quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

O Depósito de Frederico Hauer em Curitiba: Um Testemunho Efêmero da Arquitetura Comercial dos Anos 1920

 Denominação inicial: Projecto para deposito do Snr. Frederico Hauer em Curityba

Denominação atual:

Categoria (Uso): Diversos
Subcategoria: Depósito

Endereço: Rua Duque de Caxias

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 132,00 m²
Área Total: 132,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 30/04/1926

Alvará de Construção: Talão N° 596; N° 5958/1926

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de depósito.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.

Referências: 

1 - GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto para deposito do Snr. Frederico Hauer em Curityba. Curitiba. Plantas do pavimento térreo e de implantação, corte e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.

O Depósito de Frederico Hauer em Curitiba: Um Testemunho Efêmero da Arquitetura Comercial dos Anos 1920

*Entre os arquivos empoeirados da memória urbana de Curitiba repousa, em forma de microfilme e tinta desbotada, o projeto de um modesto depósito que, embora já desaparecido da paisagem física da cidade, permanece como elo simbólico com uma era de transformação econômica, técnica e arquitetônica. Trata-se do “Projecto para deposito do Snr. Frederico Hauer em Curityba”, assinado em 30 de abril de 1926 por uma das mais respeitadas firmas de engenharia e arquitetura da época: Gastão Chaves & Cia.*


Um Edifício de Propósito: Função sobre Forma

Concebido como estrutura utilitária, o depósito de Frederico Hauer não buscava ostentação, mas sim eficiência, solidez e integração com o tecido urbano comercial que se expandia no centro de Curitiba. Localizado na Rua Duque de Caxias — via estratégica e historicamente relevante, próximo ao Mercado Municipal e à Praça do Jardim Botânico da época —, o edifício ocupava uma área total de 132,00 m², distribuídos em único pavimento.

Sua construção foi planejada em alvenaria de tijolos, técnica dominante na arquitetura civil paranaense do início do século XX. Robusta, acessível e durável, a alvenaria refletia tanto as limitações técnicas quanto as prioridades funcionais do período: proteger mercadorias, resistir ao tempo e integrar-se ao ritmo crescente da economia urbana.

O projeto incluía planta do pavimento térreo, planta de implantação, corte e fachada frontal, todos reunidos em uma única prancha — documento típico da produção arquitetônica da década de 1920, quando a representação gráfica era feita à mão, com precisão técnica e elegância gráfica que hoje despertam admiração entre historiadores e arquitetos.


Frederico Hauer: Um Nome na História Silenciosa

Embora pouco se saiba sobre a identidade de Frederico Hauer, seu nome vinculado a um depósito sugere que fosse um comerciante, importador ou industrial atuante na Curitiba em franco desenvolvimento. A década de 1920 foi marcada pelo crescimento do comércio de café, madeira, couro e produtos importados — atividades que exigiam infraestrutura logística urbana. Seu depósito provavelmente servia como ponto de armazenagem temporária entre fornecedores, transportadoras e lojistas.

O fato de ter contratado a Gastão Chaves & Cia., escritório renomado por obras públicas e privadas de relevância na capital paranaense, indica que Hauer era um homem de recursos e visão — alguém que entendia que até os espaços mais funcionais mereciam projeto profissional e qualidade construtiva.


O Alvará e o Contexto Urbano

O projeto foi oficialmente autorizado pelo poder público municipal por meio do Alvará de Construção nº 5958/1926, emitido pelo Talão nº 596, demonstrando a existência de um sistema de controle urbanístico já estruturado. Curitiba, naquele momento, vivia sob a influência de reformas urbanas inspiradas no modelo europeu, com ênfase em higiene, ordenação viária e regularização de construções.

A localização na Rua Duque de Caxias — uma das artérias centrais da cidade — reforça o caráter estratégico da empreitada. A via era (e ainda é) ligação direta entre os bairros centrais e as zonas de comércio e transporte, tornando-a ideal para atividades logísticas.


Desaparecimento e Memória

Em 2012, o depósito de Frederico Hauer já havia sido demolido, cedendo lugar a novas construções ou ao vazio que marca tantas perdas patrimoniais silenciosas. Não há registro fotográfico do edifício erguido — apenas o projeto arquitetônico original, preservado em microfilme digitalizado nos arquivos históricos da cidade.

Sua ausência física, no entanto, não apaga seu significado. Projetos como este compõem o “patrimônio invisível” da arquitetura: estruturas cotidianas que, embora não monumentais, contam a história do trabalho, do comércio e da vida civil de uma cidade em transformação.


Legado Técnico e Simbólico

O depósito de Frederico Hauer é mais do que um desenho em papel. É:

  • Um documento da prática arquitetônica comercial da primeira metade do século XX;
  • Um testemunho da urbanização funcional de Curitiba;
  • Um exemplo da colaboração entre classe mercantil e profissionais técnicos;
  • E, acima de tudo, um lembrete de que a história urbana se escreve não só com palácios, mas com armazéns, oficinas e depósitos.

Hoje, ao caminhar pela Rua Duque de Caxias, poucos imaginam que ali, quase um século atrás, ergueu-se um pequeno edifício de tijolos que abrigou sonhos, mercadorias e o esforço anônimo de um homem chamado Frederico Hauer — cujo nome, graças a um projeto arquitetônico preservado, não se perdeu por completo no tempo.


Ficha Técnica Resumida

  • Denominação inicial: Projecto para deposito do Snr. Frederico Hauer em Curityba
  • Localização: Rua Duque de Caxias, Curitiba – PR
  • Data do projeto: 30 de abril de 1926
  • Arquitetura/Engenharia: Gastão Chaves & Cia.
  • Área total: 132,00 m² (1 pavimento)
  • Material: Alvenaria de tijolos
  • Alvará: Talão nº 596; nº 5958/1926
  • Situação em 2012: Demolido
  • Documentação existente: Projeto arquitetônico (planta, corte, fachada, implantação) em microfilme

#PatrimônioArquitetônico #CuritibaHistórica #ArquiteturaComercial #GastãoChaves #DepósitoHauer #MemóriaUrbana #ArquiteturaDosAnos1920 #HistóriaDoUrbanismo #FredericoHauer #PatrimônioInvisível

Leonor de Souza Tanadini Nascida a 28 de julho de 1898 (quinta-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil Baptizada a 16 de outubro de 1898 (domingo) - Curitiba, Paraná, Brasil Falecida - Curitiba, Parana, Brasil Enterrada - Curitiba, Paraná, Brasil

  Leonor de Souza Tanadini Nascida a 28 de julho de 1898 (quinta-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil Baptizada a 16 de outubro de 1898 (domingo) - Curitiba, Paraná, Brasil Falecida - Curitiba, Parana, Brasil Enterrada - Curitiba, Paraná, Brasil


Leonor de Souza Tanadini: Uma Vida de Fé, Família e Resistência em Curitiba

Por entre as ruas de paralelepípedos de uma Curitiba ainda em formação, nasceu, em 28 de julho de 1898, uma menina cuja vida se entrelaçaria profundamente com a história da cidade, da família e da fé. Seu nome: Leonor de Souza Tanadini — uma mulher cuja trajetória, marcada por perdas, amor incondicional e força silenciosa, ecoa até hoje nas memórias de seus descendentes e na alma da capital paranaense.


Raízes de Sangue e Fé

Leonor veio ao mundo em pleno coração do século XIX, em uma quinta-feira de inverno, na então pequena e florescente Curitiba. Filha de Abele Federico (conhecido como Alberto Luiz) Tanadini, imigrante italiano de origem lombarda, e Ambrosina de Souza, de ascendência brasileira, Leonor cresceu em um lar marcado pela dualidade cultural: de um lado, a rigidez e o trabalho dos italianos; de outro, a calorosa espiritualidade e o acolhimento típicos do sul do Brasil.

Seu batismo, realizado poucos meses após o nascimento — em 16 de outubro de 1898, na Catedral de Curitiba —, selou desde cedo sua ligação com a Igreja Católica, instituição que seria pilar em sua vida pessoal e familiar.

A infância de Leonor foi moldada nas colinas do Bacacheri e no centro da cidade, entre olhos atentos de irmãos mais velhos e a esperança de novos nascimentos. Seu irmão Francisco, nascido em 1897, foi seu primeiro companheiro de brincadeiras; já Marietta, nascida em 1901, trouxe alegria breve demais — faleceu antes de completar dois anos, em janeiro de 1902, deixando na família uma ferida silenciosa. Essa perda precoce foi apenas a primeira de muitas que Leonor enfrentaria com uma resignação quase heroica.

Em 1903, nasceu Alberto Luiz Tanadini Filho, seguido por Annibal, em 1905 — que também partiu cedo, aos 14 meses, em março de 1906. Essas sucessivas perdas infantis ecoaram como tempestades silenciosas na alma da menina, que, ainda assim, aprendeu cedo o valor da vida, da memória e do cuidado com os vivos.


Matrimônio aos Catorze Anos: Amor, Dever e Geração

Em uma época em que casamentos precoces eram comuns, Leonor desposou Benedito Peixoto de Mattos em 24 de maio de 1913, aos apenas 14 anos de idade, no Cartório do Taboão, em Curitiba. Benedito, oito anos mais velho (nascido em 1895), era homem de caráter firme, trabalhador e dedicado à família. Juntos, construíram uma vida marcada pela simplicidade, pela ética do trabalho e pela devoção religiosa.

Seu lar tornou-se um santuário de amor e responsabilidade. Leonor, ainda jovem, assumiu o papel de mãe com uma maturidade que surpreendia. Ao longo dos anos, deu à luz oito filhos:

  • Ubiratam Peixoto de Mattos
  • Jandira Peixoto de Mattos
  • Itapuan Peixoto de Mattos
  • Iran Peixoto de Mattos
  • Zenira Peixoto de Mattos
  • Odila Peixoto de Mattos
  • Odilon Peixoto de Mattos
  • Odilete Peixoto de Mattos

Cada nome carregava uma promessa, uma esperança. Leonor, com mãos calejadas e coração terno, educou-os com disciplina e afeto, ensinando valores que sobreviveriam gerações: respeito, honestidade, piedade e coragem diante das adversidades.


Perdas e Permanência

A vida de Leonor foi uma dança entre alegria e luto.

Em 1910, com apenas 11 anos, viu seu avô paterno, Luigi Tanadini, falecer vítima de um derrame — um dos primeiros confrontos da menina com a morte de um adulto próximo. Cinco anos depois, já casada, enfrentou a perda de seu irmão mais velho, Francisco, em 1921, aos 24 anos — um golpe duro para a família, que via desaparecer seu primogênito.

A morte de sua avó paterna, Tersilla Cecilia Tomaselli, em 1932, marcou o fim de uma era: a geração fundadora da família Tanadini em Curitiba começava a se despedir.

Mas a maior perda veio em 3 de janeiro de 1946, quando seu pai, Alberto Luiz Tanadini, faleceu em Piraquara, aos 72 anos. Leonor, já mãe de oito filhos e avó de alguns netos, carregou o luto com a quietude de quem sabe que a vida é feita de ciclos.

Mais de uma década depois, em 4 de janeiro de 1965, Benedito, seu marido de mais de cinco décadas, partiu subitamente por um infarto do miocárdio. Aos 66 anos, Leonor viu-se viúva — mas não sozinha. Seus filhos, já adultos, cercaram-na com o mesmo amor que ela havia semeado.


Herança Silenciosa, Presença Eterna

Embora não existam registros públicos de grandes feitos ou títulos, a verdadeira grandeza de Leonor reside na continuidade. Ela foi a raiz de uma árvore genealógica que se expandiu por Curitiba e além — avó, bisavó, trisavó de centenas cujos nomes talvez nunca conhecerá, mas cujas vidas foram moldadas por seus ensinamentos.

Seu túmulo, em Curitiba, guarda mais do que ossos e data de nascimento e morte. Guarda a memória de uma mulher que viveu profundamente — com todos os desafios de seu tempo: maternidade precoce, lutos sucessivos, ausência de direitos, mas também com a plenitude de quem cumpriu sua missão com integridade.

Leonor de Souza Tanadini não escreveu livros, mas escreveu vidas.
Não ocupou cargos, mas construiu lares.
Não foi celebrada em praças, mas é lembrada em orações.

E, no silêncio da história familiar, sua luz permanece.


Legado em Números e Nomes

  • Nascimento: 28 de julho de 1898 – Curitiba, Paraná
  • Batismo: 16 de outubro de 1898 – Catedral de Curitiba
  • Casamento: 24 de maio de 1913 – com Benedito Peixoto de Mattos
  • Filhos: 8 (5 homens, 3 mulheres)
  • Irmãos: Francisco (1897–1921), Marietta (1901–1902), Alberto Luiz Filho (1903–?), Annibal (1905–1906)
  • Meios-irmãos (do pai com Albina Marussig): Enegilda e Maria de Lourdes
  • Falecimento: Curitiba, Paraná (data exata não registrada, mas após 1965)
  • Sepultamento: Curitiba, Paraná

“As grandes mulheres da história não são sempre as que aparecem nos livros, mas as que escrevem a história com suas mãos, seus filhos e seu silêncio.”
— Em memória de Leonor de Souza Tanadini, 1898–?

#HistóriaFamiliar #MulheresDaHistória #CuritibaAntiga #GenealogiaParanaense #LeonorTanadini #MemóriaAfetiva #RaízesItalianasNoBrasil #FamíliaPeixotoDeMattos #HerançaSilenciosa


Leonor de Souza Tanadini
  • Nascida a 28 de julho de 1898 (quinta-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil
  • Baptizada a 16 de outubro de 1898 (domingo) - Curitiba, Paraná, Brasil
  • Falecida - Curitiba, Parana, Brasil
  • Enterrada - Curitiba, Paraná, Brasil
1 ficheiro disponível

 Pais

 Casamento(s) e filho(s)

 Irmãos

 Meios irmãos e meias irmãs

Pelo lado de Abele Federico (Alberto Luiz) Alberto Luiz Tanadini 1873-1946
(esconder)

 Acontecimentos

28 de julho de 1898 :
Nascimento - Curitiba, Paraná, Brasil
16 de outubro de 1898 :
Baptismo - Curitiba, Paraná, Brasil
24 de maio de 1913 :
Casamento - Cartório do Taboão, Curitiba - PR
(24 de maio de 1913) :
Casamento (com Benedito Peixoto de Mattos) - Curitiba, Paraná, Brasil
--- :
Morte - Curitiba, Parana, Brasil
--- :
Enterro - Curitiba, Paraná, Brasil

 Notas

Notas individuais


Caratteri fisici :

 Fontes

  • Pessoa: LELIANA DE PAULA MATTOS - TANADINI Web Site (Smart Match)


189828 jul.
189816 out.
2 meses
19016 jun.
2 anos
190224 jan.
3 anos
190330 nov.
5 anos
190521 dez.
7 anos
190618 mar.
7 anos
191014 jun.
11 anos

Morte do avô paterno

 
Enterro a 15 de junho de 1910 (Curitiba, Paraná, Brasil)
Notas

Causa : Derrame
Certidão de óbito Nº 17109

191324 maio
14 anos
192110 ago.
23 anos
193217 abr.
33 anos
19463 jan.
47 anos

Morte do pai

 
Enterro a 3 de janeiro de 1946 (Piraquara, Paraná, Brasil)
19654 jan.
66 anos

Morte do cônjuge

Antepassados de Leonor de Souza Tanadini

    Antonio Tomaselli Catterina Pirotti Antonio Crescini Cattarina Guarnieri Federico Bottoli Innocente Cattani      
    | | | | | |      
    


 


 | |      
    | | | |      
    Giuseppe Tomaselli 1785- Domenica Crescini 1787- Andrea Bottoli 1763- Barbara Cattani      
    | | | |      
    


 


      
    | |      
Francesco Tanadini  Catterina Andreis ca 1803-1880 Pietro Antonio Tomaselli 1810-?1874 Pasqua Bottoli 1815-1899 Jose De Souza Jorge 1800- Maria De Souza Jorge 1800-  
| | | | | |  



 


 


  
| | |  
Luigi (Luis) Luiz Tanadini (Tenedini, Tenadini) 1841-1910 Tersilla Cecilia Tomaselli 1849-1932
imagem
 Antonio Cassimiro De Souza ca 1850- Benedita Da De Souza ca 1854-
| | | |



 


| |
Abele Federico (Alberto Luiz) Alberto Luiz Tanadini 1873-1946
imagem
 Ambrosina de Souza 1881-
| |



|
Leonor de Souza Tanadini 1898-
imagem


Descendentes de Leonor de Souza Tanadini