Denominação inicial: Projecto para deposito do Snr. Frederico Hauer em Curityba
Denominação atual:
Categoria (Uso): Diversos
Subcategoria: Depósito
Endereço: Rua Duque de Caxias
Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 132,00 m²
Área Total: 132,00 m²
Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos
Data do Projeto Arquitetônico: 30/04/1926
Alvará de Construção: Talão N° 596; N° 5958/1926
Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de depósito.
Situação em 2012: Demolido
Imagens
1 - Projeto Arquitetônico.
Referências:
1 - GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto para deposito do Snr. Frederico Hauer em Curityba. Curitiba. Plantas do pavimento térreo e de implantação, corte e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
1 - Projeto Arquitetônico.
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.
O Depósito de Frederico Hauer em Curitiba: Um Testemunho Efêmero da Arquitetura Comercial dos Anos 1920
*Entre os arquivos empoeirados da memória urbana de Curitiba repousa, em forma de microfilme e tinta desbotada, o projeto de um modesto depósito que, embora já desaparecido da paisagem física da cidade, permanece como elo simbólico com uma era de transformação econômica, técnica e arquitetônica. Trata-se do “Projecto para deposito do Snr. Frederico Hauer em Curityba”, assinado em 30 de abril de 1926 por uma das mais respeitadas firmas de engenharia e arquitetura da época: Gastão Chaves & Cia.*
Um Edifício de Propósito: Função sobre Forma
Concebido como estrutura utilitária, o depósito de Frederico Hauer não buscava ostentação, mas sim eficiência, solidez e integração com o tecido urbano comercial que se expandia no centro de Curitiba. Localizado na Rua Duque de Caxias — via estratégica e historicamente relevante, próximo ao Mercado Municipal e à Praça do Jardim Botânico da época —, o edifício ocupava uma área total de 132,00 m², distribuídos em único pavimento.
Sua construção foi planejada em alvenaria de tijolos, técnica dominante na arquitetura civil paranaense do início do século XX. Robusta, acessível e durável, a alvenaria refletia tanto as limitações técnicas quanto as prioridades funcionais do período: proteger mercadorias, resistir ao tempo e integrar-se ao ritmo crescente da economia urbana.
O projeto incluía planta do pavimento térreo, planta de implantação, corte e fachada frontal, todos reunidos em uma única prancha — documento típico da produção arquitetônica da década de 1920, quando a representação gráfica era feita à mão, com precisão técnica e elegância gráfica que hoje despertam admiração entre historiadores e arquitetos.
Frederico Hauer: Um Nome na História Silenciosa
Embora pouco se saiba sobre a identidade de Frederico Hauer, seu nome vinculado a um depósito sugere que fosse um comerciante, importador ou industrial atuante na Curitiba em franco desenvolvimento. A década de 1920 foi marcada pelo crescimento do comércio de café, madeira, couro e produtos importados — atividades que exigiam infraestrutura logística urbana. Seu depósito provavelmente servia como ponto de armazenagem temporária entre fornecedores, transportadoras e lojistas.
O fato de ter contratado a Gastão Chaves & Cia., escritório renomado por obras públicas e privadas de relevância na capital paranaense, indica que Hauer era um homem de recursos e visão — alguém que entendia que até os espaços mais funcionais mereciam projeto profissional e qualidade construtiva.
O Alvará e o Contexto Urbano
O projeto foi oficialmente autorizado pelo poder público municipal por meio do Alvará de Construção nº 5958/1926, emitido pelo Talão nº 596, demonstrando a existência de um sistema de controle urbanístico já estruturado. Curitiba, naquele momento, vivia sob a influência de reformas urbanas inspiradas no modelo europeu, com ênfase em higiene, ordenação viária e regularização de construções.
A localização na Rua Duque de Caxias — uma das artérias centrais da cidade — reforça o caráter estratégico da empreitada. A via era (e ainda é) ligação direta entre os bairros centrais e as zonas de comércio e transporte, tornando-a ideal para atividades logísticas.
Desaparecimento e Memória
Em 2012, o depósito de Frederico Hauer já havia sido demolido, cedendo lugar a novas construções ou ao vazio que marca tantas perdas patrimoniais silenciosas. Não há registro fotográfico do edifício erguido — apenas o projeto arquitetônico original, preservado em microfilme digitalizado nos arquivos históricos da cidade.
Sua ausência física, no entanto, não apaga seu significado. Projetos como este compõem o “patrimônio invisível” da arquitetura: estruturas cotidianas que, embora não monumentais, contam a história do trabalho, do comércio e da vida civil de uma cidade em transformação.
Legado Técnico e Simbólico
O depósito de Frederico Hauer é mais do que um desenho em papel. É:
- Um documento da prática arquitetônica comercial da primeira metade do século XX;
- Um testemunho da urbanização funcional de Curitiba;
- Um exemplo da colaboração entre classe mercantil e profissionais técnicos;
- E, acima de tudo, um lembrete de que a história urbana se escreve não só com palácios, mas com armazéns, oficinas e depósitos.
Hoje, ao caminhar pela Rua Duque de Caxias, poucos imaginam que ali, quase um século atrás, ergueu-se um pequeno edifício de tijolos que abrigou sonhos, mercadorias e o esforço anônimo de um homem chamado Frederico Hauer — cujo nome, graças a um projeto arquitetônico preservado, não se perdeu por completo no tempo.
Ficha Técnica Resumida
- Denominação inicial: Projecto para deposito do Snr. Frederico Hauer em Curityba
- Localização: Rua Duque de Caxias, Curitiba – PR
- Data do projeto: 30 de abril de 1926
- Arquitetura/Engenharia: Gastão Chaves & Cia.
- Área total: 132,00 m² (1 pavimento)
- Material: Alvenaria de tijolos
- Alvará: Talão nº 596; nº 5958/1926
- Situação em 2012: Demolido
- Documentação existente: Projeto arquitetônico (planta, corte, fachada, implantação) em microfilme
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