PARANÁ EM MOVIMENTO — SEGUNDA PARTE: OFICINAS QUE REPARAVAM O FUTURO, RÁDIOS QUE CONECTAVAM O ESTADO E INDÚSTRIAS QUE ALIMENTAVAM O BRASIL
PARANÁ EM MOVIMENTO — SEGUNDA PARTE: OFICINAS QUE REPARAVAM O FUTURO, RÁDIOS QUE CONECTAVAM O ESTADO E INDÚSTRIAS QUE ALIMENTAVAM O BRASIL
Página 48 — Oficina Curitiba: A Mecânica que Movia o Paraná
Aqui, a engenharia se encontra com o cotidiano. O título “OFICINA CURITIBA” já diz tudo — é o coração mecânico da capital. Abaixo, o nome da empresa: Santo Vendrametto & Cia. Ltda., com seu logotipo estilizado e uma foto do prédio da oficina, com telhado de zinco e fachada simples, mas funcional. É o tipo de lugar onde carros eram salvos, motores ressuscitados e caminhões voltavam à estrada.
O texto é uma lista de serviços impressionante: “Mecânica, Pintura, Seleria, Carpintaria, Soldas Elétricas, SOLDAS A OXIGÊNIO, Retificação de Cilindros, Carga de Acumuladores, Vulcanizações e Óleo Diesel”. Tudo isso sob um único teto — e não qualquer teto, mas o da “maior oficina do Estado do Paraná”, como dizem orgulhosos no anúncio.
Eles até têm uma “Ferraria com confecções de Molas para todos os carros”, o que mostra que não eram só reparadores — eram fabricantes, inovadores. O endereço? Rua Chile, 1051 (Esq. Mal. Floriano Peixoto). Telefone? “VENDRAPA”, porque naquela época os telefones tinham nomes, não números. E o telefone real? 4-3-6. Simples, direto, eficiente.
Curitiba, Paraná, Brasil — três palavras que resumem o alcance dessa oficina. Não era só local — era referência.
Página 49 — Impressora Paranaense S.A.: O Papel que Contava a História
Passamos para o mundo da comunicação gráfica. A IMPRESSORA PARANAENSE S.A. aparece com um logotipo moderno — as letras “IP” dentro de um círculo — e um texto que promete “TRABALHOS GRÁFICOS EM GERAL”: teses, revistas, livros, impressos, ações, cartazes, prospectos, catálogos. Tudo, inclusive ilustrações, mapas e quadros — e com “CLICHERIA PRÓPRIA”, o que era sinônimo de qualidade e autonomia.
O endereço é o mesmo de antes: Rua Comendador Araujo, 731-747, em Curitiba. Telefones: 4091 e 4092. Caixa Postal: 326. Um verdadeiro centro de produção gráfica, capaz de atender desde pequenos negócios até grandes empresas e instituições.
E ao lado, o anúncio da Rádio Difusora de Paranaguá Ltda. — uma estação que “é a onda mais ouvida em todo o litoral do Paraná”. O slogan é poderoso: “UM EXCELENTE VEÍCULO PARA A SUA PUBLICIDADE”. O endereço? Rua Presciliano Corrêa, 9 — Fone: 189 — Caixa Postal: 107. O escritório em Paranaguá, no “Estádio do Paraná”.
É curioso ver como a comunicação estava se expandindo: a imprensa escrita e a rádio trabalhando lado a lado, cada uma com seu público, sua força, sua voz. O Paraná estava se conectando — por papel e por ondas de rádio.
Página 51 — Engenheiros, Tratores e Rádios: O Trio que Transformava o Estado
Aqui temos uma página repleta de energia intelectual e técnica. No topo, o anúncio da CATION & CIA LTDA., representante de marcas internacionais como Caterpillar Tractor Co., Allis-Chalmers, International Harvester, Link-Belt Speeder Corp. e Iowa Manufacturing Company. São tratores, motoniveladoras, motores diesel — tudo o que um estado em crescimento precisava para construir estradas, abrir terras e modernizar a agricultura.
O texto explica que a empresa oferece “peças para veículos para transporte, agrícolas e industriais”, além de “serviço técnico especializado”. Eles são “representantes exclusivos” — o que significa que, se você queria um trator Caterpillar no Paraná, tinha que ir até eles.
Logo abaixo, o anúncio da RÁDIO LONDRINA — uma emissora que operava em 820 kilociclos, das 18 às 18 horas, de segunda a sábado. O texto é entusiasmado: “Ocupam diariamente esta emissora... a mais potente emissora do Norte do Estado e Sul de São Paulo.” E o slogan? “POSTO AVANÇADO DO BRASIL NOVO.”
O endereço? Avenida Paraná, 978 — 1º andar — Sala 3. Telefones: 811 (Caixa Postal, 6). Eles até têm representantes em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro — mostrando que Londrina já era um polo regional importante.
Página 52 — Hospital São Lucas e Construtora Técnica: Saúde e Engenharia em Harmonia
Agora entramos no mundo da saúde e da construção civil. O Hospital São Lucas, fundado em 1946, é apresentado com orgulho: “Doutor de poucos dias será inaugurado em 31 de janeiro, em Curitiba, a Avenida Japão Gauthier nº 1946.” O hospital é descrito como “completamente equipado com os mais modernos aparelhos médicos”, incluindo “laboratório de análises clínicas, raio X, sala de cirurgia, enfermarias, consultórios e administração”.
O texto destaca que o hospital é “de caráter filantrópico”, o que significa que atende a todos, independentemente da condição financeira. Os médicos são listados: Dr. Roberto Camargo (Cirurgia Geral), Dr. Rui Santos (Cirurgia Geral), Dr. Carlos Valério (Cirurgia Geral), Dr. Esperidião Lopes (Clínica Médica), Dr. Fernando Vega Ribeiro (Anestesia) e outros. Uma equipe de elite, pronta para cuidar da população curitibana.
Ao lado, o anúncio da Construtora Técnica e Industrial Ltda., com seus engenheiros civis Samuel Chamecki e Renaldo Tha. Eles oferecem “obras marítimas, grandes estruturas, edifícios, engenharia em geral”, além de “especialidades de serralaria, carpintaria, ferroviário e desmontagem de máquinas”. O endereço? Rua 16 de Março, 209 — 7º andar — Sala 502. Telefone: 407 — Caixa Postal: 184.
É interessante ver como a saúde e a engenharia andavam juntas — o hospital sendo construído pela construtora, a cidade sendo transformada por engenheiros e médicos. Tudo em sintonia.
Página 53 — Indústrias Todeschini Ltda.: O Alimento que Nutria o Brasil
Por fim, a grande indústria alimentícia. A INDÚSTRIAS TODESCHINI LTDA. aparece com um desenho impressionante de sua fábrica — uma estrutura moderna, com chaminés, telhados de zinco e linhas retas, como se fosse um templo da produção. O texto anuncia: “MASSAS ALIMENTÍCIAS — MOINHO DE CEREAIS — CARAMELOS”.
O endereço? Avenida 7 de Setembro, 3029 — Curitiba. Telefone: 3548. Um número que hoje seria histórico — mas na época, era o símbolo de uma empresa que estava no topo da cadeia alimentícia paranaense.
E, para fechar com chave de ouro, o anúncio da IMPRESSORA PARANAENSE S.A. repete-se aqui, com o mesmo logotipo e os mesmos serviços. É como se o jornal quisesse reforçar: “Não importa o que você precise — seja massa, seja impresso, seja trator — nós temos o parceiro certo para você.”
E assim terminamos nossa segunda jornada pelas páginas de 1946. Nenhuma introdução, nenhuma conclusão — porque o Paraná daquela época não precisava delas. Ele estava em movimento, em construção, em expansão. Cada oficina, cada rádio, cada hospital, cada fábrica era um pedaço do futuro sendo construído. E nós, hoje, só temos que admirar — e celebrar — essa energia inesgotável.
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