Denominação inicial: Grupo Escolar Telêmaco Borba
Denominação atual: Biblioteca Pública Municipal Luiz Leopoldo Mercer
Endereço: Rua Ana Beje, 1 - Centro
Cidade: Tibagi
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1900-1930
Projeto Arquitetônico
Autor: Ângelo Bottechia
Data: 1906
Estrutura: padronizado
Tipologia: Bloco único
Linguagem: Eclética
Data de inauguracao: 1918
Situação atual: Edificação existente com alterações
Uso atual: Edifício com uso cultural
Grupo Escolar de Tibagi - s/d
Acervo: Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD (Secretaria de Estado da Administração) - Pasta 4690
Das Cartilhas aos Livros: A Saga do Grupo Escolar Telêmaco Borba
No coração de Tibagi, onde o tempo parece fluir mais devagar entre as pedras e a história, ergue-se um edifício que não é feito apenas de tijolos e cal, mas de memórias, sonhos e o futuro de uma cidade. Esta é a crônica do Grupo Escolar Telêmaco Borba, hoje conhecido como Biblioteca Pública Municipal Luiz Leopoldo Mercer.
Muitas construções nascem para abrigar pessoas, mas poucas nascem para abrigar o conhecimento. Localizado na Rua Ana Beje, número 1, no Centro de Tibagi, este imóvel testemunhou a transição do Paraná colonial para o moderno, servindo como palco para a educação de crianças no início do século XX e, posteriormente, como santuário de leitura para toda a comunidade.
Sua história não é linear; é uma metamorfose. De escola a biblioteca, o edifício permaneceu de pé, resiliente, adaptando-se às necessidades de um povo que nunca deixou de valorizar a cultura.
O Sonho Arquitetônico: Ângelo Bottechia e o Ano de 1906
Tudo começou no papel, antes de se tornar pedra. Em 1906, o estado do Paraná vivia um momento de expansão e organização dos serviços públicos. A educação era vista como a chave para o progresso, e os "Grupos Escolares" eram as joias da coroa republicana.
Para projetar este símbolo em Tibagi, foi chamado Ângelo Bottechia. Arquiteto de visão, Bottechia não desejava apenas criar uma sala de aula; ele queria criar um marco. Seu projeto, datado de 1906, seguia uma estrutura padronizada, típica da época, mas carregava a sofisticação da linguagem eclética.
O estilo eclético, predominante entre 1900 e 1930, permitia a mistura de elementos clássicos e modernos, criando fachadas imponentes que inspiravam respeito e seriedade. A tipologia de "bloco único" sugeria solidez. Era como se o edifício dissesse aos habitantes de Tibagi: "Aqui, o futuro está sendo construído".
No entanto, entre o desenho de 1906 e a realidade concreta, houve um intervalo. A construção de obras públicas naquele período muitas vezes enfrentava desafios logísticos e financeiros. O projeto aguardou seu momento no tempo, germinando lentamente até estar pronto para receber seus primeiros alunos.
1918: A Inauguração e o Nome Telêmaco Borba
Foi apenas em 1918 que as portas se abriram. Doze anos após o projeto, o Grupo Escolar Telêmaco Borba nasceu para a vida pública.
A escolha do nome não foi aleatória. Telêmaco Borba foi um dos grandes engenheiros e exploradores do Paraná, um homem que desbravou sertões e ajudou a mapear o estado. Batizar a escola com seu nome era uma forma de conectar as novas gerações de estudantes tibagianos com a história de coragem e trabalho que fundou a região.
Imagine o cenário naquele ano: crianças uniformizadas, o som do sino convocando para as aulas, o cheiro de madeira encerada e livros novos. Durante décadas, este edifício foi o "Grupo Escolar de Tibagi". Foi dentro destas paredes que无数 (inúmeras) crianças aprenderam a ler, escrever e contar. Foi aqui que cidadãos tibagianos deram seus primeiros passos intelectuais.
O edifício, classificado como "Casa Escolar, Grupo", cumpriu sua missão primordial com dignidade. Cada sala de aula ecoava vozes que hoje já se calaram, mas que permaneceram na estrutura do imóvel como uma energia latente.
A Metamorfose: De Escola a Biblioteca
O tempo é o único arquiteto que nunca para de reformar. Com as mudanças nas demandas educacionais e no crescimento da cidade, a função do edifício precisou evoluir. O ensino primário exigia novas estruturas, mas a cultura exigia um lar permanente.
Assim, o Grupo Escolar Telêmaco Borba underwent uma transformação simbólica e prática. Deixou de ser apenas um local de ensino infantil para se tornar um Edifício com uso cultural. Nasceu ali a Biblioteca Pública Municipal Luiz Leopoldo Mercer.
A nova denominação homenageia Luiz Leopoldo Mercer, uma figura importante para a cidade, garantindo que o prédio continuasse sendo um monumento à memória local, agora sob uma nova tutela.
Esta transição é poética: o lugar onde se aprendia a ler nas cartilhas tornou-se o lugar onde se lê o mundo através dos livros. A missão de educar permaneceu, mas expandiu-se para todas as idades. O aluno deu lugar ao leitor; a lição de casa deu lugar à pesquisa lifelong (ao longo da vida).
A Estrutura que Resistiu
Classificado no período de 1900-1930, o edifício é um sobrevivente. A "Situação atual" nos registros do patrimônio indica: "Edificação existente com alterações".
Isso é natural. Um prédio que vive não permanece estático. Alterações foram necessárias para adaptar as antigas salas de aula às estantes de livros, para instalar iluminação moderna, para garantir acessibilidade. No entanto, a essência permanece. A estrutura de bloco único, a linguagem eclética nas fachadas e a localização privilegiada no Centro de Tibagi (Rua Ana Beje, 1) mantêm-no como um ponto de referência visual e cultural.
Sua preservação não é apenas estética; é histórica. Ele é um dos poucos remanescentes físicos daquela era de ouro dos Grupos Escolares no interior do Paraná.
A Guarda da Memória: O Acervo do Estado
A história deste imóvel não está apenas em suas paredes, mas também nos arquivos. Seus dados vitais estão guardados na Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD (Secretaria de Estado da Administração), sob a Pasta 4690.
Documentos como "Grupo Escolar de Tibagi - sem data" e os registros de projeto de Bottechia são as certidões de nascimento e crescimento deste patrimônio. Esses papéis garantem que, mesmo que o uso mude novamente no futuro, a origem do local nunca seja esquecida. Eles atestam que ali, antes de haver silêncio de leitura, houve o barulho alegre do recreio.
Conclusão: Um Legado Vivo
O Grupo Escolar Telêmaco Borba, hoje Biblioteca Pública Municipal Luiz Leopoldo Mercer, é mais do que um endereço na Rua Ana Beje. É um testemunho de que a educação e a cultura são as verdadeiras fundações de uma cidade.
De 1906 a 1918, foi um projeto de esperança.
De 1918 até meados do século XX, foi uma fábrica de cidadãos.
De lá para cá, é um templo de saber.
Ângelo Bottechia talvez não imaginasse, ao desenhar aquelas linhas em 1906, que sua criação serviria a propósitos tão nobres por mais de um século. Mas ele acertou na essência: construiu um lugar forte o suficiente para suportar o peso dos livros e leve o suficiente para deixar voar a imaginação de quem o frequenta.
Enquanto houver leitores em Tibagi, o Grupo Escolar Telêmaco Borba continuará vivo, provando que as pedras podem, sim, ter alma, e que um edifício público é, acima de tudo, um presente das gerações passadas para as futuras.
Em homenagem ao patrimônio histórico de Tibagi e a todos que, entre 1918 e os dias atuais, contribuíram para manter vivas as letras e a memória nestas paredes.

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