sexta-feira, 1 de maio de 2026

O Pato-de-Papada (Biziura lobata): Um Mergulhador Enigmático das Águas Australianas

 

Pato-de-papada
Macho
Fêmea
Classificação científicaedit
Reino:Animalia
Filo:Chordata
Classe:Aves
Ordem:Anseriformes
Família:Anatidae
Gênero:Biziura
Espécies:
B. lobata
Nome binomial
Biziura lobata
(Shaw, 1796)

pato-de-papada[2][3] (Biziura lobata) é uma espécie de ave anseriforme da família Anatidae altamente aquática, nativa do sul da Austrália. É a única espécie do gênero Biziura. Uma espécie relacionada, o pato-de-papada-neozelandês (Biziura delautouri), viveu na Nova Zelândia, mas é conhecida apenas por ossos fossilizados. Era cerca de 8% maior que a espécie atual, com uma cabeça particularmente grande.[4]

É uma ave moderadamente comum nas bacias dos riachos Murray-Darling e Cooper e nas áreas férteis e úmidas da parte sul do continente: o sudoeste da Austrália OcidentalVictoria e Tasmânia. Evitam o extremo norte ou as zonas excessivamente áridas do oeste e noroeste.

A espécie produz almíscar.

Sistemática

Anteriormente tratado como monotípico,[5] esta espécie agora é dividida em duas subespécies com as seguintes distribuições:[6]

  • Biziura lobata lobata – sudoeste da Austrália
  • Biziura lobata menziesi – sudeste da Austrália

Relacionamento dentro da família

As relações desta espécie com outras espécies são enigmáticas. Tradicionalmente é incluído na subfamília Oxyurinae, mas parece ter um parentesco distante com o gênero Oxyura, e suas peculiaridades apomórficas dificultam sua classificação. Seu parentesco com o igualmente estranho pato-de-orelhas-rosadas (Malacorhynchus) não está resolvida, mas parece ser bastante próxima, e parece fazer parte de uma antiga radiação adaptativa gondwânica de anatídeos. Como tal, está intimamente relacionado ao gênero Oxyuria, com numerosas semelhanças devido à evolução convergente.[7][8][9]

Descrição

Macho exibindo o grande lóbulo do bico que aparece durante a época de reprodução, Sandford, Tasmânia, Austrália

O macho adulto tem de 60 a 70 cm de comprimento e um lóbulo grande e característico sob o bico. A fêmea tem de 47 a 55 cm de comprimento e não possui lóbulo. A plumagem opaca, marrom-acinzentada escura e finamente listrada torna-os discretos e não diferem entre os sexos. Flutua muito mal na água, como um corvo-marinho, e seus grandes pés palmados são bem esticados na parte posterior do corpo. Os filhotes são cobertos por uma penugem marrom-escura.

Em sua área de distribuição nativa, a cauda em forma de leque é característica, distinguindo esta espécie do pato-sardento (Stictonetta naevosa), que possui o mesmo tamanho, coloração e hábitos. A marreca-de-bico-azul (Oxyura australis) possui uma cauda de formato semelhante, mas a cor principal dos machos reprodutores é de um castanho muito mais intenso. Fêmeas e machos não-reprodutores possuem plumagem muito semelhante, no entanto, e a menos que se esteja muito familiarizado com as pequenas diferenças de comportamento, eles não podem ser distinguidos das fêmeas do pato-de-papada à distância. Os machos reprodutores são geralmente reconhecíveis pelo grande lóbulo sob o bico.

Comportamento

Duração: 42 segundos.
Macho adulto se limpando. Represa Storm King, sul de Queensland, Austrália

Locomoção

Raramente sai da água e é desajeitado em terra. Raramente voa: a decolagem é difícil e o pouso é desajeitado, tangencial, sem nenhuma tentativa de abaixar as pernas. No entanto, quando necessário, pode decolar rapidamente e voar longas distâncias, com batimentos de asas rápidos, mas sem grande amplitude.

Na água, demonstra uma agilidade notável, virando-se e retornando à superfície usando os dois pés e a cauda. Geralmente permanece na água o dia todo, às vezes descansando e procurando ativamente por comida, e emergindo para pousar por um tempo em um tronco ou em terra firme. Permanece na água à noite, dormindo longe da terra, com a cabeça enfiada no corpo ou sob uma asa.

Se sente muito confortável abaixo da superfície, mergulhando de cabeça sem quase nenhuma ondulação e permanecendo submerso por até um minuto, muitas vezes emergindo por apenas alguns instantes antes de mergulhar novamente. Mergulha para escapar de predadores, companhias indesejadas e para procurar alimento, geralmente em águas relativamente profundas. Pode mergulhar a profundidades de até 6 metros.

Alimentação

Alimenta-se principalmente de besouros aquáticos, lagostinscaramujos e crustáceos de água doce, etc., suplementados por uma variedade de plantas aquáticas e alguns peixes.

Relações sociais

Quando não estão se reproduzindo, os adultos geralmente são solitários. Os machos adultos criam e defendem um território, mantendo-o fora do alcance de outros machos e, frequentemente, também das fêmeas. Os indivíduos jovens formam grupos em grandes massas de água em determinadas épocas do ano.

Reprodução

Fêmea de pato-de-papada

Não se sabe em que idade atinge a maturidade sexual na natureza, mas pode levar vários anos. É uma espécie longeva, capaz de se reproduzir aos 20 anos ou mais.

A época de reprodução do pato-de-papada varia com a precipitação e os níveis hídricos, mas geralmente ocorre entre julho e janeiro, alcançando o auge da postura de ovos em setembro ou outubro. Apesar de uma série de estudos gerais, muito pouco se sabe sobre sua reprodução: durante a época, os machos se fazem ouvir por sequências repetitivas de sons: primeiro, um ker-plonk splash feito com os pés na superfície da água, seguido por dois suaves e agudos cuc cuc, depois um assobio e um grunhido profundo. Esta sequência pode ser iniciada a qualquer hora do dia ou da noite, com ou sem uma sequência visual associada, e é repetida a cada 4 ou 5 segundos por até meia hora de cada vez. Embora o pato-de-papada tenha um grande lóbulo coriáceo sob o bico e este inche durante a época de reprodução, isso não está conectado às cavidades vocais e parece ter apenas um papel visual.

Acredita-se que o acasalamento ocorra de forma muito semelhante à do cácapo (uma espécie de papagaio gigante, incapaz de voar, encontrada na Nova Zelândia), com vários machos exibindo seus hábitos de acasalamento e a fêmea escolhendo seu parceiro, mas isso permanece incerto. O macho não desempenha nenhum papel na construção do ninho ou na criação dos filhotes.

As fêmeas escolhem um local isolado para nidificar, geralmente juncos altos bem afastados da terra e protegidos por águas profundas, ou sob a cobertura de arbustos salientes, mas ocasionalmente em uma variedade de locais incomuns, como tocos, troncos ocos de árvores ou até mesmo sob um barco virado. O ninho é uma plataforma simples de vegetação pisoteada, formando uma ligeira cavidade, forrada com vegetação fina e, após a postura, com abundante penugem. A fêmea parece incapaz de transportar qualquer material e deve se limitar ao que estiver ao seu alcance. Quando o ninho está pronto, dobra os juncos sobre si para formar uma espécie de dossel, escondendo-o de vista. Ao sair do ninho para se alimentar, desliza suavemente para dentro da água e mergulha, emergindo apenas a uma grande distância deste.

Capacidade de produzir sons

Em setembro de 2021, circularam relatos sobre uma fita redescoberta que foi originalmente gravada em 1987 de um pato-de-papada chamado Ripper na Reserva Natural de Tidbinbilla no Território da Capital Australiana, que parecia ser o primeiro anatídeo registrado imitando a fala humana.[10] Patos-de-papada criados em cativeiro são capazes de imitar sons que ouviram quando filhotes, como uma porta batendo, um homem tossindo e até a expressão you bloody fool, que seria algo como "seu idiota". Os animais geralmente aprendem a assobiar com seus companheiros mais velhos. Porém, indivíduos criados em cativeiro, longe de outros, são capazes de reproduzir sons associados à vida humana.[11] Embora outras espécies de pássaros sejam capazes de imitar a fala humana, nenhuma outra espécie de pato possui essa capacidade.

Estado de conservação

Os patos-de-papada são às vezes abatidos por caçadores, mas são pouco valorizados e não são considerados bons para consumo. A limpeza e a drenagem generalizadas de zonas úmidas têm impactado sua população, assim como o aumento generalizado dos níveis de salinidade das águas australianas, mas a espécie não é atualmente considerada ameaçada.[1]

Referências

  1.  BirdLife International (2016). «Biziura lobata»Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas2016: e.T22679830A92831295. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22679830A92831295.enAcessível livremente. Consultado em 12 de novembro de 2021
  2. «Biziura lobata (Pato-de-papada) - Avibase»Avibase. Consultado em 29 de junho de 2025
  3. Paixão, Paulo (Verão de 2021). «Os Nomes Portugueses das Aves de Todo o Mundo» (PDF) 2.ª ed. A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. ISSN 1830-7809. Consultado em 13 de janeiro de 2022
  4. Worthy, Trevor H. (2002). «The New Zealand musk duck (Biziura delautouri Forbes, 1892).» (PDF)Notornis (em inglês). 49 (1). pp. 19–28
  5. Clements, J. F., T. S. Schulenberg, M. J. Iliff, D. Roberson, T. A. Fredericks, B. L. Sullivan, and C. L. Wood (2017) The eBird/Clements checklist of birds of the world: Version 2017 http://www.birds.cornell.edu/clementschecklist/download Consultado em 11 de agosto de 2017
  6. Gill, F & D Donsker (Eds). 2017. IOC World Bird List (v 7.3). doi : 10.14344/IOC.ML.7.3.
  7. Livezey, Bradley C. (1986). «A phylogenetic analysis of recent anseriform genera using morphological characters» (PDF)Auk (em inglês). 103 (4). pp. 737–754. doi:10.1093/auk/103.4.737
  8. McCracken, Kevin G.; Harshman, John; McClellan, David A.; Afton, Alan D. (1999). «Data set incongruence and correlated character evolution: An example of functional convergence in the hind-limbs of stifftail diving ducks». Systematic Biology (em inglês). 48 (4). pp. 683–714. PMID 12066296doi:10.1080/106351599259979Acessível livremente
  9. Sraml, M.; Christidis, L.; Easteal, S.; Horn, P.; Collet, C. (1996). «Molecular Relationships Within Australasian Waterfowl (Anseriformes)». Australian Journal of Zoology (em inglês). 44 (1). pp. 47–58. doi:10.1071/ZO9960047
  10. «'You Bloody Fool,' Says First Talking Duck Known to Science» (em inglês). 7 de setembro de 2021
  11. «Conheça o pato australiano que imita voz humana — e sabe xingar em inglês»Exame. 8 de setembro de 2021

O Pato-de-Papada (Biziura lobata): Um Mergulhador Enigmático das Águas Australianas

Nativo do sul da Austrália, o pato-de-papada (Biziura lobata) representa um dos anatídeos mais especializados e fascinantes do continente. Altamente aquático e morfologicamente distinto, é a única espécie viva do gênero Biziura. Sua história evolutiva, comportamento reprodutivo complexo e capacidades vocais únicas o colocam em destaque entre as aves aquáticas, oferecendo insights valiosos sobre a radiação adaptativa gondwânica e a plasticidade comportamental das aves.

Taxonomia e Relações Filogenéticas

A classificação do pato-de-papada sempre desafiou os ornitólogos. Tradicionalmente alocado na subfamília Oxyurinae, estudos modernos revelam que seu parentesco com o gênero Oxyura é distante. Suas características apomórficas e a proximidade filogenética com o igualmente peculiar pato-de-orelhas-rosadas (Malacorhynchus) sugerem que a espécie integra uma antiga linhagem gondwânica de anatídeos. Muitas de suas semelhanças com outros patos-mergulhadores são fruto de evolução convergente, moldada pela pressão ecológica de habitats aquáticos profundos.
Atualmente, a espécie é dividida em duas subespécies reconhecidas:
  • Biziura lobata lobata: distribuída no sudoeste da Austrália Ocidental.
  • Biziura lobata menziesi: encontrada no sudeste do continente.
Uma espécie extinta intimamente relacionada, o pato-de-papada-neozelandês (Biziura delautouri), é conhecida apenas pelo registro fóssil. Era aproximadamente 8% maior que a espécie atual e possuía uma cabeça proporcionalmente mais robusta, tendo desaparecido provavelmente após a chegada humana à Nova Zelândia.

Descrição Física e Dimorfismo Sexual

O pato-de-papada exibe dimorfismo sexual marcante, principalmente durante o período reprodutivo. O macho adulto mede entre 60 e 70 centímetros de comprimento e desenvolve um lóbulo gular grande, coriáceo e visível sob o bico. A fêmea, menor (47 a 55 cm), não possui essa estrutura. A plumagem de ambos os sexos é marrom-acinzentada escura, finamente listrada, conferindo excelente camuflagem em ambientes de vegetação ribeirinha.
A cauda em forma de leque é uma característica diagnóstica importante. Ela o diferencia do pato-sardento (Stictonetta naevosa), que compartilha porte e hábitos, e da marreca-de-bico-azul (Oxyura australis), cujos machos reprodutores exibem tonalidades castanhas mais intensas. Fêmeas e machos não reprodutores são visualmente muito similares, sendo a distinção em campo dependente de observação comportamental ou da presença do lóbulo gular nos machos maduros. Os filhotes nascem cobertos por penugem marrom-escura, adquirindo a plumagem juvenil após a primeira muda.

Distribuição e Ecologia do Habitat

A espécie é moderadamente comum nas bacias dos rios Murray-Darling e Cooper, além de ocupar as regiões úmidas e férteis do sudoeste da Austrália Ocidental, Victoria e Tasmânia. Evita consistentemente o extremo norte e as zonas áridas do oeste e noroeste, demonstrando forte dependência de corpos d'água permanentes ou semipermanentes.
Seu habitat preferencial inclui pântanos, lagos rasos a profundos, represas e cursos d'água com vegetação aquática densa. A presença de águas profundas é crucial não apenas para alimentação, mas também como mecanismo de defesa contra predadores terrestres.

Locomoção e Adaptações Aquáticas

O pato-de-papada é um especialista aquático extremo. Em terra, é notavelmente desajeitado, raramente se afastando da margem. O voo é incomum: a decolagem exige longo percurso de corrida sobre a água, e o pouso é tangencial e pouco gracioso, sem o recolhimento típico das pernas. Contudo, quando ameaçado ou em migração local, é capaz de voos longos com batidas rápidas e eficientes.
Na água, sua agilidade é impressionante. Utiliza os grandes pés palmados, posicionados posteriormente, em conjunto com a cauda rígida, para manobras precisas, viradas bruscas e impulsos verticais. É um mergulhador exímio, capaz de atingir profundidades de até 6 metros e permanecer submerso por aproximadamente um minuto. Os mergulhos são executados com mínima ondulação na superfície, uma adaptação que reduz a detecção por predadores aéreos. Dorme flutuando, geralmente afastado das margens, com a cabeça recolhida contra o corpo ou sob uma das asas.

Dieta e Hábitos Alimentares

Sua alimentação é predominantemente carnívora, embora com suplementação vegetal. Consome ativamente besouros aquáticos, lagostins de água doce, caramujos, crustáceos e, ocasionalmente, pequenos peixes. Plantas aquáticas, sementes e matéria vegetal submersa compõem a parcela herbívora da dieta. A técnica de forrageamento envolve mergulhos sequenciais em águas relativamente profundas, com emergências breves para respiração antes de novos mergulhos. A espécie demonstra flexibilidade trófica, ajustando a proporção de proteína animal e vegetal conforme a disponibilidade sazonal dos ecossistemas que ocupa.

Estrutura Social e Reprodução

Fora do período reprodutivo, os adultos tendem ao comportamento solitário. Os machos estabelecem e defendem territórios aquáticos rigorosos, excluindo tanto rivais quanto, frequentemente, fêmeas não receptivas. Indivíduos jovens, por outro lado, formam agregações numerosas em corpos d'água extensos durante certas épocas do ano.
A maturidade sexual é tardia, podendo levar vários anos, e a espécie é considerada longeva, com registros de reprodução ativa além dos 20 anos de idade. A estação reprodutiva é altamente plástica, sincronizada com a precipitação e os níveis hídricos, ocorrendo geralmente entre julho e janeiro, com pico de postura em setembro ou outubro.
O ritual de corte é complexo e fortemente vocal. Os machos emitem sequências rítmicas que começam com um ker-plonk produzido pelo impacto dos pés na água, seguidos por dois cuc cuc suaves e agudos, um assobio e um grunhido grave. Essa sequência, repetida a cada 4 ou 5 segundos por até meia hora, pode ocorrer a qualquer hora do dia ou da noite. O lóbulo gular, embora inchado e proeminente na época, não possui conexão com as cavidades vocais, funcionando exclusivamente como sinal visual.
O acasalamento segue um sistema de seleção feminina, possivelmente análogo ao de aves como o cácapo, onde múltiplos machos exibem-se e a fêmea escolhe o parceiro. O macho não participa da construção do ninho nem dos cuidados parentais. A fêmea seleciona locais isolados, geralmente em meio a juncos altos cercados por águas profundas, sob arbustos salientes ou, excepcionalmente, em tocos, troncos ocos ou estruturas artificiais como barcos virados. O ninho é uma plataforma simples de vegetação pisoteada, forrada com material fino e, após a postura, com abundante penugem. Ao finalizar a construção, a fêmea dobra os juncos sobre a estrutura, criando um dossel camuflado. Ao deixar o ninho para se alimentar, desliza silenciosamente para a água e mergulha, emergindo apenas a distância segura, minimizando o risco de guiar predadores até os ovos.

Um Fenômeno Único: A Capacidade de Mímica Vocal

Em setembro de 2021, ganhou destaque internacional um caso documentado envolvendo um pato-de-papada chamado Ripper, residente na Reserva Natural de Tidbinbilla (Território da Capital Australiana). Gravações originais de 1987 redescobertas revelaram que a ave imitava com precisão a fala humana, um fenômeno até então não registrado em nenhum outro anatídeo.
Patos-de-papada criados em cativeiro demonstram notável plasticidade vocal. Quando isolados de congeneres durante o período de imprinting, são capazes de reproduzir sons ambientais e humanos, como portas batendo, tosse masculina e até expressões coloquiais. Em grupos, os filhotes aprendem primariamente os assobios e chamados dos adultos mais velhos. Essa capacidade de mimicry, única entre os patos, sugere um sistema vocal altamente desenvolvido e sensível a estímulos auditivos precoces, abrindo novas frentes de pesquisa sobre comunicação e aprendizado vocal em aves não passeriformes.

Estado de Conservação e Ameaças

Historicamente, a espécie foi ocasionalmente abatida por caçadores, embora nunca tenha sido valorizada como alimento devido à sua carne forte e à baixa rentabilidade de captura. As ameaças contemporâneas são predominantemente antrópicas e ambientais: a drenagem e o assoreamento de zonas úmidas para agricultura e urbanização reduzem drasticamente o habitat disponível, enquanto o aumento da salinidade em corpos d'água interiores, agravado por práticas de irrigação e desmatamento, compromete a disponibilidade de presas e a qualidade do ecossistema.
Apesar dessas pressões, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica o pato-de-papada como Pouco Preocupante (LC). Sua ampla distribuição, capacidade de ocupar reservatórios artificiais e relativa tolerância a modificações moderadas do habitat contribuem para a estabilidade populacional. No entanto, o declínio local em regiões intensamente drenadas ou salinizadas exige monitoramento contínuo e a preservação de corredores aquáticos nativos.

Conclusão

O pato-de-papada é muito mais do que um habitante discreto dos pântanos australianos; é um modelo vivo de especialização ecológica e adaptabilidade comportamental. Sua morfologia aquática extrema, o ritual reprodutivo intricado, a longevidade notável e a capacidade única de mímica vocal o tornam um objeto de estudo fundamental para a ornitologia e a biologia evolutiva. A conservação de sua espécie está intrinsecamente ligada à proteção dos ecossistemas aquáticos do sul da Austrália, reforçando a necessidade de políticas de manejo hídrico sustentável e a manutenção de zonas úmidas funcionais. Preservar o Biziura lobata é, em última análise, preservar a integridade de um dos biomas mais produtivos e ameaçados do continente australiano.

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