domingo, 26 de julho de 2026

Catita e Marieta Alves: As Filhas que Desempenharam o Papel de Primeira-Dama na Primeira República

 

Catita Alves e Marieta Alves foram os hipocorísticos pelos quais ficaram conhecidas, respectivamente, Ana Rodrigues Alves da Silva Pereira (Guaratinguetá, 5 de outubro de 1879Rio de Janeiro, 5 de novembro de 1958) e Maria Rodrigues Alves da Costa Carvalho (Guaratinguetá, 18 de novembro de 1880São Paulo, 29 de janeiro de 1957), filhas de Rodrigues Alves, o 5.º presidente do Brasil. Durante a primeira presidência do pai, entre 1902 e 1906, ambas exerceram sucessivamente a função social e cerimonial de primeira-dama do país, uma vez que Rodrigues Alves era viúvo desde 1891 e não voltou a se casar.[1][2]

Catita ocupou a posição de primeira-dama de 15 de novembro de 1902, data da posse presidencial de Rodrigues Alves, até 8 de dezembro de 1904, quando se casou com Cesário da Silva Pereira. A partir de então, sua irmã Marieta assumiu o lugar de principal presença feminina da família presidencial no Palácio do Catete, permanecendo nessa função até o fim do mandato, em 15 de novembro de 1906.[3][4]

O caso das duas irmãs é singular na história republicana brasileira porque a condição de primeira-dama, embora não fosse cargo público formal, costumava ser atribuída à esposa do presidente. A literatura sobre o chamado primeiro-damismo observa que, no início da República, a função era marcada por sociabilidade palaciana, representação familiar, administração doméstica e presença simbólica ao lado do chefe do Poder Executivo, mais do que por atribuições legais definidas.[2] A presença sucessiva de Catita e Marieta ao lado de Rodrigues Alves mostra como, mesmo sem institucionalização jurídica, havia uma expectativa pública de que o presidente fosse acompanhado por uma figura feminina de sua família no espaço residencial e cerimonial do poder.[2]

Contexto familiar

As duas irmãs pertenciam à família de Francisco de Paula Rodrigues Alves, político paulista nascido em Guaratinguetá em 7 de julho de 1848. Rodrigues Alves foi deputado, senador, ministro da Fazenda, presidente do estado de São Paulo e presidente da República, integrando a elite política da Primeira República brasileira.[1] Sua trajetória política esteve associada ao Partido Republicano Paulista, ao federalismo oligárquico da época e ao predomínio de lideranças estaduais na política nacional.[5]

Catita e Marieta eram filhas de Rodrigues Alves com Ana Guilhermina de Oliveira Borges, integrante de tradicional família paulista. A morte de Ana Guilhermina, em dezembro de 1891, deixou Rodrigues Alves viúvo e responsável por uma numerosa família.[3] A viuvez do futuro presidente teve repercussão direta na organização da vida doméstica presidencial, pois, ao chegar ao Palácio do Catete em 1902, Rodrigues Alves não tinha esposa que pudesse exercer a função social então esperada da primeira-dama.[2]

A família Rodrigues Alves manteve forte vínculo com Guaratinguetá, cidade natal do presidente e das irmãs. A memória pública de Rodrigues Alves é preservada no Museu Conselheiro Rodrigues Alves, instalado no município, que reúne móveis, documentos, livros, títulos, objetos pessoais e peças relacionadas à trajetória política e familiar do ex-presidente.[6]

O Palácio do Catete e a função de primeira-dama

Caricatura de Crispim do Amaral representando Rodrigues Alves e Catita em 1902. A legenda satirizava a ideia de que o presidente viúvo não estaria “sem par”.

O Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, foi transformado em sede da Presidência da República no governo de Prudente de Morais e funcionou como residência e centro simbólico do poder presidencial entre 1897 e 1960, quando a capital federal foi transferida para Brasília.[4][7] No período em que Rodrigues Alves governou o país, o Catete reunia funções políticas, administrativas, residenciais e cerimoniais, abrigando recepções oficiais, audiências, banquetes e eventos de sociabilidade republicana.[7]

A função de primeira-dama, nesse contexto, não possuía estrutura administrativa, gabinete próprio ou competência legal. Era uma posição social, familiar e simbólica, construída pela convivência entre imprensa, etiqueta, vida palaciana e expectativa pública. A mulher que ocupava esse lugar podia receber convidados, coordenar aspectos domésticos da residência oficial, participar de cerimônias e representar a família presidencial em ocasiões públicas.[2]

Antes da posse de Rodrigues Alves, Catita recebeu orientações de Anna Gabriela de Campos Sales, esposa de Campos Sales e sua antecessora na residência presidencial. A correspondência, citada pela bibliografia especializada, tratava de detalhes práticos do funcionamento do Palácio do Catete, como empregados, rouparia, serviços de copa e organização da casa. O episódio revela que, mesmo sem cargo formal, a primeira-dama era percebida como responsável pela continuidade doméstica e cerimonial da residência presidencial.[3]

Catita Alves

Ana Rodrigues Alves da Silva Pereira, conhecida como Catita Alves, nasceu em Guaratinguetá, em 5 de outubro de 1879. Filha de Rodrigues Alves e Ana Guilhermina de Oliveira Borges, cresceu em ambiente marcado pela política paulista e pela circulação entre Guaratinguetá, São Paulo e o Rio de Janeiro, cidades centrais na trajetória pública de seu pai.[1][6]

Catita tornou-se a primeira figura feminina da família presidencial no Palácio do Catete com a posse de Rodrigues Alves, em 15 de novembro de 1902. Por ser a filha que assumiu inicialmente a função de anfitriã da residência presidencial, passou a ser tratada pela imprensa e pela memória política como primeira-dama do Brasil, embora essa designação, à época, ainda não correspondesse a uma instituição formal.[2][3]

Sua presença pública foi registrada de forma satírica pela revista O Malho, periódico ilustrado carioca conhecido por caricaturas políticas. Em uma charge publicada em 1902, de autoria de Crispim do Amaral, Rodrigues Alves aparece ao lado de Catita durante o ambiente de festas e recepções que acompanharam a chegada do novo governo. A legenda dizia: “Já não poderão dizer que o Sr. Rodrigues Alves é um presidente sem par”, jogando com o fato de o presidente ser viúvo e de sua filha ocupar a posição feminina de destaque no Catete.[8][9]

O humor gráfico de O Malho também explorou a condição de viuvez de Rodrigues Alves em outra caricatura, intitulada “O brinquedo do viuvinho”, na qual o presidente eleito era representado como objeto de disputa e expectativa política. Essas imagens ajudam a compreender como a imprensa urbana da Primeira República observava não apenas os atos políticos, mas também a vida familiar e simbólica dos presidentes.[10]

Catita exerceu a função de primeira-dama até 8 de dezembro de 1904, quando se casou com Cesário da Silva Pereira, oficial do gabinete presidencial. A cerimônia ocorreu durante o mandato de Rodrigues Alves e marcou a transferência da posição de primeira-dama para sua irmã Marieta.[3][11]

Depois do casamento, Catita passou a assinar Ana Rodrigues Alves da Silva Pereira. Sua trajetória posterior permaneceu mais associada à vida familiar e à memória privada da família Rodrigues Alves do que à esfera pública nacional. Entre seus descendentes, destaca-se Anna Guilhermina Rodrigues Alves Pereira de Melo Franco, ligada à família de Afonso Arinos de Melo Franco, intelectual, jurista e político brasileiro.[3]

Catita morreu no Rio de Janeiro, em 5 de novembro de 1958, aos 79 anos.[11]

Marieta Alves

Maria Rodrigues Alves da Costa Carvalho, conhecida como Marieta Alves, nasceu em Guaratinguetá, em 18 de novembro de 1880. Era filha de Rodrigues Alves e Ana Guilhermina de Oliveira Borges e irmã de Catita Alves.[12][1]

Marieta assumiu a função de primeira-dama do Brasil em 8 de dezembro de 1904, após o casamento de Catita. Permaneceu nessa posição até 15 de novembro de 1906, quando Rodrigues Alves encerrou seu mandato presidencial e foi sucedido por Afonso Pena.[3] Sua atuação, como a de Catita, deve ser compreendida dentro do modelo social da época: presença familiar no Palácio do Catete, representação doméstica da casa presidencial e participação em cerimônias e recepções, sem atribuições administrativas oficiais.[2]

A presença de Marieta no Catete coincidiu com a fase final do governo Rodrigues Alves, marcado por grandes transformações urbanas e sanitárias no Rio de Janeiro. A administração do presidente ficou conhecida por reformas conduzidas no então Distrito Federal, por ações de saneamento e por projetos de modernização da capital republicana.[1][5] Embora Marieta não tivesse papel político formal nessas políticas, sua posição na residência presidencial a colocava no centro da sociabilidade oficial do período.[4][2]

Após a morte de Rodrigues Alves, ocorrida em 16 de janeiro de 1919, Marieta casou-se, em 26 de dezembro do mesmo ano, com Álvaro Augusto da Costa Carvalho, político paulista que havia sido deputado federal e senador por São Paulo.[13][14]

Álvaro Augusto da Costa Carvalho nasceu em Piracicaba, em 1865, formou-se em Direito e teve longa carreira política, exercendo mandatos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Também atuou na política paulista e foi ligado ao Partido Republicano Paulista.[14][13] O casamento de Marieta com Álvaro reforçou os vínculos familiares entre a descendência de Rodrigues Alves e a elite política paulista da Primeira República.[5][13]

Marieta e Álvaro tiveram um filho, Francisco de Paula Rodrigues Alves da Costa Carvalho, nascido em 1921 e falecido em 1977.[13] Marieta morreu em São Paulo, em 29 de janeiro de 1957, aos 76 anos.[12]

O governo Rodrigues Alves e a vida palaciana

O período em que Catita e Marieta ocuparam a posição de primeiras-damas corresponde ao primeiro mandato presidencial de Rodrigues Alves, entre 1902 e 1906. O presidente assumiu o governo em momento de consolidação institucional da República e de afirmação da política dos estados, depois dos governos de Prudente de Morais e Campos Sales.[1][5]

A presidência de Rodrigues Alves ficou associada à modernização da capital federal, à reforma urbana do Rio de Janeiro e às campanhas sanitárias conduzidas por autoridades como Oswaldo Cruz.[1][5] O Palácio do Catete, por sua vez, era o espaço em que se articulavam vida pública, residência presidencial e cerimônias oficiais, o que tornava a presença de Catita e Marieta socialmente relevante, ainda que não politicamente institucionalizada.[4][7]

A relação entre vida privada e poder público era especialmente visível no início da República. A residência presidencial funcionava como local de recepção de autoridades, diplomatas, políticos, jornalistas e membros da elite social. Nesse ambiente, a figura feminina que acompanhava o presidente ajudava a conferir estabilidade, etiqueta e continuidade à representação pública da família presidencial.[2]

No caso de Rodrigues Alves, a ausência de esposa fez com que duas filhas ocupassem sucessivamente esse espaço. A substituição de Catita por Marieta, em 1904, não representou mudança institucional, mas uma reorganização familiar da função social desempenhada no Catete.[3]

Representações na imprensa

A imprensa ilustrada do início do século XX acompanhou a chegada de Rodrigues Alves ao poder e explorou, em tom humorístico, sua condição de presidente viúvo. A revista O Malho, criada no Rio de Janeiro em 1902, publicou caricaturas que associavam política, vida privada e sociabilidade presidencial.[8][10]

A charge mais diretamente ligada a Catita foi publicada com a representação de Rodrigues Alves ao lado da filha. A legenda sugeria que seus adversários ou bajuladores não poderiam dizer que o presidente estava “sem par”, pois Catita aparecia publicamente como a presença feminina de sua família no baile e nas cerimônias de posse.[8][9]

Essas imagens não devem ser lidas apenas como curiosidades. Elas documentam a maneira como a imprensa percebia a relação entre masculinidade política, viuvez, família e representação pública. A sátira revelava que, mesmo em uma República formalmente marcada por instituições masculinas e eleitorais restritas, a dimensão doméstica e familiar do presidente era observada, comentada e transformada em linguagem política.[2][10]

Memória histórica

A memória de Catita e Marieta Alves permaneceu vinculada sobretudo à biografia de Rodrigues Alves, à história das primeiras-damas do Brasil e aos estudos sobre cultura política da Primeira República. Diferentemente de primeiras-damas posteriores, elas não chefiaram campanhas assistenciais institucionalizadas, não tiveram gabinete formal e não deixaram atuação pública autônoma de grande projeção nacional.[2]

Essa relativa discrição não diminui a importância histórica do caso. Pelo contrário, Catita e Marieta ajudam a compreender uma fase inicial da República em que a função de primeira-dama ainda era fluida, doméstica, cerimonial e dependente da configuração familiar do presidente. A sucessão entre duas filhas mostra que o lugar social da primeira-dama podia ser ocupado por mulheres da família presidencial quando inexistia uma esposa.[2][3]

O Museu Conselheiro Rodrigues Alves, em Guaratinguetá, preserva acervo relacionado ao ex-presidente e à sua família, incluindo documentos, mobiliário, livros e objetos de memória.[6] O Palácio do Catete, antiga residência presidencial, abriga atualmente o Museu da República, instituição fundamental para o estudo da Presidência da República, da vida palaciana e da memória política brasileira

Catita e Marieta Alves: As Filhas que Desempenharam o Papel de Primeira-Dama na Primeira República

Visão Geral

Ana Rodrigues Alves da Silva Pereira, conhecida como Catita Alves (Guaratinguetá, 5 de outubro de 1879 — Rio de Janeiro, 5 de novembro de 1958), e Maria Rodrigues Alves da Costa Carvalho, conhecida como Marieta Alves (Guaratinguetá, 18 de novembro de 1880 — São Paulo, 29 de janeiro de 1957), foram filhas de Rodrigues Alves, o 5.º presidente do Brasil.

O caso de ambas é único na história republicana brasileira: como Rodrigues Alves havia emuído em 1891 e não voltou a se casar, as duas irmãs exerceram sucessivamente a função social e cerimonial de primeira-dama do país durante o primeiro mandato presidencial do pai, entre 1902 e 1906.

Contexto Familiar e Origens

Nascidas em Guaratinguetá, no interior paulista, Catita e Marieta eram filhas de Francisco de Paula Rodrigues Alves e de Ana Guilhermina de Oliveira Borges.

  • O Pai: Rodrigues Alves destacou-se como uma das principais lideranças da Primeira República, tendo atuado como deputado, senador, ministro da Fazenda, presidente do estado de São Paulo e presidente da República, além de ser um dos nomes fortes do Partido Republicano Paulista (PRP).

  • A Viuvez Presidencial: A morte de Ana Guilhermina em dezembro de 1891 deixou o futuro presidente viúvo com uma numerosa família. Quando Rodrigues Alves assumiu a chefia do Executivo e se instalou no Palácio do Catete em 1902, coube às suas filhas assumir o papel de anfitriãs da residência oficial.

A Sucessão no Palácio do Catete (1902–1906)

Embora a função de primeira-dama não contasse com estatuto jurídico, gabinete ou estrutura administrativa formal na época, havia uma forte expectativa social e cerimonial de que o presidente fosse acompanhado por uma figura feminina da família para presidir banquetes, receber autoridades e garantir a continuidade da sociabilidade palaciana.

  • Catita Alves (1902–1904): Assumiu a posição de primeira-dama desde a posse do pai, em 15 de novembro de 1902. Antes de assumir as funções, chegou a receber orientações práticas de Anna Gabriela de Campos Sales (esposa do antecessor Campos Sales) a respeito do funcionamento da casa e da rotina dos empregados. Permaneceu no posto até 8 de dezembro de 1904, quando se casou com Cesário da Silva Pereira, oficial do gabinete presidencial. Veio a falecer no Rio de Janeiro em 1958, aos 79 anos.

  • Marieta Alves (1904–1906): Com o casamento da irmã, Marieta assumiu o posto de principal presença feminina no Palácio do Catete a partir de dezembro de 1904, mantendo-se na função até o término do mandato de seu pai, em 15 de novembro de 1906. Anos mais tarde, em dezembro de 1919, casou-se com o político paulista Álvaro Augusto da Costa Carvalho. Faleceu em São Paulo em 1957, aos 76 anos.

Representações na Imprensa e Vida Palaciana

A condição de Rodrigues Alves como presidente viúvo e a presença de suas filhas no Catete atraíram a atenção da imprensa ilustrada da época, a exemplo da revista carioca O Malho.

Por meio de charges e crônicas bem-humoradas — como a célebre caricatura de Crispim do Amaral que brincava com o fato de o presidente não estar "sem par" —, a imprensa urbana da Primeira República registrou a interseção entre a vida privada da família presidencial e a representação pública do poder.

Diferente de moldes posteriores do primeiro-damismo, Catita e Marieta não lideraram campanhas assistenciais institucionalizadas ou órgãos estatais, concentrando sua atuação nos âmbitos cerimonial, doméstico e de representação familiar exigidos pela etiqueta republicana da virada do século XIX para o século XX.


Brás Carneiro Nogueira da Gama: Engenheiro, Político e Homem Público da Primeira República

 

Brás Carneiro Nogueira da Gama
Nascimento24 de março de 1846
Morte27 de abril de 1922

Brás Carneiro Nogueira da Gama (Rio de Janeiro, 24 de março de 1846 - Rio de Janeiro 27 de abril de 1922) foi filho de Brás Carneiro Nogueira da Costa e Gama, o Conde de Baependi, e como seu pai, foi um proprietário rural e político brasileiro.

Vida

Brás Carneiro Nogueira da Gama nasceu em 24 de março de 1846 no Rio de Janeiro, então a capital do país, filho de Brás Carneiro Nogueira da Costa e Gama e sua esposa Rosa Nogueira Vale da Gama. Após a conclusão dos estudos preparatórios, cursou a Escola Central (futura Escola Politécnica) desde 1863, se graduando engenheiro geógrafo em 1866, bacharel em ciências matemática e física em 1867 e engenheiro civil em 1868. Casou em 8 de janeiro de 1870 com Luísa Henriqueta Viana Nogueira da Gama, sua prima, e fundou a fazenda de Santa Luísa, que foi batizada em homenagem a ela. Seguindo os passos do pai, dedicou-se por alguns anos aos cuidados das propriedades rurais que a família detinha, mas logo abandonaria os negócios para focar na política. Embora alinhado com as tendências republicanas, foi convencido pelo pais e por seus correligionários a disputar duas eleições para deputado da assembleia provincial fluminense, nos biênios de 1882-1883 e 1888-1889, pelo Partido Conservador, vencendo em ambas as ocasiões.[1]

Aquando da proclamação da república em 15 de novembro de 1889, era membro da bancada republicada liderada por Francisco Portela e primeiro vice-presidente da assembleia provincial. Por decreto provisório do marechal Deodoro da Fonseca, tornar-se-ia o segundo vice-presidente do estado do Rio de Janeiro. Em setembro de 1890, durante as eleições para o Congresso Nacional Constituinte, foi sufragado senador, com mandato de três anos, devido a sua baixa votação. Depois da promulgação da Constituição de 24 de fevereiro de 1891, foi escolhido vice-presidente do senado, em cujo posto presidiu a primeira sessão da primeira legislatura do Congresso Nacional. Também dirigiu e colaborou durante as reuniões senatoriais para decidir o regimento interno da casa. Apesar de suas ações, foi substituído em 19 de junho por Prudente de Morais. Na sequência, foi membro das comissões de finanças, obras públicas e empresas privilegiadas.[1]

Com a posse de Floriano Peixoto em 23 e novembro de 1891, após a renúncia de Deodoro da Fonseca, tornar-se-ia opositor do governo federal. Com o fim de seu mandato em 1893, e com a subida ao poder no Rio de Janeiro de um partido contrário ao seu, decidiu se retirar da vida pública. Em 1896, a convida do então presidente do Banco da República do Brasil Afonso Pena, tornar-se-ia engenheiro e consultar técnico da instituição. Em função até 1900, quando, por dificuldades financeiras do banco, foi dispensado, dedicou-se a fiscalizar companhias e empresas que obtiveram empréstimos em bônus. Em 1907, durante a presidência de Afonso Pena, foi nomeado engenheiro-inspetor da Repartição do Povoamento do Solo. Por fim, serviu como funcionário adido do Ministério da Agricultura. Faleceu no Rio de Janeiro em 27 de abril de 1922.

Brás Carneiro Nogueira da Gama: Engenheiro, Político e Homem Público da Primeira República

Visão Geral

Brás Carneiro Nogueira da Gama (Rio de Janeiro, 24 de março de 1846 — Rio de Janeiro, 27 de abril de 1822) foi um engenheiro, proprietário rural e político brasileiro. Filho de Brás Carneiro Nogueira da Costa e Gama, o Conde de Baependi, destacou-se por sua transição bem-sucedida entre a elite agrária do Império, a engenharia e os altos cargos do legislativo e da administração federal durante a República Velha.

Origens e Formação Acadêmica

Nascido no Rio de Janeiro, então capital do Império, em 24 de março de 1846, era filho de Brás Carneiro Nogueira da Costa e Gama e de Rosa Nogueira Vale da Gama.

Após concluir seus estudos preparatórios, ingressou em 1863 na Escola Central (futura Escola Politécnica do Rio de Janeiro), onde construiu uma sólida formação técnica:

  • Engenheiro Geógrafo (1866)

  • Bacharel em Ciências Matemáticas e Físicas (1867)

  • Engenheiro Civil (1868)

Em 8 de janeiro de 1870, casou-se com sua prima, Luísa Henriqueta Viana Nogueira da Gama, em cuja homenagem batizou a Fazenda de Santa Luísa, propriedade fundada pelo casal. Inicialmente, dedicou-se à administração dos negócios rurais da família, mas logo redirecionou seu foco para a vida pública.

Carreira Política no Império e a Transição Republicana

Apesar de nutrir simpinitas com as tendências republicanas, acabou convencido por seu pai e por correligionários a ingressar na política institucional pelas fileiras do Partido Conservador:

  • Deputado Provincial: Elegeu-se e exerceu mandatos na Assembleia Provincial Fluminense para os biênios de 1882–1883 e 1888–1889.

  • Proclamação da República (1889): Na data do golpe republicano, atuava como primeiro vice-presidente da assembleia provincial e integrava a bancada republicana liderada por Francisco Portela. Por decreto provisório do marechal Deodoro da Fonseca, foi nomeado segundo vice-presidente do estado do Rio de Janeiro.

  • Senado Federal: Em setembro de 1890, elegeu-se senador para o Congresso Nacional Constituinte. Com a promulgação da Constituição de 1891, foi escolhido vice-presidente do Senado, chegando a presidir a primeira sessão da primeira legislatura do Congresso Nacional e a liderar os trabalhos de elaboração do regimento interno da casa (sendo substituído no posto por Prudente de Morais em junho de 1891). No Senado, também integrou as comissões de Finanças, de Obras Públicas e de Empresas Privilegiadas.

Oposição, Atuação Técnica e Anos Finais

Com a posse de Floriano Peixoto em novembro de 1891 — após a renúncia de Deodoro —, Brás Carneiro alinhou-se à oposição federal. Encerrado seu mandato legislativo em 1893 e diante da ascensão de um grupo político rival no Rio de Janeiro, optou por afastar-se temporariamente da política partidária.

Retornou à sua formação técnica original e a funções administrativas de destaque:

  • Engenharia e Consultoria: A convite de Afonso Pena, então presidente do Banco da República do Brasil, assumiu como engenheiro e consultor técnico da instituição entre 1896 e 1900, atuando na fiscalização de empresas que haviam captado empréstimos em bônus.

  • Serviço Público Federal: Em 1907, novamente sob a presidência de Afonso Pena, foi nomeado engenheiro-inspetor da Repartição do Povoamento do Solo, encerrando sua trajetória funcional como funcionário adido ao Ministério da Agricultura.

Faleceu no Rio de Janeiro em 27 de abril de 1922, aos 76 anos de idade.