Denominação inicial: Escola de Trabalhadores Rurais de Tibagi
Denominação atual: Unidade Social e Educacional de Tibagi
Endereço: Rua Salvador Batista Ribeiro, 535
Cidade: Tibagi
Classificação (Uso): Escolas Profissionais Rurais
Período: 1945-1951
Projeto Arquitetônico
Autor:
Data: 1948
Estrutura: padronizado
Tipologia: U
Linguagem: Neocolonial
Data de inauguracao:
Situação atual: Edificação existente com alterações
Uso atual:
Escola de Trabalhadores Rurais de Tibagi - s/d
Acervo: Escola de Trabalhadores Rurais de Tibagi
O Sulco do Saber: A História da Escola de Trabalhadores Rurais de Tibagi
Há edifícios que nascem para abrigar sonhos, e há aqueles que nascem para dignificar o suor. Na Rua Salvador Batista Ribeiro, número 535, em Tibagi, ergue-se uma construção que não foi feita apenas para ensinar letras, mas para valorizar as mãos que cultivam a terra. Esta é a saga da Escola de Trabalhadores Rurais de Tibagi, hoje conhecida como Unidade Social e Educacional de Tibagi.
Enquanto o mundo se reorganizava após os estragos da Segunda Guerra Mundial, no interior do Paraná, uma outra revolução acontecia em silêncio. Não era uma revolução de armas, mas de enxadas e livros. Entre 1945 e 1951, o Brasil voltava seus olhos para o seu interior, entendendo que o progresso nacional não viria apenas das fábricas nascentes, mas também do campo fértil. Foi nesse contexto de esperança e reconstrução que Tibagi recebeu um dos seus patrimônios mais significativos.
O Contexto de Uma Era: 1945-1951
O período pós-guerra foi marcado por um otimismo cauteloso. No Paraná, a expansão das fronteiras agrícolas exigia mais do que força bruta; exigia técnica, educação e organização. O governo estadual, em uma iniciativa visionária, começou a implantar as Escolas Profissionais Rurais.
A Escola de Trabalhadores Rurais de Tibagi não foi um acidente geográfico; foi um projeto de estado. Ela representava a promessa de que o filho do agricultor não precisaria escolher entre o enxada e o conhecimento. Ele poderia ter ambos. A escola era o símbolo de que o trabalho rural era nobre, digno e merecedor de intelectualização.
Embora a data exata da inauguração tenha se perdido nas brumas do tempo, os registros situam sua gênese no projeto de 1948, com a construção consolidando-se no virar da década. Era o tempo em que o rádio era a voz do mundo e o caminho para a escola era muitas vezes percorrido a pé, entre poeira e expectativa.
A Arquitetura do Abraço: Estilo Neocolonial
Quando se olha para a fachada da edificação, nota-se uma escolha estética deliberada: a linguagem Neocolonial. Por que Neocolonial em 1948?
Naquele momento, o Brasil buscava uma identidade própria, afastando-se dos excessos europeus e olhando para suas raízes lusitanas e tropicais. O estilo Neocolonial, com seus telhados de águas generosas, arcadas e simplicidade sólida, conversava diretamente com a história da colonização do Paraná. Era uma arquitetura que dizia: "Este prédio pertence a esta terra".
O projeto, datado de 1948, seguia uma estrutura padronizada. Isso significa que a Escola de Tibagi era irmã de outras espalhadas pelo estado, parte de uma rede de conhecimento que unia o interior paranaense. Embora o nome do autor do projeto arquitetônico não tenha sido preservado nos registros públicos, a assinatura do tempo está em cada detalhe.
A tipologia em "U" é talvez o elemento mais poético da construção. Diferente de um bloco fechado, o formato em "U" sugere um abraço. Os dois braços do edifício se estendem para a frente, como se a escola estivesse acolhendo a comunidade, protegendo o pátio interno onde o recreio acontecia, onde as lições práticas eram aprendidas sob o sol de Tibagi. Era um convite à entrada, uma arquitetura hospitaleira para quem chegava cansado do campo.
Dentro das Salas: O Encontro da Teoria com a Terra
Imagine o som dentro daquela escola entre 1950 e 1960. Não era apenas o ruído de cadeiras arrastando. Era o som de uma nova consciência sendo formada.
A Classificação de Uso como "Escolas Profissionais Rurais" indica um currículo diferenciado. Aqui, a matemática servia para calcular a colheita. A biologia servia para entender o solo. A escrita servia para garantir direitos e contratos. Os alunos não eram apenas crianças; eram futuros trabalhadores rurais que aprendiam que a terra responde a quem a trata com ciência e respeito.
As paredes da Rua Salvador Batista Ribeiro testemunharam gerações de tibagianos que ali aprenderam que a dignidade do trabalho está na competência. Professores dedicados, muitas vezes vindos de outras regiões, plantaram sementes de cidadania que floresceriam em lavouras mais produtivas e em uma comunidade mais justa.
A Metamorfose: De Escola a Unidade Social
O tempo não perdoa, mas transforma. Com as mudanças nas leis de educação e nas necessidades sociais da segunda metade do século XX, a denominação "Escola de Trabalhadores Rurais" tornou-se insuficiente para descrever o papel que o edifício desempenhava.
Assim, nasceu a Unidade Social e Educacional de Tibagi.
Esta mudança de nome não foi apenas burocrática; foi conceitual. De "Escola", o foco era o ensino. De "Unidade Social e Educacional", o foco expandiu-se para o bem-estar integral da comunidade. O edifício passou a abrigar não apenas aulas, mas possivelmente assistência, reuniões comunitárias e apoio social.
A situação atual do imóvel é descrita como "Edificação existente com alterações". Isso é o sinal de vida de um prédio histórico. Um museu permanece estático; um patrimônio vivo se adapta. As alterações podem ter sido janelas ampliadas, divisórias mudadas, acessos facilitados. Cada modificação conta uma história de uma nova necessidade atendida. Embora o uso atual específico não esteja detalhado nos registros públicos, a manutenção da denominação "Unidade Social" sugere que o prédio continua a servir ao público, mantendo viva a chama do serviço comunitário iniciada em 1948.
A Memória em Arquivo
O que resta hoje da história original está guardado no acervo. Fotografias sem data, rotuladas apenas como "Escola de Trabalhadores Rurais de Tibagi - s/d", são janelas para o passado. Nelas, podemos entrever uniformes, rostos sérios e orgulhosos, e a estrutura original do prédio em "U" antes das alterações contemporâneas.
Esses documentos são a prova de que o estado não esqueceu completamente suas origens. A preservação desses registros na pasta do acervo garante que, mesmo que o reboco seja renovado, a alma do edifício permaneça intacta.
Conclusão: O Legado das Mãos e da Mente
A Escola de Trabalhadores Rurais de Tibagi, hoje Unidade Social e Educacional, é um monumento à resiliência. Ela sobreviveu ao tempo, às mudanças de governos e às transformações da sociedade.
Localizada na Rua Salvador Batista Ribeiro, ela continua sendo um farol no centro de Tibagi. O estilo Neocolonial nos lembra de onde viemos. A estrutura em "U" nos lembra que devemos nos abraçar. E a transformação de Escola para Unidade Social nos lembra que a educação nunca é um fim em si mesma, mas um meio para a melhoria social.
Muitos dos alunos que passaram por ali já se foram. Muitos dos professores já descansam. Mas o edifício permanece. E enquanto ele estiver de pé, servindo à comunidade, a promessa de 1948 estará cumprida: a de que em Tibagi, o trabalho e o saber caminham juntos, sob o mesmo teto, protegidos pelo mesmo abraço de tijolos.
Em homenagem a todos os trabalhadores rurais, educadores e cidadãos de Tibagi que construíram, frequentaram e preservaram este patrimônio entre 1945 e os dias atuais.

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