segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Informações de Todas as Páginas do Suplemento “Divulgação” – Fábricas Fontana S.A. (1948)

 

Informações de Todas as Páginas do Suplemento “Divulgação” – Fábricas Fontana S.A. (1948)

Informações de Todas as Páginas do Suplemento “Divulgação” – Fábricas Fontana S.A. (1948)

Análise minuciosa, página por página, com transcrição completa, descrição visual e contexto histórico


PÁGINA 14 – CAPA DO SUPLEMENTO

  • Cabeçalho:
    • À esquerda: “Nº 14”
    • Centro: “DIVULGAÇÃO” (em letras maiúsculas, fonte serifada, com sublinhado fino)
    • À direita: “Pág. 15”
  • Título central:

    “115 anos de produção em pró de economia paranaense”
    (destaque tipográfico, centrado, fonte grande e negrito)

  • Subtítulo:

    “Um acontecimento expressivo na vida das Fábricas Fontana S.A.”

  • Retratos emoldurados (acima do título):
    1. Ribeiro Pereira Correa
      • Legenda: “RIBEIRO PEREIRA CORREA / 6-2-1808 / Barão do Ceará Azul / 30-3-1960”
      • Observação: Embora a data de morte conste como 1960, isso é um erro factual, pois o Barão faleceu em 1889. Trata-se provavelmente de um equívoco editorial ou de grafia mal interpretada (ex.: “1889” lido como “1960” devido à tipografia da época). Historicamente, Ribeiro Pereira Correa foi figura central no desenvolvimento industrial do sul do Paraná no século XIX.
    2. Francisco Pinto Fontana
      • Legenda: “FRANCISCO PINTO FONTANA / 22-7-1837 / – 22-10-1906”
      • Imigrante italiano natural de Vicenza, fundador da indústria têxtil que daria origem às Fábricas Fontana S.A.
  • Bloco de texto central (dentro de moldura de linha dupla):

    “Com o benefício inestimável de contribuir para o desenvolvimento econômico e social do Estado, as Fábricas Fontana S.A. celebram seu centenário com o compromisso renovado de continuar crescendo e servindo.”

  • Datas marcantes (no rodapé visual, em algarismos grandes):
    • 1834 (à esquerda)
    • 1948 (à direita)
      Indicam, respectivamente, o ano de fundação da primeira unidade produtiva ligada à família Fontana e o ano da publicação do suplemento.

PÁGINA 22 – HISTÓRIA DAS FÁBRICAS FONTANA

  • Título da página:

    “As Fábricas Fontana S.A.”

  • Texto introdutório:
    Relata o início das atividades industriais em Curitiba, destacando a atuação pioneira de Francisco Pinto Fontana e sua integração com as elites locais. Menciona o apoio institucional do Clube Curitibano e da Associação Comercial do Paraná, entidades que impulsionaram o comércio e a indústria regional.
  • Fotografias:
    1. “Vista da fábrica”
      • Imagem em preto e branco mostrando o complexo fabril com estrutura de alvenaria, telhados inclinados de cerâmica e chaminé central.
      • Detalhe: carris visíveis no chão sugerem sistema de transporte interno por vagões manuais ou trilhos estreitos.
    2. “Sala de prova”
      • Ambiente impecavelmente organizado, com mesas longas, rolos de tecido, réguas metálicas e operárias em uniforme (vestidos escuros e aventais brancos).
      • No fundo, quadros com tabelas de especificações técnicas.
  • Legenda textual:

    “O zelo pela qualidade é uma tradição que se mantém desde os primórdios da indústria.”


PÁGINA 23 – EXPANSÃO E MODERNIZAÇÃO

  • Título:

    “Progresso contínuo”

  • Conteúdo:
    Descreve a expansão da capacidade produtiva entre as décadas de 1920 e 1940, com investimentos em maquinário importado (principalmente da Alemanha e Suíça), treinamento técnico de mão de obra e diversificação de produtos (além de tecidos crus, passaram a produzir tecidos tingidos, estampados e fios para exportação).
  • Foto principal:
    “Seção de movimentação de barrilhões e armazém de mercadorias prontas para despacho”
    • Mostra operários empilhando enormes rolos de tecido em carrinhos metálicos.
    • Ao fundo, portões de madeira maciça abertos para caminhões com carroceria de madeira — típicos do pós-guerra.
    • Placas identificadoras nos rolos: “PARANÁ” e “EXPORTAÇÃO”.
  • Dados adicionais:
    • A fábrica já contava com energia elétrica própria (via usina hidrelétrica própria no Rio Iraí).
    • Emprego direto de mais de 600 trabalhadores em 1948.

PÁGINA 24 – LINHA DE MATE “FONTANA”

  • Título:

    “O Mate Fontana: tradição e qualidade”

  • Contexto:
    As Fábricas Fontana diversificaram sua produção na década de 1930, aproveitando a abundância de erva-mate no norte do Paraná. Criaram uma linha própria de beneficiamento.
  • Processo descrito:
    • Colheita manual em parceria com ervateiros locais.
    • Secagem a lenha em “barbaquás” (estruturas tradicionais).
    • Moagem em moinhos reguláveis de aço inoxidável (tecnologia avançada para a época).
    • Embalagem em latas metálicas herméticas com rótulo colorido.
  • Foto:
    “Planta interna – Secção de beneficiamento”
    • Operários em jalecos brancos supervisionando esteiras transportadoras.
    • Máquinas com carcaças de ferro fundido, painéis com manômetros e alavancas.
    • Cartazes de segurança: “Proibido fumar” e “Use óculos de proteção”.
  • Mercados-alvo mencionados:

    “Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, e até consumidores europeus em comunidades de imigrantes.”


PÁGINA 25 – PUBLICIDADE: RÁDIOS “PEB”

  • Anúncio institucional:
    Patrocinado pela Importadora Americana S.A., com sede em Curitiba – Praça Tiradentes, 337.
  • Título do anúncio:

    “UM RÁDIO REALMENTE NOVO…”
    “Inteiramente à prova dos climas tropicais!”

  • Modelos apresentados:
    1. Modelo 38 H – 6 válvulas, ondas curtas e médias, alto-falante embutido, acabamento em madeira nobre (jacarandá ou imbuia).
    2. Modelo 38 G – 5 válvulas, versão mais econômica, ideal para residências urbanas.
  • Foto:
    Dois aparelhos lado a lado, sobre uma mesa de escritório com tinteiro e caderno. Ao fundo, bandeira brasileira e globo terrestre — simbolizando modernidade e alcance global.
  • Menção técnica relevante:

    “Construído sob licença da Cambridge Radio Corporation – Inglaterra.”
    Isso indica parceria com engenheiros britânicos, garantindo padrão europeu de qualidade, adaptado às condições tropicais (isolamento contra umidade, ventilação especial, componentes selados).

  • Contatos:
    • Telefone: 2-2377 (prefixo 2 indicava zona central de Curitiba)
    • Representantes em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
  • Nota cultural:
    O rádio era, em 1948, o principal meio de entretenimento e informação. Associar a marca Fontana (indiretamente, via suplemento) a um produto de alta tecnologia como o rádio PEB reforçava a imagem de modernidade da empresa.

OBSERVAÇÕES FINAIS SOBRE O SUPLEMENTO

  • Formato: Suplemento encartado em jornal de grande circulação no Paraná (possivelmente Diário da Tarde ou Gazeta do Povo).
  • Papel: Offset de gramatura média, com leve amarelamento nas bordas — típico de publicações da era pré-offset moderno.
  • Tipografia: Mistura de fontes serifadas para texto corpo (Times New Roman ou similar) e sans-serif para títulos (possivelmente Franklin Gothic).
  • Objetivo: Comemorativo, mas também comercial — visava reforçar a imagem institucional da empresa perante consumidores, governo e concorrentes.
  • Erro histórico: A data de falecimento de Ribeiro Pereira Correa (1960) é incorreta; ele faleceu em 1889. Esse equívoco pode ter surgido de confusão com outro membro da família ou má leitura de manuscrito antigo.












Magali: HQ "O meu segredo..."

 

Magali: HQ "O meu segredo..."


Compartilho uma história em que um grupo de obesos queria descobrir a força qual o segredo da Magali ser tão magra comendo de tudo. Com 11 páginas, foi história de abertura de 'Magali Nº 19' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Magali Nº 19' (Ed. Globo, 1990)

Escrita por Rosana Munhoz, começa com um grupo de obesos se preparando para almoçar, reclamam que era só um talo de aipo e uma azeitona e a Dona Isaura, líder deles, diz que é só mastigarem bem devagar que parece mais e não esquecerem de tomar o suco de cenoura. Todos comem tudo de uma vez, a mulher fala que mandou mastigarem devagar e eles dizem que tentaram, mas não tinha o que mastigar.

Depois eles vão malhar, correndo na rua. Todos reclamam que eles só fazem é malhar e Isaura fala que eles estão desanimados, se querem emagrecer e terem corpinho esbelto é para terem mais vontade, fazerem sacrifícios e renunciarem muitas coisas. Em seguida, veem Magali comendo 5 frapês e 10 baurus na lanchonete. Os obesos ficam com água na boca, se impressionam que ela está tomando um frapê atrás do outro e está pedindo mais e lamentam que nunca mais tomaram frapê.

Isaura comenta que a menina esfomeada vai ficar gorda como eles, quando sair da lanchonete estará com vários quilos a mais, só que para surpresa deles, Magali sai magrinha como entrou, dizendo que ainda está com fome e os obesos ficam impressionados. Magali diz que ainda está com fome e vai na doceria e Mônica diz que ela vai sozinha porque não aguenta mais ouvi-la mastigar.

Os obesos comentam que é a menina mais magra que já viu e come por todos eles juntos. Isaura acha que deve ter alguma explicação e resolvem segui-la. Veem Magali saindo da doceria e na rua pede 4 cachorros-quentes, pipoca, algodão-doce, maçã do amor e um sorvete de cada sabor do sorveteiro e depois quer ir logo para casa porque a mãe vai fazer lasanha no almoço.

Os obesos ficam de boca aberta e perguntam como Magali comeu tudo aquilo e engordou nem um graminha. Dona Isaura se descontrola, chora, querendo também doces, sanduíches, pizzas e sorvetes, que ela os faz parecer uns bobões, vai contra as leis dos regimes e resolve sequestrar a Magali, deixando dentro do saco e a levam para a sede deles para tentar descobrir o segredo.

Magali pergunta quem são eles e Isaura fala que podem ser amigos ou inimigos se ela não colaborar de revelar qual o segredo. Magali não sabe, único segredo que tinha é que gosta do Quinzinho da padaria, mas que agora ele sabe. Eles se irritam, querem saber o que faz para comer tanto e não engordar, se é remédio especial, dieta, ginástica. Magali diz que não sabe, acha que não tem tendência a engordar. Eles acham impossível, até uma formiga engordaria comendo do jeito que ela come.

Reclamam que ela é egoísta não querem ajudar os gordinhos, que quer que continuem entalando nas portas, fazendo mil sacrifícios para perder peso e recusando quitutes e, então, vai ficar presa lá comendo talo de aipo e azeitonas até abrir o bico. Magali acha uma tortura e diz que vai contar o segredo. Manda preparar uma receita especial com jiló, farinha de rosca, óleo de rícino, goiabada e sorvete triplo de chocolate.  

Eles preparam, colocando todos os ingredientes na água, menos o sorvete, que era para Magali comer porque deu fome. Eles tomam o troço ruim, achando que ficariam magrinhos na hora, mas continuam gordos e descobrem que foram enganados. Magali foge e eles correm atrás dela, correm cada vez mais rápido, pulam cerca, pedras nos rios até que a encurralam na rua sem saída. Só que nessa hora, as calças deles começam a cair, roupas largas e veem que perderam 3 quilos.

O grupo comemora, viram que foi graças a Magali e à corrida, o que faltava era motivação. Eles pedem um favor a Magali e no final, Magali corre dos gordinhos com um pirulito na mão, Mônica pergunta que pressa é essa e Magali diz para não reparar, que é só a boa ação dela do dia.

História engraçada em que os obesos queriam saber a todo custo o segredo da Magali de comer tanto e não engordar, chegando a sequestrá-la pra ela falar. No final, viram que se correrem muito vão conseguir emagrecer e a motivação seria correr atrás da Magali para tentar alcançá-la e pegarem o doce que ela estava comendo.

Foi divertido ver os obesos comerem só talo de aipo e azeitona, os absurdos da gula da Magali, a cara deles de ver Magali comendo tudo aquilo sem engordar enquanto eles engordaram só de olhar, Magali achar tortura comer só talo de aipo e azeitona e mandar preparar receita especial de emagrecer só com coisas ruins e o sorvete só pra ela, a correria dos obesos para alcançar a Magali depois que fugiu do esconderijo e a calça deles caírem após a corrida. Absurdo de aparecer uma balança do nada na rua foi bem legal também.

Retrata gordos da vida real que não conseguem emagrecer mesmo fazendo dietas porque falta uma motivação a mais para isso. Fica uma representatividade. De fato para emagrecer tem que ter motivação e força de vontade com muita atividade física e dieta equilibrada sem ser tão radical só com talo de aipo e azeitona como fizeram e tem que seguir para sempre essa rotina.

Eram muito boas histórias retratando peso da Magali e passar sufoco por ser magra demais, o que seria vantagem, muitas vezes se dava mal por isso. Magali não engorda pelo metabolismo grande e como ela brinca e corre ajuda mais ainda mesmo comendo sem controle. 

Esse grupo de obesos acabaram sendo vilões ao longo da história com planos de sequestrar Magali e não soltá-la até ela revelar o segredo, mas como eles conseguiram emagrecer, se redimiram no final. As vezes colocavam histórias de vilões que se arrependiam e se davam bem no final. Não revelaram nome de todos eles, apenas da Dona Isaura porque era mais preciso nome dela do que os outros. Apareceram só nessa história como normal de personagens secundários. 

Magali, sem dúvida, foi a personagem mais sequestrada da MSP, não necessariamente por bandidos, mais por vilões relacionados a comida, como assim de querer saber segredos dela de não engordar ou donos de estabelecimentos sequestrar para Magali fazer um prato especial segredo de família, ou ajudarem no marketing nos estabelecimentos deles, etc. Era bem interessante. E gostavam de colocar personagens em sacos para sequestrar, bem frequente também. 

Magali dizer que gostava do Quinzinho em segredo ficou como uma referência a história "Alimentando uma paixão" de 'Magali Nº 3', de 1989, que foi a estreia dele nos gibis. De fato, ele ainda não sabia que a Magali gostava dele. Colocaram que era Quinzinho da padaria provavelmente por ele ser personagem novo até então e os leitores podiam não associar que se referia ao filho do padeiro, ainda mais que Magali aparecia com outros namorados ou pretendentes depois da estreia do Quinzinho, que ainda não era namorado oficial, apesar de ter aparecido eles namorando algumas vezes.

Os traços muito bem caprichados que davam gosto de ver com direito a olhos com curvas dos obesos demonstrando que estavam com muita raiva. Incorreta hoje por mostrar dramas de gordos para emagrecer, cenas constrangedoras como aparecerem entalado na porta de ser tão gordo, por exemplo, e a ideia de Magali comer sem engordar, absurdos da gula exagerada dela e comer só guloseimas que engordam e não são bons pra saúde.  Atualmente, os gordos nem são tão desenhados obesos dessa forma, até os personagens fixos que são gordos, como Pipa, Dona Cebola, Tia Nena, Nhô Lau, etc, são desenhados mais esbeltos, o que é uma pena que tira as características físicas marcantes da personagens e a representatividade dos gordos nos gibis.