terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A Coroa Derretida: A Tragédia Humana e Narrativa de Viserys Targaryen em Game of Thrones

 

Viserys Targaryen
Personagem de
A Song of Ice and Fire e Game of Thrones
Viserys como retratado na série da HBO por Harry Lloyd.
Informações gerais
Primeira apariçãoLiteratura:
A Game of Thrones (1996)
Série de Televisão:
"Winter Is Coming" (2011)
Última apariçãoLiteratura:
A Game of Thrones (1996)
Série de Televisão:
"A Golden Crown" (2011)
Criado(a) porGeorge R. R. Martin
Adaptado(a) porDavid Benioff & D.B. Weiss
(Game of Thrones)
Interpretado(a) porHarry Lloyd
Informações pessoais
Codinomes
conhecidos
O Rei Pedinte
O Rei Carroça
Características físicas
SexoMasculino
Informações profissionais
TítuloRei dos Ândalos, dos Roinares e dos Primeiros Homens (auto-proclamado)
Senhor e Protetor dos Sete Reinos (auto-proclamado)
ParentescoAerys II Targaryen (pai/tio)
Rhaella Targaryen (mãe/tia)
Rhaegar Targeryen (irmão)
Daenerys Targaryen (irmão)
Rhaenys Targaryen (sobrinha)
Aegon Targaryen (sobrinho)
Televisão:
Jon Snow (sobrinho)
Aparições
Temporadas1

Viserys Targaryen é uma personagem fictícia da série de fantasia épica As Crônicas de Gelo e Fogo, do escritor norte-americano George R. R. Martin, e da série de televisão Game of Thrones. Introduzido no primeiro livro da saga, A Game of Thrones (1996) ele, junto com sua irmã mais nova Daenerys, é um dos últimos membros vivos da Dinastia Targaryen, que, até quinze anos antes dos eventos narrados no livro, ocupou o Trono de Ferro e reinou sobre os Sete Reinos de Westeros por quase trezentos anos. Na adaptação televisiva, ele é interpretado pelo ator britânico Harry Lloyd.

Perfil

Viserys é o filho do meio do rei Aerys II Targaryen, conhecido como "Rei Louco", e sua esposa-irmã Rhaella Targaryen.[1] Descrito como arrogante e cruel, herdeiro de seu pai após a morte do irmão mais velho, príncipe Rhaegar, é exilado ainda criança nas Cidades Livres do continente de Essos, junto com a irmã Daenerys Targaryen, a Princesa de Pedra do Dragão, quando a rebelião de Robert Baratheon derruba a Casa Targaryen do trono e mata seu pai e seu irmão.[2] Loiro e de olhos cor violeta como um verdadeiro Targaryen, ele tem um rosto duro e magro; é um homem ambicioso, mas também impaciente, delirante e cego à realidade. Ele se vê como um rei legítimo a quem é devido respeito e admiração instantâneos e toma qualquer coisa menos que isto como um insulto. Viserys se recusa a aceitar a realidade da situação da Casa Targaryen depois que Robert tomou o Trono de Ferro. Ele é violento e abusivo, especialmente com Daenerys, mas também com outros a quem tenta intimidar.[2] Daenerys acredita que o irmão foi se tornando insano pelo estresse de seu exílio e pela falta de respeito que recebe e acha que lhe é devido, mas outros acreditam que ele herdou a loucura de seu pai, Aerys II, o "Rei Louco".

Como sua mãe, a rainha Rhaella, o declarou rei Viserys III Targaryen pouco antes de morrer depois do parto de Daenerys, ele se apresenta como "Viserys da Casa Targaryen, o Terceiro de Seu Nome, Rei dos Ândalos, dos Roinares e dos Primeiros Homens, Lorde dos Sete Reinos e Protetor do Reino". Para o resto mundo, entretanto, ele é apenas o "Rei Pedinte", que vive de canto em canto em busca de um exército que lhe siga em sua fixação em voltar a Westeros e retomar o Trono de Ferro.[2]

Biografia

Série literária

A Game of Thrones

Viserys Targaryen é o segundo filho do "Rei Louco", Aerys II Targaryen. Treze anos antes dos eventos do livro, ele e a irmã menor escaparam da vingança de Robert Baratheon, que derrubou a dinastia Targaryen do Trono de Ferro, ao serem levados secretamente de Pedra do Dragão para o continente de Essos por homens leais aos Targaryen. Vivendo e crescendo em Essos quase como mendigos depois da morte de seu protetor, Ser Willem Darry, quando ainda eram muito jovens, vendendo o pouco que tinham levado para sobreviver se alimentando e se vestindo, acabam sob a proteção de um rico mercador de PentosIllyrio Mopatis. Em sua fixação de vida pelo retorno a Westeros para se tornar rei, com a ajuda dele Viserys negocia o casamento de sua irmã Daenerys com o líder guerreiro dothraki Khal Drogo, em troca da utilização do exército de Drogo para a retomada do Trono de Ferro em Westeros. Drogo e Daenerys se casam, mas frustrado com a demora do cunhado em atender seus apelos, Viserys ameaça Daenerys e o bebê que ela gesta. Sabendo da ameaça, Drogo resolve lhe dar a coroa de ouro que tanto deseja, derramando ouro fundido sobre sua cabeça, matando-o.[3]

Genealogia

Genealogia a partir do tataravô de Daenerys, Rei Maekar I Targaryen.

Série de televisão

1ª temporada (2011)

Viserys é o príncipe da dinastia Targaryen exilado com a irmã menor em Essos, após sua família ser deposta do Trono de Ferro por Robert Baratheon, depois de séculos de reinado da dinastia. Conhecido como "Rei Pedinte", sempre em sua busca por soldados para ajudá-lo a reconquistar o trono perdido, ele é um homem arrogante e narcisista, centrado apenas em si mesmo e diminuindo os outros que o cercam, especialmente sua irmã, Daenerys Targaryen. Em troca de um exército para seu retorno a Westeros, Viserys oferece a irmã em casamento ao khal (chefe) dos dothrakis, um povo guerreiro de Essos, Khal Drogo. Depois do casamento, Viserys segue com Drogo, Daenerys e a horda de guerreiros até a capital dothraki para se assegurar que Drogo cumprirá sua promessa e o acordo de casamento. Mas, durante a jornada, se torna evidente que ele não tem nenhuma capacidade de liderança para reclamar o trono e sua arrogância e desrespeito pelos dothrakis não lhe angaria simpatias. Além disso, Daenerys, a irmã sempre submissa e amedrontada a quem ele sempre ameaçou e abusou por toda a vida no exílio, começa a se levantar contra ele.

Notando que Drogo está apaixonado por Daenerys e que o filho deles gestado por ela foi profetizado como aquele que reuniria o mundo, ele entende que não é ele, mas Daenerys, que irá reivindicar o Trono De Ferro. Em um ataque de fúria bêbado, ele ameaça Drogo para lhe dar o exército que precisa agora ou ele matará a criança na barriga da irmã. Esgotando a paciência com o comportamento constante de Viserys após esta ameaça, Drogo o mata dando-lhe a coroa que tanto deseja, derramando ouro fundido sobre sua cabeça. Daenerys assiste impávida a morte do irmão, proclamando que ele não era um verdadeiro dragão porque "o fogo não pode matar um dragão". Apesar disso, mais tarde ela dará o nome de Viserion a um de seus três dragões, em homenagem ao irmão.[4]

Referências

  1.  «A Read of Ice and Fire: A Game of Thrones, Part 2». Tor
  2.  A Game of Thrones: Capítulo 3, Daenerys I
  3.  Martin, George R. R. (1996). A Game of Thrones. [S.l.: s.n.] ISBN 978-0-553-89784-5
  4.  «Game of Thrones Season 1»HBO. Consultado em 18 de agosto de 2017

A Coroa Derretida: A Tragédia Humana e Narrativa de Viserys Targaryen em Game of Thrones

Há vilões que nos fazem torcer os punhos de raiva. E há vilões que nos fazem suspirar de tristeza — não por seus atos, mas pela humanidade quebrada que os moldou. Viserys Targaryen pertence a essa segunda categoria: um jovem nascido para reinar que se tornou mendigo nas ruas de Essos; um príncipe que carregava o peso de três séculos de glória ancestral nos ombros frágeis de um exilado; um homem que, em sua busca desesperada por uma coroa de ferro, perdeu primeiro a dignidade, depois a sanidade, e por fim a própria vida. Em Game of Thrones, Viserys não foi apenas o "Rei Pedinte" — foi o espelho sombrio que revelou a força de Daenerys, o lembrete cruel de que sangue real não garante grandeza, e uma das tragédias mais comoventes já contadas na televisão.
Nascido nos salões dourados de Porto Real como segundo filho do "Rei Louco" Aerys II, Viserys tinha tudo para ser um príncipe feliz: cabelos prateados como luar, olhos violeta que refletiam séculos de linhagem dragão, e um futuro brilhante como herdeiro do Trono de Ferro — até que a Rebelião de Robert Baratheon transformou seu mundo em cinzas. Com apenas treze anos, viu o pai morrer queimado, o irmão Rhaegar ser assassinado, a mãe falecer no parto de Daenerys, e foi arrastado para o exílio como um fardo indesejado. Durante anos, sobreviveu mendigando entre as Cidades Livres, vendendo relíquias familiares para comprar pão, enquanto sussurrava para si mesmo: "Sou o rei. Sou o legítimo." Aquelas palavras, repetidas como mantra, tornaram-se sua única âncora — e também sua prisão.
E que prisão era aquela! Viserys não era simplesmente cruel por natureza; era um jovem traumatizado que confundia autoridade com tirania, respeito com medo, e amor com submissão. Sua relação com Daenerys — marcada por tapas, ameaças e humilhações — era o retrato de um irmão que via na irmã não uma companheira de exílio, mas sua única propriedade, sua última moeda de troca para recuperar o que lhe fora roubado. Quando a entregou em casamento a Khal Drogo, não viu uma jovem assustada sendo negociada como gado; viu uma rainha sendo coroada, uma aliança sendo selada, um exército sendo comprado. Sua cegueira para a realidade dos outros era tão profunda quanto sua obsessão pelo trono — e essa tragédia psicológica é o que torna Viserys tão fascinante.
Mas sua importância narrativa vai além de si mesmo. Viserys foi o antagonista necessário na jornada de Daenerys — o primeiro dragão que ela precisou superar para se tornar rainha. Enquanto ele representava o passado Targaryen corrompido pela loucura e pela arrogância, ela encarnava seu futuro: compassivo, resiliente, guiado não pelo direito de nascimento, mas pelo dever moral. Cada tapa que ele dava nela fortalecia sua espinha dorsal; cada ameaça que proferia acendia nela a chama da autonomia. E quando, bêbado e desesperado, ameaçou cortar o filho dela do ventre com uma adaga, não estava apenas cometendo um ato de violência — estava assinando sua própria sentença de morte simbólica. Pois um verdadeiro Targaryen protege os seus; um falso os sacrifica pelo poder.
E que morte cinematográfica foi aquela! Khal Drogo, o guerreiro dothraki que Viserys tanto desprezara por ser "bárbaro", deu-lhe exatamente o que ele sempre quis: uma coroa. Mas não de ferro — de ouro derretido, derramado sobre sua cabeça em uma cena que se tornou icônica na história da televisão. Viserys gritou "Não é assim que se faz uma coroa!" enquanto o metal líquido escorria por seu rosto — a última ironia de um homem que passou a vida exigindo respeito, mas nunca aprendendo o que ele realmente significa. Daenerys, assistindo impassível, declarou: "Ele não era um verdadeiro dragão. O fogo não pode matar um dragão." Naquele momento, ela não apenas enterrava o irmão — enterrava a versão frágil de si mesma que permitira ser dominada por ele.
E não podemos falar de Viserys sem celebrar a atuação magistral de Harry Lloyd — o britânico de olhos intensos e presença magnética que transformou um personagem potencialmente caricatural em uma tragédia viva. Com cada tremor de lábio, cada olhar de desespero contido atrás da arrogância, cada riso histérico que mascarava o terror de ser irrelevante, Lloyd construiu um retrato psicológico arrebatador. Ele nos fez sentir pena de Viserys sem justificar seus atos; entender sua dor sem perdoar sua crueldade. E quando ouro derretido tocou sua pele, choramos não por sua morte, mas pela vida que poderia ter tido — um príncipe criado com amor, não com trauma; um homem ensinado que liderança é serviço, não domínio.
Viserys nos ensina lições profundas: que o exílio pode corroer a alma mais rapidamente que a espada; que a loucura muitas vezes é filha do trauma, não apenas do sangue; que carregar o peso da história sem apoio é uma sentença de morte lenta. Ele não foi um monstro — foi um menino que perdeu tudo e nunca aprendeu a reconstruir. E talvez por isso Daenerys tenha homenageado sua memória batizando um de seus dragões de Viserion: não para celebrar o tirano que ele se tornou, mas para honrar o príncipe que poderia ter sido — e para lembrar que até os mais quebrados merecem um lugar na história.
Hoje, quando os dragões voam livres e o Trono de Ferro está em ruínas, Viserys permanece como um lembrete poderoso: que coroas não definem reis, que sangue não garante nobreza, e que a verdadeira força está não em exigir lealdade, mas em merecê-la. Sua coroa derreteu — mas sua lição permanece intacta, brilhando como ouro verdadeiro nas páginas da memória coletiva.
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