segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Marie ROSE Chamberedon ( Marie Rose ) Nascida a 25 de setembro de 1832 (terça-feira) - Nîmes, 30000, Gard, Occitanie, FRANCE Faleceu em 13 de novembro de 1914 (sexta-feira) - la levade maison trinille - La Grand Combe, Gard, aos 82 anos de idade. Sem profissão (1854-1891), dona de casa (1894-1902), ama de leite

  Marie ROSE Chamberedon ( Marie Rose )   Nascida a 25 de setembro de 1832 (terça-feira) - Nîmes, 30000, Gard, Occitanie, FRANCE Faleceu em 13 de novembro de 1914 (sexta-feira) - la levade maison trinille - La Grand Combe, Gard, aos 82 anos de idade. Sem profissão (1854-1891), dona de casa (1894-1902), ama de leite

Marie Rose: A Filha das Sombras que Teciu uma Tapeçaria de Vidas

Uma homenagem à mulher que nasceu sem nome e morreu cercada por gerações que carregavam seu sangue
Naquela terça-feira de setembro de 1832, quando o sol se punha sobre Nîmes e as sombras alongavam-se pelas vielas da cidade provençal, uma vida começou nas margens do mundo. Às sete horas da noite, uma criança recém-nascida foi deixada silenciosamente à porta do Hospice d'Humanité — o abrigo que hoje abriga o Lycée Daudet. Não havia berço, nem mãe chorando, nem pai ansioso. Apenas um fardo pequeno envolto em panos, depositado na escuridão como um segredo que alguém não quis carregar. Louis Leque, funcionário municipal que encontrou a menina ao amanhecer, registrou-a na prefeitura com o nome que lhe pareceu mais puro para uma órfã: Marie Rose. Nascera sem família, sem história, sem passado. Mas o destino, teimoso como as oliveiras das Cévennes, reservava-lhe oito décadas para tecer uma existência que desafiaria as circunstâncias de seu nascimento.

As Raízes que Nunca Conheceu: Uma Infância Forjada pelo Acolhimento

Aos quatro dias de vida, Marie Rose foi confiada a um mensageiro que a transportou das ruas de pedra de Nîmes para as montanhas verdes das Cévennes. Por 7 francos e 50 centavos — quantia registrada meticulosamente nos livros do hospício em 12 de outubro —, sua infância foi entregue às mãos de Marie Goulabert, esposa de Antoine Chamboredon, em Mas Devois, Portes. Ali, naquela casa de pedra cercada por vinhas e castanheiros, a menina órfã encontrou o que o sangue não lhe dera: um lar. Em 24 de abril de 1836, aos três anos e meio, foi confiada gratuitamente à sua ama — gesto raro que revela o afeto que já a cercava. Antoine e Marie não apenas a criaram; deram-lhe seu sobrenome, Chamboredon, transformando-a, aos olhos do mundo, em filha legítima daquela família de camponeses das montanhas.
Ela cresceu em Les Treilles, entre o canto dos grilos e o cheiro de pão quente no forno de barro. Aprendeu a fiar lã, a preparar queijo de cabra, a rezar o terço com as velhas da aldeia. Nunca soube quem a gerou — seus pais biológicos permanecem como sombras sem rosto nos registros (SOSA x desconhecido) —, mas carregou consigo, até o fim dos dias, a marca daqueles que a escolheram: os Chamboredon. Quando Marie Goulabert morreu em 1852 e Antoine seguiu-a em 1865, Marie Rose já era mulher. E, mesmo sem sangue em comum, carregava no coração a herança de quem a salvara da indiferença do mundo.

Dois Amores, Duas Famílias: A Maternidade como Ato de Resistência

Em 14 de junho de 1854, aos 21 anos, Marie Rose casou-se com Guilhaume Bruel, um homem quatorze anos mais velho, na pequena igreja de Portes. Começava ali uma jornada que definiria sua existência: a maternidade como ato de coragem em uma época em que cada parto era um risco e cada inverno ameaçava ceifar vidas infantis.
Seu primeiro filho, Henri Auguste, nasceu em 11 de junho de 1855 em Bordezac. Por três anos, Marie Rose embalou aquele menino, ensinou-lhe as primeiras palavras, protegeu-o do frio das montanhas. Mas em 26 de abril de 1858, a morte bateu à porta: Henri Auguste partiu, deixando um vazio que nenhuma oração preencheria. Ainda assim, Marie Rose seguiu. Em 1859, nasceu Marie Alphonsine; por volta de 1861, César; em 1862, Louis — este nascido em Cransac, no Aveyron, talvez durante uma migração temporária da família em busca de trabalho. Em 1864, veio a dor mais silenciosa: um filho natimorto em La Canabière, cujo choro nunca ecoou pelas paredes da casa. E em 1866, Auguste, que sobreviveria para cruzar oceanos e plantar raízes no Brasil.
Enquanto criava esses filhos, Marie Rose trabalhava como ama de leite — ironia profunda para quem fora salva por uma ama. Seu corpo nutria outras crianças enquanto o coração carregava as cicatrizes das perdas. Quando Guilhaume morreu em 1883 em Champoly, Loire, ela já era uma mulher marcada pelas ausências, mas fortalecida pela teimosia da vida.
Poucos anos depois, encontrou novo porto em Louis Verbon (1831-1888). Com ele, aos 37, 39 e 42 anos — idades consideradas avançadas para gestações na época —, deu à luz Antoine Eugène, Aimé Ernest e Marie Angéline. Cada nascimento era um desafio ao tempo e ao destino. Quando Louis faleceu em dezembro de 1888, Marie Rose, agora viúva pela segunda vez, tinha 56 anos e uma prole espalhada pelas montanhas do Gard.

O Nome que Nunca Foi Seu: A Luta por uma Identidade Própria

Nos documentos oficiais, ela era Marie Chamboredon — o nome da família que a acolhera. Mas em seu coração, ela sempre fora Marie Rose, a menina sem passado registrada por um funcionário compassivo. Em 16 de outubro de 1902, aos 70 anos, apresentou um pedido ao tribunal para que seu nome legal fosse alterado, devolvendo-lhe a identidade que lhe fora dada no primeiro ato de humanidade de sua vida. O pedido foi indeferido. A burocracia negou-lhe o direito de ser, até nos papéis, quem sempre soube que era.
Mesmo assim, em 7 de julho de 1888, um juiz em Roanne corrigira a certidão de óbito de Guilhaume Bruel, registrando-a como "Marie Rose" em vez de "Marie Chamboredon". Pequena vitória em uma vida de lutas silenciosas. Ela carregou os dois nomes como carregou suas duas viuvezes: com dignidade quieta, sem dramatismo, mas sem jamais esquecer de onde viera.

As Asas dos Filhos: Entre as Montanhas da França e os Campos do Brasil

Marie Rose testemunhou seus filhos voarem para além das Cévennes. Auguste Bruel, seu filho mais novo com Guilhaume, partiu para o Brasil em 1895 — casou-se com Maria Clara Cassou em Bacacheri, nos arredores de Curitiba, e fundou uma linhagem que floresceria no Paraná. Netos como Agostinho Marie Claire (nascido em Curitiba em 1896), Luiz, Margarida Delfina, Octavio e Alice Lila nasceram sob céus tropicais, enquanto Marie Rose envelhecia entre as oliveiras de La Vernarède e La Levade.
Ela compareceu ao casamento de Marie Angéline em 1894 em La Vernarède — a filha mais nova que escolheu ficar perto, com quem dividiria os últimos anos de vida. Também esteve presente quando Antoine Eugène casou-se em Laval-Pradel em 1902, morando temporariamente com ele em La Vernarède. Mas não pôde estar nos casamentos de Louis (1891, em Nîmes) nem de Aimé (1901, em La Grand'Combe) — talvez pela distância, talvez pela fragilidade da idade, talvez por feridas não ditas.
Em 1910, aos 77 anos, vivia com Marie Angéline em La Levade, cercada por netos e bisnetos cujas vozes enchiam a casa de risadas. A menina abandonada à porta de um hospício tornara-se o tronco de uma árvore genealógica que se espalharia por dois continentes.

O Último Suspiro: 13 de Novembro de 1914

Na sexta-feira 13 de novembro de 1914, às seis horas da tarde, Marie Rose Chamboredon fechou os olhos para sempre na Maison Trinille, em La Levade. Tinha 82 anos — longevidade rara para uma mulher de sua condição naquele tempo. Morreu em plena Primeira Guerra Mundial, enquanto jovens morriam nos campos de batalha da França; mas ela, que conhecera a fome, a perda e o abandono, resistira.
Seu corpo foi sepultado em La Levade ou em Laval-Pradel — até na morte, a incerteza a acompanhou. Mas seu legado permaneceu: onze filhos conhecidos, dezenas de netos, bisnetos nascidos do Atlântico ao planalto paranaense. A filha natural de Nîmes tornara-se ancestral de famílias inteiras.

Legado de uma Alma que Transformou Abandono em Pertencimento

Marie Rose nunca conheceu seus pais biológicos. Nunca soube por que foi deixada naquela porta em setembro de 1832. Mas ao longo de oitenta e dois anos, ela fez algo extraordinário: redefiniu o que significa família. Não pelo sangue, mas pelo ato contínuo de cuidar, de permanecer, de amar mesmo após as perdas.
Ela foi ama de leite para outros, mas antes fora salva por uma ama. Foi dona de casa sem jamais ter tido uma casa própria até ser acolhida. Foi mãe que enterrou filhos, mas que seguiu gerando vida. Foi mulher que lutou por um nome próprio e, mesmo negada, manteve viva a essência de quem era.
Hoje, nos arquivos do Gard, seu nome aparece em registros secos: "Marie Chamboredon, nascida Marie Rose". Mas nas memórias das famílias Bruel e Verbon — nas fotos amareladas de netos brasileiros, nas histórias contadas em La Grand'Combe, nos nomes dados a crianças nascidas décadas depois — permanece a presença silenciosa daquela menina que o mundo quase descartou.
Ela não foi rainha, nem santa, nem heroína de romances. Foi apenas uma mulher das montanhas, de mãos calejadas e coração resiliente. Mas em sua trajetória reside uma verdade universal: ninguém é definido pelo abandono que sofreu, mas pela coragem com que escolhe viver depois dele.
Marie Rose partiu em 1914, mas deixou para trás algo que o tempo não apaga: a prova de que até a vida mais frágil no início pode tornar-se raiz de florestas inteiras. E nas veias de seus descendentes — na França, no Brasil, em todos os lugares onde seus netos plantaram sementes — corre ainda, silenciosa e poderosa, a força da menina que nasceu sem nome e morreu como mãe de mundos.

Maria Rosa

Feminino  Marie ROSE Chamberedon

Sosa: 17
Marie Rose )

  • Nascida a 25 de setembro de 1832 (terça-feira) - Nîmes, 30000, Gard, Occitanie, FRANCE
  • Faleceu em 13 de novembro de 1914 (sexta-feira) - la levade maison trinille - La Grand Combe, Gard, aos 82 anos de idade.
  • Sem profissão (1854-1891), dona de casa (1894-1902), ama de leite
3 ficheiros disponíveis

 Pais

 Casamento(s) e filho(s)

(esconder)

 Acontecimentos

25 de setembro de 1832 :
Nascimento - Nîmes, 30000, Gard, Occitanie, FRANCE

Horário: 19h.
Nascida em 25 de setembro de 1832 - Filha natural, deixada à porta do Hospice d'Humanité (atual Lycée Daudet), registrada na prefeitura por Louis Leque, um funcionário, que lhe deu o nome de Marie Rose. - Nîmes, 30.
Sentença de 16 de outubro de 1902: pedido (indeferido) para que seu nome fosse alterado para Marie Rose (em vez de Marie Chamboredon).
Compareceu ao casamento de seu filho Antoine (1902, Laval - morou com ele em La Vernarède) e de sua filha Marie (1894, La Vernarède - morou com ela).
Não compareceu aos casamentos de seus filhos Louis (1891, Nîmes) e Aimé (1901, La Grand'Combe).
Morava com sua filha em 1910 em La Levade.
Número de registro 3432 no Hospice d'Humanité em Nîmes (H Depot 12 195).
Entregue a um mensageiro para transporte até Cévennes em 29 de setembro de 1832, para ser colocada sob os cuidados de uma ama de leite (o mensageiro recebeu 7,50 francos em 12 de outubro de 1832 pelo transporte da criança).
Colocada sob os cuidados de Marie Goulabert, esposa de Antoine Chamboredon, em Mas Devois, Portes, em 1º de outubro de 1832.
Confiada gratuitamente à sua ama de leite em 24 de abril de 1836.


Ela vive em Les Treilles desde a infância (desde seu casamento em 1854), tendo sido criada pela família CHAMBOREDON.

a de Antoine CHAMBOREDON (falecido em 1865) e Marie GOULABERT (falecida em 1852).
Sentença de 07/07/1888, tribunal de Roanne: a certidão de óbito de BRUEL, seu marido, é corrigida: Marie Rose em vez de Marie CHAMBOREDON,
nomeada CHAMBOREDON em documentos a partir de 1870.

Fontes: AM Nîmes -
14 de junho de 1854 :
Casamento (com Guilhaume BRUEL) - Portes, 30530, Gard, Occitanie, FRANÇA
Fontes: ad gard - - Numerização
--- :
Casamento (com Louis VERBON)
--- :
Nenhuma informação (com Louis VERBON)
13 de novembro de 1914 :
Morte - la levade maison trinille - La Grand Combe, Gard

Horário: 18:00.
Sepultada em La Levade ou Laval (Laval-Pradel)?
Compareceu ao casamento do filho em 1902: morava em La Vernarède.

Fontes: ad gard - - Numerização

 Fontes

 Fotos e Registos de Arquivo

4h Marie Rose pdf

4h Marie Rose pdf

Foto Marie Rose pdf

Foto Marie Rose pdf

Maria Rosa

Maria Rosa

 Árvore genealógica (visão geral)

   
sosa x DESCONHECIDO sosa x DESCONHECIDO
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imagem
sosa Marie Chamberedon ROSE 1832-1914


1832Conjunto de 25.

Nascimento

 
Notas

Horário: 19h.
Nascida em 25 de setembro de 1832 - Filha natural, deixada à porta do Hospice d'Humanité (atual Lycée Daudet), registrada na prefeitura por Louis Leque, um funcionário, que lhe deu o nome de Marie Rose. - Nîmes, 30.
Sentença de 16 de outubro de 1902: pedido (indeferido) para que seu nome fosse alterado para Marie Rose (em vez de Marie Chamboredon).
Compareceu ao casamento de seu filho Antoine (1902, Laval - morou com ele em La Vernarède) e de sua filha Marie (1894, La Vernarède - morou com ela).
Não compareceu aos casamentos de seus filhos Louis (1891, Nîmes) e Aimé (1901, La Grand'Combe).
Morava com sua filha em 1910 em La Levade.
Número de registro 3432 no Hospice d'Humanité em Nîmes (H Depot 12 195).
Entregue a um mensageiro para transporte até Cévennes em 29 de setembro de 1832, para ser colocada sob os cuidados de uma ama de leite (o mensageiro recebeu 7,50 francos em 12 de outubro de 1832 pelo transporte da criança).
Colocada sob os cuidados de Marie Goulabert, esposa de Antoine Chamboredon, em Mas Devois, Portes, em 1º de outubro de 1832.
Confiada gratuitamente à sua ama de leite em 24 de abril de 1836.


Ela vive em Les Treilles desde a infância (desde seu casamento em 1854), tendo sido criada pela família CHAMBOREDON.

a de Antoine CHAMBOREDON (falecido em 1865) e Marie GOULABERT (falecida em 1852).
Sentença de 07/07/1888, tribunal de Roanne: a certidão de óbito de BRUEL, seu marido, é corrigida: Marie Rose em vez de Marie CHAMBOREDON,
nomeada CHAMBOREDON em documentos a partir de 1870.

185414 de junho.
21 anos
185511 de junho.
22 anos
185826 de abril.
25 anos
cerca1861
~ 29 anos

Nascimento de um filho

18624 de 0.
30 anos
18644 anos atrás.
31 anos
187014 de janeiro.
37 anos
187216 de março.
39 anos
187514 de junho.
42 anos
189227º conjunto.
60 anos
189426 dez.
62 anos

Casamento de uma filha

 
Notas

Casamento com Marie Angéline VERBON
Horário: 17h00
Marie Angéline mora com sua mãe em La Vernarède.
23/11/1894: o conselho familiar delibera e aprova o casamento (Marie Angéline é menor de idade).
Marie Chamboredon comparece ao casamento.

18969 de janeiro.
63 anos
1896
64 anos

Nascimento de uma neta

cerca1897
~ 65 anos

Nascimento de uma neta

1897Conjunto 22.
64 anos
entre1898 e1900
~ 66 anos

Nascimento de um neto

1899
67 anos

Nascimento de uma neta

1900Conjunto 23.
67 anos
1901
69 anos

Nascimento de uma neta

19024 anos atrás.
69 anos
entre1903 e1905
~ 71 anos

Nascimento de uma neta

 
Notas

Não encontrado registro de nascimento. Sabemos da sua existencia por ouvir e fotos.

190322 de junho.
70 anos
190512 de março.
72 anos
1905Conjunto de 15.
72 anos
19051 dez.
73 anos

Nascimento de uma neta

190712 de março.
74 anos

Nascimento de um neto

1907
75 anos

Morte de uma neta

19089 de fevereiro.
75 anos
190813 fora.
76 anos

Nascimento de um neto

 
Baptismo a 8 de dezembro de 1913 (Nossa Senhora da Piedade - Campo Largo, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL)
1908
76 anos

Nascimento de uma neta

19107 de fevereiro.
77 anos
19126 de janeiro.
79 anos
1912
80 anos

Morte de uma neta

1913
81 anos

Nascimento de uma neta

entre1914 e1918
~ 82 anos

Morte de um neto

191413 de novembro
82 anos

Morte

 
Notas

Horário: 18:00.
Sepultada em La Levade ou Laval (Laval-Pradel)?
Compareceu ao casamento do filho em 1902: morava em La Vernarède.



Antepassados de Marie chamberedon ROSE





Descendentes de Marie chamberedon ROSE

  






























































































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