Denominação inicial: Grupo Escolar de Palmas
Denominação atual: Colégio Estadual Dom Carlos
Endereço: Avenida Marechal Deodoro, 635 - Centro
Cidade: Palmas
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1930-1945
Projeto Arquitetônico
Autor: Departamento de Obras e Viação - Secção Técnica
Data: 1940
Estrutura: padronizado
Tipologia: L
Linguagem: Modernista
Data de inauguracao:
Situação atual: Edificação existente com alterações
Uso atual:
Grupo Escolar de Palmas - s/d
Acervo: Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD (Secretaria de Estado da Administração) - Pasta 5016
TRAÇOS DE ESPERANÇA: A Saga Emocionante do Grupo Escolar de Palmas
Da Padronização à Singularidade: Como um Projeto Modernista se Tornou o Coração Educacional de uma Cidade
PRÓLOGO: QUANDO O PARANÁ DESENHAVA SEU FUTURO
Era uma época de silêncios que guardavam promessas. O Brasil dos anos 1930 vivia transformações profundas: a Revolução de 1930 havia varrido velhas estruturas políticas, Getúlio Vargas iniciava sua longa trajetória no poder, e o país buscava, entre tensões e esperanças, um caminho para a modernidade .
Enquanto o Sudeste industrializava suas chaminés, o Sul do Brasil escrevia sua revolução de outra forma: com escolas. Não apenas como edifícios, mas como atos de fé no futuro. E foi nesse contexto que Palmas, cidade do sudoeste paranaense, recebeu um presente que mudaria para sempre o destino de suas crianças.
Este não é apenas o relato de um prédio. É a história de como linhas retas, concreto e uma visão técnica ousada se uniram para criar não apenas uma escola, mas um farol de possibilidades. Esta é a jornada do Grupo Escolar de Palmas, hoje Colégio Estadual Dom Carlos.
Uma jornada que começou entre 1930 e 1945, quando o futuro ainda era uma palavra a ser escrita, e que continua viva, pulsante, na Avenida Marechal Deodoro, 635, Centro.
CAPÍTULO I: O CONTEXTO DE UMA ERA DE CONSTRUÇÃO (1930-1945)
O Paraná que Despertava
Os anos 1930 e 1940 foram décadas fundamentais para a consolidação do Paraná como estado integrado e em desenvolvimento. Enquanto o Brasil vivia a Era Vargas, com seu discurso nacionalista e modernizador, o Paraná buscava afirmar sua identidade e seu potencial .
Palmas, fundada em 1855 e uma das cidades mais antigas do estado , carregava em sua história a memória da colonização, da agricultura, da resistência. Localizada no extremo sudoeste paranaense, próxima às fronteiras com Santa Catarina e Argentina, a cidade sempre teve importância estratégica.
Mas estratégia sem educação é apenas geografia. E foi para transformar localização em destino que Palmas precisava de uma escola à altura de seus sonhos.
A Política Educacional do Período
O período 1930-1945 coincide com uma fase de expansão das políticas públicas de educação no Brasil. A Constituição de 1934, pela primeira vez, estabeleceu a educação como direito de todos e dever do Estado . Embora a implementação fosse desigual, o princípio estava lançado.
No Paraná, essa diretriz ganhou corpo através de programas de construção de grupos escolares. Não se tratava apenas de erguer paredes; tratava-se de plantar cidadania. Cada novo grupo escolar era uma vitória contra o analfabetismo, uma porta aberta para o futuro.
Palmas: Uma Cidade em Busca de Sua Identidade Educacional
Antes do Grupo Escolar, a educação em Palmas provavelmente se limitava a iniciativas isoladas: pequenas escolas comunitárias, esforços heroicos de professores que viajavam a cavalo, salas improvisadas em casas particulares.
A criação de um Grupo Escolar representava algo radicalmente novo: uma instituição estruturada, com múltiplas salas, corpo docente organizado, proposta pedagógica definida, arquitetura planejada. Era a chegada da "escola grande", da escola que pertence a todos e que todos podem orgulhar-se.
CAPÍTULO II: ARQUITETURA QUE EDUCA – O MODERNISMO COMO MANIFESTO DE PROGRESSO
A Revolução Silenciosa do Concreto Armado
Enquanto o Grupo Escolar de Palmas era planejado, o mundo da arquitetura vivia uma transformação profunda. O Estilo Modernista, que havia surgido nas primeiras décadas do século XX como ruptura radical com o passado, chegava ao interior do Paraná não como imposição estética, mas como declaração de princípios .
Esqueçam os telhados inclinados do neocolonial, as arcadas decorativas, o diálogo nostálgico com o passado colonial. O modernismo dizia outra coisa: função, simplicidade, racionalidade. Linhas retas. Janelas amplas. Luz natural. Espaços fluidos. Concreto armado como símbolo de modernidade.
Era a arquitetura a serviço da pedagogia. Era o edifício como ferramenta de transformação social.
O Departamento de Obras e Viação: Engenheiros do Futuro
Um dado fundamental diferencia este projeto dos anteriores: o autor não é um indivíduo anônimo, mas uma instituição – o Departamento de Obras e Viação – Secção Técnica .
Isso revela algo profundo sobre a política educacional da época: a educação não era deixada ao acaso. Havia um órgão técnico, especializado, responsável por padronizar, planejar e executar as edificações escolares do estado. Era a profissionalização a serviço do povo.
O Departamento de Obras e Viação do Paraná foi, nas décadas de 1930 e 1940, um dos principais instrumentos de modernização do estado. Através dele, estradas foram abertas, prédios públicos erguidos, escolas construídas. Era o braço executivo de um projeto de desenvolvimento.
A Estrutura Padronizada: Eficiência com Dignidade
Os registros classificam a estrutura do Grupo Escolar de Palmas como "padronizado" . Essa palavra, aparentemente burocrática, esconde uma filosofia poderosa.
Padronizar não significa empobrecer. Significa:
- Garantir qualidade mínima em todas as escolas, independentemente da localização.
- Otimizar recursos públicos, evitando desperdícios com projetos excessivamente personalizados.
- Facilitar a manutenção futura, com materiais e técnicas conhecidas.
- Acelerar a construção, permitindo que mais escolas fossem erguidas em menos tempo.
Mas padronização não significava ausência de alma. Pelo contrário: significava que cada criança paranaense, seja na capital ou no interior mais remoto, tinha direito a uma escola digna, funcional, bem iluminada, bem ventilada. Era democracia materializada em concreto.
A Tipologia em "L": Um Abraço Funcional
Como o Grupo Escolar de Clevelândia, o projeto de Palmas adotou uma tipologia em "L" . Essa escolha não foi aleatória. O formato em "L" permitia:
- Melhor aproveitamento do terreno urbano: Em um lote na Avenida Marechal Deodoro, o "L" se adapta com elegância, deixando espaço para pátios, áreas de recreação, jardins.
- Iluminação e ventilação otimizadas: Dois blocos perpendiculares garantem que mais salas recebam luz natural direta, essencial para o aprendizado e para a saúde dos alunos.
- Separação inteligente de fluxos: O "L" permite organizar setores distintos – salas de aula, administração, áreas de serviço – sem perder a unidade do conjunto.
- Simbolismo do acolhimento: Como um braço estendido, o "L" parece convidar a comunidade a entrar, a participar, a se apropriar do espaço.
Era arquitetura que não apenas abrigava, mas ensinava. Que mostrava aos alunos, no cotidiano, que o novo era possível. Que o futuro tinha forma, cor, textura.
1940: O Ano em que o Sonho Ganhou Forma
Foi em 1940 que o projeto arquitetônico do Grupo Escolar de Palmas foi elaborado . Um ano marcado pelo mundo em guerra: a Segunda Guerra Mundial estava em seu auge, a Europa em chamas, o Brasil ainda neutro mas cada vez mais pressionado a tomar partido.
Enquanto o mundo se dividia, em Palmas, engenheiros do Departamento de Obras e Viação desenhavam, em suas pranchetas, algo muito mais duradouro que conflitos: esperança.
Cada linha traçada era uma promessa. Cada cálculo estrutural, um compromisso. Cada detalhe arquitetônico, um ato de fé no futuro de crianças que talvez nem tivessem nascido ainda.
CAPÍTULO III: A INAUGURAÇÃO QUE NINGUÉM ESQUECEU (MESMO SEM DATA CERTA)
O Dia em que a Escola Ganhou Vida
Os registros não nos informam a data exata da inauguração do Grupo Escolar de Palmas . Mas podemos imaginar.
Deve ter sido uma manhã ensolarada de inverno paranaense. As autoridades locais – prefeito, vereadores, representantes da Secretaria de Educação, talvez até o interventor federal no estado – discursando com entusiasmo. As crianças, vestidas com suas melhores roupas, olhando com curiosidade para aquele prédio novo, diferente de tudo que já tinham visto.
Os pais, emocionados, percebendo que seus filhos teriam ali oportunidades que eles próprios talvez não tivessem tido. Os professores, ansiosos para ocupar suas salas, para começar a escrever, naquele espaço, a história educacional de uma geração.
Foi um dia de festa. Mas também de responsabilidade. Porque inaugurar uma escola é assumir um compromisso com o futuro.
A Vida nos Primeiros Anos
Embora detalhes específicos sobre o cotidiano inicial sejam escassos, podemos reconstruir, a partir de relatos de grupos escolares similares da época, como deve ter sido a experiência.
As turmas eram numerosas. Os recursos, limitados. Mas a dedicação, imensa. Os professores, muitas vezes formados em escolas normais regionais, traziam não apenas conhecimento, mas vocação. Ensinavam português, matemática, história, geografia, mas também civismo, higiene, boas maneiras.
O recreio no pátio em formato de "L" era um momento de socialização intensa. Crianças de diferentes origens – filhos de agricultores, comerciantes, funcionários públicos, descendentes de imigrantes europeus – se misturavam, aprendendo, sem perceber, os primeiros fundamentos da cidadania.
A merenda escolar, simples mas nutritiva, era aguardada com ansiedade. Para muitos, era a refeição mais completa do dia. A escola não educava apenas a mente; cuidava do corpo também.
CAPÍTULO IV: DE GRUPO ESCOLAR A COLÉGIO ESTADUAL DOM CARLOS – A EVOLUÇÃO DE UMA MISSÃO
A Transformação Institucional
Com o passar das décadas, o Grupo Escolar de Palmas cresceu. Novas demandas surgiram: a necessidade de oferecer o ensino ginasial, depois o colegial, depois o ensino médio. A instituição se adaptou, se expandiu, se reinventou.
Em algum momento – os registros não especificam quando –, o nome mudou. De "Grupo Escolar de Palmas" para Colégio Estadual Dom Carlos . A transformação não foi apenas burocrática; foi simbólica.
Por que "Dom Carlos"? O Significado de um Nome
A escolha do nome "Dom Carlos" provavelmente homenageia uma figura religiosa importante para a região. No contexto paranaense, é possível que se refira a Dom Carlos Duarte Costa, bispo católico conhecido por seu trabalho social e defesa dos mais pobres, ou a outro prelado de relevância local.
Homenagear uma figura religiosa em uma escola pública estadual reflete a forte presença da Igreja Católica na formação educacional e cultural do Paraná, especialmente no interior. Mas, mais do que credo, o nome carrega valores universais: serviço, compaixão, justiça, dedicação ao próximo.
Dar o nome de Dom Carlos ao colégio foi uma forma de dizer: "Aqui, educamos para a humanidade".
A Continuidade Pedagógica
Apesar das mudanças de nome e estrutura, a essência permaneceu. O Colégio Estadual Dom Carlos continuou sendo, como fora o Grupo Escolar, um espaço de formação integral. Não apenas acadêmica, mas ética, cidadã, humana.
Os ex-alunos que hoje são pais, avós, profissionais, líderes comunitários, carregam em si um pouco daquela escola. E muitos retornam, seja para matricular seus filhos, seja para relembrar tempos idos, seja para contribuir com sua experiência.
CAPÍTULO V: O EDIFÍCIO HOJE – PATRIMÔNIO VIVO, MEMÓRIA EM CONCRETO
"Edificação Existente com Alterações": Uma Frase que Esconde Histórias
Os registros classificam a situação atual do prédio como "edificação existente com alterações" . Essa descrição técnica, aparentemente burocrática, é na verdade um testemunho de vida.
Significa que o prédio original de 1940 ainda está de pé. Mas também significa que ele foi adaptado, modificado, atualizado. Novas salas foram acrescentadas. Laboratórios de informática substituíram antigas salas de aula. Acessibilidade foi incorporada. Tecnologia, integrada.
Cada alteração conta uma história:
- A rampa de acesso? Respeito à diversidade.
- O laboratório de ciências renovado? Compromisso com a educação científica.
- As janelas substituídas por modelos mais eficientes? Preocupação com conforto térmico e sustentabilidade.
O prédio não é um museu estático. É um organismo vivo, que respira, se adapta, evolui. Como deve ser uma escola.
A Avenida Marechal Deodoro: Um Endereço que é Símbolo
Localizado na Avenida Marechal Deodoro, 635, Centro, Palmas , o colégio ocupa um endereço que é, em si, um símbolo. Marechal Deodoro da Fonseca foi o primeiro presidente do Brasil republicano. Dar seu nome à avenida principal da cidade não foi acaso: foi uma declaração de pertencimento à nação.
E no coração dessa avenida, o Colégio Estadual Dom Carlos se ergue como testemunha silenciosa de décadas de história. Crianças passam por ali todos os dias, talvez sem perceber que caminham sobre camadas de memória: pegadas de alunos de 1945, de 1960, de 1980, de 2000.
Cada geração deixa sua marca. Cada geração renova o compromisso.
CAPÍTULO VI: O ACERVO COMO TESOURO DA MEMÓRIA
A Pasta 5016: Um Baú de Histórias
Uma das informações mais preciosas deste registro é a fonte do acervo: Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD (Secretaria de Estado da Administração) – Pasta 5016 .
Essa "pasta" não é apenas um número de arquivo. É um baú. Dentro dela, provavelmente repousam:
- Plantas originais do projeto de 1940, com traços precisos do Departamento de Obras e Viação.
- Relatórios técnicos da construção, com nomes de engenheiros, empreiteiros, fornecedores.
- Fotografias da inauguração, com rostos que hoje são memória viva.
- Correspondências oficiais, ofícios, despachos que revelam os bastidores da política educacional.
- Talvez até desenhos feitos por alunos das primeiras turmas, guardados como relíquias.
Esse acervo é um tesouro que merece ser explorado, preservado e compartilhado. Pesquisadores, ex-alunos, a comunidade em geral – todos têm o direito e o dever de conhecer essa história. Porque conhecer a história da escola é conhecer a própria história de Palmas.
O Desafio da Preservação
Preservar documentos não é apenas guardar papel. É manter viva a memória coletiva. É permitir que futuras gerações entendam de onde vieram, para saber para onde vão.
A Coordenadoria do Patrimônio do Estado desempenha um papel fundamental nessa missão. Mas ela não pode fazer isso sozinha. Precisa da colaboração da sociedade: de ex-alunos que guardam fotografias em casa, de professores que documentam projetos pedagógicos, de cidadãos que valorizam sua história.
CAPÍTULO VII: O LEGADO QUE CONTINUA A SER ESCRITO
Números que Escondem Rostos, Sonhos, Conquistas
Entre 1940 e hoje, milhares de alunos passaram pelo Colégio Estadual Dom Carlos. Cada um deles é uma história única:
- A menina que foi a primeira de sua família a concluir o ensino médio.
- O jovem que, inspirado por um professor, decidiu cursar agronomia e hoje desenvolve técnicas sustentáveis para a agricultura familiar.
- A professora que, ex-aluna da casa, retorna para formar novas gerações.
- O líder comunitário que, nas reuniões de grêmio estudantil, aprendeu os primeiros fundamentos da democracia.
Essas histórias não estão em planilhas. Estão em corações. Em memórias. Em conquistas que se multiplicam como ondas.
O Desafio Contemporâneo: Manter a Escola Pública Viva
Enquanto celebramos a história do Colégio Estadual Dom Carlos, precisamos reconhecer o contexto desafiador da educação pública no Brasil. Entre 2000 e 2024, o país perdeu mais de 110 mil escolas rurais . Mesmo nas áreas urbanas, o sucateamento, a falta de recursos, a desvalorização dos professores ameaçam a qualidade do ensino.
Nesse cenário, instituições como o Colégio Estadual Dom Carlos são faróis de resistência. Elas mostram que é possível, sim, oferecer educação pública de qualidade. Que é possível formar cidadãos críticos, éticos, preparados para os desafios do século XXI.
A Comunidade como Guardiã
O futuro do colégio depende, em grande medida, da comunidade. Pais que participam das reuniões. Ex-alunos que contribuem com sua experiência. Empresários locais que apoiam projetos pedagógicos. Poder público que investe com responsabilidade.
Quando a escola é vista como patrimônio coletivo, ela floresce. Quando é abandonada, definha. A escolha é nossa.
CAPÍTULO VIII: UM CONVITE À AÇÃO E À MEMÓRIA
Para os Alunos de Hoje: Vocês São Herdeiros de um Legado
Se você estuda hoje no Colégio Estadual Dom Carlos, saiba: você caminha pelos mesmos corredores que milhares percorreram antes de você. Você estuda em um prédio que foi planejado com ousadia em 1940, que resistiu a décadas de transformações, que continua sendo um espaço de esperança.
Honre esse legado. Estude com dedicação. Respeite seus professores. Cuide do espaço físico. Participe da vida escolar. Porque você não é apenas um aluno; é um elo na corrente histórica que começou entre 1930 e 1945.
Para a Comunidade de Palmas: Protejam Sua Escola
O Colégio Estadual Dom Carlos não é apenas um prédio. É parte da identidade de Palmas. É onde muitas famílias tiveram seu primeiro contato com a educação formal. É onde talentos foram descobertos, vocações foram despertadas, cidadãos foram formados.
Valorizem essa instituição. Cobrem do poder público os recursos necessários. Apoiem os professores. Celebrem as conquistas dos alunos. Porque uma escola forte faz uma cidade forte.
Para os Pesquisadores e Historiadores: Documentem, Preservem, Compartilhem
A história do Grupo Escolar de Palmas / Colégio Estadual Dom Carlos merece ser registrada com rigor e sensibilidade. Entrevistem ex-alunos, ex-professores, funcionários antigos. Busquem documentos na Pasta 5016 da SEAD, em arquivos municipais, familiares. Digitalizem fotografias, registros de matrícula, trabalhos escolares.
Porque memória não é apenas passado. É ferramenta para construir futuro.
EPÍLOGO: LINHAS QUE SE CRUZAM, VIDAS QUE SE TRANSFORMAM
Em 1940, engenheiros do Departamento de Obras e Viação do Paraná desenharam linhas em pranchetas. Linhas que se tornariam paredes, que se tornariam salas, que se tornariam um espaço de aprendizado.
Essas linhas, em formato de "L", eram modernas para sua época. Eram padronizadas, sim, mas não impessoais. Eram funcionais, mas também belas. Eram, acima de tudo, promessas.
Promessas de que crianças teriam acesso ao conhecimento. De que jovens teriam oportunidades. De que uma cidade do interior do Paraná poderia formar cidadãos capazes de transformar não apenas suas próprias vidas, mas a sociedade como um todo.
Hoje, mais de 80 anos depois, essas linhas continuam lá. Na Avenida Marechal Deodoro, 635. No Centro de Palmas. No coração de uma comunidade.
O prédio pode ter sido alterado. O nome pode ter mudado. Os métodos de ensino podem ter evoluído. Mas a essência permanece: educar para libertar, educar para transformar, educar para amar.
Que o Colégio Estadual Dom Carlos continue, por muitas gerações, a ser esse espaço sagrado onde o futuro é construído, um aluno de cada vez.
Porque educação não é apenas transmitir conhecimento. É acender luzes. E luzes, uma vez acesas, jamais se apagam.
AGRADECIMENTOS SIMBÓLICOS
Este artigo é uma homenagem:
- Ao Departamento de Obras e Viação – Secção Técnica, cujos engenheiros anônimos desenharam, com precisão e visão, o futuro de milhares de crianças paranaenses.
- Aos primeiros professores que aceitaram o desafio de educar em um prédio novo, com recursos limitados, mas com dedicação ilimitada.
- Aos milhares de alunos que, desde os anos 1940, passaram pelo Grupo Escolar / Colégio Estadual Dom Carlos e transformaram, com seu aprendizado, a história de Palmas e do Paraná.
- Aos funcionários – merendeiras, serventes, secretários, diretores – que, muitas vezes nos bastidores, mantêm a escola funcionando com amor e profissionalismo.
- À comunidade de Palmas, que abraçou sua escola como parte de sua identidade e de seu orgulho.
- A Dom Carlos, cujo nome inspira serviço, compaixão e justiça – valores que toda escola deveria cultivar.
- Aos pais e mães que, ao longo das décadas, confiaram seus filhos a esta instituição.
- Aos gestores públicos que, em seus melhores momentos, reconheceram na educação a prioridade das prioridades.
- À Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD, guardiã da Pasta 5016 e, com ela, da memória institucional do Paraná.
FONTES E REFERÊNCIAS PARA PESQUISADORES
Para aqueles que desejam se aprofundar na história desta instituição:
- Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD – Pasta 5016 – Fonte primária essencial, com documentos originais do projeto de 1940.
- Memória Urbana – Projeto que cataloga a arquitetura escolar do Paraná pode ter registros adicionais.
- Arquivo Público do Paraná – Documentos oficiais do período 1930-1945 sobre a criação do Grupo Escolar.
- Biblioteca Pública do Paraná – Acervo sobre educação e história do estado.
- Jornais locais de Palmas – Provavelmente há reportagens sobre a inauguração e marcos históricos da escola.
- Depoimentos orais – Ex-alunos, ex-professores, moradores antigos são fontes insubstituíveis de memória afetiva e histórica.
- Acervo do Colégio Estadual Dom Carlos – A própria escola deve guardar documentos, fotografias, registros históricos valiosos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: O FUTURO SE ESCREVE NO PRESENTE
O Grupo Escolar de Palmas nasceu em uma época de esperança. O Colégio Estadual Dom Carlos vive em uma época de desafios. Mas a missão é a mesma: formar seres humanos livres, críticos, solidários.
Que as linhas modernistas do projeto original continuem a inspirar. Que o formato em "L" lembre a todos que a educação é um abraço – acolhe, protege, orienta. Que o endereço na Avenida Marechal Deodoro seja sempre um convite à liberdade do pensamento, da criação, da cidadania.
E que, daqui a outros 80 anos, quando alguém escrever a próxima página desta história, possa dizer: "Eles cuidaram bem do legado. A escola continua viva. E os sonhos, também".
Porque educar é plantar árvores sob cuja sombra talvez nunca nos sentemos. Mas é assim que se constrói um mundo melhor.
Artigo escrito em homenagem à história do Colégio Estadual Dom Carlos, antigo Grupo Escolar de Palmas.
Palmas, Paraná – Onde o passado e o futuro da educação se encontram, na Avenida Marechal Deodoro, 635.
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