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terça-feira, 19 de maio de 2026

Maria de Saxe-Coburgo-Gota: A Última Rainha Consorte da Romênia e Seu Legado de Amor e Coragem

 

Maria de Saxe-Coburgo-Gota: A Última Rainha Consorte da Romênia e Seu Legado de Amor e Coragem


Maria de Saxe-Coburgo-Gota: A Última Rainha Consorte da Romênia e Seu Legado de Amor e Coragem

Em 18 de julho de 1938, aos 62 anos, silenciou-se uma das vozes mais marcantes da história romena: Maria de Saxe-Coburgo-Gota, rainha consorte da Romênia, que faleceu no Castelo de Pelişor. Sua partida encerrou uma trajetória repleta de dedicação, sofrimentos e uma ligação profunda com o seu povo, que a chamava carinhosamente de “Mãe dos Feridos” e “Rainha Soldado”.
Um ano antes de sua morte, os médicos haviam lhe dado um diagnóstico que causou estranhamento: cirrose hepática. O detalhe que mais intrigou a todos é que Maria nunca teve o hábito de consumir bebidas alcoólicas, o que torna até hoje a origem da doença um mistério. Na tentativa de recuperar a saúde, ela viajou em busca de ares mais amenos: passou pela Itália, onde se encontrou com seu filho, o príncipe Nicolau, e seguiu para tratamentos em Dresden, na Alemanha. No entanto, seu estado só piorou.
Ao perceber que não havia mais cura, seu único desejo foi voltar para a sua terra. Mas o retorno não foi simples. Seu filho, o rei Carol II, negou-lhe o transporte de avião. Também recusou, com altivez, um voo médico oferecido por Adolf Hitler, pois jamais aceitaria favores de quem representava ideias que ela repudiava. Com dignidade, escolheu voltar de trem, suportando a longa viagem até chegar à Romênia.
Seus últimos momentos foram ao lado de quem mais amava: seus filhos mais velhos, Carol e Isabel, e seu neto, Mircea. Dois dias após o falecimento, seu corpo foi levado para a Sala de Visitas Branca do Palácio Cotroceni, em Bucareste, onde a população podia se despedir. Um imponente funeral de Estado foi organizado, acompanhado por três dias de luto nacional, em homenagem àquela que esteve ao lado dos romenos nos momentos mais difíceis, especialmente durante a Primeira Guerra Mundial, quando trabalhou incansavelmente em hospitais e esteve nas linhas de frente.
Conforme seu desejo expresso em vida, seu corpo foi sepultado no histórico Mosteiro de Curtea de Argeş, o lugar tradicional de descanso dos monarcas romenos. Já o seu coração, ela pediu que ficasse em Balchik — uma cidade à beira-mar que ela amava e onde construíra a capela Stella Maris. Mas com as mudanças de fronteiras provocadas pela Segunda Guerra Mundial, a região passou a pertencer à Bulgária. Para manter a vontade da mãe, sua filha, a princesa Ileana, mandou construir uma nova capela no famoso Castelo de Bran, onde o coração de Maria permanece guardado até hoje, como um símbolo de que seu amor pela Romênia nunca foi dividido.
Neta da rainha Vitória do Reino Unido, Maria foi uma das poucas herdeiras reais que manteve sua posição e influência mesmo depois das grandes transformações políticas que seguiram a Primeira Guerra Mundial. Ela ficou marcada na história não apenas por seu título de última rainha consorte da Romênia, mas por ter sido uma soberana que fez questão de estar presente na vida do seu povo, compartilhando dores, esperanças e construindo um legado de devoção que atravessa o tempo.
Imagem: Maria, Rainha da Romênia, por Philip László.