terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Ritta CASSOU BRUEL Nascida a 28 de outubro de 1922 (sábado) Falecida a 13 de outubro de 2003 (segunda-feira) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 80 anos Prof – Agriculteur agricultora

  Ritta CASSOU BRUEL Nascida a 28 de outubro de 1922 (sábado) Falecida a 13 de outubro de 2003 (segunda-feira) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 80 anos Prof – Agriculteur agricultora

Ritta Cassou Bruel: A Terra, o Sangue e o Silêncio das Raízes — Uma Vida Tecida entre Colheitas e Lembranças

Nascida sob um sábado de outubro em 1922, quando as folhas do araucária começavam a anunciar o outono paranaense, Ritta Cassou Bruel veio ao mundo não como uma história isolada, mas como um fio delicado tecido numa tapeçaria humana imensa. Em São Luís do Purunã, distrito de Balsa Nova, onde o chão vermelho abraçava sonhos de imigrantes e o trabalho rural ditava o ritmo dos dias, ela respirou pela primeira vez o ar carregado de terra molhada e esperança — herança de um pai francês, Auguste Bruel, nascido em 1866, e de uma mãe de alma forte, Maria Clara Marica Cassou, nascida em 1879, cujos nomes carregavam as marcas de uma Europa distante que se transformara em Brasil.

Uma Infância entre Irmãos: O Coro das Vozes que Partiram Cedo

Ritta não conheceu a solidão da criança única. Cresceu num redemoinho de vozes, risos e ausências prematuras — realidade crua da vida rural no início do século XX. Sua infância foi povoada por irmãos cujos nomes ecoam como sinos de memórias truncadas: Clemência, Luiza (que partiu antes dos dois anos), Luiz (que também se foi na infância), Augusto, Georges Jean, Tardine (cuja breve passagem pela vida terminou por volta de 1915), Odette Titina, Aimé Amado, Clemente Clema, Octavio, Alice Lila, Antonio Babine — este que morreria jovem em 1940 —, Maria Luisa Nena, Yvette Nenê, Luiz Lute, Amelia (que viveu apenas semanas em 1920), Eugénie (nascida e falecida no mesmo ano de Ritta), e finalmente Luiz René Neno, nascido em 1924, quando Ritta tinha apenas um ano e meio.
Essa constelação de irmãos era ao mesmo tempo colo e luto. Cada berço vazio na casa de pau-a-pique ensinava, antes das palavras, sobre a fragilidade da vida. Mas também cada irmão que permanecia era um braço a mais para carregar água, semear mandioca, cantar cantigas à beira do fogão a lenha. Ritta aprendeu cedo: a família não era apenas sangue — era resistência coletiva.

O Pai que Partiu Cedo, a Mãe que Resistiu

Quando Ritta tinha apenas sete anos, em outubro de 1930, Auguste Bruel deixou este mundo em Tamanduá, Campo Largo. Um homem nascido na França, que cruzara oceanos para plantar raízes num chão vermelho do Paraná — e que partiu antes de ver sua filha mais nova florescer. Restou a Maria Clara Marica, viúva com filhos ainda por criar, a força silenciosa que segurou a família com mãos calejadas e coração inquebrantável. Por 34 anos, até seu último suspiro em março de 1964, ela foi o esteio — a mulher que transformou luto em colheita, dor em persistência. Ritta carregaria para sempre essa lição: a de que as mulheres da terra não quebram; dobram-se ao vento, mas não caem.

O Amor que Construiu Casa: Casimiro e os Filhos da Terra

Na juventude, entre as décadas de 1930 e 1940, enquanto o Brasil se transformava e o Paraná se abria para novos caminhos, Ritta encontrou em Casimiro Szcypiork — homem nascido em 1919, de sobrenome que sussurrava outras origens europeias — um companheiro para a jornada. Casaram-se não com pompa, mas com a solenidade do compromisso rural: a promessa de dividir o pão, o suor e as madrugadas frias da serra paranaense.
Dessa união nasceram dois homens que carregariam o sangue misturado de Bruel, Cassou e Szcypiork:
  • Jorge Augusto Szcypiork, cujo nome honrava a memória do avô Auguste — uma ponte entre gerações;
  • Octavio Luiz Szcypiork, que trazia no primeiro nome a homenagem ao tio Octavio Bruel, e no segundo, talvez, a lembrança do irmãozinho Luiz que partira na infância.
Ritta, agricultora por vocação e necessidade, não apenas cultivava a terra — cultivava vidas. Suas mãos, que plantavam feijão e colhiam milho, também acariciavam cabeças febris, amarravam cadarços de sapatos gastos, preparavam o café forte que dava força ao marido antes do amanhecer. Sua profissão não estava em diplomas; estava nas unhas sujas de terra, no cheiro de chuva no campo, no cansaço honesto do fim do dia.

O Tempo que Leva e o Tempo que Fica

A vida de Ritta foi marcada pelo ritmo implacável das perdas. Viu irmãos partirem: Antonio Babine em 1940, Augusto em 1957, Georges Jean em 1967, Maria Luisa em 1979 — o mesmo ano em que a morte levou também seu companheiro Casimiro, em abril, deixando-a viúva aos 56 anos. A mãe, Marica, partiu em 1964; o irmão Luiz René, em 1965 — aquele menino nascido quando ela era ainda uma criança, que crescera ao seu lado.
Mas também houve colheitas de alegria: casamentos de irmãos, sobrinhos que enchiam a casa de barulho, netos que traziam de volta o brilho aos olhos cansados. Ritta permaneceu. Enquanto o século XX avançava com suas revoluções, ela continuava fiel ao seu lugar: a terra, a família, o silêncio sábio das raízes profundas.

O Adeus Sob as Araucárias

No dia 13 de outubro de 2003 — segunda-feira de outono paranaense — Ritta Cassou Bruel fechou os olhos em Curitiba, aos 80 anos. Partiu quinze dias antes de completar 81 anos, como se a vida lhe desse um último suspiro de outono antes do inverno. Deixou para trás não monumentos de pedra, mas algo mais duradouro: a memória viva nos filhos Jorge Augusto e Octavio Luiz; nos netos que herdaram seu olhar sereno; nos sobrinhos que lembram sua voz calma; na terra que cultivou com mãos de mãe e agricultora.

Legado: A Força Silenciosa das Mulheres da Terra

Ritta não foi heroína de livros nem personagem de novelas. Foi mulher de chão batido e fé simples. Sua história não está nos arquivos oficiais, mas nas sementes que plantou, nos filhos que criou com dignidade, no exemplo silencioso de quem enfrentou lutos sem se dobrar, viu irmãos partirem sem perder a ternura, perdeu o marido sem perder a si mesma.
Ela representa uma geração de mulheres brasileiras — especialmente as descendentes de imigrantes no Paraná — que construíram este país com as mãos na terra e o coração na família. Mulheres cujos nomes raramente aparecem nas páginas da História com H maiúsculo, mas que são a própria história viva das comunidades rurais que alimentaram cidades, preservaram tradições e ensinaram, sem palavras, o que é resistência.
Ritta Cassou Bruel partiu, mas suas raízes permanecem. Profundas. Silenciosas. Férteis. Como a terra que amou — e que, em cada colheita nova, renasce.


Ritta CASSOU BRUEL
  • Nascida a 28 de outubro de 1922 (sábado)
  • Falecida a 13 de outubro de 2003 (segunda-feira) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 80 anos
  • Prof – Agriculteur agricultora
1 ficheiro disponível

 Pais

 Casamento(s) e filho(s)

 Irmãos

(esconder)

 Acontecimentos

28 de outubro de 1922 :
Nascimento
14 de dezembro de 1931 :
Nascimento - São Luís do Purunã - Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
enregistrement naissance
--- :
Sem informação (com Casimiro SZCZYPIOR)
13 de outubro de 2003 :
Morte - Curitiba, Parana, Brasil
13-10-2003

 Árvore genealógica (até aos avós)

sosa Guilhaume BRUEL 1818-1883 imagem
sosa Marie chamberedon ROSE 1832-1914
 imagem
sosa Barthélémy CASSOU 1853-1902
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sosa Clémence Laure LESBATS 1860-1908
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sosa Auguste BRUEL 1866-1930
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sosa Maria Clara Marica CASSOU 1879-1964
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Ritta CASSOU BRUEL 1922-2003


192228 out.

Nascimento

 
Nenhuma informação disponível para este acontecimento.
192421 jun.
19 meses

Nascimento de um irmão

 
São Luís do Purunã - Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
Baptismo a 14 de dezembro de 1931 (Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL)
192828 jan.
5 anos

Casamento de uma irmã

 
São Luís do Purunã - Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
193114 dez.
9 anos

Nascimento

 
São Luís do Purunã - Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
Notas

enregistrement naissance

19373 abr.
14 anos

Casamento de um irmão

193718 dez.
15 anos

Casamento de uma irmã

 
São Luiz Do Puruna, Balsa Nova, Paraná, BRÉSIL
194015 jan.
17 anos

Morte de um irmão

194029 jun.
17 anos

Casamento de uma irmã

 
S - Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
195014 mar.
27 anos
195710 ago.
34 anos

Morte de um irmão

19643 mar.
41 anos

Morte da mãe

 
Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
196510 maio
42 anos

Morte de um irmão

 
São Luís do Purunã - Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
196729 ago.
44 anos

Morte de um irmão

197925 abr.
56 anos

Morte do cônjuge

198310 jan.
60 anos
19895 set.
66 anos

Morte de uma irmã

 
Campo Magro, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
200313 out.
80 anos


Antepassados de Ritta CASSOU BRUEL

Louis Joseph BRUEL 1712-/1761 Françoise BOURGANEL 1719-1769 Antoine MOUSSÉ ca 1719-1753 Marguerite LABOURÉ 1724-1784/ Antoine GODARD 1719-1770/ Antoinette RODAMEL 1721-1770/ Louis GIRARD †/1770 Claudine LABOURÉ 1731-1790     Paschal CASSOU DU BOURDELAT 1766-1822 Bernarde SALIS 1762-1822 Ambroise CALAMY 1781-1813 Catherine FRECHOU 1783-1871 Jean DONJOAN 1768-1827 Marie Madeleine BEGORRE 1769-1813 Jean Pierre 2ème Né GUILHOURET 1781-1853 Marie SALENAVE 1780-1852 Pierre LESBATS 1772-1844 Jeanne DUMORA 1777-1835 Jean LABAT 1758-1855 Marguerite Elisabeth MAGEN 1768-1809 Julien GRAND GUILLOT 1754-1802 Angélique Charlotte Denise ROUSSEL 1764-1806 Louis COUPIN 1788-1842 Jeanne FAYNOT (FRAYNOT) 1795-1842
|- 1738 -| |- 1746 -| |- 1743 -| |- 1751 -|     |- 1790 -| |- 1803 -| |- 1795 -| |- 1802 -| |- 1794 -| |- 1797 -| |- 1781 -| |- 1816 -|



 


 


 


     


 


 


 


 


 


 


 


| | | |     | | | | | | | |
Claude BRUEL 1743-1790 Jeanne Marie MOUSSÉ 1747-1828 Guillaume GODARD 1744-1791 Marie GIRARD ca 1750-/1797     Jean CASSOU ca 1795-1842 Marie CALAMY 1804-1832 Bernard DONJOAN 1798-1833 Marie GUILHOURET 1806-1830 Jean LESBATS 1800-1858 Françoise Clémence LABAT 1803-1871
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 Pierre GRANDGUILLOT 1796-1871
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 Madelaine Adèle COUPIN 1817-1866
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|- 1773 -| |- 1770 -|     |- 1828 -| |- 1826 -| |- 1825 -| |- 1835 -|



 


     


 


 


 


| |     | | | |
François l'aîné BRUEL 1776-1819 Marie GODARD 1779-1830 x INCONNU x INCONNUE Jean CASSOU 1828-1906 Marie DOUNJOUAN 1828-1897 Pierre Octave Pedro Octavio LESBATS 1827-/1900
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 Alexandrine Clara GRANDGUILLOT 1836-1868
|- 1798 -| | | |- 1851 -| |- 1859 -|



 


 


 


| | | |
Guilhaume BRUEL 1818-1883 Marie chamberedon ROSE 1832-1914
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 Barthélémy CASSOU 1853-1902
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 Clémence Laure LESBATS 1860-1908
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|- 1854 -| |- <1879 -|



 


| |
Auguste BRUEL 1866-1930
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 Maria Clara Marica CASSOU 1879-1964
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|- 1895 -|



|
Ritta CASSOU BRUEL 1922-2003
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Descendentes de Ritta CASSOU BRUEL
































































































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