| Mirasaura | |
|---|---|
| Reconstrução especulativa em vida do Longisquama, espécie próxima | |
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Reptilia |
| Clado: | Neodiapsida |
| Clado: | †Drepanosauromorpha |
| Gênero: | †Mirasaura Spiekman et al., 2025 |
| Espécies: | †M. grauvogeli |
| Nome binomial | |
| †Mirasaura grauvogeli Spiekman et al., 2025 | |
Mirasaura (que significa "réptil maravilhoso") é um gênero extinto de répteis drepanossauromorfos, conhecido a partir do período Triássico Médio (idade Anisiana), na Formação Grès à Voltzia, localizada na França.
O gênero inclui uma única espécie, Mirasaura grauvogeli, identificada com base em dois esqueletos parciais que preservam o crânio, a maior parte do corpo e uma crista de tecido mole. Além disso, cerca de 80 fósseis incompletos conservam partes isoladas dessa crista. Assim como o Longisquama, um parente próximo, o Mirasaura possuía uma crista incomum composta por apêndices alongados sobre as costas, provavelmente utilizada para exibição.[1]
Descoberta e nomeação
Os fósseis de Mirasaura foram descobertos principalmente por Louis Grauvogel durante escavações de fósseis nas montanhas Vosges, no leste da França. Essa região fossilífera corresponde a afloramentos da parte inferior da Formação Grès à Voltzia, situada na região da Lorena, abrangendo cerca de 100 km de norte a sul e 40 km de leste a oeste.[1][2]
Em maio de 1939, Grauvogel coletou dois esqueletos parciais, identificados como pertencentes a um réptil. Embora o material esquelético tenha sido classificado como pertencente a um gênero de réptil indeterminado, Grauvogel observou uma estrutura preservada de tecido mole que se projetava acima do dorso do animal, que ele inicialmente interpretou como uma nadadeira de peixe. Pesquisadores posteriores sugeriram que a estrutura poderia ser uma asa de inseto ou até partes de uma planta. No entanto, só em 2019, quando a coleção de fósseis de Grauvogel foi incorporada ao Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, reconheceu-se que essa estrutura fazia parte da anatomia do próprio réptil.[1]
Os dois espécimes com material esquelético foram catalogados como:
- SMNS 97278 — um crânio quase completo e articulado, com o pós-crânio pouco preservado, além da maior parte da crista de tecido mole;
- SMNS 97279 — um crânio parcial, grande parte do pós-crânio e parte da crista.
Além disso, 80 outros fósseis, representando a crista de tecido mole (variando de apêndices quase completos a fragmentos isolados), também foram atribuídos a esse animal. Em 2025, o paleontólogo Stephan N. F. Spiekman e colegas descreveram oficialmente Mirasaura grauvogeli como um novo gênero e espécie de répteis drepanossauromorfos com base nesses fósseis. O espécime SMNS 97278 foi designado como o holótipo da espécie.[1]
O nome genérico, Mirasaura, combina o latim mira, que significa "maravilhosa" ou "extraordinária", com o grego antigo σαύρα (saura), que significa "réptil" ou "lagarto". O nome específico, grauvogeli, é uma homenagem a Louis Grauvogel, o descobridor do Mirasaura e de muitos outros fósseis encontrados em regiões próximas.[1]
Classificação
Na análise filogenética conduzida por Spiekman e colegas, Mirasaura foi classificado como um membro dos Drepanosauromorpha, sendo o táxon-irmão de Longisquama. No entanto, a posição exata dos drepanossauromorfos dentro do grupo de répteis conhecido como Neodiapsida ainda é incerta, devido à presença de uma politomia não resolvida (ou seja, uma relação evolutiva indefinida) na base desse clado. Esses resultados estão representados no cladograma abaixo:
| Neodiapsida |
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Referências
- Spiekman, Stephan N. F.; Foth, Christian; Rossi, Valentina; Gascó Martín, Cristina; Slater, Tiffany S.; Bath Enright, Orla G.; Dollman, Kathleen N.; Serafini, Giovanni; Seegis, Dieter; Grauvogel-Stamm, Léa; McNamara, Maria E.; Sues, Hans-Dieter; Schoch, Rainer R. (23 de julho de 2025). «Triassic diapsid shows early diversification of skin appendages in reptiles». Nature (em inglês): 1–7. ISSN 1476-4687. doi:10.1038/s41586-025-09167-9
- Prum, Richard O. (23 de julho de 2025). «Unusual fossil skin appendage is not a feather» (em inglês). Nature. doi:10.1038/d41586-025-01711-x. Consultado em 23 de julho de 2025
Mirasaura: O réptil maravilhoso do Triássico com uma crista única
📜 Descoberta e História dos Fósseis
Material fóssil conhecido:
- SMNS 97278 (Holótipo): Espécime principal, com crânio quase completo e articulado, além da maior parte da crista de tecido mole preservada.
- SMNS 97279: Segundo esqueleto, com crânio parcial, grande parte do corpo e parte da crista.
- 80 espécimes isolados: Fragmentos ou partes separadas da crista dorsal, que ajudaram a entender sua estrutura completa e variação.
Significado do nome:
- Mirasaura: Do latim mira (maravilhosa, extraordinária) + grego saura (lagarto, réptil) → “réptil maravilhoso”.
- grauvogeli: Em homenagem a Louis Grauvogel, o descobridor dos fósseis.
🦎 Anatomia e Características Principais
✨ A crista de tecido mole
Outras características anatômicas:
- Crânio: Pequeno, leve e alongado, com dentes pequenos e cônicos, indicando dieta baseada em pequenos insetos, aranhas e outros invertebrados.
- Corpo: Esguio, costelas leves e membros relativamente curtos, mas fortes, adaptados para se mover em ambientes de vegetação rasteira ou rochas.
- Cauda: Provavelmente longa e fina, como em outros drepanossauromorfos, usada para equilíbrio.
- Tecidos moles: Além da crista, os fósseis preservaram vestígios da pele, mostrando que o corpo era coberto por escamas pequenas e granulares.
🧬 Classificação Evolutiva
Neodiapsida → † Drepanosauromorpha→ Hypuronector→ Longisquama→ Mirasaura ✅ (táxon-irmão de Longisquama)→ Vallesaurus, Dolabrosaurus, Megalancosaurus, Avicranium, Drepanosaurus...
🌍 Paleoecologia: Como e onde vivia?
📌 Importância Científica
- Preenche lacuna evolutiva: Mostra que a "moda" das cristas de exibição nos répteis do Triássico era mais comum e diversificada do que se pensava, existindo tanto na Europa quanto na Ásia.
- Preservação excepcional: É um dos poucos fósseis do seu grupo que conserva estruturas de tecido mole, permitindo entender como eram realmente essas partes moles que geralmente desaparecem na fossilização.
- Ajuda a entender a evolução dos Drepanosauromorpha: Por ser um dos membros mais antigos e bem preservados, ajuda a definir quais características eram originais do grupo e quais foram modificações posteriores.
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