brigadores e ladrões de cavalos…” E o "escritor" faz o resumo de suas vidas: “caçar, pescar, dormir, fumar, beber pinga e tocar viola, enquanto a mulher, guedelhuda, vai pelos vizinhos, pidonha e descarada, fala dos bons trabalhadores o feijão, o toicinho, café, a farinha.” E conclui, lembrando ser esse caboclo a figura do “Jeca Tatu”, criada por Monteiro Lobato, que dizia: “Além de sujo é roto. Mas, graças a Deus, esse tipo vai desaparecer…”

CAIPIRA PRETO– Os descendentes dos africanos. Segundo Cornélio: “os bons brasileiros vítimas ainda das últimas influências da escravidão. Almas carinhosas e pacientes, generosas e humildes, os ´negros velhos`…” E lembra-se deles, “conversando ao pé do fogo, sentados numa pedra, no terreiro, na soleira de uma porta, aquecendo-se ao sol, pobres, depois de terem, com o seu suor, inundado as fazendas de patrícios seus, enchendo-os de dinheiro.”

Já surgira, porém, “o novo caipira preto” que, na descrição corneliana, vive numa “casa quase sempre limpa, coberta de sapé mas cercada de lavoura, com sua plantação de cana, um pouco de café e cereais. Tem um punhado de “santos no terreiro”, em mastros, são João, santo Antônio, são Benedito. É cavalheiresco e gentil, batuqueiro, sambador e `bate´ dez léguas a pé para cantar um desafio num fandango ou `chacuaiá´`o corpo num baile da roça.”

CAIPIRA MULATO– Que Cornélio diz ser “oriundo do cruzamento de africanos ou brasileiros pretos com portugueses, e caipiras brancos, e raramente com o caboclo.” Este é, para o escritor, “o mais vigoroso, altivo, o mais independente e o mais patriota dos brasileiros”. Excessivamente cortês, galanteador para com as senhoras, jamais se humilha diante do patrão. Apreciador de sambas caipiras e bailes, não se mistura com o “caboclo-preto”.

Nas primeiras décadas do século XX, Cornélio Pires insistia no surgimento, em São Paulo, de “um noto tipo de caipira mulato, simpático, robusto e talentoso, destacando-se nos grandes centros, após breves estudos: o mestiço do italiano com a mulata ou do preto tão estimado por algumas italianas.”

por: Cecílio Elias Netto, A Província