Bodião-estilingue | |||||||||||||||||||
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Fêmea em coloração amarela | |||||||||||||||||||
| Estado de conservação | |||||||||||||||||||
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||
| Epibulus insidiator (Pallas, 1770) | |||||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||||
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O bodião-estilingue[2] ou gurami em Moçambique[3] (Epibulus insidiator), é uma espécie de peixe da família Labridae, nativa das águas tropicais do Indo-Pacífico, onde ocorre em recifes de coral. Tem pouca importância para a pesca comercial local e pode ser encontrada no comércio de aquários. Destaca-se por suas mandíbulas altamente protráteis.
Taxonomia
O bodião-estilingue foi formalmente descrito como Sparus insidiator em 1770 por Peter Simon Pallas.[4] Em 1815, Georges Cuvier atribuiu Sparus insidiator ao gênero Epibulus, que à época era monotípico. Em 2008, o gênero passou a incluir também o bodião-boca-de-garoupa (Epibulus brevis). O bodião-estilingue é, portanto, a espécie-tipo do gênero Epibulus.[5]
Etimologia
O nome Epibulus vem do grego, sendo formado por epi ("sobre", "em frente") e boleo ("lançar").[6]
O epíteto específico insidiator significa "emboscador" ou "espreitador". Acredita-se que esse nome tenha sido adotado pelos primeiros naturalistas devido à crença de que a espécie se alimentava de insetos terrestres, expelindo gotas de água por sua boca alongada.[7]
Descrição

A característica mais notável do bodião-estilingue é a sua boca, equipada com mandíbulas altamente protráteis, que se desdobram formando um tubo com cerca de metade do comprimento da cabeça (ver abaixo).[6]
Os machos desta espécie apresentam coloração castanho-acinzentada, com laranja no dorso, uma faixa transversal amarelada no flanco e cabeça cinza-clara marcada por uma fina faixa preta que atravessa o olho. Além disso, exibem um padrão corporal iridescente, com escamas cujas bordas possuem pigmentação mais escura. As fêmeas podem ser amarelo-vivo ou castanho-escuro, enquanto os juvenis são castanhos, com finas faixas brancas nos flancos e linhas brancas irradiando a partir dos olhos.[8] Também ocorrem indivíduos com padrões intermediários, caracterizados por manchas amarelas, cauda clara e, ocasionalmente, nadadeiras peitorais pretas.[6] A nadadeira dorsal apresenta de 9 a 10 espinhos e de 9 a 11 raios moles, enquanto a nadadeira anal possui 3 espinhos e de 8 a 9 raios moles.[6] Os maiores exemplares podem atingir até 54 centímetros de comprimento padrão.[6]
O bodião-boca-de-garoupa, espécie semelhante, possui distribuição mais restrita e menor tamanho, com machos de coloração mais opaca; nas fêmeas, as nadadeiras peitorais apresentam pigmentação preta e são proporcionalmente mais longas.[8]
Protusão mandibular extrema
Esta espécie apresenta a maior protrusão mandibular conhecida entre os peixes, sendo capaz de estender as mandíbulas até cerca de 65% do comprimento da cabeça.[9] A velocidade e o alcance desse movimento permitem a captura eficiente de pequenos peixes e crustáceos. O gênero ao qual pertence possui um ligamento exclusivo (vômero-interopercular) e dois ligamentos alargados (interopérculo-mandibular e pré-maxila-maxila) que, em conjunto com modificações na forma dos ossos cranianos, possibilitam essa protrusão extrema.[carece de fontes] Essa capacidade resulta de uma reorganização drástica do sistema de articulação das mandíbulas em relação aos bodiões do gênero Cheilinus, passando a envolver tanto um mecanismo de quatro barras quanto um de seis barras.[10]
Distribuição

O bodião-estilingue ocorre em uma vasta área da região Indo-Pacífica, desde a costa leste da África, Madagascar e o Mar Vermelho, passando pelas costas e ilhas do Oceano Índico, até o Pacífico, a leste, alcançando o Atol Johnston, próximo ao Havaí, embora indivíduos vagantes sejam registrados no arquipélago havaiano principal. Sua distribuição estende-se ao norte até o Japão e ao sul até a Nova Caledônia.[1] A espécie também é encontrada ao longo da costa norte da Austrália, desde o arquipélago de Houtman Abrolhos até os recifes do Mar de Coral, ao largo de Queensland.[8]
Biologia
O bodião-estilingue é uma espécie bentopelágica que ocorre em áreas ricas em corais de lagoas e recifes oceânicos. Os adultos são geralmente encontrados ao longo das encostas dos recifes ou próximos a declives. Alimentam-se de pequenos crustáceos associados aos corais e de peixes.[6]
Reprodução
Acredita-se que a espécie seja hermafrodita protogínica. Observou-se que a coloração dos machos se intensifica durante o cortejo. Durante esse período, os machos nadam com a nadadeira caudal retraída e erguida em determinado ângulo, enquanto a nadadeira anal permanece dobrada e estendida para baixo. A intensidade da coloração pode retornar ao normal quando o macho se sente ameaçado. Os machos mantêm territórios com áreas entre 500 e 1.000 metros quadrados, dentro dos quais parecem se localizar os territórios de várias fêmeas. A desova ocorre durante a maré alta; nesse momento, o casal ascende de 2 a 3 metros na coluna d'água. A desova parece ser iniciada pelas fêmeas e foi registrada nos meses de março, abril, maio, julho, setembro e outubro.[1]
Mimetismo agressivo
A espécie também muda de coloração como forma de mimetismo agressivo. No Mar Vermelho, o cirurgião-veleiro-indiano (Zebrasoma desjardinii) por vezes forma agregações alimentares para invadir áreas de alimentação de peixes herbívoros territoriais. Nessas situações, observa-se que o bodião-estilingue adota uma coloração marrom-escura, imitando os peixes-cirurgiões, e se junta à agregação, ocultando-se entre eles enquanto caça pequenos peixes por meio de movimentos semelhantes aos dos peixes-cirurgiões herbívoros.[11]
Usos humanos
O bodião-estilingue é coletado para alimentação em diversas partes de sua área de distribuição e também para o comércio de aquários.[8] Em Guam, ao longo das duas décadas anteriores a 2008, o tamanho médio dos peixes capturados não apresentou redução.[1]
Referências
- To, A.; Liu, M.; Craig, M.; Rocha, L. (2010). «Epibulus insidiator». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas (em inglês). 2010: e.T187722A8612353. doi:10.2305/IUCN.UK.2010-4.RLTS.T187722A8612353.en
. Consultado em 19 de novembro de 2021 - «Bodião-estilingue (Epibulus insidiator)». iNaturalist. Consultado em 1 de janeiro de 2026
- «Common Names List - Epibulus insidiator». FishBase. Consultado em 1 de janeiro de 2026
- Fricke, Ron; Eschmeyer, William N.; van der Laan, Richard (eds.). «Sparus insidiator». Catalog of Fishes (em inglês). California Academy of Sciences. Consultado em 8 de janeiro de 2019
- Fricke, Ron; Eschmeyer, William N.; van der Laan, Richard (eds.). «Genera in the family Labridae». Catalog of Fishes (em inglês). California Academy of Sciences. Consultado em 11 de outubro de 2023
- Froese, Rainer; Pauly, Daniel (eds.) (de 2019). "Epilubus insidiator" em FishBase. Versão de agosto de 2019.
- Christopher Scharpf, ed. (3 de junho de 2022). «Order LABRIFORMES: Family LABRIDAE (a-h)». Fish Name Etymology Database (em inglês). Consultado em 11 de outubro de 2023
- Bray, D.J. (2016). Museums Victoria, ed. «Epibulus insidiator». Fishes of Australia (em inglês). Consultado em 8 de janeiro de 2020
- Westneat, Wainwright (1989). «Feeding Mechanism of Epibulus insidiator (Labridae; Teleostei): Evolution of a Novel Functional System». Journal of Morphology (em inglês). 202: 129–150. PMID 29865677. doi:10.1002/jmor.1052020202
- Westneat, Mark W. (1 de setembro de 1991). «Linkage Biomechanics and Evolution of the Unique Feeding Mechanism of Epibulus Insidiator (Labridae: Teleostei)». Journal of Experimental Biology (em inglês). 159 (1): 165–184. ISSN 1477-9145. doi:10.1242/jeb.159.1.165
- John E. Randall (2005). «A Review of Mimicry in Marine Fishes» (PDF). Zoological Studies (em inglês). 44 (3): 299-328