Yvette CASSOU BRUEL Nenê (Yvette CASSOU BRUEL) Nascida a 30 de agosto de 1916 (quarta-feira) - Tamandua - Campo Largo, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL Falecida a 22 de fevereiro de 1985 (sexta-feira) - Piriquitos - Ponta Grossa, Ponta Grossa, Paraná, BRÉSIL, com a idade de 68 anos
Yvette Cassou Bruel "Nenê": Uma Vida Tecida em Afetos na Terra dos Pinheirais
Nascida sob o céu generoso do Paraná, no pequeno distrito de Tamanduá, em Campo Largo, naquela quarta-feira de 30 de agosto de 1916, Yvette Cassou Bruel — carinhosamente chamada de "Nenê" — veio ao mundo em meio ao cheiro de terra molhada e pinheiros. Seus primeiros suspiros foram embalados pelo sussurro das araucárias e pelo trabalho árduo de uma família de raízes europeias que, como tantas outras, escolhera o sul do Brasil para semear sonhos. Sua história não é apenas a de uma mulher; é o retrato vivo de uma geração que construiu o Paraná com as mãos calejadas e o coração resiliente.
As Raízes: Auguste e Maria Clara, Uma História de Travessia
Seus pais carregavam nas veias a memória de duas terras distantes. Auguste Bruel (1866–1930), homem de origem francesa cujo nome ecoava as montanhas dos Alpes, chegara ao Brasil ainda jovem, trazendo consigo a determinação dos que cruzam oceanos em busca de renovação. Ao seu lado, Maria Clara Marica Cassou (1879–1964), descendente de italianos — os Cassou, família ligada à tradição vitivinícola do norte da Itália —, trazia a força serena das mulheres que sustentam lares com mãos firmes e orações silenciosas.
Juntos, Auguste e Maria Clara ergueram não apenas uma casa de tábuas e telhas, mas um universo de afetos. Num tempo em que cada filho era bênção e desafio, deram à luz quinze crianças — um verdadeiro exército de almas que cresceria entre plantações de erva-mate, roças de milho e o incessante trabalho da terra. Yvette, a décima terceira filha, nasceu já envolta na algazarra de irmãos mais velhos, na proteção discreta dos mais novos, e no olhar vigilante de uma mãe que aprendera a amar com a intensidade de quem sabe que a vida pode ser breve.
A Infância Entre Perdas e Presenças
A infância de Nenê foi marcada pela dualidade que definia a existência rural na primeira metade do século XX: a abundância da fraternidade e a fragilidade da vida. Com apenas três anos, presenciou o nascimento de sua irmãzinha Amélia, em janeiro de 1920 — e, menos de dez meses depois, seu enterro em Araucária. Em 1922, outra irmã, Eugênie, partiu ainda na tenra infância. Essas ausências prematuras ensinaram à pequena Yvette, antes mesmo de aprender a soletrar seu nome completo, que a vida era um dom precário — e que cada abraço dado deveria ser dado com inteireza.
Mas a casa dos Bruel nunca se entregou à tristeza. Entre as perdas, floresciam novas vidas: Ritta chegou em outubro de 1922; Luiz René, o caçula, em junho de 1924. E havia os irmãos que formavam sua constelação particular: Maria Luisa "Nena", cujo apelido tão parecido com o seu criava uma cumplicidade especial; Odette Titina, que casaria cedo com Bosleslau Tyrka; Clemente Clema, de espírito trabalhador; Octávio, de riso fácil; Alice Lila, delicada como seu nome. E os irmãos que partiram muito jovens — Luiza, Luiz, Tardine — cujas memórias permaneciam vivas nos contos da mãe.
Tudo mudou em 23 de outubro de 1930. Auguste Bruel, o patriarca, o homem que erguera cada cerca e plantara cada pé de café, fechou os olhos para sempre em Tamanduá. Yvette tinha apenas quatorze anos. Naquele momento, a menina que brincava entre pés de pinheiro precisou amadurecer de uma só vez. Maria Clara, agora viúva com filhos ainda por criar, ergueu os ombros com uma força que só as mães conhecem — e Nenê aprendeu, observando-a, o que significava ser pilar de uma família.
O Encontro: Luiz Lula e o Casamento em São Luiz do Purunã
Sete anos depois da morte do pai, num sábado luminoso de 18 de dezembro de 1937, Yvette caminhou até a capela de São Luiz do Purunã, em Balsa Nova, vestida com o melhor que sua mãe conseguira preparar. À sua espera, Luiz Lula Bruel Antonio (1912–1978) — homem de nome repetido como era comum nas famílias de origem italiana e francesa da região — esperava com as mãos calejadas pelo trabalho e o coração aberto para acolher aquela jovem de olhos serenos.
O sobrenome "Bruel" unia-os por laços distantes — fruto da endogamia natural das pequenas comunidades de colonos europeus no Paraná —, mas foi o afeto que selou sua união. Luiz Lula, nascido nas mesmas terras de pinheirais, compreendia a alma de Nenê: sua resistência forjada nas perdas da infância, sua ternura moldada pelo cuidado com os irmãos mais novos, sua fé silenciosa que não precisava de palavras para existir.
A Maternidade: Ivan, Aimée e Luiz Augusto
Do amor entre Yvette e Luiz Lula nasceram três filhos — cada um uma bênção que preencheu a casa com novos significados:
- Ivan José, o primogênito, que herdou a força do pai e a sensibilidade da mãe;
- Aimée Maria, cujo nome francês — "amada" — revelava o carinho com que foi recebida;
- Luiz Augusto, que carregava nos nomes a homenagem ao pai e ao avô que nunca conhecera.
Nenê tornou-se o centro gravitacional daquela família. Suas mãos, antes ocupadas com os afazeres da casa paterna, agora amassavam pão para seus filhos, costuravam roupas remendadas com capricho, preparavam caldos que curavam corpos e almas. Nas noites de inverno paranaense, enquanto a lenha crepitava na lareira, ela contava histórias dos irmãos que haviam partido — de Amélia e Eugênie, cujos nomes eram sussurrados com carinho; de Antonio Babine, morto jovem em 1940; de Luiz René, que partiria em 1965 deixando um vazio imenso.
Ela era a guardiã das memórias. Quando Maria Luisa "Nena" faleceu em Curitiba em 1979, foi Nenê quem acolheu a dor da família com seu silêncio compassivo. Quando Octávio partiu em 1983, foi ela quem rezou o terço pelas almas dos irmãos que foram ficando pelo caminho — até que, em 1º de fevereiro de 1978, a morte levou também Luiz Lula, seu companheiro de quarenta anos.
O Crepúsculo: Viuvez e Partida
Viúva aos sessenta e um anos, Yvette não se curvou à solidão. Mudou-se para Piriquitos, distrito de Ponta Grossa, onde seus filhos e netos podiam visitá-la com frequência. Ali, na quietude da serra, passava os dias entre o bordado, o cuidado das plantas medicinais no quintal e as longas conversas com quem a procurava — sempre com um café quente na mesa e um ouvido atento para as dores alheias.
Sua vida tornara-se um arquivo vivo da história da colonização paranaense: lembrava do cheiro do trem que ligava Tamanduá a Curitiba; das festas juninas onde os italianos e franceses dançavam ao som de sanfona; das missas em latim na capela de madeira de São Luiz do Purunã; do gosto do pão assado no forno de barro; da dor de enterrar irmãos e, décadas depois, o próprio marido.
Na sexta-feira de 22 de fevereiro de 1985, aos sessenta e oito anos, Yvette Cassou Bruel "Nenê" fechou os olhos pela última vez em Piriquitos. Partiu como vivera: com serenidade, sem alarde, deixando para trás não riquezas materiais, mas um legado de afetos entrelaçados como as raízes das araucárias que testemunharam sua existência.
Legado: A Memória que Não se Apaga
Hoje, quando se folheam os registros paroquiais de Balsa Nova ou se caminha pelas ruas de Tamanduá, o nome de Yvette pode parecer apenas uma linha em um livro de registro. Mas para quem a conheceu — seus filhos Ivan, Aimée e Luiz Augusto; seus netos e bisnetos; os sobrinhos que a viam como segunda mãe — ela permanece viva na receita do molho de tomate que ninguém mais faz igual, na maneira de cruzar as mãos ao rezar, no modo suave de dizer "meu filho" mesmo quando corrigia.
Yvette "Nenê" Bruel foi mais que uma data de nascimento e uma data de morte. Foi a menina que aprendeu a ser forte com quatorze anos; a jovem que escolheu amar sabendo da fragilidade da vida; a mãe que transformou perdas em lições de resiliência; a avó que guardou histórias para que não se perdessem no tempo. Sua vida, tecida entre Tamanduá e Piriquitos, entre risos de irmãos e lágrimas de despedidas, é um testemunho silencioso de que as grandes histórias do Brasil não estão apenas nos livros de história — estão nas cozinhas das casas simples, nos nomes repetidos das famílias de colonos, nos corações das mulheres como Nenê, que ergueram um país com o poder invisível do afeto cotidiano.
E assim, sob as araucárias que ainda resistem na paisagem paranaense, permanece sua memória: não como um monumento de pedra, mas como o cheiro de café fresco ao amanhecer — simples, essencial, e profundamente humano.
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Pais
Auguste BRUEL 1866-1930
Maria Clara Marica CASSOU 1879-1964
Casamento(s) e filho(s)
- Casada a 18 de dezembro de 1937 (sábado), São Luiz Do Puruna, Balsa Nova, Paraná, BRÉSIL, com Luiz Lula BRUEL ANTONIO 1912-1978 tiveram
Irmãos
Clemencia CASSOU BRUEL /1897-
Luiza BRUEL ca 1897-1899
Luiz BRUEL 1898..1900-
Augusto BRUEL 1900-1957
Georges Jean BRUEL 1902-1967
Tardine BRUEL 1903..1905-/1915
Odette Titina CASSOU BRUEL 1905-1986
Aimé Amado BRUEL 1907-
Clemente Clema BRUEL 1908-1995
Octavio BRUEL 1910-1983
Alice Lila CASSOU BRUEL 1911-1989
Antonio Babine BRUEL 1913-1940
Maria Luisa Nena BRUEL 1915-1979
Yvette Nenê CASSOU BRUEL 1916-1985
Luiz Lute BRUEL 1918-1984
Amelia CASSOU BRUEL 1920-1920
Eugénie BRUEL /1922-1922
Ritta CASSOU BRUEL 1922-2003
Luiz René Neno BRUEL 1924-1965
Fontes
- Nascimento: Sergio BRUEL -
- Casamento: family search - - Numerisation
- Morte: family search - - Numerisation
Fotos e Registos de Arquivo

Tia Nena Cert Nasc pdf

Tia Nenê foto pdf

Yvette Bruel

Yvette Cassou Bruel
Árvore genealógica (até aos avós)
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191630 ago.
Nascimento
191816 jun.
21 meses
Nascimento de um irmão
192025 jan.
3 anos
Nascimento de uma irmã
192026 out.
4 anos
Morte de uma irmã
192223 jan.
5 anos
Morte de uma irmã
19224 fev.
5 anos
Casamento de um irmão
192228 out.
6 anos
Nascimento de uma irmã
192421 jun.
7 anos
Nascimento de um irmão
Baptismo a 14 de dezembro de 1931 (Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL)
192828 jan.
11 anos
Casamento de uma irmã
193023 out.
14 anos
Morte do pai
19373 abr.
20 anos
Casamento de um irmão
193718 dez.
21 anos
Casamento
194015 jan.
23 anos
Morte de um irmão
194029 jun.
23 anos
Casamento de uma irmã
194316 out.
27 anos
Casamento de um irmão
195014 mar.
33 anos
Casamento de um irmão
195710 ago.
40 anos
Morte de um irmão
19643 mar.
47 anos
Morte da mãe
196510 maio
48 anos
Morte de um irmão
196729 ago.
50 anos
Morte de um irmão
19781 fev.
61 anos
Morte do cônjuge
197922 fev.
62 anos
Morte de uma irmã
198310 jan.
66 anos
Morte de um irmão
198429 fev.
67 anos
Morte de um irmão
198522 fev.
68 anos
Morte
Antepassados de Yvette Nenê CASSOU BRUEL
Descendentes de Yvette Nenê CASSOU BRUEL
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