domingo, 4 de janeiro de 2026

Cebolinha: HQ "Cuidado com a boca!"

 

Cebolinha: HQ "Cuidado com a boca!"


Mostro uma história em que o Cebolinha recebeu um feitiço de uma bruxa e então tudo que ele falava se tornava realidade. Com 15 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 8' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Cebolinha Nº 8' (Ed. Globo, 1987)

Escrita e desenhada por Rosana Munhoz, começa com o Cebolinha reclamando de mais um plano infalível contra a Mônica fracassado, fala palavrões na frente de duas senhoras, Matilde e Malvina, que acham que criança não deviam sair falando essas coisas. Matilde diz ao Cebolinha que devia maneirar na linguagem, ele dá bronca que o que ela tem a ver com isso, teve um dia cheio e reclama quanto quiser. Malvina acha um desaforo e Cebolinha diz que queria todo mundo sumisse.  

Elas, na verdade, são bruxas e Malvina resolve, então, fazer um encanto para dar uma lição no Cebolinha, ter cuidado com o que diz já que tudo que ele falar, vai virar realidade. Em seguida, Cebolinha encontra o Cascão, diz que seu plano infalível falhou, Cascão comenta que devia saber pelo olho roxo dele e acha bom de não ter participado. Cebolinha reclama que o deixou na mão, Cascão diz que foi prudente, Cebolinha não gosta e fala que ele foi um "monstro" desnaturado, e, assim, o Cascão se transforma em um monstro e passa a perseguir o Cebolinha.

Cebolinha sobe em uma árvore e deseja que ele voltasse a ser o Cascão e, assim, ele volta ao normal, sem lembrar do que tinha acontecido e acha que a surra da Mônica o deixou esquisito. Cebolinha diz que foi bom ter de volta o "velho" Cascão e, então, ele se transforma em um velho coroca com dor nas costas. Cascão dá uma bengalada na cabeça do Cebolinha e senta na pedra.

Magali aparece e pergunta quem é o velhinho parecido com o Cascão. Cebolinha diz que é o próprio, só que anda se transformando em coisas esquisitas. Magali dá ideia de levá-lo ao médico, que pode ter sido alguma coisa que ele comeu. No caminho, Cebolinha diz que a Magali é um "doce" e ela se transforma em doce. Ela diz que dá vontade de dar mordida nela mesma e Cebolinha se apavora, acha que deve ser contagioso de todos os seus amigos ficarem estranhos e chora.

Franjinha quer saber motivo da gritaria, Cebolinha conta que seus amigos estão doentes e Franjinha vai preparar um elixir rejuvenescedor para o Cascão com seus estojo de química que sempre leva com ele e para Magali ele não sabe ainda. Cebolinha fica feliz e chama o Franjinha de "o maior" e aí o Franjinha vira um gigante.

Franjinha se intriga que só com o Cebolinha acontece nada e ele diz que acha que é autoimune à doença. Franjinha acha que o Cebolinha é o causador, ele diz que como é que ele poderia fazer isso e quer que um "raio caia na cabeça" se for verdade e um raio cai na cabeça dele e Franjinha confirma que tudo que ele fala, acontece.

Cebolinha acha que isso é terrível, uma calamidade, mas ao olhar a Mônica acha maravilhoso e aproveita para aprontar com ela. Cebolinha pergunta se ela lembra da última surra que deu nele e diz que ele nunca mais vai apanhar e a chama de bobona. Mônica mostra o Sansão e ele diz o que ela vai fazer com uma "pluma", com o Sansão se transformando em pluma. Também a chama de "gorduchona", "baixinha" e "super dentuça" e a Mônica se transforma em uma caricatura que ele rabisca nos muros. Mônica tenta bater nele, a chama de "lesma" e ela se transforma em uma lesma.

Mônica quer voltar ao normal e seus amigos também. Cebolinha diz que está se divertindo muito e que o novo dono da rua tem direito a diversão. Mônica lesma fica braba e Cebolinha a transforma em um elefantão dentuço. Ele ri dos amigos falando que parecem que saíram de um baile de Carnaval. Eles ficam brabos e correm atrás do Cebolinha, que corre para casa e pede ajuda a seus pais, que acham que é tudo imaginação do filho.

Cebolinha acha que os pais são uns "quadradões" e eles viram uns quadrados. Cebolinha se desespera, fala que é um "burro" e se transforma em um. Os amigos se aproximam da casa, diz que ele está em um "mato sem cachorro" e vai parar em um matagal. Ao procurar uma forma de sair, se esbarra na Bruxa Malvina. Cebolinha fala que foi ela quem causou toda aquela confusão, Malvina conta que foi ele mesmo por não ter dito coisas agradáveis.

Cebolinha fala que se arrependeu e chora e a Bruxa faz tudo voltar ao normal. Seus amigos batem na porta de casa, Cebolinha diz que devem estar chateados com ele e que não adianta pedir desculpas e se ainda estiver sob aquele feitiço, ia pedir para eles esquecerem tudo e voltarem a ser amigos deles. A turma fala que eles são amigos, não sabem sobre história de feitiço e foram para chamar para brincar e Mônica o desculpa do último plano. Cebolinha pensa que a bruxa ainda deixou o encanto por mais um tempo e ela diz que não, é porque as palavras são mesmos mágicas, se desejarmos coisas agradáveis, nada poderá sair errado enquanto a turma brinca de roda.

História muito legal em que o Cebolinha recebe castigo de uma bruxa de tudo que falasse ia acontecer por ele ter sido malcriado. À princípio, ficou preocupado com os amigos, achava que era doença contagiosa, mas depois que descobriu que a causa era o que falava, passou a tirar proveito para atacar a Mônica e ser dono da rua e não teve mais pena dos seus amigos. Só voltou a se preocupar quando seus pais e ele próprio sofreram com o que ele disse e, assim, se arrepende e a bruxa faz tudo voltar ao normal.

Para todos os casos, bastava Cebolinha falar que eram para eles voltarem ao normal que estava resolvido, mas não fizeram para ter os conflitos necessários e Cebolinha não perder oportunidade de aprontar com a Mônica e ser dono da rua. De início, o Cascão não sabia que ele se transformou em monstro e em velho com reumatismo, mas depois percebeu o que aconteceu. Todos se esqueceram de fato assim quando tudo voltou ao normal, mas as boas palavras para os amigos deixaram felizes e coincidiu com o momento. 

Além da gente se divertir muito, ainda teve mensagem de que devemos falar coisas boas para atrair coisas boas e não se deve também ser malcriado, responder aos mais velhos. Foi engraçado ver que gírias e sentidos figurados ficaram no sentido real nas falas do Cebolinha como ao dizer que "velho Cascão" de ser o Cascão que ele conhecia antes e acabou virando velho coroca com reumatismo, Magali é um "doce", de meiga, ela virou doce de comer, Franjinha como "o maior" de inteligente, virou um gigante, Cebolinha falar que ele é "burro", de não inteligente, e virar um animal burro estar em um "mato-sem-cachorro", de problema sem solução, foi parar em um matagal. Já outras transformações foram sentidos reais das palavras. Isso também serviu pra leitores aprenderem sentidos duplos de palavras, ou seja, aprendíamos com os gibis sem deixar piegas.

A gente viu que cada palavra que fazia a turma se transformar em alguma coisa tinha um destaque com pontos em volta pra ressaltar que era aquela palavra de destaque que serviu no feitiço da bruxa. Tiveram momentos hilários principalmente das transformações da Mônica, inclusive em lesma e elefante dentuço, a Magali querer comer a si própria só porque era doce, o Franjinha precavido em andar sempre com seu estojo de Química e absurdo como Cascão com dor nas costas, mas conseguiu correr tranquilamente atrás do Cebolinha. 

É toda incorreta atualmente, já nos primeiros quadrinhos com Cebolinha surrado com olho roxo, falando "Droga!" repetidamente, sendo malcriado, responder aos mais velhos e falando palavrões, fora ele levar bengalada e raio na cabeça, dar mau exemplo ao dizer que faz caricaturas da Mônica no muro, já que hoje colocam cartazes no muro para rabiscar, ser comparado ao animal burro. Teria também alteração do Cebolinha pensar trocando "R" pelo "L" no final, já que hoje eles o colocam obrigatoriamente pensando normal sem trocar letras. Teve erro do Cebolinha falar "Franjinha" sem trocar "R" pelo "L" na 6ª página da história (página 8 do gibi), um tipo de erro muito comum que acontecia por distração do letrista.

Os traços ficaram muito lindos, era encantador desenhos assim. Teve uma cena do Cebolinha com dentes a mostra que foi pra indicar que estava com plano maquiavélico contra a Mônica e os dentes foram bem colocado nesse caso. As cores desbotadas eram típicas dos gibis do segundo semestre de 1987, mas com o papel oleoso da revista até que deu um contraste legal, diferente de quando era desbotada em papel comum.  Propaganda inserida na história dessa vez foi do lápis "Labra", sempre presente nas revistas da época. Depois, em 'Cebolinha N° 26' (Ed. Globo, 1989), teve história semelhante a essa, chamada de "O poder da palavra", sendo que nesta o que faz as coisas acontecerem quando o Cebolinha fala foi ele tomar uma poção de um bruxo. Muito boa também essa. 

PARANÁ EM MOVIMENTO — SEGUNDA PARTE: OFICINAS QUE REPARAVAM O FUTURO, RÁDIOS QUE CONECTAVAM O ESTADO E INDÚSTRIAS QUE ALIMENTAVAM O BRASIL

 PARANÁ EM MOVIMENTO — SEGUNDA PARTE: OFICINAS QUE REPARAVAM O FUTURO, RÁDIOS QUE CONECTAVAM O ESTADO E INDÚSTRIAS QUE ALIMENTAVAM O BRASIL

PARANÁ EM MOVIMENTO — SEGUNDA PARTE: OFICINAS QUE REPARAVAM O FUTURO, RÁDIOS QUE CONECTAVAM O ESTADO E INDÚSTRIAS QUE ALIMENTAVAM O BRASIL


Página 48 — Oficina Curitiba: A Mecânica que Movia o Paraná

Aqui, a engenharia se encontra com o cotidiano. O título “OFICINA CURITIBA” já diz tudo — é o coração mecânico da capital. Abaixo, o nome da empresa: Santo Vendrametto & Cia. Ltda., com seu logotipo estilizado e uma foto do prédio da oficina, com telhado de zinco e fachada simples, mas funcional. É o tipo de lugar onde carros eram salvos, motores ressuscitados e caminhões voltavam à estrada.

O texto é uma lista de serviços impressionante: “Mecânica, Pintura, Seleria, Carpintaria, Soldas Elétricas, SOLDAS A OXIGÊNIO, Retificação de Cilindros, Carga de Acumuladores, Vulcanizações e Óleo Diesel”. Tudo isso sob um único teto — e não qualquer teto, mas o da “maior oficina do Estado do Paraná”, como dizem orgulhosos no anúncio.

Eles até têm uma “Ferraria com confecções de Molas para todos os carros”, o que mostra que não eram só reparadores — eram fabricantes, inovadores. O endereço? Rua Chile, 1051 (Esq. Mal. Floriano Peixoto). Telefone? “VENDRAPA”, porque naquela época os telefones tinham nomes, não números. E o telefone real? 4-3-6. Simples, direto, eficiente.

Curitiba, Paraná, Brasil — três palavras que resumem o alcance dessa oficina. Não era só local — era referência.


Página 49 — Impressora Paranaense S.A.: O Papel que Contava a História

Passamos para o mundo da comunicação gráfica. A IMPRESSORA PARANAENSE S.A. aparece com um logotipo moderno — as letras “IP” dentro de um círculo — e um texto que promete “TRABALHOS GRÁFICOS EM GERAL”: teses, revistas, livros, impressos, ações, cartazes, prospectos, catálogos. Tudo, inclusive ilustrações, mapas e quadros — e com “CLICHERIA PRÓPRIA”, o que era sinônimo de qualidade e autonomia.

O endereço é o mesmo de antes: Rua Comendador Araujo, 731-747, em Curitiba. Telefones: 4091 e 4092. Caixa Postal: 326. Um verdadeiro centro de produção gráfica, capaz de atender desde pequenos negócios até grandes empresas e instituições.

E ao lado, o anúncio da Rádio Difusora de Paranaguá Ltda. — uma estação que “é a onda mais ouvida em todo o litoral do Paraná”. O slogan é poderoso: “UM EXCELENTE VEÍCULO PARA A SUA PUBLICIDADE”. O endereço? Rua Presciliano Corrêa, 9 — Fone: 189 — Caixa Postal: 107. O escritório em Paranaguá, no “Estádio do Paraná”.

É curioso ver como a comunicação estava se expandindo: a imprensa escrita e a rádio trabalhando lado a lado, cada uma com seu público, sua força, sua voz. O Paraná estava se conectando — por papel e por ondas de rádio.


Página 51 — Engenheiros, Tratores e Rádios: O Trio que Transformava o Estado

Aqui temos uma página repleta de energia intelectual e técnica. No topo, o anúncio da CATION & CIA LTDA., representante de marcas internacionais como Caterpillar Tractor Co., Allis-Chalmers, International Harvester, Link-Belt Speeder Corp. e Iowa Manufacturing Company. São tratores, motoniveladoras, motores diesel — tudo o que um estado em crescimento precisava para construir estradas, abrir terras e modernizar a agricultura.

O texto explica que a empresa oferece “peças para veículos para transporte, agrícolas e industriais”, além de “serviço técnico especializado”. Eles são “representantes exclusivos” — o que significa que, se você queria um trator Caterpillar no Paraná, tinha que ir até eles.

Logo abaixo, o anúncio da RÁDIO LONDRINA — uma emissora que operava em 820 kilociclos, das 18 às 18 horas, de segunda a sábado. O texto é entusiasmado: “Ocupam diariamente esta emissora... a mais potente emissora do Norte do Estado e Sul de São Paulo.” E o slogan? “POSTO AVANÇADO DO BRASIL NOVO.”

O endereço? Avenida Paraná, 978 — 1º andar — Sala 3. Telefones: 811 (Caixa Postal, 6). Eles até têm representantes em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro — mostrando que Londrina já era um polo regional importante.


Página 52 — Hospital São Lucas e Construtora Técnica: Saúde e Engenharia em Harmonia

Agora entramos no mundo da saúde e da construção civil. O Hospital São Lucas, fundado em 1946, é apresentado com orgulho: “Doutor de poucos dias será inaugurado em 31 de janeiro, em Curitiba, a Avenida Japão Gauthier nº 1946.” O hospital é descrito como “completamente equipado com os mais modernos aparelhos médicos”, incluindo “laboratório de análises clínicas, raio X, sala de cirurgia, enfermarias, consultórios e administração”.

O texto destaca que o hospital é “de caráter filantrópico”, o que significa que atende a todos, independentemente da condição financeira. Os médicos são listados: Dr. Roberto Camargo (Cirurgia Geral), Dr. Rui Santos (Cirurgia Geral), Dr. Carlos Valério (Cirurgia Geral), Dr. Esperidião Lopes (Clínica Médica), Dr. Fernando Vega Ribeiro (Anestesia) e outros. Uma equipe de elite, pronta para cuidar da população curitibana.

Ao lado, o anúncio da Construtora Técnica e Industrial Ltda., com seus engenheiros civis Samuel Chamecki e Renaldo Tha. Eles oferecem “obras marítimas, grandes estruturas, edifícios, engenharia em geral”, além de “especialidades de serralaria, carpintaria, ferroviário e desmontagem de máquinas”. O endereço? Rua 16 de Março, 209 — 7º andar — Sala 502. Telefone: 407 — Caixa Postal: 184.

É interessante ver como a saúde e a engenharia andavam juntas — o hospital sendo construído pela construtora, a cidade sendo transformada por engenheiros e médicos. Tudo em sintonia.


Página 53 — Indústrias Todeschini Ltda.: O Alimento que Nutria o Brasil

Por fim, a grande indústria alimentícia. A INDÚSTRIAS TODESCHINI LTDA. aparece com um desenho impressionante de sua fábrica — uma estrutura moderna, com chaminés, telhados de zinco e linhas retas, como se fosse um templo da produção. O texto anuncia: “MASSAS ALIMENTÍCIAS — MOINHO DE CEREAIS — CARAMELOS”.

O endereço? Avenida 7 de Setembro, 3029 — Curitiba. Telefone: 3548. Um número que hoje seria histórico — mas na época, era o símbolo de uma empresa que estava no topo da cadeia alimentícia paranaense.

E, para fechar com chave de ouro, o anúncio da IMPRESSORA PARANAENSE S.A. repete-se aqui, com o mesmo logotipo e os mesmos serviços. É como se o jornal quisesse reforçar: “Não importa o que você precise — seja massa, seja impresso, seja trator — nós temos o parceiro certo para você.”


E assim terminamos nossa segunda jornada pelas páginas de 1946. Nenhuma introdução, nenhuma conclusão — porque o Paraná daquela época não precisava delas. Ele estava em movimento, em construção, em expansão. Cada oficina, cada rádio, cada hospital, cada fábrica era um pedaço do futuro sendo construído. E nós, hoje, só temos que admirar — e celebrar — essa energia inesgotável.










PARANÁ EM MOVIMENTO: O ESTADO QUE CONSTRUIU SEU FUTURO EM 1946 — DA EDUCAÇÃO À INDÚSTRIA, DA COLONIZAÇÃO À ENGENHARIA

 PARANÁ EM MOVIMENTO: O ESTADO QUE CONSTRUIU SEU FUTURO EM 1946 — DA EDUCAÇÃO À INDÚSTRIA, DA COLONIZAÇÃO À ENGENHARIA

PARANÁ EM MOVIMENTO: O ESTADO QUE CONSTRUIU SEU FUTURO EM 1946 — DA EDUCAÇÃO À INDÚSTRIA, DA COLONIZAÇÃO À ENGENHARIA


Página 14 — Honra ao Colégio Estadual do Paraná

Aqui começa a celebração! A manchete anuncia em letras grandes: “Honrosa visita do Presidente da República ao Colégio Estadual do Paraná”. E não é só propaganda — é história viva. A foto principal mostra o prédio da escola, imponente, moderno, com linhas retas e janelas generosas, como se dissesse: “Este é o futuro da educação no Estado”.

Logo abaixo, outra foto: três homens em ternos impecáveis, sérios, mas radiantes. No centro, o Presidente da República, General Eurico Gaspar Dutra, acompanhado pelo Governador do Paraná e provavelmente pelo diretor da escola. A legenda confirma: “O Exmo. Sr. General Eurico Gaspar Dutra, tendo em toda a Governadoria do Paraná, visitou o novo Colégio Estadual do Paraná, em sua fase final de construção.” Um momento de orgulho nacional e estadual.

E aí vem a cereja do bolo: o anúncio da CIA. CONSTRUTORA NACIONAL S.A., que assina a obra. O texto diz que o colégio é “uma das grandes realizações” da empresa — e eles têm razão para comemorar. Os endereços estão todos lá: Matriz no Rio de Janeiro, filiais em São Paulo e Bahia, e agência em Curitiba, na Rua 15 de Novembro, 439. Telefones, caixas postais, códigos telegráficos — tudo à disposição do leitor, como se fosse um convite para conhecer quem construiu o futuro.


Página 18 — Louças Cruzeiro: A Indústria que Aquecia as Mesas Paranaenses

Passamos para o mundo da indústria — e que indústria! A Cerâmica Brasileira Ltda., com sua fábrica “Cruzeiro” em Itaqui, é a estrela desta página. O título em negrito grita: “FÁBRICA DE LOUÇAS ‘CRUZEIRO’”, e a foto aérea da fábrica mostra uma estrutura industrial impressionante, com telhados de zinco, chaminés e pátios organizados — uma máquina de produção em pleno funcionamento.

O texto é claro e orgulhoso: produzem “Louças de pó de pedra, tijelas, canecas, chicaras, pratos, etc.”, tudo de “qualidade” e “cem por cento nacional”. Mão de obra paranaense, matéria-prima local — isso era patriotismo econômico na prática. Dez anos de atividade, dizem, “em prol da emancipação industrial e econômica do Paraná”. Eles não vendem só louças — vendem identidade.

O mercado? Nacional, claro: Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Os diretores são nomeados: Alberto Nigro, Angelo Nigro, José Pedro Campezzo. O endereço da sede em Curitiba (Rua de Murici, 419) e o da fábrica em Campo Largo (Paraná) estão ali, como selos de confiança. Código telegráfico? “ALGRO”. Tudo perfeito, tudo funcional, tudo cheio de vida.


Página 19 — Colonização, Mapas e Terras: O Paraná sendo Desenhado

Agora entramos no mundo do planejamento estratégico. O título anuncia: “Notáveis realizações do Departamento de Geografia, Terras e Colonização da Secretaria de Viação e Obras Públicas do Estado do Paraná”. É um documento de governo, mas escrito com paixão.

O texto explica que a colonização do norte e nordeste do estado está sendo feita com rigor, seguindo planos de governo. O departamento é descrito como o motor dessa transformação: constrói estradas, pontes, escolas, hospitais, casas para administradores — tudo para integrar regiões remotas ao resto do Brasil. Eles até cuidam da distribuição de terras e da criação de novos municípios. Um verdadeiro exército da modernidade.

E o mapa? Ah, o mapa! Ele ocupa metade da página e é uma obra-prima de simplicidade e informação. Mostra os limites do estado, as divisões administrativas e as áreas de colonização, com números que correspondem aos textos. As legendas indicam “Divisões Administrativas” e “Divisões de Colonização”, mostrando como o Estado estava sendo redesenhado.

A nota final é de valorização: “A valorização se opera em ritmo jamais observado... nas quais a Rua de Curitiba vendeu terrenos a preço de Cr$ 150,00 o alqueire”. Isso não é só geografia — é economia, é futuro, é sonho concretizado.


Página 20 — Aranha & Cia.: Engenharia que Corta Montanhas

Por fim, a engenharia em seu auge! A ARANHA & CIA. aparece com um título grandioso: “CONSTRUÇÕES EM GERAL”, incluindo estradas de ferro, rodagem, pavimentações, pontes e terraplenagem mecânica. Escritório em Curitiba, agência em Paraná — presença total no Estado.

A primeira foto mostra uma paisagem montanhosa com uma estrada em construção. A legenda revela: “Túnel T3 construído pela firma na Variante Serra de São João para a Rede Viação Paraná-Santa Catarina, entre Ponta União e Matos Costa”. Detalhes técnicos? Claro! Extensão: 198 metros. Plataforma: 4,50 metros. Volume escavado: 6.000 m³. Custo: 7.000 mil cruzeiros. Uma obra de arte da engenharia civil.

A segunda foto mostra os “Edifícios da Estrada de Ferro Serra Pelado na Variante Serra de São João”. São cinco construções listadas: Estação Ferroviária, Casa para Agente, Casa para Telegrafista, 14 Casas para Operários e Casa para Feitor. Cada uma delas é um pedaço da infraestrutura que ligava o interior ao litoral.

O texto ainda menciona o escritório em Curitiba (Rua Carlos de Carvalho, 147), o endereço telegráfico (“ANARA”) e a caixa postal (842). Tudo organizado, tudo profissional, tudo com o espírito de quem constrói o futuro — literalmente.


E assim terminamos nossa viagem por essas páginas históricas. Não há introdução porque o Paraná de 1946 não precisava de apresentações — ele já estava em movimento. Não há conclusão porque a história continua, em cada tijolo, em cada estrada, em cada louça, em cada mapa. Este é o Paraná que construiu seu futuro — com as próprias mãos, com orgulho, com alegria. E nós, hoje, só temos que aplaudir.










Xale em crochê

 

Xale em crochê


Colete, Chapéu e Xale

 

Colete, Chapéu e Xale







Xale

 

Xale


Xale