Ritta CASSOU BRUEL Nascida a 28 de outubro de 1922 (sábado) Falecida a 13 de outubro de 2003 (segunda-feira) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 80 anos Prof – Agriculteur agricultora
Ritta Cassou Bruel: A Terra, o Sangue e o Silêncio das Raízes — Uma Vida Tecida entre Colheitas e Lembranças
Nascida sob um sábado de outubro em 1922, quando as folhas do araucária começavam a anunciar o outono paranaense, Ritta Cassou Bruel veio ao mundo não como uma história isolada, mas como um fio delicado tecido numa tapeçaria humana imensa. Em São Luís do Purunã, distrito de Balsa Nova, onde o chão vermelho abraçava sonhos de imigrantes e o trabalho rural ditava o ritmo dos dias, ela respirou pela primeira vez o ar carregado de terra molhada e esperança — herança de um pai francês, Auguste Bruel, nascido em 1866, e de uma mãe de alma forte, Maria Clara Marica Cassou, nascida em 1879, cujos nomes carregavam as marcas de uma Europa distante que se transformara em Brasil.
Uma Infância entre Irmãos: O Coro das Vozes que Partiram Cedo
Ritta não conheceu a solidão da criança única. Cresceu num redemoinho de vozes, risos e ausências prematuras — realidade crua da vida rural no início do século XX. Sua infância foi povoada por irmãos cujos nomes ecoam como sinos de memórias truncadas: Clemência, Luiza (que partiu antes dos dois anos), Luiz (que também se foi na infância), Augusto, Georges Jean, Tardine (cuja breve passagem pela vida terminou por volta de 1915), Odette Titina, Aimé Amado, Clemente Clema, Octavio, Alice Lila, Antonio Babine — este que morreria jovem em 1940 —, Maria Luisa Nena, Yvette Nenê, Luiz Lute, Amelia (que viveu apenas semanas em 1920), Eugénie (nascida e falecida no mesmo ano de Ritta), e finalmente Luiz René Neno, nascido em 1924, quando Ritta tinha apenas um ano e meio.
Essa constelação de irmãos era ao mesmo tempo colo e luto. Cada berço vazio na casa de pau-a-pique ensinava, antes das palavras, sobre a fragilidade da vida. Mas também cada irmão que permanecia era um braço a mais para carregar água, semear mandioca, cantar cantigas à beira do fogão a lenha. Ritta aprendeu cedo: a família não era apenas sangue — era resistência coletiva.
O Pai que Partiu Cedo, a Mãe que Resistiu
Quando Ritta tinha apenas sete anos, em outubro de 1930, Auguste Bruel deixou este mundo em Tamanduá, Campo Largo. Um homem nascido na França, que cruzara oceanos para plantar raízes num chão vermelho do Paraná — e que partiu antes de ver sua filha mais nova florescer. Restou a Maria Clara Marica, viúva com filhos ainda por criar, a força silenciosa que segurou a família com mãos calejadas e coração inquebrantável. Por 34 anos, até seu último suspiro em março de 1964, ela foi o esteio — a mulher que transformou luto em colheita, dor em persistência. Ritta carregaria para sempre essa lição: a de que as mulheres da terra não quebram; dobram-se ao vento, mas não caem.
O Amor que Construiu Casa: Casimiro e os Filhos da Terra
Na juventude, entre as décadas de 1930 e 1940, enquanto o Brasil se transformava e o Paraná se abria para novos caminhos, Ritta encontrou em Casimiro Szcypiork — homem nascido em 1919, de sobrenome que sussurrava outras origens europeias — um companheiro para a jornada. Casaram-se não com pompa, mas com a solenidade do compromisso rural: a promessa de dividir o pão, o suor e as madrugadas frias da serra paranaense.
Dessa união nasceram dois homens que carregariam o sangue misturado de Bruel, Cassou e Szcypiork:
- Jorge Augusto Szcypiork, cujo nome honrava a memória do avô Auguste — uma ponte entre gerações;
- Octavio Luiz Szcypiork, que trazia no primeiro nome a homenagem ao tio Octavio Bruel, e no segundo, talvez, a lembrança do irmãozinho Luiz que partira na infância.
Ritta, agricultora por vocação e necessidade, não apenas cultivava a terra — cultivava vidas. Suas mãos, que plantavam feijão e colhiam milho, também acariciavam cabeças febris, amarravam cadarços de sapatos gastos, preparavam o café forte que dava força ao marido antes do amanhecer. Sua profissão não estava em diplomas; estava nas unhas sujas de terra, no cheiro de chuva no campo, no cansaço honesto do fim do dia.
O Tempo que Leva e o Tempo que Fica
A vida de Ritta foi marcada pelo ritmo implacável das perdas. Viu irmãos partirem: Antonio Babine em 1940, Augusto em 1957, Georges Jean em 1967, Maria Luisa em 1979 — o mesmo ano em que a morte levou também seu companheiro Casimiro, em abril, deixando-a viúva aos 56 anos. A mãe, Marica, partiu em 1964; o irmão Luiz René, em 1965 — aquele menino nascido quando ela era ainda uma criança, que crescera ao seu lado.
Mas também houve colheitas de alegria: casamentos de irmãos, sobrinhos que enchiam a casa de barulho, netos que traziam de volta o brilho aos olhos cansados. Ritta permaneceu. Enquanto o século XX avançava com suas revoluções, ela continuava fiel ao seu lugar: a terra, a família, o silêncio sábio das raízes profundas.
O Adeus Sob as Araucárias
No dia 13 de outubro de 2003 — segunda-feira de outono paranaense — Ritta Cassou Bruel fechou os olhos em Curitiba, aos 80 anos. Partiu quinze dias antes de completar 81 anos, como se a vida lhe desse um último suspiro de outono antes do inverno. Deixou para trás não monumentos de pedra, mas algo mais duradouro: a memória viva nos filhos Jorge Augusto e Octavio Luiz; nos netos que herdaram seu olhar sereno; nos sobrinhos que lembram sua voz calma; na terra que cultivou com mãos de mãe e agricultora.
Legado: A Força Silenciosa das Mulheres da Terra
Ritta não foi heroína de livros nem personagem de novelas. Foi mulher de chão batido e fé simples. Sua história não está nos arquivos oficiais, mas nas sementes que plantou, nos filhos que criou com dignidade, no exemplo silencioso de quem enfrentou lutos sem se dobrar, viu irmãos partirem sem perder a ternura, perdeu o marido sem perder a si mesma.
Ela representa uma geração de mulheres brasileiras — especialmente as descendentes de imigrantes no Paraná — que construíram este país com as mãos na terra e o coração na família. Mulheres cujos nomes raramente aparecem nas páginas da História com H maiúsculo, mas que são a própria história viva das comunidades rurais que alimentaram cidades, preservaram tradições e ensinaram, sem palavras, o que é resistência.
Ritta Cassou Bruel partiu, mas suas raízes permanecem. Profundas. Silenciosas. Férteis. Como a terra que amou — e que, em cada colheita nova, renasce.
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Pais
Auguste BRUEL 1866-1930
Maria Clara Marica CASSOU 1879-1964
Casamento(s) e filho(s)
- Com Casimiro SZCZYPIOR 1919-1979 tiveram
Irmãos
Clemencia CASSOU BRUEL /1897-
Luiza BRUEL ca 1897-1899
Luiz BRUEL 1898..1900-
Augusto BRUEL 1900-1957
Georges Jean BRUEL 1902-1967
Tardine BRUEL 1903..1905-/1915
Odette Titina CASSOU BRUEL 1905-1986
Aimé Amado BRUEL 1907-
Clemente Clema BRUEL 1908-1995
Octavio BRUEL 1910-1983
Alice Lila CASSOU BRUEL 1911-1989
Antonio Babine BRUEL 1913-1940
Maria Luisa Nena BRUEL 1915-1979
Yvette Nenê CASSOU BRUEL 1916-1985
Luiz Lute BRUEL 1918-1984
Amelia CASSOU BRUEL 1920-1920
Eugénie BRUEL /1922-1922
Ritta CASSOU BRUEL 1922-2003
Luiz René Neno BRUEL 1924-1965
| (esconder) |
Acontecimentos
| 28 de outubro de 1922 : | Nascimento |
| 14 de dezembro de 1931 : | Nascimento - São Luís do Purunã - Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL enregistrement naissance |
| --- : | Sem informação (com Casimiro SZCZYPIOR) |
| 13 de outubro de 2003 : | Morte - Curitiba, Parana, Brasil 13-10-2003 |
Árvore genealógica (até aos avós)
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192228 out.
Nascimento
192421 jun.
19 meses
Nascimento de um irmão
Baptismo a 14 de dezembro de 1931 (Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL)
192828 jan.
5 anos
Casamento de uma irmã
193023 out.
7 anos
Morte do pai
19373 abr.
14 anos
Casamento de um irmão
193718 dez.
15 anos
Casamento de uma irmã
194015 jan.
17 anos
Morte de um irmão
194029 jun.
17 anos
Casamento de uma irmã
194316 out.
20 anos
Casamento de um irmão
195014 mar.
27 anos
Casamento de um irmão
195710 ago.
34 anos
Morte de um irmão
19643 mar.
41 anos
Morte da mãe
196510 maio
42 anos
Morte de um irmão
196729 ago.
44 anos
Morte de um irmão
197922 fev.
56 anos
Morte de uma irmã
197925 abr.
56 anos
Morte do cônjuge
198310 jan.
60 anos
Morte de um irmão
198429 fev.
61 anos
Morte de um irmão
198522 fev.
62 anos
Morte de uma irmã
198622 abr.
63 anos
Morte de uma irmã
19895 set.
66 anos
Morte de uma irmã
199518 maio
72 anos
Morte de um irmão
200313 out.
80 anos
Morte
Antepassados de Ritta CASSOU BRUEL
Descendentes de Ritta CASSOU BRUEL
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