quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Yvette CASSOU BRUEL Nenê (Yvette CASSOU BRUEL) Nascida a 30 de agosto de 1916 (quarta-feira) - Tamandua - Campo Largo, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL Falecida a 22 de fevereiro de 1985 (sexta-feira) - Piriquitos - Ponta Grossa, Ponta Grossa, Paraná, BRÉSIL, com a idade de 68 anos

 Yvette CASSOU BRUEL Nenê (Yvette CASSOU BRUEL)   Nascida a 30 de agosto de 1916 (quarta-feira) - Tamandua - Campo Largo, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL Falecida a 22 de fevereiro de 1985 (sexta-feira) - Piriquitos - Ponta Grossa, Ponta Grossa, Paraná, BRÉSIL, com a idade de 68 anos

Yvette Cassou Bruel "Nenê": Uma Vida Tecida em Afetos na Terra dos Pinheirais

Nascida sob o céu generoso do Paraná, no pequeno distrito de Tamanduá, em Campo Largo, naquela quarta-feira de 30 de agosto de 1916, Yvette Cassou Bruel — carinhosamente chamada de "Nenê" — veio ao mundo em meio ao cheiro de terra molhada e pinheiros. Seus primeiros suspiros foram embalados pelo sussurro das araucárias e pelo trabalho árduo de uma família de raízes europeias que, como tantas outras, escolhera o sul do Brasil para semear sonhos. Sua história não é apenas a de uma mulher; é o retrato vivo de uma geração que construiu o Paraná com as mãos calejadas e o coração resiliente.

As Raízes: Auguste e Maria Clara, Uma História de Travessia

Seus pais carregavam nas veias a memória de duas terras distantes. Auguste Bruel (1866–1930), homem de origem francesa cujo nome ecoava as montanhas dos Alpes, chegara ao Brasil ainda jovem, trazendo consigo a determinação dos que cruzam oceanos em busca de renovação. Ao seu lado, Maria Clara Marica Cassou (1879–1964), descendente de italianos — os Cassou, família ligada à tradição vitivinícola do norte da Itália —, trazia a força serena das mulheres que sustentam lares com mãos firmes e orações silenciosas.
Juntos, Auguste e Maria Clara ergueram não apenas uma casa de tábuas e telhas, mas um universo de afetos. Num tempo em que cada filho era bênção e desafio, deram à luz quinze crianças — um verdadeiro exército de almas que cresceria entre plantações de erva-mate, roças de milho e o incessante trabalho da terra. Yvette, a décima terceira filha, nasceu já envolta na algazarra de irmãos mais velhos, na proteção discreta dos mais novos, e no olhar vigilante de uma mãe que aprendera a amar com a intensidade de quem sabe que a vida pode ser breve.

A Infância Entre Perdas e Presenças

A infância de Nenê foi marcada pela dualidade que definia a existência rural na primeira metade do século XX: a abundância da fraternidade e a fragilidade da vida. Com apenas três anos, presenciou o nascimento de sua irmãzinha Amélia, em janeiro de 1920 — e, menos de dez meses depois, seu enterro em Araucária. Em 1922, outra irmã, Eugênie, partiu ainda na tenra infância. Essas ausências prematuras ensinaram à pequena Yvette, antes mesmo de aprender a soletrar seu nome completo, que a vida era um dom precário — e que cada abraço dado deveria ser dado com inteireza.
Mas a casa dos Bruel nunca se entregou à tristeza. Entre as perdas, floresciam novas vidas: Ritta chegou em outubro de 1922; Luiz René, o caçula, em junho de 1924. E havia os irmãos que formavam sua constelação particular: Maria Luisa "Nena", cujo apelido tão parecido com o seu criava uma cumplicidade especial; Odette Titina, que casaria cedo com Bosleslau Tyrka; Clemente Clema, de espírito trabalhador; Octávio, de riso fácil; Alice Lila, delicada como seu nome. E os irmãos que partiram muito jovens — Luiza, Luiz, Tardine — cujas memórias permaneciam vivas nos contos da mãe.
Tudo mudou em 23 de outubro de 1930. Auguste Bruel, o patriarca, o homem que erguera cada cerca e plantara cada pé de café, fechou os olhos para sempre em Tamanduá. Yvette tinha apenas quatorze anos. Naquele momento, a menina que brincava entre pés de pinheiro precisou amadurecer de uma só vez. Maria Clara, agora viúva com filhos ainda por criar, ergueu os ombros com uma força que só as mães conhecem — e Nenê aprendeu, observando-a, o que significava ser pilar de uma família.

O Encontro: Luiz Lula e o Casamento em São Luiz do Purunã

Sete anos depois da morte do pai, num sábado luminoso de 18 de dezembro de 1937, Yvette caminhou até a capela de São Luiz do Purunã, em Balsa Nova, vestida com o melhor que sua mãe conseguira preparar. À sua espera, Luiz Lula Bruel Antonio (1912–1978) — homem de nome repetido como era comum nas famílias de origem italiana e francesa da região — esperava com as mãos calejadas pelo trabalho e o coração aberto para acolher aquela jovem de olhos serenos.
O sobrenome "Bruel" unia-os por laços distantes — fruto da endogamia natural das pequenas comunidades de colonos europeus no Paraná —, mas foi o afeto que selou sua união. Luiz Lula, nascido nas mesmas terras de pinheirais, compreendia a alma de Nenê: sua resistência forjada nas perdas da infância, sua ternura moldada pelo cuidado com os irmãos mais novos, sua fé silenciosa que não precisava de palavras para existir.

A Maternidade: Ivan, Aimée e Luiz Augusto

Do amor entre Yvette e Luiz Lula nasceram três filhos — cada um uma bênção que preencheu a casa com novos significados:
  • Ivan José, o primogênito, que herdou a força do pai e a sensibilidade da mãe;
  • Aimée Maria, cujo nome francês — "amada" — revelava o carinho com que foi recebida;
  • Luiz Augusto, que carregava nos nomes a homenagem ao pai e ao avô que nunca conhecera.
Nenê tornou-se o centro gravitacional daquela família. Suas mãos, antes ocupadas com os afazeres da casa paterna, agora amassavam pão para seus filhos, costuravam roupas remendadas com capricho, preparavam caldos que curavam corpos e almas. Nas noites de inverno paranaense, enquanto a lenha crepitava na lareira, ela contava histórias dos irmãos que haviam partido — de Amélia e Eugênie, cujos nomes eram sussurrados com carinho; de Antonio Babine, morto jovem em 1940; de Luiz René, que partiria em 1965 deixando um vazio imenso.
Ela era a guardiã das memórias. Quando Maria Luisa "Nena" faleceu em Curitiba em 1979, foi Nenê quem acolheu a dor da família com seu silêncio compassivo. Quando Octávio partiu em 1983, foi ela quem rezou o terço pelas almas dos irmãos que foram ficando pelo caminho — até que, em 1º de fevereiro de 1978, a morte levou também Luiz Lula, seu companheiro de quarenta anos.

O Crepúsculo: Viuvez e Partida

Viúva aos sessenta e um anos, Yvette não se curvou à solidão. Mudou-se para Piriquitos, distrito de Ponta Grossa, onde seus filhos e netos podiam visitá-la com frequência. Ali, na quietude da serra, passava os dias entre o bordado, o cuidado das plantas medicinais no quintal e as longas conversas com quem a procurava — sempre com um café quente na mesa e um ouvido atento para as dores alheias.
Sua vida tornara-se um arquivo vivo da história da colonização paranaense: lembrava do cheiro do trem que ligava Tamanduá a Curitiba; das festas juninas onde os italianos e franceses dançavam ao som de sanfona; das missas em latim na capela de madeira de São Luiz do Purunã; do gosto do pão assado no forno de barro; da dor de enterrar irmãos e, décadas depois, o próprio marido.
Na sexta-feira de 22 de fevereiro de 1985, aos sessenta e oito anos, Yvette Cassou Bruel "Nenê" fechou os olhos pela última vez em Piriquitos. Partiu como vivera: com serenidade, sem alarde, deixando para trás não riquezas materiais, mas um legado de afetos entrelaçados como as raízes das araucárias que testemunharam sua existência.

Legado: A Memória que Não se Apaga

Hoje, quando se folheam os registros paroquiais de Balsa Nova ou se caminha pelas ruas de Tamanduá, o nome de Yvette pode parecer apenas uma linha em um livro de registro. Mas para quem a conheceu — seus filhos Ivan, Aimée e Luiz Augusto; seus netos e bisnetos; os sobrinhos que a viam como segunda mãe — ela permanece viva na receita do molho de tomate que ninguém mais faz igual, na maneira de cruzar as mãos ao rezar, no modo suave de dizer "meu filho" mesmo quando corrigia.
Yvette "Nenê" Bruel foi mais que uma data de nascimento e uma data de morte. Foi a menina que aprendeu a ser forte com quatorze anos; a jovem que escolheu amar sabendo da fragilidade da vida; a mãe que transformou perdas em lições de resiliência; a avó que guardou histórias para que não se perdessem no tempo. Sua vida, tecida entre Tamanduá e Piriquitos, entre risos de irmãos e lágrimas de despedidas, é um testemunho silencioso de que as grandes histórias do Brasil não estão apenas nos livros de história — estão nas cozinhas das casas simples, nos nomes repetidos das famílias de colonos, nos corações das mulheres como Nenê, que ergueram um país com o poder invisível do afeto cotidiano.
E assim, sob as araucárias que ainda resistem na paisagem paranaense, permanece sua memória: não como um monumento de pedra, mas como o cheiro de café fresco ao amanhecer — simples, essencial, e profundamente humano.



Yvette CASSOU BRUEL

Feminino  Yvette CASSOU BRUEL Nenê

(Yvette CASSOU BRUEL)

  • Nascida a 30 de agosto de 1916 (quarta-feira) - Tamandua - Campo Largo, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
  • Falecida a 22 de fevereiro de 1985 (sexta-feira) - Piriquitos - Ponta Grossa, Ponta Grossa, Paraná, BRÉSIL, com a idade de 68 anos
4 ficheiros disponíveis

 Pais

 Casamento(s) e filho(s)

 Irmãos

 Fontes

  • Nascimento: Sergio BRUEL -
  • Casamento: family search - - Numerisation
  • Morte: family search - - Numerisation

 Fotos e Registos de Arquivo

Tia Nena   Cert Nasc pdf

Tia Nena Cert Nasc pdf

Tia Nenê   foto pdf

Tia Nenê foto pdf

Yvette Bruel

Yvette Bruel

Yvette Cassou Bruel

Yvette Cassou Bruel

 Árvore genealógica (até aos avós)

sosa Guilhaume BRUEL 1818-1883 imagem
sosa Marie chamberedon ROSE 1832-1914
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sosa Barthélémy CASSOU 1853-1902
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sosa Clémence Laure LESBATS 1860-1908
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sosa Auguste BRUEL 1866-1930
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sosa Maria Clara Marica CASSOU 1879-1964
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Yvette Nenê CASSOU BRUEL 1916-1985
192025 jan.
3 anos

Nascimento de uma irmã

 
Notas

Local provável, Araucaria

192026 out.
4 anos
192228 out.
6 anos

Nascimento de uma irmã

192421 jun.
7 anos

Nascimento de um irmão

 
São Luís do Purunã - Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
Baptismo a 14 de dezembro de 1931 (Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL)
192828 jan.
11 anos

Casamento de uma irmã

 
São Luís do Purunã - Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
19373 abr.
20 anos

Casamento de um irmão

193718 dez.
21 anos

Casamento

 
São Luiz Do Puruna, Balsa Nova, Paraná, BRÉSIL
194015 jan.
23 anos

Morte de um irmão

194029 jun.
23 anos

Casamento de uma irmã

 
S - Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
195014 mar.
33 anos
195710 ago.
40 anos

Morte de um irmão

19643 mar.
47 anos

Morte da mãe

 
Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
196510 maio
48 anos

Morte de um irmão

 
São Luís do Purunã - Balsa Nova, 83650-000, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
196729 ago.
50 anos

Morte de um irmão

198310 jan.
66 anos


Antepassados de Yvette Nenê CASSOU BRUEL

Louis Joseph BRUEL 1712-/1761 Françoise BOURGANEL 1719-1769 Antoine MOUSSÉ ca 1719-1753 Marguerite LABOURÉ 1724-1784/ Antoine GODARD 1719-1770/ Antoinette RODAMEL 1721-1770/ Louis GIRARD †/1770 Claudine LABOURÉ 1731-1790     Paschal CASSOU DU BOURDELAT 1766-1822 Bernarde SALIS 1762-1822 Ambroise CALAMY 1781-1813 Catherine FRECHOU 1783-1871 Jean DONJOAN 1768-1827 Marie Madeleine BEGORRE 1769-1813 Jean Pierre 2ème Né GUILHOURET 1781-1853 Marie SALENAVE 1780-1852 Pierre LESBATS 1772-1844 Jeanne DUMORA 1777-1835 Jean LABAT 1758-1855 Marguerite Elisabeth MAGEN 1768-1809 Julien GRAND GUILLOT 1754-1802 Angélique Charlotte Denise ROUSSEL 1764-1806 Louis COUPIN 1788-1842 Jeanne FAYNOT (FRAYNOT) 1795-1842
|- 1738 -| |- 1746 -| |- 1743 -| |- 1751 -|     |- 1790 -| |- 1803 -| |- 1795 -| |- 1802 -| |- 1794 -| |- 1797 -| |- 1781 -| |- 1816 -|



 


 


 


     


 


 


 


 


 


 


 


| | | |     | | | | | | | |
Claude BRUEL 1743-1790 Jeanne Marie MOUSSÉ 1747-1828 Guillaume GODARD 1744-1791 Marie GIRARD ca 1750-/1797     Jean CASSOU ca 1795-1842 Marie CALAMY 1804-1832 Bernard DONJOAN 1798-1833 Marie GUILHOURET 1806-1830 Jean LESBATS 1800-1858 Françoise Clémence LABAT 1803-1871
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 Pierre GRANDGUILLOT 1796-1871
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 Madelaine Adèle COUPIN 1817-1866
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|- 1773 -| |- 1770 -|     |- 1828 -| |- 1826 -| |- 1825 -| |- 1835 -|



 


     


 


 


 


| |     | | | |
François l'aîné BRUEL 1776-1819 Marie GODARD 1779-1830 x INCONNU x INCONNUE Jean CASSOU 1828-1906 Marie DOUNJOUAN 1828-1897 Pierre Octave Pedro Octavio LESBATS 1827-/1900
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 Alexandrine Clara GRANDGUILLOT 1836-1868
|- 1798 -| | | |- 1851 -| |- 1859 -|



 


 


 


| | | |
Guilhaume BRUEL 1818-1883 Marie chamberedon ROSE 1832-1914
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 Barthélémy CASSOU 1853-1902
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 Clémence Laure LESBATS 1860-1908
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|- 1854 -| |- <1879 -|



 


| |
Auguste BRUEL 1866-1930
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 Maria Clara Marica CASSOU 1879-1964
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|- 1895 -|



|
Yvette Nenê CASSOU BRUEL 1916-1985
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Descendentes de Yvette Nenê CASSOU BRUEL

































































































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