quarta-feira, 22 de julho de 2026

José Basílio da Gama São José do Rio das Mortes, 8 de abril de 1741 — Lisboa, 31 de julho de 1795 Poeta luso-brasileiro, figura central do arcadismo e um dos primeiros representantes do Iluminismo na literatura do Brasil Colônia. É patrono da cadeira nº 4 da Academia Brasileira de Letras, e sua obra principal, O Uraguai, marca um momento de transição e inovação na poesia épica da língua portuguesa.

 

Basílio da Gama
Nome completoJosé Basílio da Gama
Nascimento
Morte
31 de julho de 1795 (54 anos)

NacionalidadeBrasileiro (Brasil Colônia)
OcupaçãoPoeta
Escola/tradiçãoArcadismo/Neoclacissismo

José Basílio da Gama (São José do Rio das Mortes, 8 de abril de 1741Lisboa, 31 de julho de 1795) foi um poeta luso-brasileiro, patrono da cadeira n. 4 da Academia Brasileira de Letras.[1] Identificado com o arcadismo e partidário do Marquês de Pombal, foi um dos principais expoentes do iluminismo no Brasil.

É mais conhecido pelo seu poema épico O Uraguai, que aborda a expedição de portugueses e espanhóis contra a presença dos jesuítas no Rio Grande.[2] A obra tornou-se célebre pelo retrato negativo que faz dos jesuítas e pela simpatia para com os indígenas, sendo assim precursor do indianismo romântico.

Biografia

Nasceu no arraial de São José do Rio das Mortes, depois São José d'El Rei (hoje cidade de Tiradentes), Minas Gerais.[3] O seu pai foi Manuel da Costa Vilas-Boas, capitão-mor do Novo Descobrimento, e sua mãe foi uma das netas do oficial militar Leonel da Gama Belles.

Em 1757, já órfão de pai, começou a frequentar o Colégio dos Jesuítas no Rio de Janeiro.[4][5] Quando, dois anos depois, em 1759, Gomes Freire de Andrade, 1.º Conde de Bobadela, ordenou fechar o colégio, como parte da campanha de perseguição movida pela Coroa de Portugal contra a Companhia de Jesus, o jovem Basílio manteve-se fiel à sua vocação e seguiu para Roma, à procura do apoio da igreja católica para a sua fé.

Entre os anos de 1760 e 1766 foi admitido, graças ao poeta Michel Giuseppe Morei, na Arcádia Romana, com o pseudônimo de "Termindo Sipílio".[4][5] O fato de um poeta do Brasil Colônia ter sido admitido em uma agremiação tão importante quanto a Arcádia Romana pressupõe que, quase certamente, ele teria sido recomendado pelo clero jesuítico português.

No decorrer de 1768 está de novo no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, mas retorna à Europa, dirigindo-se para Coimbra. Nesta ocasião foi detido em Lisboa, acusado de simpatia para com os jesuítas. Em troca da liberdade, prometeu às autoridades ir viver em Angola. Logo em seguida, buscando evitar o degredo, capitulou diante do poder exercido pelo futuro Sebastião José de Carvalho e Melo, marquês de Pombal, responsável direto pela perseguição aos jesuítas.

Basílio escreveu então um epitalâmio, dedicado à filha do Marquês, exaltando-o, vindo a cair, em 1769, nas graças deste. No mesmo ano foi publicado o poema épico O Uraguai,[6] dedicado a Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão de Pombal, onde se percebe o intuito de agradar o homem forte de Portugal daquele tempo. Além dos guerreiros portugueses, os guaranis são tratados de maneira positiva pelo autor, cabendo unicamente aos jesuítas o papel de vilões, por serem contrários à política pombalina, retratados como interessados em ludibriar os indígenas.

Por essa época estreita-se a sua ligação com Pombal, de forma que se torna oficial administrativo e secretário deste. Com a queda política de seu protetor, Basílio passou a sofrer perseguições políticas, sendo obrigado a se deslocar da Corte para a Colônia do Brasil e vice-versa, como forma de se livrar de arbitrariedades cometidas contra si.

Num período em que estava em Lisboa veio a falecer, em 31 de julho de 1795, tendo sido sepultado na Igreja da Boa Hora.[7]

Obras

Folha de rosto de O Uraguai, 1769
  • O Uraguai (1769)[8]
  • Epitalâmio às núpcias da Sra. D. Maria Amália (1770)[9]
  • A declamação trágica (1772), poema dedicado às belas artes
  • Os Campos Elíseos (1776)[9]
  • Relação abreviada da República e Lenitivo da saudade (1788)
  • Quitúbia (1791)[9]

Referências

  1. Behar, Eli; Schranck Peleias, Deborah. Vultos do Brasil: biografias, história e geografia : com 145 ilustrações. Hemus. pp. 35. ISBN 8528900061
  2. «Basílio da Gama». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 19 de junho de 2025
  3. Moura Lima, Renira Lisboa de; Fiúza Moreira, Fernando Otávio; Ribeiro Silva, Valéria. A anteposição do adjetivo em A Morte de Lindoia, fragmento de O Uraguai. UFAL. pp. 85. ISBN 8571773025
  4.  «Basílio da Gama». Só Literatura. Consultado em 8 de abril de 2026
  5.  Infopédia. «José Basílio da Gama - Infopédia». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 8 de abril de 2026
  6. Brandão, Roberto de Oliveira. Poética e poesia no Brasil (Colônia). UNESP, 2001. pp. 263. ISBN 8571393109
  7. Buarque de Holanda, Sérgio. Capítulos de literatura colonial. In: Antônio Cândido. Editora Brasiliense, 1991. pp. 133. ISBN 8511340017
  8. Versiani, Carlos (2016). «A representação arcádica do índio brasileiro : O Uraguai, de José Basílio da Gama». Amerika. doi:10.4000/amerika.7266
  9.  «Biblioteca Ativa - Mês do escritor - Abril - Basílio da Gama • Etec Professora Maria Cristina Medeiros». Etec Professora Maria Cristina Medeiros. 12 de abril de 2024. Consultado em 8 de abril de 2026

Bibliografia

José Basílio da Gama

São José do Rio das Mortes, 8 de abril de 1741 — Lisboa, 31 de julho de 1795
Poeta luso-brasileiro, figura central do arcadismo e um dos primeiros representantes do Iluminismo na literatura do Brasil Colônia. É patrono da cadeira nº 4 da Academia Brasileira de Letras, e sua obra principal, O Uraguai, marca um momento de transição e inovação na poesia épica da língua portuguesa.

📖 Biografia

Origem e formação

Nasceu no arraial de São José do Rio das Mortes — atual cidade de Tiradentes, em Minas Gerais — filho do capitão-mor Manuel da Costa Vilas-Boas e de uma neta do oficial Leonel da Gama Belles. Ficou órfão de pai ainda jovem e, em 1757, ingressou no Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro, onde recebeu sua educação inicial.
Com a expulsão da Companhia de Jesus determinada pelo governo do Marquês de Pombal, em 1759, o colégio foi fechado. Basílio da Gama seguiu então para Roma, onde permaneceu até 1766. Lá, com o apoio do poeta Michel Giuseppe Morei, foi admitido na Arcádia Romana — uma das mais prestigiadas associações literárias da época — recebendo o pseudônimo de Termindo Sipílio.

Mudança de lado e ascensão

Retornou ao Brasil em 1768, mas logo viajou para Coimbra. Ao chegar a Lisboa, foi detido sob acusação de simpatia aos jesuítas. Para evitar o degredo para Angola, fez uma reviravolta política: aproximou-se do governo pombalino, escrevendo um poema de louvor dedicado à filha do Marquês de Pombal.
Essa estratégia deu resultado: conquistou a confiança do ministro, passou a exercer cargos administrativos e atuou como seu secretário. Em 1769, publicou sua obra mais famosa, O Uraguai, claramente alinhada à política oficial da Coroa.

Últimos anos

Com a queda de Pombal em 1777, Basílio da Gama perdeu proteção e passou a enfrentar perseguições políticas. Viu-se obrigado a se deslocar constantemente entre Lisboa e o Brasil para escapar de arbitrariedades. Faleceu na capital portuguesa em 31 de julho de 1795, sendo sepultado na Igreja da Boa Hora.

📚 Obra e características

O Uraguai (1769)

É sua obra-prima e uma das maiores epopeias da literatura brasileira. Narra a Guerra Guaranítica, conflito entre Portugal, Espanha e as missões jesuíticas da região sul do continente. Seus traços marcantes:
  • Posicionamento político: Segue a linha oficial do governo, apresentando os jesuítas como figuras autoritárias e interessadas em manter domínio sobre os indígenas;
  • Visão inovadora: Ao contrário de outros autores da época, descreve os guaranis com simpatia e respeito, retratando seus costumes, coragem e sofrimento. Por isso, é considerado o precursor do indianismo, movimento que floresceria no Romantismo décadas depois;
  • Estilo arcádico: Uso de linguagem clara, estrutura organizada e referências à natureza, afastando-se da complexidade do barroco.

Outras obras

  • Epitalâmio às núpcias da Sra. D. Maria Amália (1770) — poema de homenagem à família de Pombal;
  • A Declamação Trágica (1772) — reflexão sobre a arte e a poesia;
  • Os Campos Elíseos (1776) — poema descritivo inspirado nos modelos clássicos;
  • Relação Abreviada da República e Lenitivo da Saudade (1788);
  • Quitúbia (1791) — poema que retoma temas ligados à terra e aos povos do Brasil.

✨ Importância histórica

Basílio da Gama representa o confronto entre interesses políticos e criação artística no final do período colonial. Mesmo alinhado ao poder vigente, sua obra deixou um legado importante: ao valorizar o indígena como personagem nobre e digno de protagonismo, abriu caminho para que a literatura posterior construísse uma identidade própria para o Brasil, desvinculada apenas da visão europeia.

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