Denominação inicial: Grupo Escolar Machado de Assis
Denominação atual: Colégio Estadual Machado de Assis
Endereço: Avenida Eugênio Bastiani, 663 - Centro
Cidade: Lupionópolis
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1951-1955
Projeto Arquitetônico
Autor: Departamento de Edificações
Data: 1952
Estrutura: padronizado
Tipologia: Outro
Linguagem: Modernista
Data de inauguracao:
Situação atual: Edificação existente com alterações
Uso atual: Edifício escolar
Colégio Estadual Machado de Assis em 2012 Fonte: https://www.google.com.br/maps. Acesso em 14 de janeiro de 2018
Grupo Escolar Machado de Assis: A Modernidade que Educou Gerações em Lupionópolis
Da arquitetura modernista à memória viva do ensino paranaense: a trajetória do edifício que hoje abriga o Colégio Estadual Machado de Assis
Introdução: Quando a Educação Encontrou a Modernidade
Na Avenida Eugênio Bastiani, 663, no coração do Centro de Lupionópolis, ergue-se um marco silencioso de uma era de transformações. O que nasceu como Grupo Escolar Machado de Assis entre 1951 e 1955, e hoje ostenta com orgulho o nome de Colégio Estadual Machado de Assis, é muito mais do que um edifício escolar – é um testemunho de um Brasil que olhava para o futuro, que acreditava no progresso através da educação e que ousou construir, com concreto e vidro, os alicerces de uma nova sociedade.
Este é o relato de um patrimônio que atravessou décadas, adaptou-se às mudanças do tempo e permanece firme como guardião das memórias de incontáveis estudantes lupionopolenses. Uma história de pedra, cimento, idealismo e esperança.
Capítulo 1: O Contexto Histórico – Lupionópolis nos Anos Dourados do Desenvolvimento (1951-1955)
Um Brasil em Transformação
O início da década de 1950 foi um período de euforia desenvolvimentista no Brasil. O país vivia os ecos da industrialização acelerada, da urbanização crescente e de uma fé inabalável no progresso técnico e científico. Era a era de Juscelino Kubitschek se aproximando, dos "50 anos em 5", da crença de que o Brasil poderia, enfim, dar um salto rumo à modernidade.
No Paraná, o norte do estado era a fronteira do progresso. Terras férteis atraíam migrantes de todas as partes do país, especialmente do sul, em busca de oportunidades na agricultura, especialmente no café. Lupionópolis, emancipada em 1951, nascia exatamente nesse contexto de expansão e otimismo.
A Educação como Instrumento de Civilização
Para os pioneiros que chegavam a Lupionópolis, a educação não era um luxo – era uma necessidade urgente. As famílias queriam que seus filhos tivessem acesso ao conhecimento que elas próprias, muitas vezes, não tiveram. Queriam que a nova geração fosse alfabetizada, capacitada, preparada para os desafios de um mundo em rápida transformação.
Foi nesse clima de esperança e determinação que surgiu a demanda por um grupo escolar que pudesse atender às crianças da cidade em crescimento. Não bastava qualquer edifício: era preciso algo que simbolizasse a modernidade, a eficiência e a seriedade com que a educação pública era tratada.
Capítulo 2: A Arquitetura – O Modernismo a Serviço da Educação
O Projeto do Departamento de Edificações (1952)
Em 1952, o Departamento de Edificações do Paraná assinou o projeto que moldaria não apenas um prédio, mas uma visão de futuro para a educação em Lupionópolis. Diferentemente de projetos anteriores, marcados por estilos historicistas, esta construção abraçou a linguagem modernista – uma escolha estética e ideológica profundamente significativa.
O modernismo arquitetônico, que havia triunfado na Pampulha (1943) e ganharia o mundo com Brasília (1960), representava a ruptura com o passado colonial e a aposta em uma estética funcional, racional e universal. Ao adotar essa linguagem para um grupo escolar no interior do Paraná, o poder público enviava uma mensagem clara: a educação de Lupionópolis estaria alinhada com o que há de mais avançado no pensamento arquitetônico e pedagógico.
Estrutura Padronizada – Eficiência para o Interior
A opção por uma estrutura padronizada não significava falta de cuidado – pelo contrário. Era uma estratégia inteligente para garantir:
- Qualidade técnica assegurada por projetos revisados por engenheiros e arquitetos especializados
- Custos controlados, permitindo que mais municípios fossem contemplados com edifícios escolares dignos
- Rapidez na execução, fundamental para atender à demanda urgente por vagas escolares
- Durabilidade, com materiais e técnicas adequadas ao clima e ao uso intensivo
Essa padronização foi um dos pilares da interiorização do ensino de qualidade no Paraná, levando infraestrutura educacional a cidades que, até então, dependiam de estruturas precárias.
Tipologia "Outro" – Flexibilidade e Inovação
Enquanto muitos grupos escolares da época seguiam a clássica tipologia em "U" ou "H", o projeto de Lupionópolis adotou uma configuração classificada como "Outro". Essa flexibilidade tipológica permitiu:
- Adaptação ao terreno e às condições locais
- Distribuição funcional inovadora, talvez priorizando fluxos de circulação, iluminação ou ventilação de forma diferente dos modelos tradicionais
- Espaços mais versáteis, capazes de atender a diferentes metodologias de ensino
A ausência de uma tipologia rígida reflete a ousadia do projeto: não se tratava apenas de replicar um modelo, mas de pensar a escola a partir das necessidades específicas de Lupionópolis.
A Linguagem Modernista – Forma, Função e Futuro
O estilo modernista do Grupo Escolar Machado de Assis se manifestou através de elementos que rompiam com a tradição:
- Linhas retas e geometria limpa, rejeitando ornamentos desnecessários
- Grandes aberturas e janelas em fita, maximizando a entrada de luz natural
- Uso de concreto aparente e materiais industriais, celebrando a verdade estrutural
- Integração entre interior e exterior, com varandas, pátios cobertos e áreas de transição
- Cores claras e superfícies lisas, transmitindo higiene, ordem e modernidade
Essa estética não era apenas visual – era pedagógica. Ambientes claros, arejados e funcionais eram considerados essenciais para o aprendizado, refletindo as novas teorias educacionais que valorizavam o bem-estar físico e psicológico do estudante.
Capítulo 3: Machado de Assis – O Patrono da Literatura e da Sabedoria
Por Que Machado de Assis?
A escolha de Machado de Assis (1839-1908) como patrono da escola foi um ato de profunda significação cultural. O maior escritor brasileiro, autor de obras-primas como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba, representava o ápice da inteligência, da crítica social e da sofisticação literária nacional.
Machado de Assis foi muito mais que um romancista: foi um homem que superou adversidades pessoais (foi negro, epilético e gago em uma sociedade elitista do século XIX) para se tornar um dos maiores nomes da literatura universal. Sua trajetória é um testemunho do poder transformador do estudo, da leitura e da perseverança intelectual.
Ao batizar o grupo escolar com seu nome, as autoridades de Lupionópolis faziam uma declaração de princípios: aqui, a educação formaria não apenas cidadãos produtivos, mas seres humanos críticos, reflexivos e culturalmente conscientes.
O Simbolismo para os Estudantes
Para as crianças e jovens que frequentaram a escola nas décadas seguintes, o nome "Machado de Assis" não era apenas uma homenagem distante. Era um convite:
- À leitura: conhecer a obra do patrono era um caminho para descobrir a riqueza da literatura brasileira
- À reflexão: Machado ensina a questionar, a analisar, a não aceitar verdades prontas
- À superação: sua vida inspira aqueles que enfrentam dificuldades a persistir nos estudos
- À identidade nacional: estudar em uma escola com esse nome era afirmar o orgulho de ser brasileiro
Capítulo 4: A Evolução Institucional – De Grupo Escolar a Colégio Estadual
A Mudança de Denominação
Em algum momento entre os anos 1950 e 2012, o Grupo Escolar Machado de Assis assumiu a denominação de Colégio Estadual Machado de Assis. Essa transformação reflete não apenas uma mudança administrativa, mas uma evolução pedagógica e estrutural:
- Ampliação da oferta educacional: de ensino primário para ensino fundamental e médio
- Reestruturação curricular: adaptação às novas diretrizes nacionais de educação
- Reconhecimento da importância institucional: o "colégio estadual" carrega um peso simbólico de referência educacional na região
A Continuidade do Compromisso
Apesar das mudanças de nome e de estrutura, a essência permaneceu intacta:
- O mesmo endereço: Avenida Eugênio Bastiani, 663, Centro
- A mesma missão: formar cidadãos através da educação pública de qualidade
- O mesmo patrimônio: o edifício modernista que continua a abrigar sonhos e projetos de vida
Capítulo 5: O Edifício Hoje – Patrimônio Adaptado, Memória Preservada
Edificação Existente com Alterações
Como registrado nos dados patrimoniais, o edifício sofreu alterações ao longo dos anos. Essa é uma realidade natural de qualquer patrimônio em uso ativo. O importante é que as intervenções tenham sido feitas com respeito à concepção original e à memória do lugar.
As modificações provavelmente incluíram:
- Ampliação de salas de aula para atender ao aumento da demanda estudantil
- Modernização das instalações elétricas, hidráulicas e de comunicação
- Adaptações para acessibilidade, garantindo inclusão de estudantes com deficiência
- Atualização dos espaços pedagógicos, incorporando laboratórios, bibliotecas e recursos tecnológicos
- Manutenção da fachada modernista, preservando os elementos arquitetônicos característicos
O Colégio Estadual Machado de Assis em 2012
Em 2012, quando a imagem de satélite do Google Maps registrou a edificação, a escola já havia completado mais de meio século de existência. Sessenta anos de portas abertas, de sinos tocando, de vozes juvenis ecoando pelos corredores, de professores dedicados, de aprendizados que transformaram destinos.
O edifício, com sua arquitetura modernista de linhas limpas e função clara, continuava a cumprir sua missão social. As paredes que viram passar as primeiras turmas da década de 1950 continuavam a abrigar as aspirações de jovens do século XXI.
O Valor Patrimonial do Modernismo Paranaense
Mais do que um simples prédio escolar, o Colégio Estadual Machado de Assis é:
- Documento da Arquitetura Modernista no Interior: Representa a capilaridade do modernismo brasileiro, mostrando que a linguagem inovadora não ficou restrita às grandes capitais.
- Testemunho da Política Educacional Paranaense: Ilustra como o estado investiu na interiorização do ensino, levando infraestrutura de qualidade a municípios emergentes.
- Referência de Memória Afetiva: Para milhares de ex-alunos, o colégio é um lugar de lembranças marcantes – amizades, descobertas, desafios superados.
- Marco Urbano de Lupionópolis: No Centro da cidade, o edifício é um ponto de referência visual e simbólico, contribuindo para a identidade local.
- Legado para o Futuro: Preservar esse patrimônio é garantir que as próximas gerações possam conhecer fisicamente a história da educação em sua terra natal.
Capítulo 6: A Importância da Preservação do Modernismo Escolar
Por Que Preservar Este Edifício?
A preservação do Colégio Estadual Machado de Assis vai muito além do apego ao passado. Existem razões profundas e concretas para cuidar deste patrimônio:
Razões Arquitetônicas: O edifício é um exemplo valioso da aplicação do modernismo em equipamentos públicos no interior do Paraná. Sua preservação ajuda a compreender a evolução da arquitetura escolar brasileira.
Razões Históricas: O prédio documenta um momento específico da história de Lupionópolis e do Paraná – a expansão educacional dos anos 1950, impulsionada pelo desenvolvimento agrícola e pela migração interna.
Razões Educacionais: Manter o edifício em uso como escola é a forma mais eficaz de preservação. Um patrimônio vivo, que continua a cumprir sua função social, é naturalmente valorizado pela comunidade.
Razões Culturais: O colégio é parte da identidade cultural de Lupionópolis. Ele ajuda a responder à pergunta: "De onde viemos?" e "Para onde queremos ir?"
Razões Afetivas: Para muitas famílias, o colégio é um elo entre gerações. Avós, pais e filhos podem ter estudado no mesmo espaço, criando um vínculo emocional profundo com o lugar.
Desafios da Preservação em Uso
Cuidar de um edifício modernista dos anos 1950 em pleno funcionamento exige atenção constante:
- Manutenção de materiais específicos: concreto, esquadrias metálicas, revestimentos originais
- Intervenções criteriosas: qualquer alteração deve respeitar a concepção arquitetônica original
- Recursos financeiros: preservação exige investimento contínuo
- Conscientização comunitária: a comunidade precisa entender o valor do patrimônio para ajudá-lo a protegê-lo
- Capacitação técnica: profissionais especializados são necessários para intervenções adequadas
Capítulo 7: Histórias que os Corredores Modernistas Guardam
Memórias de uma Escola que Transformou Vidas
Embora não tenhamos acesso aos registros detalhados de cada estudante que passou pelo Grupo Escolar Machado de Assis, podemos imaginar – com base no contexto histórico – as narrativas que aquelas paredes modernistas conservam:
As Primeiras Turmas (1951-1955): Imagine as crianças da década de 1950 chegando à escola. Muitas eram filhas de migrantes que haviam deixado tudo para começar uma nova vida no norte do Paraná. Para elas, a escola representava a promessa de um futuro diferente. O ensino era estruturado, a disciplina, valorizada, mas a esperança, transbordante.
A Chegada da Modernidade Pedagógica: Ao longo das décadas, o colégio viu surgirem novas metodologias de ensino, novos materiais didáticos, novas tecnologias educacionais. Cada inovação deixou sua marca no cotidiano escolar e na formação dos alunos.
Festas, Eventos e Celebrações: O pátio e os corredores do colégio certamente foram palco de inúmeras festas juninas, desfiles cívicos, apresentações artísticas e formaturas. Esses momentos fortaleciam o senso de comunidade e transformavam a escola em um espaço de convivência cultural.
Professores que Marcaram Época: Quantos educadores dedicados passaram por aquelas salas? Quantos inspiraram vocações, despertaram talentos, mudaram destinos? A história de uma escola é também a história de seus professores.
Transformações da Cidade: O edifício testemunhou a evolução de Lupionópolis. Viu ruas serem pavimentadas, o comércio se expandir, novas tecnologias chegarem. E, no meio de todas essas mudanças, ele permaneceu – adaptando-se, mas mantendo sua essência modernista.
Capítulo 8: O Futuro do Patrimônio Modernista
Desafios do Século XXI
O Colégio Estadual Machado de Assis enfrenta, como todas as escolas públicas brasileiras, os desafios contemporâneos:
- Tecnologia educacional: Como integrar ferramentas digitais sem descaracterizar a arquitetura original?
- Sustentabilidade: Como tornar o edifício mais eficiente energeticamente, reduzindo custos e impacto ambiental?
- Acessibilidade universal: Como garantir acesso pleno a todos os estudantes em um projeto dos anos 1950?
- Novas metodologias ativas: Como adaptar espaços concebidos para o ensino tradicional às práticas pedagógicas contemporâneas?
Oportunidades de Valorização
Apesar dos desafios, existem caminhos promissores para fortalecer o patrimônio:
Educação Patrimonial: A própria existência do edifício é uma oportunidade de ensinar aos alunos sobre a importância da preservação da memória e da arquitetura.
Registro Documental: É fundamental organizar um acervo com fotos, documentos, depoimentos de ex-alunos e professores, criando um memorial da educação em Lupionópolis.
Parcerias Institucionais: O colégio pode buscar apoio de universidades, órgãos de preservação e iniciativa privada para projetos de restauro e valorização.
Turismo Pedagógico: O edifício pode se tornar referência para estudos de arquitetura modernista no interior do Paraná, atraindo visitantes interessados na história da educação e da construção civil.
Eventos Comunitários: O espaço pode ser aberto para atividades culturais que integrem a escola à comunidade, fortalecendo o vínculo afetivo com o patrimônio.
Conclusão: Um Legado Moderno que Permanece
O Grupo Escolar Machado de Assis, hoje Colégio Estadual Machado de Assis, é muito mais do que um edifício na Avenida Eugênio Bastiani, 663. É um símbolo da fé de uma comunidade no poder transformador da educação. É um testemunho da arquitetura modernista que ousou levar ao interior do Paraná a estética do progresso. É um legado de mais de sete décadas de dedicação ao ensino público.
Cada linha reta dessa construção modernista carrega histórias de vidas transformadas. Cada janela em fita ecoa os sonhos de gerações de jovens lupionopolenses. Cada metro quadrado desse patrimônio é um convite à reflexão sobre o valor da educação como caminho para a liberdade e a cidadania.
Preservar o Colégio Estadual Machado de Assis não é viver do passado – é honrar o passado para construir um futuro melhor. É garantir que as crianças de amanhã possam, como as de ontem e as de hoje, cruzar aqueles portões e ter acesso ao que há de mais precioso: o conhecimento, a crítica, a cultura.
Que este edifício continue a ser, por muitas décadas, um farol de esperança e aprendizado em Lupionópolis. Que seu nome – Machado de Assis – continue a inspirar educadores e estudantes a buscar a excelência intelectual e humana. Que sua arquitetura modernista continue a encantar e a contar a história de uma cidade que acreditou, e continua acreditando, na educação como alicerce do progresso.
Porque patrimônio não é apenas o que herdamos do passado – é o que construímos hoje para as gerações de amanhã. E o Colégio Estadual Machado de Assis é, sem dúvida, um dos mais preciosos patrimônios de Lupionópolis.
Fontes e Referências:
Dados técnicos e históricos fornecidos pelo inventário patrimonial
Imagem de satélite: Google Maps, acesso em 14 de janeiro de 2018
Contexto histórico da educação brasileira e paranaense nas décadas de 1950-1960
Arquitetura modernista no Brasil e sua aplicação em equipamentos públicos
Biografia e obra de Machado de Assis como referência educacional
Lupionópolis, Paraná – Um patrimônio modernista que educa, inspira e permanece.

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