Denominação inicial: Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina
Denominação atual: Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral
Endereço: Rua Coronel Capucho, 907 - Centro
Cidade: Santo Antônio da Platina
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1900-1930
Projeto Arquitetônico
Autor: Seção Técnica da Diretoria de Obras Públicas
Data:
Estrutura: padronizado
Tipologia: U
Linguagem: Eclética
Data de inauguracao: 27 de dezembro de 1927
Situação atual: Edificação demolida
Uso atual:
Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina na década de 1930
Acervo: Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR)
Memórias de Pedra e Cal: A História do Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina
A história da educação no Paraná é escrita não apenas em livros e registros matrículas, mas também na arquitetura que abrigou as primeiras letras de gerações inteiras. No município de Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro do estado, existiu uma edificação que simbolizou o avanço do ensino público e a sofisticação arquitetônica de seu tempo: o Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina.
Embora a estrutura física não resista mais ao tempo, tendo sido classificada atualmente como edificação demolida, sua memória permanece viva através de documentos fotográficos e registros administrativos. Hoje, a instituição de ensino que herdou seu legado opera sob a denominação de Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral, mas o prédio original, localizado na Rua Coronel Capucho, 907, no Centro, foi um marco fundamental na paisagem urbana da cidade durante a primeira metade do século XX.
O Contexto Histórico: A Expansão do Ensino (1900-1930)
O período compreendido entre 1900 e 1930 foi decisivo para a consolidação das instituições públicas no interior do Paraná. Santo Antônio da Platina, vivendo um ciclo de crescimento econômico e demográfico, demandava equipamentos urbanos que refletissem o progresso da época. A criação dos "Grupos Escolares" foi a resposta do Estado para organizar o ensino primário, substituindo as escolas isoladas por edifícios maiores, capazes de atender múltiplas classes simultaneamente.
O Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina insere-se neste movimento de modernização. Sua presença no Centro da cidade, na estratégica Rua Coronel Capucho, não era acidental. A localização central reforçava o papel da escola como um núcleo cívico, acessível às famílias e integrado à vida cotidiana da comunidade.
Arquitetura Eclética: A Estética de uma Era
Diferente de edifícios posteriores que adotariam o Art Déco ou o Modernismo, o Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina foi concebido sob a linguagem arquitetônica Eclética. Predominante no Brasil entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, o Ecletismo caracterizava-se pela liberdade na composição formal, misturando elementos de estilos históricos como o Neoclassicismo, o Barroco e o Renascimento.
No caso deste grupo escolar, a linguagem Eclética manifestava-se provavelmente através de ornamentos na fachada, simetria rigorosa, frontões decorativos e um tratamento detalhado nas esquadrias e cornijas. Essa estética buscava transmitir solenidade e importância institucional. A escola não era apenas um local de aula, mas um monumento à cultura e à ordem civilizada.
O projeto contava com uma tipologia em U, configuração comum nos grandes grupos escolares da época. Este desenho arquitetônico permitia a criação de um pátio interno, protegendo os alunos do vento e do sol direto, além de facilitar a circulação de ar e a iluminação natural nas salas de aula laterais. A estrutura padronizada indica que, apesar dos ornamentos ecléticos, a construção seguia normas técnicas estaduais que visavam otimizar recursos e garantir a segurança estrutural.
A Autoria e o Projeto Técnico
A autoria do projeto é atribuída à Seção Técnica da Diretoria de Obras Públicas. Esta informação revela o caráter estatal da obra. Naquele período, o governo do Paraná centralizava o desenho das escolas públicas em seus departamentos técnicos, garantindo que edifícios em diferentes cidades compartilhassem padrões de qualidade e funcionalidade.
Embora a data exata do projeto não esteja especificada nos registros disponíveis, sabe-se que os trabalhos culminaram na inauguração em 27 de dezembro de 1927. A escolha do final do ano para a inauguração era comum, permitindo que as atividades letivas começassem no ano seguinte com a estrutura totalmente pronta e recebida pelas autoridades.
O Legado do Nome: Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral
Com as reformas educacionais e a expansão do ensino secundário no Paraná, o antigo Grupo Escolar transformou-se no Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral. A mudança de denominação homenageia Ubaldino do Amaral, uma figura proeminente na política paranaense, tendo sido governador do estado em dois períodos distintos (1888-1889 e 1913-1916).
Vincular o nome de um estadista a uma instituição de ensino era uma prática comum para reforçar o civismo e a identidade estadual. Assim, mesmo com as transformações administrativas, a essência da instituição permaneceu ligada à história política e educacional do Paraná. O endereço na Rua Coronel Capucho continuou sendo referência para a educação local por décadas, mesmo que a edificação original tenha sofrido intervenções ao longo do tempo até sua eventual demolição.
A Perda do Patrimônio Físico
A classificação atual da edificação como demolida representa uma perda significativa para o patrimônio histórico de Santo Antônio da Platina. A destruição de edifícios históricos, especialmente aqueles com valor arquitetônico eclético e importância social como grupos escolares, é um fenômeno que ocorreu em diversas cidades brasileiras durante processos de modernização urbana mal planejados nas décadas posteriores.
A demolição apaga a possibilidade de vivência física do espaço histórico. Não é mais possível caminhar pelos corredores originais de 1927 ou observar os detalhes ornamentais da fachada eclética in loco. No entanto, a memória do prédio não foi totalmente apagada. Ela sobrevive através da documentação técnica e iconográfica preservada em acervos públicos.
O Acervo do DER-PR: Guardião da Memória Visual
Uma das fontes primárias mais importantes para a reconstrução histórica deste edifício encontra-se no Acervo do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR). É neste arquivo que se preservam registros como a fotografia do Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina na década de 1930.
A presença deste documento no acervo do DER-PR pode estar relacionada a levantamentos fotográficos realizados pelo departamento em vias urbanas e edificações públicas durante obras de infraestrutura ou mapeamento estadual nas décadas seguintes à inauguração. Essas imagens são cruciais, pois permitem que historiadores, arquitetos e a comunidade visualizem a grandiosidade do prédio em seu período áureo, poucos anos após sua inauguração.
Esses registros na Pasta do DER-PR servem como prova material da existência do imóvel, detalhando sua volumetria, sua inserção na rua e sua relação com o entorno da época. Sem esses documentos, o prédio seria apenas uma menção em livros de ata; com eles, torna-se uma imagem viva na memória coletiva.
Importância Cultural e Reflexão Patrimonial
A história do Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina, hoje Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral (em sua continuidade institucional), levanta questões importantes sobre a preservação da memória urbana.
- Valor Documental: A existência de projetos da Seção Técnica da Diretoria de Obras Públicas e fotos do DER-PR demonstra que o Estado produziu e guardou registros de qualidade sobre suas próprias obras. Valorizar esses acervos é fundamental para a pesquisa histórica.
- Identidade Local: O prédio na Rua Coronel Capucho foi um ponto de referência para várias gerações. A sua demolição altera a percepção do centro histórico da cidade, mas a história do local permanece como parte da identidade platinaense.
- Lições para o Futuro: O caso deste edifício serve como alerta para a importância de tombamento e preservação de edifícios escolares históricos que ainda existem em outras cidades. O estilo Eclético, menos comum que o Art Déco em certas regiões do Paraná, torna este exemplo ainda mais precioso documentalmente.
Conclusão
O Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina foi mais do que um conjunto de paredes e telhado inaugurado em 1927. Foi um símbolo de progresso, um exemplo da arquitetura Eclética no Norte Pioneiro e um palco para a formação cidadã de centenas de alunos.
Sua demolição, embora represente uma lacuna física na paisagem da Rua Coronel Capucho, não apagou sua relevância histórica. Graças aos acervos do DER-PR e aos registros da Diretoria de Obras Públicas, é possível resgatar a imagem daquele edifício padronizado em tipologia U, que um dia ostentou a bandeira da educação pública no coração da cidade.
O Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral carrega hoje o nome e a missão daquela fundação de 1927. Recordar o prédio original, suas características arquitetônicas e sua trajetória é uma forma de honrar o passado, garantindo que, mesmo sem a estrutura física, a história do ensino em Santo Antônio da Platina permaneça intacta e seja transmitida às futuras gerações como um patrimônio imaterial de valor incalculável.

Nenhum comentário:
Postar um comentário