Miguel Micacho ANTONIO Nascido a 1 de dezembro de 1889 (domingo) - Zielona, Bezirk Husiatyn, Galizien, Áustria Falecido a 23 de novembro de 1956 (sexta-feira) - Ponta Grossa, Ponta Grossa, Paraná, BRÉSIL, com a idade de 66 anos
Miguel Micacho Antonio: Da Galícia Congelada às Terras Vermelhas de Ponta Grossa — Uma Saga de Fé, Família e Renascimento
No coração da Galícia austro-húngara, sob o céu cinzento de um domingo de inverno em 1º de dezembro de 1889, nascia Miguel Micacho Antonio em Zielona — uma aldeia minúscula do distrito de Husiatyn, onde as florestas de bétulas sussurravam histórias em ucraniano e o cheiro de pão paska aquecia casas de madeira. Filho de Nikola Antoniuk, homem de mãos calejadas pelo trabalho na terra, e Magdalena, guardiã da fé greco-católica e das tradições ancestrais, Miguel veio ao mundo numa região marcada pela pobreza camponesa e pelo sonho silencioso de um futuro além das fronteiras do Império.
A Travessia: Quando a Infância se Tornou Exílio
Aos seis anos, Miguel não compreendia ainda o peso da palavra "emigração". Para ele, era apenas a voz trêmula da mãe arrumando trouxas de roupa, o pai vendendo o único boi que possuíam, o cheiro de terra molhada na despedida da aldeia. Em 5 de agosto de 1896, a família Antoniuk — Nikola, Magdalena e seus filhos, incluindo o pequeno Miguel — desembarcava no Porto do Rio de Janeiro após semanas de navegação em porões apertados, onde o mar revolto misturava-se ao choro das crianças e à esperança contida nos olhos dos adultos.
Não havia ilusões românticas naquela chegada. O Brasil não era um paraíso prometido, mas uma necessidade urgente: a Galícia sufocava sob impostos opressivos, falta de terras e a incerteza política. Os Antoniuk integravam uma corrente silenciosa de ucranianos — então chamados "rutenos" — que, entre 1895 e 1914, cruzaram oceanos em busca de chão próprio. Do Rio, rumaram para o sul, para as matas densas do Paraná, onde colonos europeus erguiam, com machados e orações, uma nova pátria nas terras vermelhas de Ponta Grossa.
Raízes em Solo Estrangeiro: O Menino que se Tornou Homem Brasileiro
Crescer como imigrante ucraniano no interior paranaense exigia resiliência dupla: preservar a alma eslava enquanto se aprendia a língua de Camões e os costumes de um povo distante. Miguel, batizado na fé bizantina, ouvia missas em eslavo eclesiástico nas capelinhas de madeira erguidas pelos colonos, mas brincava com meninos poloneses, alemães e italianos nos campos de erva-mate. Aos poucos, Zielona tornou-se memória difusa — uma paisagem de neve e sinos de igreja que habitava os sonhos noturnos, enquanto o sol forte do Paraná bronzeava sua pele e endurecia seus braços para o trabalho na lavoura.
Aos 21 anos, Miguel já era um homem do campo: conhecia o ritmo das estações, o peso da enxada, o valor de um pedaço de terra própria. E foi nesse solo de lutas compartilhadas que encontrou Rose Jeanne Rosette Bruel — jovem de origem francesa ou valona, cuja família também cruzara oceanos em busca de renovação. Em 15 de julho de 1911, numa cerimônia simples em Ponta Grossa, uniram suas histórias. Ela, com seus 17 anos e olhos cheios de coragem; ele, com a serenidade de quem aprendera cedo que a vida se constrói com trabalho e fidelidade. Nascia ali não apenas um casamento, mas uma ponte entre duas Europas distantes, tecida na terra brasileira.
O Legado dos Seis: Uma Família como Ata de Resistência
Entre 1912 e 1922, a casa de Miguel e Rose transformou-se num reduto de vida. Seis filhos chegaram, cada nascimento um ato de fé num futuro incerto:
- Luiz Lula (1912), o primogênito que carregaria o peso da responsabilidade familiar;
- Raul (1913), de espírito aventureiro e mãos habilidosas;
- Robert (1915), que desafiaria o tempo vivendo até os 105 anos — testemunha silenciosa de um século inteiro;
- Ivette (1916), menina de riso fácil que encontraria no amor de Raul Moro sua própria história;
- Odete (1919), guardiã das tradições maternas, cuja longevidade (98 anos) honraria a memória dos pais;
- Leonor (1922), a caçula que fecharia o ciclo dos nascimentos com a graça serena da última flor da primavera.
Miguel não era um homem de grandes discursos. Seu legado construía-se na quietude dos gestos: o pão que partilhava, a terra que cultivava, a presença firme nos momentos difíceis. Quando Nikola, seu pai, faleceu em 16 de junho de 1932 em Ponta Grossa — provavelmente enterrado no cemitério dos colonos ucranianos, sob uma cruz bizantina —, Miguel já era o patriarca. Magdalena, sua mãe, também partira naquele mesmo ano, deixando-o órfão em terra estrangeira, mas pai de uma família que florescia.
O Crepúsculo: 23 de Novembro de 1956
Na sexta-feira, 23 de novembro de 1956, Miguel Micacho Antonio deixou este mundo aos 66 anos. Não partiu como um estrangeiro solitário, mas como patriarca de uma estirpe. Ao seu redor, estavam Rose, sua companheira de 45 anos; os seis filhos, já adultos e formando suas próprias famílias; netos que brincavam nos mesmos campos onde ele um dia chegara menino perdido. Morreu em Ponta Grossa — não mais como imigrante, mas como brasileiro de alma eslava, homem das terras vermelhas que transformara exílio em pertencimento.
Robert, seu filho do meio, viveria até 2020 — testemunha viva da transição do século XIX para o XXI, portador da memória do pai que cruzara oceanos com seis anos nos braços da mãe. Odete, a quinta filha, chegaria aos 98 anos, guardando histórias que hoje nos chegam em fragmentos preciosos: o sabor do varenyky feito pela avó Magdalena, o canto das ladainhas em eslavo, o cheiro da terra molhada após a chuva em Ponta Grossa.
Epílogo: A Memória que Não se Apaga
A história de Miguel Micacho Antonio não é apenas a de um homem. É a saga silenciosa de milhares de ucranianos que, entre fins do século XIX e início do XX, escolheram o Brasil como terra de recomeço. Não vieram com fortunas, mas com mãos dispostas a trabalhar e corações capazes de amar uma nova pátria sem esquecer a antiga.
Hoje, nas ruas de Ponta Grossa, nas fazendas do entorno, nos sobrenomes Antoniuk, Antonio, Bruel espalhados pelo Paraná, ecoa a presença desse menino de Zielona que transformou dor de exílio em raiz profunda. Sua vida ensina que pertencer não é nascer num lugar — é regá-lo com suor, fé e amor até que a terra, por direito de carinho, nos chame de seu.
E assim, Miguel Micacho Antonio — filho da Galícia, pai do Paraná — permanece vivo: não em estátuas ou ruas com seu nome, mas no sangue de descendentes que carregam, mesmo sem saber, a força silenciosa de quem cruzou oceanos para plantar esperança onde só havia mato. Uma semente lançada ao vento em 1896 que, contra todas as probabilidades, floresceu para sempre.
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Pais
- Nikola ANTONIUK 1856-1932
- Magdalena ANTONIUK 1863-/1932
Casamento(s) e filho(s)
- Casado a 15 de julho de 1911 (sábado), Ponta Grossa, Ponta Grossa, Paraná, BRÉSIL, com Rose Jeanne Rosette BRUEL 1894-1985 tiveram
Luiz Lula BRUEL ANTONIO 1912-1978
Raul BRUEL ANTONIO 1913-1991
Robert ANTONIO 1915-/2020
Ivette ANTONIO 1916-1972
Odete BRUEL ANTONIO 1919-2017
Leonor ANTONIO 1922-1992
| (esconder) |
Acontecimentos
| 1 de dezembro de 1889 : | Nascimento - Zielona, Bezirk Husiatyn, Galizien, Áustria |
| 5 de agosto de 1896 : | Emigração - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, BRÉSIL Chegada ao Brasil 5 de agosto de 1896 |
| 15 de julho de 1911 : | Casamento (com Rose Jeanne Rosette BRUEL) - Ponta Grossa, Ponta Grossa, Paraná, BRÉSIL Fontes: family search - - Numerisation |
| 23 de novembro de 1956 : | Morte - Ponta Grossa, Ponta Grossa, Paraná, BRÉSIL Fontes: family search - - Numerisation |
Fotos e Registos de Arquivo

Foto Miguel Antonio Rosette pdf

Miguel ANTONIO
Árvore genealógica (até aos avós)
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18891 dez.
Nascimento
18965 ago.
6 anos
Emigração
191115 jul.
21 anos
Casamento
191221 jan.
22 anos
Nascimento de um filho
191328 set.
23 anos
Nascimento de um filho
191525 set.
25 anos
Nascimento de um filho
191629 dez.
27 anos
Nascimento de uma filha
191919 set.
29 anos
Nascimento de uma filha
192223 fev.
32 anos
Nascimento de uma filha
193216 jun.
42 anos
Morte do pai
19373 abr.
47 anos
Casamento de uma filha
193718 dez.
48 anos
Casamento de um filho
194128 out.
51 anos
Casamento de um filho
194319 jun.
53 anos
Casamento de uma filha
195623 nov.
66 anos
Morte
Antepassados de Miguel Micacho ANTONIO
| Theodoro ANTONIUK | Maria ANTONIUK | Nicolau MUCHESKI | Magdalena MUCHESKI | ||||
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| Nikola ANTONIUK 1856-1932 | Magdalena ANTONIUK 1863-/1932 | ||||||
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Miguel Micacho ANTONIO 1889-1956
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