sábado, 28 de fevereiro de 2026

A OITAVA MARAVILHA: DIANA E AS PIRÂMIDES DO TEMPO Em maio de 1992, entre areia e pedra milenar, uma princesa descobria sua própria força enquanto seu mundo desmoronava

 

A OITAVA MARAVILHA: DIANA E AS PIRÂMIDES DO TEMPO

Em maio de 1992, entre areia e pedra milenar, uma princesa descobria sua própria força enquanto seu mundo desmoronava

A OITAVA MARAVILHA: DIANA E AS PIRÂMIDES DO TEMPO

Em maio de 1992, entre areia e pedra milenar, uma princesa descobria sua própria força enquanto seu mundo desmoronava

Por Renato Drummond Tapioka Neto
Fotografia: Kent Gavin

I. "SENHORA, VOCÊ É A OITAVA MARAVILHA"

O sol escaldante do deserto egípcio castigava as pedras da meseta de Gizé naquela manhã de 12 de maio de 1992. Diante das grandiosas pirâmides — testemunhas silenciosas de mais de quatro milênios de história —, uma mulher de 30 anos ajustava os óculos escuros e tentava encontrar conforto no traje marrom de exploradora que usava
www.gettyimages.com
.
Diana, Princesa de Gales, estava relutante. "Ficará sem graça e eu parecerei ridícula", disse ela ao fotógrafo Kent Gavin, recusando-se a posar diante dos monumentos faraônicos
www.facebook.com
www.threads.com
.
Mas Gavin, um dos fotógrafos reais mais experientes da época, tinha um argumento na manga. Com o charme de quem conhece o poder das palavras, ele se aproximou e disse: "Senhora, as pirâmides são uma das sete maravilhas do mundo e você é a oitava"
www.express.co.uk
.
O efeito foi imediato. Diana sorriu — aquele sorriso largo e característico que iluminava multidões — e respondeu: "Como poderia me negar depois disso?"
www.threads.com
www.instagram.com
.
E assim foi criada uma das imagens mais icônicas da princesa: Diana entre os blocos gigantescos de pedra, pequena diante da eternidade, mas radiante em sua humanidade frágil e bela
shop.memorylane.co.uk
www.gettyimages.ie
.
O que Kent Gavin talvez não soubesse naquele momento é que estava registrando muito mais do que uma visita turística. Estava documentando uma mulher no limiar de sua transformação — entre o fim de um casamento e o início de sua verdadeira liberdade.

II. O CASAMENTO QUE DESABAVA EM SILÊNCIO

Para entender a profundidade daquele momento nas pirâmides, é preciso voltar alguns meses no tempo.
1992 seria um ano devastador para a monarquia britânica. A rainha Elizabeth II mais tarde o chamaria de annus horribilis — o ano horrível. E para Diana, especificamente, seria o ano em que as máscaras finalmente cairiam.
Seu casamento com o príncipe Charles, celebrado em 29 de julho de 1981 na Catedral de São Paulo e batizado de "o casamento do século", já era, em 1992, apenas uma fachada mantida por dever e conveniência
www.instagram.com
. O casal vivia em residências separadas, mantinha compromissos independentes e, nas raras ocasiões em que apareciam juntos, a tensão era palpável.
A rainha Elizabeth, sempre acreditando na diplomacia familiar, pensou que uma viagem no verão poderia solucionar os problemas do casal. Assim, Charles e Diana embarcaram para uma turnê pela Índia em março de 1992
www.instagram.com
.
Foi um fiasco.
Em 11 de março de 1992, o mundo testemunhou uma das imagens mais simbólicas e tristes da história real contemporânea: Diana sozinha, sentada no banco diante do Taj Mahal, em Jaipur, com uma expressão de profunda melancolia
www.instagram.com
. O monumento, construído pelo imperador Shah Jahan como eterno tributo ao amor por sua esposa Mumtaz Mahal, servia agora de palco para o colapso de um casamento real.
A foto do Taj Mahal correu o mundo. Não precisava de legendas. Falava por si só.
Mas Diana não era mulher de se deixar abater. Se o destino lhe dava limões, ela faria não apenas limonada, mas uma turnê solo pelo Oriente Médio.

III. EGITO: UMA JORNADA SOLO DE DESCOBERTAS

Após o desastroso episódio na Índia, Diana decidiu: faria uma viagem solo ao Egito em maio de 1992
www.instagram.com
www.instagram.com
. Seriam cinco dias de imersão em uma das civilizações mais antigas da humanidade, longe dos olhares julgadores e das obrigações conjugais
www.instagram.com
.
Vestindo seu clássico traje marrom de exploradora — prático, elegante e apropriado para o clima desértico —, a princesa embarcou em uma jornada que era, ao mesmo tempo, turística e existencial
www.gettyimages.com
.
Dia 12 de maio: Gizé
Na meseta de Gizé, a 15 quilômetros do Cairo, Diana contemplou as pirâmides com genuíno espanto
www.gettyimages.com
fr.pinterest.com
. Guias explicaram detalhes sobre a Grande Pirâmide de Quéops, a única das sete maravilhas do mundo antigo que permanece de pé. Ela fez perguntas, demonstrou curiosidade intelectual, encantou-se com a grandiosidade da engenharia faraônica
fr.pinterest.com
.
Foi nesse dia que Kent Gavin capturou a foto histórica. Diana posou entre as pirâmides, sorrindo, parecendo encontrar, por um instante, leveza em meio à turbulência de sua vida pessoal
shop.memorylane.co.uk
www.express.co.uk
.
A Esfinge e Além
Além das pirâmides, Diana conheceu a Grande Esfinge de Gizé, a misteriosa guardiã de pedra com corpo de leão e rosto humano que observa o deserto há milênios
shop.memorylane.co.uk
www.thetimes.com
.
Museu do Cairo: O Encontro com Tutancâmon
No Museu Egípcio do Cairo, Diana teve um dos momentos mais emocionantes de sua visita. Ela conferiu de perto os tesouros da Câmara Mortuária do faraó Tutancâmon, incluindo a belíssima máscara de ouro de 11 quilos que reproduzia a face do "rei-menino" que morreu aos 19 anos
www.instagram.com
.
Dizem aqueles que a acompanhavam que Diana ficou longos minutos em silêncio diante da máscara dourada, como se contemplasse não apenas uma relíquia arqueológica, mas a fragilidade da vida e a efemeridade da glória. Ela, que também fora uma jovem colocada prematuramente nos holofotes, talvez tenha se identificado com o faraó adolescente.
Luxor e o Templo de Ísis
Em 13 de maio, terceiro dia de sua turnê, Diana visitou o Templo de Ísis em Assuã, no sul do Egito
www.pinterest.com
. Ísis, a deusa egípcia da maternidade, da magia e da cura, era representada como uma mulher de braços abertos, pronta para acolher. Não é difícil imaginar que Diana, em sua jornada de autodescoberta, tenha sentido alguma conexão espiritual com essa divindade feminina poderosa.
A princesa também explorou o complexo templo de Luxor, maravilhando-se com as colunas monumentais e os hieróglifos que contavam histórias de deuses e faraós
www.alamy.com
.
Durante toda a viagem, Diana mostrou-se interessada, atenta, presente. Longe de Charles, longe das obrigações reais sufocantes, ela parecia florescer.

IV. O PREÇO DA LIBERDADE

Mas a realidade não poderia ser adiada para sempre.
Em dezembro de 1992, apenas sete meses após a visita ao Egito, Diana e Charles anunciaram oficialmente sua separação
www.instagram.com
. O palácio divulgou um comunicado seco e formal, mas o mundo já sabia: o "conto de fadas" havia terminado.
Para Diana, no entanto, a separação não foi apenas uma tragédia. Foi também uma libertação.
Quatro anos depois, em 28 de agosto de 1996, veio o divórcio definitivo
www.instagram.com
. Diana perdeu o título de "Sua Alteza Real", mas ganhou algo muito mais valioso: a liberdade para ser quem realmente era.
Longe das amarras do protocolo real, ela pôde se dedicar às causas que realmente lhe importavam — a campanha contra as minas terrestres, o apoio a pacientes com AIDS, o trabalho humanitário que a consagraria como a "Princesa do Povo".

V. KENT GAVIN E O LEGADO DAS IMAGENS

Kent Gavin, o fotógrafo que convenceu Diana a posar como "a oitava maravilha", foi muito mais do que um simples cronista visual. Ele foi um confidente, um amigo, alguém que capturou a princesa em momentos de autenticidade rara
honey.nine.com.au
.
Em entrevistas anos depois, Gavin revelou que a foto das pirâmides foi um de seus momentos mais "divertidos" com Diana, lembrando do humor e da leveza dela naquele dia, mesmo sabendo das turbulências que enfrentava em sua vida pessoal
www.news24.com
www.express.co.uk
.
"Madame, as pirâmides são uma das sete maravilhas do mundo e você é a oitava", disse ele. E, de certa forma, não estava errado.
Diana foi, sim, uma maravilha à sua maneira. Não pela perfeição — ela era gloriosamente imperfeita —, mas por sua capacidade de se conectar com as pessoas, de demonstrar vulnerabilidade, de transformar dor em compaixão.

VI. ENTRE AREIA E ETERNIDADE

Hoje, mais de três décadas depois, a fotografia de Diana entre as pirâmides permanece como um testemunho poderoso de um momento de transição.
Ali estava ela: uma mulher de 30 anos, no auge de sua beleza, mas carregando o peso de um casamento desfeito, de uma instituição que a sufocava, de um futuro incerto.
E, no entanto, ela sorria.
As pirâmides de Gizé permanecem de pé há mais de 4.500 anos. Testemunharam impérios ascenderem e caírem, deuses serem adorados e esquecidos, gerações inteiras nascerem e morrerem. E, em maio de 1992, testemunharam também uma princesa em busca de si mesma.
Diana morreu em 31 de agosto de 1997, em um trágico acidente no túnel da Ponte Alma, em Paris. Tinha apenas 36 anos. Mas seu legado permanece — assim como as pirâmides que ela contemplou com tanto espanto.
Kent Gavin, ao chamá-la de "a oitava maravilha", talvez não soubesse quão profética seria sua frase. Porque maravilhas não são apenas estruturas de pedra. São também pessoas que tocam corações, que inspiram gerações, que deixam o mundo um pouco melhor do que o encontraram.
Diana foi isso e muito mais.

VII. CONCLUSÃO: A MARAVILHA EFÊMERA E ETERNA

Há uma ironia poética na imagem de Diana entre as pirâmides.
De um lado, a permanência: as pirâmides, construídas para durar a eternidade, feitas de pedra, resistentes ao tempo e à erosão.
Do outro, a efemeridade: Diana, feita de carne e osso, frágil, mortal, mas capaz de deixar uma marca tão profunda quanto qualquer monumento de pedra.
As pirâmides foram construídas por faraós que queriam ser lembrados para sempre. E, de certa forma, conseguiram. Mas quantas pessoas, hoje, olham para as pirâmides e pensam em Quéops, Quéfren ou Miquerinos?
Agora, quantas pessoas olham para a foto de Diana entre as pirâmides e sentem o coração apertar de saudade?
Essa é a verdadeira maravilha. Não a pedra, mas a memória. Não o monumento, mas o significado.
Diana, a oitava maravilha do mundo, continua viva — nos corações que tocou, nas causas que abraçou, nas lágrimas que enxugou, nos sorrisos que inspirou.
E enquanto houver alguém que olhe para aquela fotografia de maio de 1992 e sinta emoção, Diana continuará de pé.
Tão eterna quanto as pirâmides.

Fontes e Referências:
shop.memorylane.co.uk
Memory Lane Prints. "Princess Diana in Egypt Print - 12th May, 1992". Kent Gavin/Mirrorpix.
shop.memorylane.co.uk
Getty Images. "Diana, Princess of Wales visits the pyramids on the Giza Plateau in Egypt, 12th May 1992".
www.gettyimages.com
Getty Images. "She is wearing a cream suit by Catherine Walker".
www.gettyimages.ie
Kent Gavin/Mirrorpix/Getty Images. "The Princess of Wales, Princess Diana, in Egypt. Picture at the Pyramids in Giza".
www.gettyimages.com
Getty Images. "Princess Diana of Wales visits the great pyramid of Giza, 15kms from Cairo, 12 May 1992".
www.express.co.uk
Express.co.uk. "Princess Diana persuaded to pose for iconic pyramid snap by sweet". 2021.
www.news24.com
News24. "EXCLUSIVE | Never-before-heard stories behind the most famous photographs of Princess Diana". 2021.
honey.nine.com.au
Nine.com.au. "Princess Diana and her relationship with photographer Kent Gavin". 2022.
www.alamy.com
Alamy. "Princess Diana of Wales, on a visit to Egypt in 1992, goes sightseeing at the Pyramids of Giza".
fr.pinterest.com
Pinterest. "Princess Diana toured the pyramids and the Sphinx at Giza, on May 12, 1992, near Cairo, pronouncing them 'breathtaking.' She asked questions". 2019.
www.instagram.com
Instagram. "In May 1992, Princess Diana visited Egypt as part of a solo royal tour of the Middle East, just months before her separation from Prince". 2025.
www.instagram.com
Instagram. "In May of 1992, the Princess of Wales went on a solo five-day tour of Egypt; on the 12th, the Princess visited the Giza pyramid complex". 2022.
www.pinterest.com
Twitter via Pinterest. "13 May 1992: Princess Diana visiting the Temple of Isis in Aswan, Egypt on the third day of her five-day solo Tour of Egypt". 2022.
www.instagram.com
Instagram. "It was in March 1992 that Princess Diana visited Egypt. She toured the pyramids of Giza, visited the Egyptian Museum in Cairo". 2020.
www.instagram.com
Instagram. "Princess Diana's solo visit to the Taj Mahal in 1992 is famously linked to the unraveling of her marriage to Prince Charles". 2026.
www.thetimes.com
The Times. "The Princess of Wales was shown the Great Sphinx and the pyramids of Giza during a solo trip in May 1992, a few months before her separation". 2023.
www.facebook.com
Facebook. "Diana refused to stand in front of the pyramids to take a picture: 'The picture will be boring and I will look ridiculous.' The photographer said:".
www.threads.com
Threads. "Diana refused to stand in front of the pyramids to take a picture: 'The picture will be boring and I will look ridiculous.' The photographer said: 'Madam, the pyramids are one of the 7 wonders of the world and you are the 8th. Can we take the picture?' She laughed: 'How can I refuse'". 2024.
www.instagram.com
Instagram. "Princess Diana refused to stand in front of the pyramids for a photo, saying the picture would be boring and she would look ridiculous, but the photographer".
www.express.co.uk
Express.co.uk. "Princess Diana was persuaded to pose for a photograph, after being told she was the 'eighth wonder' of the world". 2021.

Este artigo é dedicado à memória de Diana, Princesa de Gales (1961-1997), que nos ensinou que a verdadeira realeza não está nos títulos, mas na capacidade de amar sem reservas.
#princesadiana #princessdiana #egito #rainhastragicas #royalfamily #familiateal #piramides #Egypt #monarquia #Realeza #ladydiana #dianaspencer #ladydi #dianaprincessofwales




Nenhum comentário:

Postar um comentário