Cobra-de-folhiço | |||||||||||||||||
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Drymoluber dichrous (Peters, 1863) | |||||||||||||||||
| Sinónimos[2][3] | |||||||||||||||||
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A cobra-de-folhiço[4] (nome científico: Drymoluber dichrous), também chamada cobra-cipó, corredeira, papa-rato ou rateira, é uma espécie de serpente da família dos colubrídeos (Colubridae), amplamente distribuída na América do Sul, incluindo o Brasil.
Etimologia
Não foram dadas explicações sobre a escolha do epíteto específico dichroa (depois dichrous). O termo deriva do grego antigo dichróa (διχρόα) ou dichroûs (διχρους), que significa "duas cores" ou "bicolor", possivelmente em referência à coloração contrastante dos espécimes adultos, com dorso escuro e ventre claro. O nome do gênero Drymoluber foi cunhado como uma combinação de Drymobius e Coluber, com o objetivo de simultaneamente destacar a afinidade entre Drymoluber dichrous e o gênero Coluber, ao mesmo tempo em que propõe uma distinção taxonômica.[2]
Etimologia
A cobra-de-folhiço foi descrita pela primeira vez por Wilhelm Peters em 1863, sob o nome Herpetodryas dichroa, com localidade-tipo designada como "Brasil [e] supostamente do Suriname". Seu holótipo é ANSP 3920 e foi obtido de Napo ou Maranhão, no Peru. Em 2013, Costa et al designaram como lectótipo ZMB 1661.[2]
Descrição
A cobra-de-folhiço pode atingir até 1,2 metro de comprimento.[5] Distingue-se de todos os demais colubrídeos neotropicais por uma combinação única de características morfológicas. Possui escamas dorsais lisas, dispostas em 13, 15 ou 17 fileiras na região média do corpo; escudo cloacal geralmente inteiro (raramente dividido); entre 157 e 202 ventrais; 84 a 127 subcaudais divididos; e apresenta pseudoautotomia caudal. A cabeça exibe dois pares de escamas mentonianas, sendo a primeira com aproximadamente metade do comprimento da segunda. A fórmula labial inclui geralmente oito supralabiais (ocasionalmente sete ou nove) e oito ou nove infralabiais (mais raramente sete ou dez). Conta com um pré-ocular (raro haver dois) e dois pós-oculares (eventualmente um ou três), além de 14 a 26 dentes maxilares. Por conseguinte sua coloração apresenta variação ontogenética: juvenis mostram máculas branco-avermelhadas e escuras na cabeça e corpo com faixas transversais alternadas por espaços claros; adultos tendem a exibir coloração dorsal uniforme em tons de verde, marrom ou cinza. Os hemipênis são subcilíndricos, não capitados e apresentam um único lobo com cerca de metade do comprimento total do órgão. Este lobo é ornamentado por cálices papilares que gradualmente dão lugar a babados e espinhos espinulados organizados em fileiras transversais. Os espinhos adjacentes ao sulco espermático possuem gancho basal característico.[2]
Distribuição
A cobra-de-folhiço ocorre na Colômbia, Equador, Peru, Brasil (estados de Alagoas, Minas Gerais, Pará, Espírito Santo, Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Paraíba, Roraima, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Acre, Amapá, Pernambuco e Maranhão[6][5]), Venezuela (Amazonas), Bolívia (Beni), Guiana Francesa, Suriname e Guiana. É encontrada desde o nível do mar até altitudes de 3 500 metros.[2] Habita uma variedade de ambientes, desde florestas tropicais de terras baixas até florestas úmidas de altitude, incluindo a Mata Atlântica, enclaves florestais na Caatinga e brejos nordestinos.[1]
Ecologia
A cobra-de-folhiço é exclusivamente diurna e terrestre durante o período de atividade, utilizando a vegetação para repouso noturno. É ovípara e põe de dois a seis ovos. Alimenta-se principalmente de lagartos, sapos e ovos.[1][5]
Conservação
A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica a cobra-de-folhiço como uma espécie pouco preocupante (LC), em decorrência de sua ampla distribuição, população relativamente estável, ausência de grandes ameaças e presença em muitas áreas protegidas. A espécie é considerada incomum na Colômbia e na Venezuela. Embora a tendência populacional nos últimos dez anos ou três gerações permaneça incerta, é provável que sua distribuição e abundância tenham se mantido relativamente estáveis nesse período.[1] Em 2018, foi classificada como menos preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio);[7] e em 2022, como vulnerável (VU) na Avaliação do estado de conservação dos anfíbios e répteis de Pernambuco.[8][9]
Referências
- Rivas, G.; Gutiérrez-Cárdenas, P.; Caicedo, J. (2019). «Northern Woodland Racer, Drymoluber dichrous». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2019: e.T44580218A44580227. doi:10.2305/IUCN.UK.2019-2.RLTS.T44580218A44580227.en
. Consultado em 25 de junho de 2025 - «Drymoluber dichrous (Peters, 1863)». The Reptile Database. Consultado em 25 de abril de 2025. Cópia arquivada em 14 de outubro de 2024
- «Drymoluber dichrous (Peters, 1863)». Global Biodiversity Information Facility (GBIF) (em inglês). Consultado em 8 de maio de 2025. Cópia arquivada em 12 de dezembro de 2024
- de Freitas, Marco Antônio (2003). Serpentes Brasileiras (PDF) 1.ª ed. Lauro de Freitas. p. 34. ISBN 85-86967-02-5. Consultado em 25 de junho de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 21 de julho de 2024
- «Cobra-de-folhiço (Drymoluber dichrous)». Serpentes Brasileiras. Consultado em 25 de junho de 2025. Cópia arquivada em 25 de junho de 2025
- «Ocorrência de Drymoluber dichrous». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 25 de junho de 2025. Cópia arquivada em 25 de junho de 2025
- «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018
- de Moura, Gerald Jorge Barbosa; Tavares, Patrícia (2022). Avaliação do estado de conservação dos anfíbios e répteis de Pernambuco: Protegendo as espécies ameaçadas (PDF). Recife: Governo do Estado de Pernambuco, Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (SEMAS/PE), Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH). ISBN 978-85-98965-16-1. Consultado em 25 de junho de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 25 de junho de 2025
- «Drymoluber dichrous (Peters, 1863)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 25 de junho de 2025. Cópia arquivada em 25 de junho de 2025
A Mestra do Disfarce na Floresta: Tudo Sobre a Cobra-de-Folhiço
🧬 Identidade e Origem do Nome
- O Gênero: Drymoluber foi criado como uma combinação inteligente entre os gêneros Drymobius e Coluber. O objetivo dos taxonomistas foi destacar a afinidade evolutiva com o gênero Coluber, ao mesmo tempo em que estabeleciam uma distinção única para esta serpente.
- A Espécie: O epíteto dichrous deriva do grego antigo dichróa ou dichroûs, que significa "duas cores" ou "bicolor". Isso não é por acaso: refere-se diretamente à coloração contrastante dos espécimes adultos, que geralmente exibem um dorso escuro e um ventre claro.
🎨 Uma Aparência que Engana os Olhos
Juvenis vs. Adultos
- Quando Jovens: Os filhotes nascem com um padrão vibrante e complexo. Apresentam máculas branco-avermelhadas e escuras na cabeça e no corpo, organizadas em faixas transversais alternadas por espaços claros. Esse padrão ajuda na camuflagem entre folhas mortas e luz filtrada.
- Quando Adultos: À medida que amadurecem, a serpente passa por uma transformação drástica. Tendem a exibir uma coloração dorsal uniforme, assumindo tons de verde, marrom ou cinza. Essa mudança facilita a invisibilidade na vegetação densa onde caçam e repousam.
Características Técnicas Únicas
- Escamas: Dorsais lisas, dispostas em 13, 15 ou 17 fileiras na região média do corpo.
- Proteção: Escudo cloacal geralmente inteiro (raramente dividido).
- Contagem: Entre 157 e 202 escamas ventrais e 84 a 127 subcaudais divididos.
- Cauda: Apresenta pseudoautotomia caudal, uma capacidade fascinante de soltar parte da cauda para escapar de predadores.
- Cabeça: Possui dois pares de escamas mentonianas (a primeira com metade do comprimento da segunda) e uma fórmula labial específica com geralmente oito supralabiais.
- Dentição: Conta com 14 a 26 dentes maxilares, adaptados para sua dieta específica.
🌍 Um Gigante da Distribuição Geográfica
- Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Bolívia, Guiana Francesa, Suriname e Guiana.
- No Brasil: Sua presença é confirmada em quase todas as regiões, incluindo estados como Amazonas, Pará, Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, entre muitos outros (Alagoas, Espírito Santo, Ceará, Paraíba, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Pernambuco e Maranhão).
- Florestas tropicais de terras baixas.
- Florestas úmidas de altitude.
- Mata Atlântica.
- Enclaves florestais na Caatinga.
- Brejos nordestinos.
🦎 Ecologia: Caçadora Diurna
- Alimentação: É uma predadora eficiente que se alimenta principalmente de lagartos, sapos e ovos. Sua agilidade é crucial para capturar presas rápidas como lagartixas.
- Reprodução: A espécie é ovípara. As fêmeas põem de dois a seis ovos por ninhada, garantindo a continuidade da espécie nas florestas úmidas.
🛡️ Conservação: Um Status Privilegiado, Mas com Alertas
- Classificação Global (UICN): É classificada como Pouco Preocupante (LC). Isso se deve à sua grande área de ocorrência, população relativamente estável e presença em muitas áreas protegidas.
- Status no Brasil: Em 2018, foi classificada como menos preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do ICMBio.
- O Alerta Regional: Nem tudo são flores. Em avaliações estaduais, como em Pernambuco (2022), a espécie foi classificada como Vulnerável (VU). Isso mostra que, embora seja comum na Amazônia, pode estar sob pressão em regiões de mata atlântica fragmentada ou nordeste.