Boomslang | |||||||||||||||||||
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||||
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||
| Dispholidus typus (A. Smith, 1828) | |||||||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||||
Distribuição da Boomslang | |||||||||||||||||||
| Sinónimos[2][3] | |||||||||||||||||||
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A Dispholidus typus, comumente conhecida como Boomslang,[4] é uma serpente altamente venenosa da família Colubridae.[5] A espécie é nativa da África Subsariana.
Etimologia
Seu nome comum significa "cobra da árvore" em holandês[6] e africâner – boom significa "árvore"[7] e slang significa "cobra".[8] Em africâner, o nome é pronunciado ˈbuəmslaŋ.
Taxonomia
A boomslang é uma serpente colubrídea da subfamília Colubrinae. Pertence ao gênero Dispholidus, que também inclui outras duas espécies, D. pembae e D. punctatus.[9]
A boomslang é considerada próxima de membros dos gêneros Thelotornis, Thrasops, Rhamnophis e Xyelodontophis, com os quais forma a tribo taxonômica Dispholidini.[10]
As relações próximas podem ser observadas no cladograma abaixo:[11]
Oligodon | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Subespécies
Duas subespécies são reconhecidas, incluindo a subespécie nominotípica.[12]
- D. t. kivuensis Laurent, 1955
- D. t. typus (A. Smith, 1828)
A autoridade trinomial em parênteses para D. t. typus indica que a subespécie foi originalmente descrita em um gênero diferente de Dispholidus.
Descrição

O comprimento médio de uma boomslang adulta é de 100 a 160 cm (incluindo a cauda). Algumas ultrapassam 183 cm. Os olhos são excepcionalmente grandes, e a cabeça tem um formato característico semelhante a um ovo. A coloração é altamente variável. Machos são verdes claros com bordas de escamas pretas ou azuis, enquanto fêmeas adultas podem ser marrons, demonstrando dimorfismo sexual.[13]
O peso varia de 175 a 510 g, com uma média de 299,4 g.[14]
Nesta espécie, a cabeça é distinta do pescoço, e o canto rostral é bem definido. A pupila do olho, que é muito grande, é redonda. A boomslang possui uma visão excelente e frequentemente move a cabeça de um lado para o outro para obter uma melhor visão dos objetos à sua frente. Os dentes maxilares são pequenos na parte anterior, em número de sete ou oito, seguidos por três presas grandes e sulcadas localizadas abaixo de cada olho. Os dentes mandibulares são aproximadamente iguais em tamanho. O corpo é ligeiramente comprimido. As escamas dorsais, dispostas em 19 ou 21 fileiras, são muito estreitas, oblíquas, fortemente carenadas, com fossas apicais. A cauda é longa, e as escamas subcaudais são pareadas. As escamas ventrais variam de 164 a 201; a escama anal é dividida; e as subcaudais variam de 91 a 131.[2]
Distribuição geográfica

A espécie Dispholidus typus é endêmica da África Subsariana, encontrada desde Gâmbia, Guiné, Senegal e grande parte da África Ocidental (incluindo Benim, Camarões, Gana, Nigéria, Togo)[15] até a África Central e Oriental (República Democrática do Congo, oeste da Etiópia, Quênia, Sudão do Sul, Tanzânia, Uganda). Está presente em grande parte da África Austral, em uma ampla variedade de habitats, com algumas das populações mais densas em Angola, Botsuana, Essuatíni, Malaui, Moçambique, Namíbia, África do Sul, Zâmbia e Zimbábue.[15]
Habitat
A boomslang é uma excelente escaladora e altamente arbórea, vivendo principalmente em áreas florestais. D. typus habita arbustos de carru, savanas, florestas de terras baixas e pastagens. Não se restringe às árvores, sendo frequentemente encontrada no solo caçando, alimentando-se ou buscando abrigo. Ocasionalmente, esconde-se no subsolo durante condições climáticas adversas.[16]
Reprodução
A D. typus é ovípara, e uma fêmea adulta pode produzir, em média, de 8 a 14 ovos coriáceos, tendo sido observados até 27, que são depositados em um tronco de árvore oco ou em um tronco apodrecido. Os ovos têm um período de incubação relativamente longo, com média de 3 meses.[17] Os filhotes machos são cinza com manchas azuis, enquanto as fêmeas são marrons claras. Eles atingem a coloração adulta após alguns anos.[18] Os filhotes têm cerca de 29 cm a 38 cm de comprimento ao nascer[17] e não representam ameaça aos humanos, mas tornam-se perigosamente venenosos quando atingem cerca de 45 cm de comprimento e uma espessura equivalente ao dedo mindinho de um adulto.
Comportamento e dieta

D. typus é diurna e quase exclusivamente arbórea. É reservada e move-se de galho em galho quando perseguida por algo grande demais para comer. Sua dieta inclui camaleões e outros lagartos arbóreos,[5] rãs e, ocasionalmente, pequenos mamíferos, aves e ovos de ninhos de pássaros e répteis,[5][19] todos engolidos inteiros. Também se alimenta de outras serpentes, incluindo membros da própria espécie em atos de canibalismo.[19] Durante períodos de clima frio, D. typus entra em brumação por curtos períodos, frequentemente se enrolando dentro de ninhos fechados de tecelões.
Veneno

As serpentes da família Colubridae são conhecidas coletivamente como "cobras de presas traseiras" (ou opistóglifas), pois seus dentes injetores de peçonha estão localizados mais ao fundo da boca em comparação com elapídeos ou viperídeos, exigindo que a cobra morda, segure e "mastigue" para injetar o veneno na vítima.[18]
A D. typus possui um veneno altamente potente e tóxico.[5] Ela pode abrir suas mandíbulas em até 170° ao morder, facilitando o envenenamento.[20] O veneno é primariamente hemotóxico, funcionando por um processo em que diversos pequenos coágulos se formam no sangue, causando uma coagulação inadequada no sistema circulatório da vítima, resultando em sangramentos excessivos e morte. O veneno provoca sangramentos em tecidos como músculos e cérebro (entre outros órgãos), ao mesmo tempo em que obstrui capilares com pequenos coágulos sanguíneos.[5][21] Outros sintomas incluem dor de cabeça, náusea, sonolência e confusão, podendo levar à parada cardíaca e inconsciência.
Como o veneno da D. typus é de ação lenta, os sintomas podem não se manifestar por muitas horas após a mordida.[18] Embora a ausência de sintomas permita tempo suficiente para obter soro antiofídico, isso também pode levar as vítimas a subestimarem a gravidade da mordida. Cobras de qualquer espécie podem, por vezes, não injetar veneno ao morder (uma chamada "mordida seca" ou "ataque de blefe", realizado em defesa), e, após algumas horas sem efeitos perceptíveis, vítimas de mordidas de D. typus podem acreditar erroneamente que o ataque foi apenas uma mordida seca. Os mecanismos fisiopatológicos do veneno variam entre as cobras, resultando em diferentes manifestações clínicas em cada paciente.
Uma D. typus adulta possui de 1,6 a 8 mg de peçonha.[22] Sua dose letal mediana (LD50) em camundongos é de 0,1 mg/kg (intravenosa).[23] Também foi relatado 0,071 mg/kg (IV).[24] 12,5 mg/kg (subcutânea) e 1,3–1,8 mg/kg (intraperitoneal).[25] Com base nas quantidades muito baixas de veneno produzidas por D. typus e nos efeitos graves observados em muitos casos relatados em humanos, sugere-se que a LD50 do veneno é menor em humanos do que em camundongos, com apenas 2 a 3 mg sendo suficientes para potencialmente matar um adulto saudável.[26]
Em 1957, o herpetólogo Karl Schmidt morreu após ser mordido por uma D. typus jovem, que ele duvidava que pudesse produzir uma dose fatal.[27][28] Ele fez anotações sobre os sintomas que experimentou quase até o fim.[29][30] D. S. Chapman relatou oito envenenamentos graves por D. typus entre 1919 e 1962, dois dos quais foram letais.[31]
Um soro antiofídico monovalente para D. typus foi desenvolvido na década de 1940. A South African Vaccine Producers fabrica um soro antiofídico monovalente para uso em envenenamentos por D. typus.[32] O tratamento de mordidas pode também exigir completas transfusões de sangue, especialmente se passaram mais de 24 a 48 horas sem o uso de antídoto.
A boomslang é uma cobra tímida, e as mordidas geralmente ocorrem apenas quando pessoas tentam manipulá-la, capturá-la, persegui-la ou matá-la. Quando confrontada e encurralada, ela infla o pescoço e assume uma postura de ataque em forma de S, um sinal claro de que a cobra se sente ameaçada.[18]
Galeria
- Um espécime macho
- Boomslang no Cabo Ocidental, África do Sul
- Boomslang comum jovem (Dispholidus t. typus)
- Boomslang comum fêmea marrom (Dispholidus t. typus)
- Ilustração de D. typus (nomeada como Bucephalus viridis).
Ver também
Referências
- «Boomslang - IUCN Red List». Consultado em 22 de junho de 2025
- Boulenger GA (1896). Catalogue of the Snakes in the British Museum (Natural History). Volume III., Containing the Colubridæ (Opisthoglyphæ and Proteroglyphæ) .... London: Trustees of the British Museum (Natural History). (Taylor and Francis, printers). xiv + 727 pp. + Plates I-XXV. (Genus Dispholidus, pp. 186-187; species Dispholidus typus, pp. 187–189, Figure 14).
- «Dispholidus typus». The Reptile Database. Consultado em 15 de junho de 2025
- «Boomslang (Dispholidus typus)». iNaturalist. Consultado em 22 de junho de 2025
- Encyclopædia Britannica. [S.l.]: Encyclopædia Britannica, Inc. ISBN 9781593392925. Consultado em 15 de junho de 2025
- Oxford English Dictionary. Oxford, England: Oxford University Press. 1989
- «boom no inglês - dicionário Africâner-Inglês | Glosbe». glosbe.com. Consultado em 22 de junho de 2025
- «slang no inglês - dicionário Africâner-Inglês | Glosbe». glosbe.com. Consultado em 22 de junho de 2025
- «Dispholidus». Catalogue of Life. Consultado em 22 de junho de 2025
- Broadley, D.G.; Wallach, V. (2002). «Review of the Dispholidini, with the description of a new genus and species from Tanzania (Serpentes, Colubridae)». Bulletin of the Natural History Museum, Zoology Series. 68 (2). doi:10.1017/S0968047002000079
- Figueroa, A.; McKelvy, A. D.; Grismer, L. L.; Bell, C. D.; Lailvaux, S. P. (2016). «A species-level phylogeny of extant snakes with description of a new colubrid subfamily and genus». PLOS ONE. 11 (9): e0161070. Bibcode:2016PLoSO..1161070F. PMC 5014348
. PMID 27603205. doi:10.1371/journal.pone.0161070
- Espécie Dispholidus typus no The Reptile Database. www.reptile-database.org. Consultado em 15 de junho de 2025.
- «Boomslang». African Snakebite Institute. 22 de outubro de 2017. Consultado em 15 de junho de 2025
- Grassy E MD (June 22, 1940). "Studies on the Venom of the Boomslang". South African Medical Journal.
- «Observations • iNaturalist». Consultado em 15 de junho de 2025
- «Boomslang Snake Facts [Ultimate Guide]» (em inglês). 19 de novembro de 2011. Consultado em 15 de junho de 2025. Arquivado do original em 31 de março de 2022
- Boycott, Richard C.; Morgan, David R. (1990). «Observations on Reproduction in Southern African Boomslang, Dispholidus typus». The Journal of the Herpetological Association of Africa (em inglês). 38 (1): 51–52. ISSN 0441-6651. doi:10.1080/04416651.1990.9650285
- Marais, Johan (5 de novembro de 2011). A Complete Guide to the Snakes of Southern Africa (em inglês). [S.l.]: Penguin Random House South Africa. ISBN 978-1-920544-64-5
- Coffey, K. and A. Robinson (2012). «ADW: Dispholidus typus: INFORMATION». Animal Diversity Web. Consultado em 15 de junho de 2025
- Marais, Johan (2004). A Complete Guide to the Snakes of Southern Africa. Second Edition. Struik.
- Kamiguti AS, Theakston RD, Sherman N, Fox JW (2000). «Mass spectrophotometric evidence for P-III/P-IV metalloproteinases in the venom of the boomslang (Dispholidus typus)». Toxicon. 38 (11): 1613–1620. Bibcode:2000Txcn...38.1613K. PMID 10775761. doi:10.1016/S0041-0101(00)00089-1
- «LD50 for various snakes.». seanthomas.net
- Mackessy, Stephen P. (2002). "Biochemistry and Pharmacology of Colubrid Snake Venoms". Journal of Toxicology – Toxin Reviews 21 (1&2): 52. online PDF Arquivado em 2010-06-02 no Wayback Machine
- Young, R. A. (1996). «IN VITRO ACTIVITY OF DUVERNOY'S GLAND SECRETIONS FROM THE AFRICAN BOOMSLANG, Dispholidus typus, ON NERVE-MUSCLE PREPARATIONS». Journal of Venomous Animals and Toxins. 2 (1): 52–58. doi:10.1590/S0104-79301996000100007

- Pla, Davinia; Sanz, Libia; Whiteley, Gareth; Wagstaff, Simon C.; Harrison, Robert A.; Casewell, Nicholas R.; Calvete, Juan J. (2017). «What killed Karl Patterson Schmidt? Combined venom gland transcriptomic, venomic and antivenomic analysis of the South African green tree snake (the boomslang), Dispholidus typus». Biochimica et Biophysica Acta (BBA) - General Subjects. 1861 (4): 814–823. ISSN 0006-3002. PMC 5335903
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- «Diary of A Snakebite Death». YouTube. 27 de outubro de 2015. Consultado em 15 de junho de 2025
- «The Boomslang Snake Of Africa». www.reptilesmagazine.com (em inglês). 21 de fevereiro de 2012. Consultado em 15 de junho de 2025
- Pope, Clifford H (1958). «Fatal Bite of Captive African Rear-Fanged Snake (Dispholidus)». Copeia. 1958 (4): 280–282. JSTOR 1439959. doi:10.2307/1439959
- Smith, Charles H. «Chrono-Biographical Sketch: Karl P. Schmidt». Some Biogeographers, Evolutionists and Ecologists. Consultado em 15 de junho de 2025
- Bücherl W, Buckley E, Deulofeu V (editors) (1968). Venomous Animals and Their Venoms, Volume I: Venomous Vertebrates. Academic Press. p. 484.
- «About Us – South African Vaccine Producers (SAVP)». Consultado em 15 de junho de 2025. Arquivado do original em 11 de Abril de 2021
Leitura adicional
- Access Professional Development. 2022. Boomslang (Dispholidus typus). [Online] Available: https://accesspd.co.za/species/Boomslang Arquivado em 2022-02-03 no Wayback Machine Consultado em 22 de junho de 2025.
- Branch, Bill (2004). Field Guide to Snakes and other Reptiles of Southern Africa. Third Revised edition, Second impression. Sanibel Island, Florida: Ralph Curtis Books. ISBN 0-88359-042-5. (Dispholidus typus, pp. 99–100 + Plate 31).
- Goin CJ, Goin OB, Zug GR (1978). Introduction to Herpetology, Third Edition. San Francisco: W.H. Freeman. ISBN 0-7167-0020-4. (Dispholidus typus, pp. 322, 324.)
- Laurent RF (1955). "Diagnoses preliminaires des quelques Serpents venimeux" (em francês). Revue de zoologie et de botanique africaines 51: 127–139. (Dispholidus typus kivuensis, new subspecies; D. t. punctatus, new subspecies.)
- Smith A (1828). "Descriptions of New or Imperfectly Known Objects of the Animal Kingdom, Found in the South of Africa". South African Commercial Advertiser 3 (144): 2. (Bucephalus typus, new species.)
Boomslang (Dispholidus typus): A Serpente Arbórea Mais Venenosa da África
Etimologia e Origem do Nome
- Boom: significa "árvore"
- Slang: significa "cobra"
Taxonomia e Classificação Científica
- Dispholidus typus typus (A. Smith, 1828) – subespécie nominotípica, descrita originalmente em outro gênero
- Dispholidus typus kivuensis Laurent, 1955 – encontrada principalmente na região dos Grandes Lagos Africanos
Descrição Física Detalhada
- Comprimento total: Adultos variam entre 100 e 160 cm, podendo excepcionalmente ultrapassar 183 cm.
- Peso: Oscila entre 175 e 510 g, com média de aproximadamente 299 g.
- Filhotes: Nascem com 29 a 38 cm de comprimento e atingem periculosidade significativa ao alcançarem cerca de 45 cm.
- Machos adultos: Geralmente apresentam coloração verde-clara vibrante, com bordas de escamas pretas ou azuladas, proporcionando camuflagem perfeita entre folhagens.
- Fêmeas adultas: Tendem a ser marrons, acinzentadas ou avermelhadas, com padrões menos contrastantes.
- Filhotes: Machos jovens são cinza com manchas azuis; fêmeas jovens são marrons claras. A coloração adulta é alcançada após alguns anos de desenvolvimento.
- Cabeça com canto rostral bem definido.
- Dentes maxilares: sete ou oito pequenos na parte anterior, seguidos por três presas grandes, sulcadas e localizadas na parte posterior da boca (opistóglifas).
- Corpo ligeiramente comprimido lateralmente, adaptado para locomoção arbórea.
- Escamas dorsais: dispostas em 19 ou 21 fileiras, estreitas, oblíquas e fortemente carenadas (quilhadas), com fossas apicais.
- Escamas ventrais: 164 a 201; escama anal dividida; subcaudais: 91 a 131, pareadas.
- Cauda longa e preênsil, auxiliando na estabilidade entre galhos.
Distribuição Geográfica
- África Ocidental: Gâmbia, Guiné, Senegal, Benim, Camarões, Gana, Nigéria e Togo.
- África Central e Oriental: República Democrática do Congo, oeste da Etiópia, Quênia, Sudão do Sul, Tanzânia e Uganda.
- África Austral: Angola, Botsuana, Essuatíni, Malaui, Moçambique, Namíbia, África do Sul, Zâmbia e Zimbábue.
Habitat e Preferências Ambientais
- Habitats Preferenciais: Arbustos de carru, savanas arborizadas, florestas de terras baixas, pastagens e áreas de vegetação densa próxima a cursos d'água.
- Comportamento Terrestre: Frequentemente desce ao solo para caçar, termorregular ou buscar abrigo, especialmente durante condições climáticas adversas.
- Adaptações: Sua coloração variável e corpo esguio permitem camuflagem eficiente tanto em folhagens verdes quanto em troncos e galhos secos.
Reprodução e Ciclo de Vida
- Postura: Fêmeas adultas produzem, em média, de 8 a 14 ovos coriáceos, embora ninhadas de até 27 ovos já tenham sido registradas.
- Local de Incubação: Os ovos são depositados em troncos ocos, fendas de árvores ou madeira em decomposição, ambientes que oferecem proteção e umidade adequada.
- Período de Incubação: Relativamente longo, com média de 3 meses, dependendo das condições ambientais.
- Desenvolvimento dos Filhotes: Ao nascer, os filhotes medem entre 29 e 38 cm. Embora não representem ameaça significativa aos humanos nesse estágio, tornam-se perigosamente venenosos ao atingirem cerca de 45 cm de comprimento e espessura equivalente ao dedo mindinho de um adulto.
Comportamento, Dieta e Ecologia
- Camaleões e outros lagartos arborícolas
- Rãs e anfíbios diversos
- Pequenos mamíferos e aves
- Ovos de ninhos de pássaros e répteis
- Outras serpentes, incluindo membros da própria espécie (canibalismo ocasional)
- Infla o pescoço, destacando a região cervical
- Assume uma posição em "S" pronta para o ataque
- Mantém a boca aberta, exibindo o interior escuro como aviso visual
Veneno: Potência, Mecanismo e Riscos
- Tipo: Primariamente hemotóxico, com efeitos sistêmicos graves.
- Mecanismo de Ação: O veneno desencadeia uma cascata de coagulação intravascular disseminada, formando múltiplos microcoágulos que consomem fatores de coagulação. Isso resulta em sangramentos incontroláveis em tecidos, músculos, cérebro e órgãos internos, podendo levar à morte por hemorragia ou falência múltipla de órgãos.
- Sintomas em Humanos: Dor de cabeça, náusea, sonolência, confusão mental, sangramentos nasais, gengivais, hematomas espontâneos, hemorragia interna e, em casos graves, parada cardíaca e inconsciência.
- Rendimento de peçonha: 1,6 a 8 mg em adultos.
- LD50 (camundongos, via intravenosa): 0,071 a 0,1 mg/kg.
- Dose estimada letal para humanos: Apenas 2 a 3 mg podem ser suficientes para causar morte em um adulto saudável, sugerindo que a toxicidade em humanos é maior do que em modelos murinos.
- Em 1957, o renomado herpetólogo Karl Schmidt faleceu após ser mordido por uma Boomslang jovem, subestimando o risco do veneno. Ele documentou meticulosamente seus sintomas até pouco antes do óbito, fornecendo dados valiosos para a medicina.
- Entre 1919 e 1962, foram relatados oito envenenamentos graves por D. typus, dois dos quais fatais.
- Um soro antiofídico monovalente específico para Boomslang foi desenvolvido na década de 1940 e é produzido pela South African Vaccine Producers.
- O tratamento precoce com antídoto é crucial. Em casos avançados (mais de 24 a 48 horas sem tratamento), podem ser necessárias transfusões de sangue completas para repor fatores de coagulação e controlar hemorragias.
- Devido à ação lenta do veneno, os sintomas podem demorar horas para se manifestar, o que pode levar vítimas a subestimarem a gravidade da mordida. É fundamental buscar atendimento médico imediato após qualquer mordida suspeita.
Conservação e Interação Humana
- Perda e fragmentação de habitat devido à expansão agrícola e urbana.
- Atropelamentos em estradas que cortam áreas naturais.
- Perseguição humana por medo ou desinformação.
- A Boomslang é tímida e evita contato humano. Mordidas ocorrem quase exclusivamente quando a serpente é manipulada ou provocada.
- Ao avistar uma Boomslang, a melhor conduta é observar à distância e permitir que ela se afaste naturalmente.
- Em áreas rurais ou de ecoturismo, é recomendável usar calçados fechados e lanterna à noite, além de evitar colocar as mãos em troncos ocos ou ninhos sem inspeção visual prévia.
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