sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

 Caiobá - Início

artigo de 

Karin Romanó Santos 




A casa era a segunda a partir do Morro do Boi, a grande elevaçãoque se avista no fim da faixa de areia ao chegar em Caiobá, defrente para a Praia Brava. O proprietário era o Sr Guilherme Nickel Filho.


A arquitetura da casa demonstra as origens distantes.
Naquela época, nem havia rua — apenas a restinga que ligava a areia à casa. Os veículos trafegavam pelaareia.

Veranear na praia era um costume entre algumas famíliasdescendentes de europeus, que moravam em Curitiba.

Inicialmente, construíram suas casas em Matinhos e, com otempo, foram gradativamente ocupando Caiobá.

Para se ter umaideia, até o final da década de 1930, havia cerca de vinte casas no local, um hotel, uma paisagem bucólica, praias intocadas e possibilidade de aventuras em trilhas nas matas.

As famílias iam sempre durante as férias de inverno, quandonão havia o perigo de infestação de mosquitos e de contrairmalária.

As pessoas nem pensavam em se bronzear; só queriam tomar banho de mar, até duas vezes por dia — pela manhã e nofinal da tarde.

A diversão era também terapêutica, receitada pelos médicos para diversas finalidades.

O ar marinho era rico em iodo, que ajudava na cura de feridas, tuberculose, reumatismo, etc. O esforço contra as ondas fortificava os músculos e a água salgada era revigorante e calmante.

Os trajes dos banhistas obedeciam ao pudor da época. O maiô das mulheres era de lã; quando molhava, ficava pesado e o fundilho ia até o joelho. Os homens vestiam uma peça única - semelhante a uma regata costurada a um calção - também de lã.

Quem olha essa fotografia não faz ideia das dificuldades queas pessoas enfrentavam para chegar ao mar, há cerca de oitenta anos.

O meio de transporte usado por muitos era o trem até Paranaguá; dali, partiam para Matinhos em pequenos ônibus abertos nos lados, conhecidos como jardineiras.

Havia pequenos barcos de passageiros e carga que conectavam Paranaguá com Matinhos e arredores.

Curiosamente, no final da década de 1930, aviões de pequenoporte já pousavam na praia, entre Matinhos e Caiobá.

Quandoalguém avistava a aeronave se aproximando no céu, era uma festa!Imagine, então, a emoção de vê-la aterrissar na areia!

Quem mais usava tal transporte era Winie Gomm, que, com seu avião particular, cortava os céus até a orla.

Houve até uma tentativa de estabelecer uma linha aérea regular entre Curitiba e Caiobá pela então recém-criada empresa Aero Lloyd Iguaçu.

Seus representantes pousaram várias vezes nas areias da praia para estudos e demonstrações, mas o projeto, por razões que o tempo apagou, não seguiu adiante.

Nesta época, o passado e o futuro convergiam: os barcos, otrem, a jardineira e os aviões pioneiros.

O progresso chegava pelas ondas, pela terra e pelo ar.

Hoje, fica a saudade dos tempos emque o silêncio era dono dessas praias.

Anos 1940 — Dr. Plinio Romanó (irmão do meu avô, de branco),a esposa (tia Leoni Nickel Romanó) e, embaixo da asa do avião, tio Tico (também irmão do vovô), a esposa Ilse e a filha Norma RomanóStrattner; Norma, hoje com mais de 90 anos, é a menina da foto
Agradecimento a Celia Del Claro que gentilmente cedeu a foto

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