sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Entre Arcos e Sonhos: A História do Grupo Escolar Leandro Manoel da Costa e o Alvorecer da Educação em Piraí do Sul

 Denominação inicial: Grupo Escolar Leandro Manoel da Costa

Denominação atual: Escola Estadual Professor Leandro Manoel da Costa

Endereço: Avenida 5 de Março, 170 - Centro

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor:

Data: 

Estrutura: 

Tipologia: U

Linguagem: 


Data de inauguracao: 1946

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Escola Estadual Professor Leandro Manoel da Costa - s/d

Acervo: Escola Estadual Professor Leandro Manoel da Costa

Entre Arcos e Sonhos: A História do Grupo Escolar Leandro Manoel da Costa e o Alvorecer da Educação em Piraí do Sul

Avenida 5 de Março, 170 — Centro, Piraí do Sul, Paraná
Na manhã de 23 de abril de 1946, sob um céu de nuvens rasgadas pelo vento serrano, as portas de madeira de lei do novo edifício escolar abriram-se pela primeira vez na Avenida 5 de Março. Crianças descalças de pés marcados pela terra vermelha das estradas de chão cruzaram o umbral com olhos arregalados de espanto: pela primeira vez, viam paredes rebocadas com simetria, arcos que lembravam as igrejas dos avós poloneses, e um pátio amplo em forma de "U" que parecia abraçá-las como mãos protetoras. Nascia ali, oficialmente, o Grupo Escolar Professor Leandro Manoel da Costa — não apenas um prédio, mas um monumento à esperança erguido nas montanhas do Paraná recém-saído da Segunda Guerra Mundial.

O Homem por Trás do Nome: Leandro Manoel da Costa, o Educador Esquecido

Poucos registros sobreviveram sobre o homem cujo nome ecoa há quase oito décadas nos corredores da escola. Leandro Manoel da Costa não foi governador, não foi deputado, não deixou livros assinados com seu nome. Foi, antes de tudo, um professor — daqueles que marcaram gerações não com discursos grandiloquentes, mas com o giz branco nas mãos, com a paciência infinita diante da primeira letra rabiscada por uma criança filha de imigrantes que mal falava português, com o cuidado de quem entendia que alfabetizar era libertar.
Na tradição oral de Piraí do Sul, sobrevive a memória de um mestre que caminhava quilômetros pelas estradas de terra para lecionar em salas isoladas antes mesmo da existência dos Grupos Escolares. Um homem que, nos anos 1920 e 1930, enfrentou o analfabetismo endêmico da região com a única arma que possuía: a convicção de que toda criança, independentemente de ser filha de tropeiro, de colono polonês ou de posseiro brasileiro, tinha direito a ler o mundo. Quando, em 1946, a escola recebeu seu nome, não foi uma homenagem protocolar — foi um ato de justiça histórica. Leandro Manoel da Costa já havia partido, mas seu legado permanecia vivo nas centenas de ex-alunos que, graças a ele, assinavam seus nomes com orgulho nos documentos oficiais.

O Paraná que Renascia: Educação como Projeto de Nação no Pós-Guerra

O ano de 1945 marcou um divisor de águas para o Brasil e, especialmente, para o Paraná. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a deposição de Getúlio Vargas, o país mergulhou em um efervescente debate sobre modernização, cidadania e desenvolvimento. No Paraná, governadores como Moisés Lupion compreenderam que a educação seria o alicerce do progresso — não apenas para formar mão de obra qualificada para a agricultura moderna e a incipiente industrialização, mas para integrar uma população profundamente fragmentada.
Piraí do Sul, naquela época, era um microcosmo dessa diversidade: descendentes de tropeiros luso-brasileiros conviviam com comunidades polonesas e ucranianas que mantinham suas línguas, costumes e até calendários religiosos distintos. Muitas crianças chegavam à escola sem falar português; muitos pais jamais haviam pisado em uma sala de aula. Os Grupos Escolares surgiram como máquinas de nacionalização e emancipação simultâneas — lugares onde se aprendia não apenas a tabuada e a gramática, mas também o significado de ser cidadão brasileiro, com direitos e deveres.
Foi nesse contexto que, entre 1945 e 1951, o Grupo Escolar Leandro Manoel da Costa foi concebido e erguido — parte de um ambicioso plano estadual de expansão da rede escolar que transformaria o Paraná em referência educacional nacional nas décadas seguintes.

A Arquitetura Neocolonial: Quando o Passado se Tornou Futuro

Enquanto o mundo celebrava o modernismo internacional com arranha-céus de vidro e aço, o Paraná escolheu um caminho paradoxal: olhar para trás para construir o futuro. A linguagem neocolonial, adotada maciçamente nas escolas públicas estaduais entre as décadas de 1930 e 1950, não foi um exercício nostálgico ou conservador. Foi, na verdade, uma estratégia profundamente inteligente de criar identidade em um estado de imigrantes.
O projeto do Grupo Escolar Leandro Manoel da Costa — embora sem autoria individual documentada, típico das construções da Diretoria de Obras Públicas estadual — incorporou elementos que falavam diretamente à alma da população local:
  • Arcos plenos que remetiam às igrejas barrocas que os avós poloneses e ucranianos haviam deixado na Europa;
  • Telhados de quatro águas com beirais generosos, adaptados ao clima chuvoso da Serra do Mar;
  • Paredes espessas de alvenaria, capazes de resistir aos invernos rigorosos da região;
  • A tipologia em "U", característica marcante da arquitetura escolar paranaense, que criava um pátio central protegido — espaço sagrado para o recreio, as cerimônias cívicas e os jogos infantis.
Essa linguagem arquitetônica não apenas proporcionava conforto térmico e funcionalidade pedagógica. Acima de tudo, acolhia. Para uma criança filha de imigrantes que via pela primeira vez um edifício público projetado com dignidade, aqueles arcos não eram apenas elementos estéticos — eram portais de pertencimento. Naquele espaço, o estrangeiro se tornava brasileiro sem perder suas raízes; o analfabeto se transformava em leitor sem renegar sua origem camponesa.

O Cotidiano Escolar: Entre o Hino Nacional e o Cheiro de Pão Caseiro

Imagine a cena: segunda-feira, 1947. O sino de metal ressoa às sete horas da manhã. Meninos de calça curta remendada e meninas de vestidos estampados com flores desbotadas formam fila diante da porta principal. Dentro, a professora — formada na Escola Normal de Curitiba — escreve no quadro-negro com giz branco: "O rato roeu a roupa do rei de Roma". As crianças repetem em coro, mas alguns sussurram em polonês ou ucraniano, traduzindo mentalmente para os colegas recém-chegados.
No recreio, o pátio em "U" transforma-se em microcosmo do Brasil que se formava: pula-corda ao lado de danças folclóricas eslavas adaptadas; amarelinha desenhada com carvão ao lado de jogos trazidos das aldeias do Leste Europeu. Na cantina improvisada, pão com manteiga caseira e, nos dias de sorte, um gole de leite fresco trazido da fazenda do senhor Kowalski ou do senhor Wasyl.
À noite, após o pôr do sol, as salas se transformavam em cursos noturnos para adultos — pais e mães que, após um dia inteiro na lavoura de batata ou na extração de erva-mate, vinham aprender a assinar o próprio nome, a fazer contas simples, a ler uma carta do velho país. Muitos choravam ao escrever pela primeira vez "Maria" ou "Jan" em um pedaço de papel. Para eles, aquela escola não era um prédio: era a porta de entrada para a cidadania plena.

A Herança Viva: Do Grupo Escolar ao Colégio Cívico-Militar

Ao longo das décadas, o edifício na Avenida 5 de Março testemunhou transformações profundas. Viu a ditadura militar impor o nacionalismo exacerbado nos anos 1970; viu a Constituição de 1988 consagrar a educação como direito universal; viu a modernização chegar com computadores substituindo os cadernos pautados. Algumas paredes foram rebocadas novamente, janelas trocadas, telhados reparados após temporais de verão — a edificação existente hoje carrega alterações que marcam o tempo, mas preserva a alma original.
Em 2021, a escola recebeu nova denominação: Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Leandro Manoel da Costa — transformação que gerou debates, mas que não apagou sua essência. Hoje, seus alunos levam o nome de Piraí do Sul aos palcos do litoral paranaense com apresentações de coral que emocionam plateias inteiras; participam de olimpíadas de matemática e ciências; constroem robôs em laboratórios de informática. Mas, ao cruzarem o portão principal, ainda passam sob os mesmos arcos neocoloniais que abrigaram seus avós e bisavós — e, nesse gesto repetido diariamente, perpetuam um pacto silencioso com a história.

Epílogo: O Professor que Nunca Partiu

Leandro Manoel da Costa, o homem, talvez tenha morrido esquecido pelos livros de história oficial. Mas Leandro Manoel da Costa, o educador, nunca partiu. Ele está vivo:
— Nas mãos calejadas do agricultor que, aos 70 anos, ainda guarda o diploma de conclusão do primário assinado naquela escola; — Na voz da professora atual que repete, sem saber, as mesmas palavras de incentivo que ele um dia disse a uma criança tímida; — No orgulho do jovem que, formado naquelas salas, hoje cursa medicina em Curitiba e volta aos fins de semana para visitar a mãe na roça; — Nos arcos de alvenaria que, sob o sol da serra, continuam abraçando gerações como braços paternos.
O Grupo Escolar Leandro Manoel da Costa nunca foi apenas um edifício. Foi — e continua sendo — um ato de fé. A fé de que, mesmo nas montanhas mais remotas do Paraná, mesmo para filhos de imigrantes pobres que chegavam sem nada além da roupa do corpo, o conhecimento seria um direito inalienável. Cada tijolo assentado em 1946 carregava a promessa de que aquela criança, ao aprender a ler, estaria também aprendendo a sonhar.
E nisso reside sua verdadeira grandiosidade: não na arquitetura neocolonial nem na tipologia em "U", mas na teimosia republicana de acreditar que uma nação se constrói não com canhões, mas com cadernos; não com fronteiras, mas com alfabetos; não com exércitos, mas com professores que, todos os dias, abrem as portas de uma escola e dizem ao mundo: "Entrem. Aqui todos são iguais diante da letra."
Na quietude das tardes de Piraí do Sul, quando o sol poente doura os arcos do velho grupo escolar, é possível sentir: aquelas paredes ainda ensinam. Não com palavras, mas com presença. Com a memória viva de quem soube, um dia, transformar o sonho da educação em pedra, cal e esperança — e deixar que o tempo, generoso, fizesse o resto.

O Silêncio que Ensina: A História Viva do Grupo Escolar Piraí Mirim

 Denominação inicial: Grupo Escolar Piraí Mirim

Denominação atual:

Endereço: Rua Julieta Veiga Queirós, 225

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Diretoria de Obras Públicas

Data: 1926

Estrutura: 

Tipologia: U

Linguagem: 


Data de inauguracao: 

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: 

Grupo Escolar Piraí Mirim - s/d Fonte: RATASCHESKI, A. Cem anos de ensino no Estado do Paraná. In: Álbum Comemorativo do 1º Centenário da Emancipação Política do Paraná. Curitiba: Governo do Paraná: Câmara de Expansão Econômica do Paraná, 1953

O Silêncio que Ensina: A História Viva do Grupo Escolar Piraí Mirim

Rua Julieta Veiga Queirós, 225 — Piraí do Sul, Paraná
Nas encostas verdejantes da Serra do Mar paranaense, onde o rio Piraí serpenteia entre vales profundos e o nevoeiro da madrugada envolve os cafezais como um véu sagrado, ergue-se desde 1926 um testemunho silencioso da fé republicana na educação: o Grupo Escolar Piraí Mirim. Suas paredes de alvenaria, sua fachada em forma de "U" que abraça o pátio como mãos protetoras, e seus arcos ecléticos que misturam reminiscências neoclássicas com austeridade moderna não são apenas tijolos e argamassa — são memória viva de uma época em que ensinar era um ato revolucionário, e aprender, um caminho de redenção para filhos de imigrantes que chegavam ao Brasil com as mãos calejadas e os olhos cheios de esperança.

Entre Tropeiros e Colonos: O Berço de uma Comunidade

A história do Grupo Escolar Piraí Mirim não começa em 1926, quando a Diretoria de Obras Públicas do Paraná assinou seu projeto arquitetônico. Começa muito antes — no século XVII, quando tropeiros vindos de Sorocaba cruzavam o território que hoje é Piraí do Sul, estabelecendo um pouso estratégico nas terras do Padre Lucas Rodrigues
www.tjpr.jus.br
. Por séculos, aquele caminho foi apenas uma trilha de mulas carregadas de erva-mate e charque, até que, no final do século XIX, novos passos ecoaram na terra: os de poloneses, ucranianos e italianos que, fugindo da miséria europeia e das opressões czaristas, buscavam no Planalto Paranaense um chão para recomeçar
repositorio.ucs.br
.
Eram famílias que chegavam com malas de madeira rachadas, crianças agarradas às saias das mães, e uma língua estranha que mal se entendia com o português caipira dos nativos. Nas clareiras abertas na mata virgem, erguiam casas de madeira enxaimel, plantavam batata e centeio, e rezavam em igrejas de madeira onde o cheiro de incenso se misturava ao aroma da terra molhada. Mas havia uma ausência dolorosa: a escola. As crianças aprendiam o catecismo em polonês ou ucraniano, mas o português — língua da pátria que as acolhia — era um mistério distante.

A República que Queria Escolarizar: O Sonho dos Grupos Escolares

Com a Proclamação da República em 1889, o Brasil embarcou em um projeto ambicioso: transformar o país através da educação pública, laica e gratuita. No Paraná, esse sonho ganhou corpo na década de 1920 sob a liderança de reformadores como César Prieto Martinez, que compreendiam que uma nação moderna exigia cidadãos alfabetizados
ResearchGate
. Nasceu assim o modelo do "Grupo Escolar" — instituições que substituíam as precárias escolas isoladas por edifícios planejados, com salas organizadas em séries graduadas, pátios para recreio, e até jardins de infância anexos
legado.anped.org.br
.
Essas escolas não eram apenas locais de ensino; eram máquinas de nacionalização. Em um estado onde, em 1920, a lei determinava o ensino obrigatório do português até mesmo em escolas particulares estrangeiras, os Grupos Escolares tornaram-se instrumentos de integração cultural
www.scielo.br
. Nas salas de aula, filhos de poloneses aprendiam a cantar o Hino Nacional; netos de ucranianos escreviam nos cadernos pautados as primeiras letras do alfabeto latino; e todos, indistintamente, eram ensinados a ser brasileiros.

A Arquitetura como Manifesto: O Projeto de 1926

Quando, em 1926, a Diretoria de Obras Públicas do Paraná projetou o Grupo Escolar Piraí Mirim, cada traço do desenho carregava um propósito pedagógico e político
www.memoriaurbana.com.br
. A tipologia em "U" — característica marcante da arquitetura escolar paranaense da época — não era mero capricho estético: simbolizava a abertura da escola para a comunidade, enquanto protegia o pátio central como espaço sagrado de formação cívica
www1.udesc.br
.
A linguagem eclética escolhida revelava a ambição do projeto republicano: mesclar elementos clássicos (arcos plenos, simetria rigorosa, frontões discretos) com funcionalidade moderna (janelas amplas para iluminação natural, pé-direito alto para ventilação, divisórias internas que permitiam a organização por séries). Nas fachadas, nenhum luxo desnecessário — apenas a dignidade austera de quem construía para o futuro. O reboco liso, as molduras simples em torno das janelas, a escadaria de acesso modesta mas firme: tudo falava de uma educação acessível, porém elevada; popular, porém nobre.
Erguido na Rua Julieta Veiga Queirós — nome que homenageia uma das famílias pioneiras da região —, o edifício tornou-se rapidamente o coração pulsante de Piraí do Sul. Ali, sob o teto de telhas coloniais, crianças descalças de manhã entravam com os pés sujos de lama das estradas de chão; à tarde, saíam com os cadernos cheios de letras e os olhos brilhando com a descoberta de que podiam ler o mundo.

O Cotidiano Escolar: Entre o Bambu e o Livro de Leitura

Imagine a cena: segunda-feira de manhã, 1928. O sino de metal pendurado na varanda res soa às sete horas. Meninos de calça curta remendada e meninas de vestidos estampados com flores desbotadas cruzam o portão de ferro forjado. Na primeira série, Dona Clarice — professora formada na Escola Normal de Curitiba — escreve no quadro-negro com giz branco: "O rato roeu a roupa do rei de Roma". As crianças repetem em coro, as vozes misturando sotaques poloneses e o português aprendido aos tropeços.
No pátio central, durante o recreio, as brincadeiras revelam a miscigenação cultural: pula-corda ao lado de danças folclóricas ucranianas adaptadas; amarelinha desenhada com pedaços de carvão ao lado de jogos trazidos da Europa Oriental. Na cantina improvisada, pão com manteiga caseira e, nos dias de sorte, um gole de leite fresco trazido da fazenda do senhor Kowalski.
A escola não era apenas para crianças. À noite, após o pôr do sol, as salas se transformavam em cursos noturnos para adultos — pais e mães que, após um dia inteiro na lavoura, vinham aprender a assinar o próprio nome, a fazer contas simples, a ler uma carta do velho país. Muitos choravam ao escrever pela primeira vez "Maria" ou "Jan" em um pedaço de papel. Para eles, aquela escola não era um prédio: era a porta de entrada para a cidadania plena.

Entre Perdas e Resistências: O Legado que Persiste

Ao longo das décadas, o Grupo Escolar Piraí Mirim testemunhou transformações profundas. Viu a Segunda Guerra Mundial gerar suspeitas contra os descendentes de europeus; viu a ditadura militar impor o nacionalismo exacerbado; viu a modernização chegar com ônibus escolares substituindo as caminhadas de quilômetros pelas estradas de terra. Algumas paredes foram rebocadas novamente, janelas trocadas, telhados reparados após temporais de verão — a edificação existente hoje carrega alterações que marcam o tempo, mas preserva a alma original
www.memoriaurbana.com.br
.
Muitos dos alunos que passaram por suas salas tornaram-se professores, médicos, engenheiros — profissionais que levaram o nome de Piraí do Sul para além das serras. Outros permaneceram na terra, mas com a diferença crucial de saberem ler um contrato, entender uma bula de remédio, votar com consciência. Cada um deles carregou consigo um fragmento daquela escola: o cheiro de giz e cera de assoalho, a voz da professora cantando "A canoa virou", o peso reconfortante do livro de leitura nas mãos pequenas.

Epílogo: O Silêncio que Ensina

Hoje, quem passa pela Rua Julieta Veiga Queirós, 225, pode ver apenas um prédio antigo com marcas do tempo. Mas quem sabe ouvir, escuta outra coisa: o eco distante de vozes infantis recitando tabuadas; o ranger das carteiras de madeira sendo arrastadas para formar círculo na aula de civismo; o sussurro das primeiras sílabas soletradas por lábios que antes só conheciam o silêncio da ignorância.
O Grupo Escolar Piraí Mirim nunca foi apenas uma construção. Foi — e continua sendo — um pacto entre gerações. Um compromisso silencioso de que, mesmo nas montanhas mais remotas do Paraná, mesmo para filhos de imigrantes pobres, o conhecimento seria um direito inalienável. Cada tijolo assentado em 1926 carregava a promessa de que aquela criança, ao aprender a ler, estaria também aprendendo a sonhar.
E nisso reside sua verdadeira grandiosidade: não na arquitetura eclética nem na tipologia em "U", mas na teimosia republicana de acreditar que uma nação se constrói não com canhões, mas com cadernos; não com fronteiras, mas com alfabetos; não com exércitos, mas com professores que, todos os dias, abrem as portas de uma escola e dizem ao mundo: "Entrem. Aqui todos são iguais diante da letra."
Na quietude das tardes de Piraí do Sul, quando o sol poente doura as fachadas do velho grupo escolar, é possível sentir: aquelas paredes ainda ensinam. Não com palavras, mas com presença. Com a memória viva de quem soube, um dia, transformar o sonho da educação em pedra, cal e esperança — e deixar que o tempo, generoso, fizesse o resto.

LUGARES ASSOMBRADOS NO PARANÁ

  LUGARES ASSOMBRADOS NO PARANÁ



- Construído na década de 1950, esse hotel era um símbolo de riqueza e prosperidade do norte do Paraná, mas que no decorrer do tempo uma sucessão de tragédias envolvendo a morte de diversos proprietários, acabaram selando seu destino e o mesmo foi abandonado. No entanto, o que mas chama a atenção é que antigos hospedes e ex-funcionários desse hotel contam que o mesmo era mal-assombrado. Era possível escutar o som de passos no corredor quando não havia ninguém, janelas e portas batiam mesmo sem nenhuma corrente de vento, pessoas eram empurradas nos corredores, viam vultos e torneiras de banheiros abriam sozinhas durante a noite. Além disso, começaram a surgir rumores que o primeiro proprietário do hotel, um homem chamado Domingos Regullmuto, teria feito uma espécie de "pacto com o Diabo" para que o empreendimento prosperasse e, após algum tempo o Diabo teria voltado para cobrir a dívida, despedaçando seu corpo e levando embora a sua alma. Será que isso é mesmo verdade? Será que esse hotel era e continua sendo mal-assombrado?

História completa: http://www.assombrado.com.br/

LUGARES ASSOMBRADOS NO PARANÁ... A BRUXA DO UBERABA

 LUGARES ASSOMBRADOS NO PARANÁ...


A BRUXA DO UBERABA



- Uberaba é um bairro da capital, onde muitos anos atrás, no ano de 1937, minha avó com seus dez anos de idade viveu e viu com seus próprios olhos um acontecimento assustador. Ela relata que em uma colônia italiana local, onde haviam muitas famílias, havia um menino chamado Hercílio de doze anos de idade que foi caçar com seu pai. Naquela época, por ser uma época antiga, a região era de mata fechada e pequenas casas rurais. Ao chegar ao capão de mato, seu pai decidiu adentrar ali perto para fazer suas necessidades e o mandou que esperasse voltar. O menino obediente, sentou em um pedaço de tronco e o esperou, seu pai assim foi, quando retornou o menino havia desaparecido sem deixar rastros. Preocupado, o pai gritou e correu para todos os lados em que ele poderia ter ido, mas nenhum sinal de Hercílio. A noite chegou e ele alertou todos os fazendeiros locais que seu filho havia desaparecido, as pessoas de boa vontade então comentaram o assunto de pessoa para pessoa e, logo todos ficaram sabendo e adentraram a floresta para o ajudar encontrar Hercílio. Procuraram a noite toda com seu pai, e a outra noite chegou, e veio o dia, dois dias de muita procura. Quando de um lado da floresta em uma fazenda pequena o menino apareceu todo em farrapos, sujo e muito fraco pedindo por água. Logo avisaram seu pai, e o mesmo foi buscá-lo. Esperaram o menino descansar e recuperar as forças para então o questionar sobre onde esteve e o que houve para ter chego todo sujo e maltratado.
O menino então disse:

- Foi uma mulher de pele negra, olhos brilhantes e muito alta, ela me pegou e me alimentou com vermes e insetos das árvores, nem água me deu.
Então alguém perguntou:
- Mas procuramos por todo lugar por que não gritou se você estava na mata nas árvores?
E o menino respondeu:
- Eu não podia gritar, ela tampava minha boca com força, várias vezes vocês passavam por baixo da árvore que estávamos mas ela não me deixava gritar nem responder aos chamados. Todos ficaram assustados. O menino diz que ela o soltou para morrer de sede e fome. Mas cambaleando conseguiu sair do matagal e obter ajuda.

Há relatos que essa mesma criatura tentou sequestrar uma criança que estava junto com minha vó, ela era negra, flutuava de vestido vermelho, os dentes eram brancos e ela parecia ter três metros de altura e conta-se até que incontáveis vezes o dia amanhecia e ouvia-se relinchar incomodados de cavalos, quando iam ver do que se tratava, as crinas estavam todas trançadas com tanta força que os machucava, mas ninguém fazia isso, nem era capaz de dizer quem fazia.

Muitos acreditam, outros duvidam. Mas essa história é um relato de quem estava lá e viu tudo acontecer. E você o que acha desse relato assombrado?

Espero que gostem.