PARANÁ EM MOVIMENTO: O ESTADO QUE CONSTRUIU SEU FUTURO EM 1946 — DA EDUCAÇÃO À INDÚSTRIA, DA COLONIZAÇÃO À ENGENHARIA
PARANÁ EM MOVIMENTO: O ESTADO QUE CONSTRUIU SEU FUTURO EM 1946 — DA EDUCAÇÃO À INDÚSTRIA, DA COLONIZAÇÃO À ENGENHARIA
Página 14 — Honra ao Colégio Estadual do Paraná
Aqui começa a celebração! A manchete anuncia em letras grandes: “Honrosa visita do Presidente da República ao Colégio Estadual do Paraná”. E não é só propaganda — é história viva. A foto principal mostra o prédio da escola, imponente, moderno, com linhas retas e janelas generosas, como se dissesse: “Este é o futuro da educação no Estado”.
Logo abaixo, outra foto: três homens em ternos impecáveis, sérios, mas radiantes. No centro, o Presidente da República, General Eurico Gaspar Dutra, acompanhado pelo Governador do Paraná e provavelmente pelo diretor da escola. A legenda confirma: “O Exmo. Sr. General Eurico Gaspar Dutra, tendo em toda a Governadoria do Paraná, visitou o novo Colégio Estadual do Paraná, em sua fase final de construção.” Um momento de orgulho nacional e estadual.
E aí vem a cereja do bolo: o anúncio da CIA. CONSTRUTORA NACIONAL S.A., que assina a obra. O texto diz que o colégio é “uma das grandes realizações” da empresa — e eles têm razão para comemorar. Os endereços estão todos lá: Matriz no Rio de Janeiro, filiais em São Paulo e Bahia, e agência em Curitiba, na Rua 15 de Novembro, 439. Telefones, caixas postais, códigos telegráficos — tudo à disposição do leitor, como se fosse um convite para conhecer quem construiu o futuro.
Página 18 — Louças Cruzeiro: A Indústria que Aquecia as Mesas Paranaenses
Passamos para o mundo da indústria — e que indústria! A Cerâmica Brasileira Ltda., com sua fábrica “Cruzeiro” em Itaqui, é a estrela desta página. O título em negrito grita: “FÁBRICA DE LOUÇAS ‘CRUZEIRO’”, e a foto aérea da fábrica mostra uma estrutura industrial impressionante, com telhados de zinco, chaminés e pátios organizados — uma máquina de produção em pleno funcionamento.
O texto é claro e orgulhoso: produzem “Louças de pó de pedra, tijelas, canecas, chicaras, pratos, etc.”, tudo de “qualidade” e “cem por cento nacional”. Mão de obra paranaense, matéria-prima local — isso era patriotismo econômico na prática. Dez anos de atividade, dizem, “em prol da emancipação industrial e econômica do Paraná”. Eles não vendem só louças — vendem identidade.
O mercado? Nacional, claro: Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Os diretores são nomeados: Alberto Nigro, Angelo Nigro, José Pedro Campezzo. O endereço da sede em Curitiba (Rua de Murici, 419) e o da fábrica em Campo Largo (Paraná) estão ali, como selos de confiança. Código telegráfico? “ALGRO”. Tudo perfeito, tudo funcional, tudo cheio de vida.
Página 19 — Colonização, Mapas e Terras: O Paraná sendo Desenhado
Agora entramos no mundo do planejamento estratégico. O título anuncia: “Notáveis realizações do Departamento de Geografia, Terras e Colonização da Secretaria de Viação e Obras Públicas do Estado do Paraná”. É um documento de governo, mas escrito com paixão.
O texto explica que a colonização do norte e nordeste do estado está sendo feita com rigor, seguindo planos de governo. O departamento é descrito como o motor dessa transformação: constrói estradas, pontes, escolas, hospitais, casas para administradores — tudo para integrar regiões remotas ao resto do Brasil. Eles até cuidam da distribuição de terras e da criação de novos municípios. Um verdadeiro exército da modernidade.
E o mapa? Ah, o mapa! Ele ocupa metade da página e é uma obra-prima de simplicidade e informação. Mostra os limites do estado, as divisões administrativas e as áreas de colonização, com números que correspondem aos textos. As legendas indicam “Divisões Administrativas” e “Divisões de Colonização”, mostrando como o Estado estava sendo redesenhado.
A nota final é de valorização: “A valorização se opera em ritmo jamais observado... nas quais a Rua de Curitiba vendeu terrenos a preço de Cr$ 150,00 o alqueire”. Isso não é só geografia — é economia, é futuro, é sonho concretizado.
Página 20 — Aranha & Cia.: Engenharia que Corta Montanhas
Por fim, a engenharia em seu auge! A ARANHA & CIA. aparece com um título grandioso: “CONSTRUÇÕES EM GERAL”, incluindo estradas de ferro, rodagem, pavimentações, pontes e terraplenagem mecânica. Escritório em Curitiba, agência em Paraná — presença total no Estado.
A primeira foto mostra uma paisagem montanhosa com uma estrada em construção. A legenda revela: “Túnel T3 construído pela firma na Variante Serra de São João para a Rede Viação Paraná-Santa Catarina, entre Ponta União e Matos Costa”. Detalhes técnicos? Claro! Extensão: 198 metros. Plataforma: 4,50 metros. Volume escavado: 6.000 m³. Custo: 7.000 mil cruzeiros. Uma obra de arte da engenharia civil.
A segunda foto mostra os “Edifícios da Estrada de Ferro Serra Pelado na Variante Serra de São João”. São cinco construções listadas: Estação Ferroviária, Casa para Agente, Casa para Telegrafista, 14 Casas para Operários e Casa para Feitor. Cada uma delas é um pedaço da infraestrutura que ligava o interior ao litoral.
O texto ainda menciona o escritório em Curitiba (Rua Carlos de Carvalho, 147), o endereço telegráfico (“ANARA”) e a caixa postal (842). Tudo organizado, tudo profissional, tudo com o espírito de quem constrói o futuro — literalmente.
E assim terminamos nossa viagem por essas páginas históricas. Não há introdução porque o Paraná de 1946 não precisava de apresentações — ele já estava em movimento. Não há conclusão porque a história continua, em cada tijolo, em cada estrada, em cada louça, em cada mapa. Este é o Paraná que construiu seu futuro — com as próprias mãos, com orgulho, com alegria. E nós, hoje, só temos que aplaudir.
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