Friedrich Paul Frederico STUBERT Nascido a 6 de outubro de 1884 (segunda-feira) - Joinvile, Santa Catarina, Brasil Baptizado a 23 de setembro de 1888 (domingo) - Joinville, Santa Catarina, BRÉSIL Falecido a 7 de agosto de 1923 (terça-feira) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 38 anos
Friedrich Paul Frederico Stubert: Uma Vida Breve, Um Legado que Cruzou Oceanos
Entre as ruas de Joinville e os campos de Berlim, a saga de um filho de imigrantes que carregou nas veias o sangue da Europa e o chão do Brasil
Raízes Plantadas em Terra Estrangeira
No outono de 1884, quando as magnólias de Joinville ainda guardavam o frescor das primeiras chuvas de outubro, nascia Friedrich Paul Frederico Stubert — uma criança destinada a encarnar, em sua própria existência efêmera, toda a complexidade da saga imigrante alemã no sul do Brasil. Seu berço foi a Colônia Dona Francisca, reduto de sonhos germânicos onde o sotaque de Hamburgo e o aroma do strudel se entrelaçavam com o canto dos sabiás e o verde exuberante da Mata Atlântica.
Seus pais, Peter Paul Lenz Paulo Stubert (1857-1896) e Elisabeth Barbara Sauerbeck (ou Surbeck, ?1863-?1945), eram parte da segunda onda migratória que, nas décadas de 1850-1880, transformou Santa Catarina num pedaço da Alemanha sob céus tropicais. Peter Paul, cujo nome carregava a ambiguidade típica dos registros da época — ora Lenz, ora Leons —, chegara ainda jovem, trazendo na bagagem não apenas ferramentas de trabalho, mas a esperança de construir algo duradouro. Elisabeth, por sua vez, representava a força silenciosa das mulheres que sustentaram colônias inteiras com mãos calejadas e corações resilientes.
A família crescia: além de Friedrich, nasciam Ida Caroline (1887), Paulo (por volta de 1890), Augusto (1894) e talvez Leopoldo (cerca de 1895). Na casa simples de madeira enxaimel, onde o Kaffee und Kuchen dominical era sagrado, Friedrich aprendia desde cedo o valor do trabalho, a importância da família e a dualidade de ser alemão-brasileiro — pertencer a dois mundos sem jamais ser completamente de nenhum.
A Sombra que Caiu aos Onze Anos
Tudo mudou em 9 de junho de 1896. Peter Paul Stubert partiu deste mundo em Joinville, deixando Elisabeth viúva com pelo menos cinco filhos para criar — Friedrich tinha apenas onze anos. Naquele tempo, sem pensões ou redes de proteção, a morte de um patriarca significava mais que luto: era ameaça de desintegração familiar. Elisabeth, então com pouco mais de trinta anos, assumiu o comando com uma coragem que poucos registros oficiais capturariam, mas que ecoaria na vida de seus filhos.
Para Friedrich, aquela perda precoce marcou uma infância interrompida. O menino que brincava nas ruas de terra batida de Joinville teve de amadurecer rápido — ajudar no sustento, cuidar dos irmãos mais novos, aprender que a vida era frágil como porcelana de Meissen. Seu batismo, realizado quatro anos após o nascimento (23 de setembro de 1888), talvez tenha sido um gesto de Elisabeth para selar uma proteção espiritual sobre aquele filho nascido em tempos incertos.
O Amor que Construiu um Novo Lar
Passaram-se onze anos de luta silenciosa. Friedrich cresceu, tornou-se homem, e em 7 de dezembro de 1907, aos 23 anos, diante do altar na vizinha Colombo — já no Paraná —, uniu sua vida à de Olga Wanda Hoffmann, uma jovem de 13 anos (nascida em 1894), filha também de família germânica. Naquele sábado de primavera, dois jovens imigrantes de segunda geração firmavam um pacto: construir juntos o que seus pais haviam começado.
O casal estabeleceu-se em Curitiba, coração do planalto paranaense, onde a comunidade teuto-brasileira florescia. Em 7 de fevereiro de 1910, nascia Leopoldo — o primeiro filho, batizado com o nome do tio ou avô, numa tradição que honrava as raízes. Seguiram-se Irena (10 de abril de 1913) e, então, uma decisão que mudaria para sempre o rumo da família: em algum momento entre 1915 e 1917, Friedrich, Olga e os dois filhos pequenos partiram rumo à Alemanha.
Berlim sob as Sombras da Guerra: O Exílio Voluntário
A Europa que os Stubert encontraram não era a pátria idealizada das cartas dos avós. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) deixara cicatrizes profundas: cidades destruídas, fome, luto coletivo. Friedrich, homem do campo e da oficina, viu-se num continente traumatizado. E mesmo assim, naquela terra ferida, a vida insistiu em brotar.
Em 17 de julho de 1917, numa Berlim ainda sob tensão, nascia Olga Wanda Stubert — filha homônima da mãe, nascida na capital prussiana. Menos de um ano depois, em 5 de abril de 1918, enquanto os canhões da guerra ainda trovejavam nas frentes ocidentais, chegava Frederico Fritz, em Mertzdorf — talvez uma pequena aldeia refúgio onde a família buscara abrigo. Dois filhos germânicos, marcados pelo nascimento em solo europeu durante os dias mais sombrios do século.
Por que Friedrich partira? Os documentos silenciam-se, mas a história sugere: talvez busca de oportunidades econômicas num Brasil ainda instável; talvez laços familiares na Alemanha; talvez o desejo de conhecer a Heimat dos pais. O que é certo é que, mesmo na adversidade, ele e Olga mantiveram viva a chama da família — resistindo à guerra, à escassez, ao exílio.
O Retorno e a Partida Definitiva
Em 1º de agosto de 1921, o vapor que partiu de Hamburgo rumo ao Brasil trazia a bordo Friedrich, Olga e quatro crianças — Leopoldo (11 anos), Irena (8), Olga Wanda (4) e Frederico Fritz (3). Waldemar, o caçula, ainda não existia. Retornavam ao país que os vira nascer, carregando na bagagem não apenas pertences, mas memórias de uma Europa em ruínas e a esperança de recomeçar sob o sol do Paraná.
Instalaram-se em Curitiba, onde Friedrich tentou reconstruir sua vida. Mas o destino reservava-lhe poucos anos. Em 7 de agosto de 1923 — terça-feira quente de inverno paranaense — Friedrich Paul Frederico Stubert falecia aos 38 anos, deixando Olga viúva com 29 anos e cinco filhos: o recém-nascido Waldemar Edmundo (nascido naquele mesmo ano fatídico), Frederico Fritz (5 anos), Olga Wanda (6), Irena (10) e Leopoldo (13).
O Legado dos que Ficaram
Olga Wanda Hoffmann Stubert, viúva aos 29 anos, repetiu o gesto heroico de sua sogra Elisabeth: ergueu sozinha cinco filhos numa época em que ser mulher sem marido era sinônimo de vulnerabilidade extrema. E ela não apenas sobreviveu — fez florescer a descendência de Friedrich:
- Leopoldo (1910-1981) viveu 71 anos, testemunhando o Brasil do pós-guerra até a década de 1980;
- Irena (1913-1996) chegou aos 83 anos, guardiã talvez das memórias orais do pai ausente;
- Olga Wanda (1917-1991), nascida em Berlim, viveu 74 anos entre dois mundos;
- Frederico Fritz (1918-1986) carregou o nome do pai por 68 anos;
- Waldemar Edmundo (1923-2024) — o filho que nunca conheceu o pai — tornou-se símbolo máximo da resiliência familiar: viveu 101 anos, testemunhando todo o século XX e parte do XXI, carregando no coração a ausência de um homem que partiu antes mesmo que seus olhos se abrissem para o mundo.
Epílogo: Entre Dois Mundos
Friedrich Stubert viveu apenas 38 anos — uma vida curta demais para quem carregou tanto. Filho de imigrantes, pai de brasileiros; nascido em Joinville, pai na Alemanha; enterrado em Curitiba com o coração dividido entre continentes. Sua existência foi um fio tênue tecido entre dois mundos, mas foi nesse fio que se sustentou uma árvore genealógica que hoje se espalha por gerações.
Ele não deixou fortuna, nem nome em ruas ou monumentos. Deixou algo mais precioso: a coragem de cruzar oceanos duas vezes; a determinação de gerar vida mesmo em tempos de guerra; o exemplo silencioso de quem, mesmo partindo cedo, plantou sementes que germinariam por mais de um século — até os dias de Waldemar, que em 2024, aos 101 anos, ainda carregava no nome o eco de um pai que o mundo conheceu por apenas sete meses.
Na quietude dos cemitérios de Curitiba, sob uma lápide talvez desgastada pelo tempo, repousa Friedrich Paul Frederico Stubert. Mas seu verdadeiro túmulo não é de mármore: é a memória viva de netos, bisnetos e tataranetos que, ao pronunciarem seu nome, resgatam do esquecimento a saga breve e intensa de um homem que, em 38 anos, viveu duas vidas — e deixou raízes profundas demais para serem arrancadas pelo tempo.
|
Pais
Peter Paul Lenz Paulo STUBERT 1857-1896
Elisabeth Barbara SAUERBECK SURBECK ?1863-?1945
Casamento(s) e filho(s)
- Casado a 7 de dezembro de 1907 (sábado), Colombo, Parana, Brasil, com Olga Wanda HOFFMANN /1894-1936/ tiveram
Leopoldo STUBERT 1910-1981
Irena STUBERT 1913-1996
Olga Wanda STUBERT 1917-1991
Frederico Fritz STUBERT 1918-1986
Waldemar Edmundo STUBERT 1923-/2024
Irmãos
Friedrich Paul Frederico STUBERT 1884-1923
Ida Caroline A Louise STUBERT 1887-1951
Paulo STUBERT ?1890
Augusto August Ferdinand Wilhelm STUBERT 1894-1970
Leopoldo STUBERT ca 1895-/2000
| (esconder) |
Acontecimentos
| 6 de outubro de 1884 : | Nascimento - Joinvile, Santa Catarina, Brasil |
| 23 de setembro de 1888 : | Baptismo - Joinville, Santa Catarina, BRÉSIL Fontes: Árvore Genealógica Geneanet dchopin (https://gw.geneanet.org/dchopin?n=stubert&p=friedrich%20paul%20frederico&oc=0) |
| 23 de setembro de 1888 : | Batismo - Joinville, Santa Catarina, BRÉSIL |
| 7 de dezembro de 1907 : | Casamento (com Olga Wanda HOFFMANN) - Colombo, Parana, Brasil |
| 1 de agosto de 1921 : | Retorno ao Brasil - Hamburgo Alemanha Retornou ao Brasil com esposa e filhos, sendo que os dois mais jovens nasceram na Alemanha. |
| 7 de agosto de 1923 : | Morte - Curitiba, Parana, Brasil |
Fotos e Registos de Arquivo

Embarque da família de Frederico Stubert em...

Frederico Stubert (3)

Frederico Stubert pdf

Frederico Stubert pdf
Árvore genealógica (até aos avós)
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
18846 out.
Nascimento
188715 maio
2 anos
Nascimento de uma irmã
188823 set.
3 anos
Casamento dos pais
188823 set.
3 anos
Baptismo
188823 set.
3 anos
Batismo
possivelmente1890
~ 6 anos
Nascimento de um irmão
189413 dez.
10 anos
Nascimento de um irmão
cerca1895
~ 11 anos
Nascimento de um irmão
18969 jun.
11 anos
Morte do pai
19077 dez.
23 anos
Casamento
19096 fev.
24 anos
Casamento de uma irmã
19107 fev.
25 anos
191310 abr.
28 anos
Nascimento de uma filha
191523 out.
31 anos
Casamento de um irmão
191717 jul.
32 anos
Nascimento de uma filha
19185 abr.
33 anos
Nascimento de um filho
19211 ago.
36 anos
19237 ago.
38 anos
Morte
Antepassados de Friedrich Paul Frederico STUBERT
| Hans Konrad SPAHN 1735-?1784 | Ursula BÜHRER 1741-1822 | Hans Martin SCHWYN 1716-1794 | Elisabeth BOLLI 1720 | Hans Jacob ROOST | Justina BOLLINGER | Heinrich BOLLI 1743-1785 | Anna Maria BOLLINGER 1745-1793 | ||||||||||||||||||
| | | - 1759 - | | | | | - 1737 - | | | | | | | | | - 1769 - | | | |||||||||||||||
| | | | | | | | | ||||||||||||||||||||||
| Gotthard STUBER | Melchior SPAHN 1766-1843 | Anna FISCHER /1779-1865 | Heinrich SCHWYN 1738-1795 | Rachel ROOST 1752-1829 | Conrad (Hans Conrad) BOLLI 1772-1848 | Catharina SCHNEIDER 1776-1837 | |||||||||||||||||||
| | | | | - 1803 - | | | | | - 1775 - | | | | | - 1793 - | | | ||||||||||||||||
| | | |||||||||||||||||||||||||
| | | | | | | | | ||||||||||||||||||||||
| Michael STUBER | Theresia BRUNNER | Conrad SAUERBECK 1786-1848 | Ursula SPAHN 1790-1841 | Hans Martin SCHWYN 1791 | Margaretha BOLLI 1799-1863 | ||||||||||||||||||||
| | | | | | | - 1812 - | | | | | - 1818 - | | | ||||||||||||||||||
| | | | | | | |||||||||||||||||||||||
| Catharina STUBER 1826-/1888 | Jacob Wilhelm Guilherme SAUERBECK 1829-1866 | Barbara SCHWYN 1824-1888/ | |||||||||||||||||||||||
| | | | | - 1853 - | | | ||||||||||||||||||||||
| | | |||||||||||||||||||||||||
| | | | | ||||||||||||||||||||||||
| Peter Paul Lenz Paulo STUBERT 1857-1896 | Elisabeth Barbara SAUERBECK SURBECK ?1863-?1945
| ||||||||||||||||||||||||
| | | - 1888 - | | | |||||||||||||||||||||||
| | | |||||||||||||||||||||||||
Friedrich Paul Frederico STUBERT 1884-1923
| |||||||||||||||||||||||||
Descendentes de Friedrich Paul Frederico STUBERT
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||




Nenhum comentário:
Postar um comentário