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sábado, 5 de setembro de 2026

Pedro de Morais Raposo: O Pioneiro do Rio das Mortes e Superintendente das Minas

 Pedro de Morais Raposo foi um bandeirante paulista,[1] um dos primeiros povoadores do Rio das Mortes:[2] era filho do coronel Carlos de Morais Navarro e de Maria Raposo, filha do mestre de campo Antônio Raposo Tavares e de sua primeira esposa, Beatriz Furtado de Mendonça (volume VI da mesma obra, página 450). Carlos, como se lê no volume VII da «Genealogia Paulistana» de Silva Leme, tinha 14 anos em 1647

Coronel das ordenanças de São João de El-Rei, Pedro teve estabelecimento nas minas do Rio das Mortes.[2]

Havia entrado com Artur de Sá e Menezes para o Rio das Velhas, e com seus parentes fundado o arraial dos Raposos, o mais opulento da região.[1][2] Estava em 1706 no Rio das Velhas, segundo conta o códice Costa Matoso:

«Naquele tempo mal se podia ser juiz com tais mordomos, pois não se executavam as suas Ordens e para o abono ou clareza logo quando viemos a estas Minas, comprou um pobre um capado por 10 oitavas de ouro para seu negocio e, antes de o matar, andaram mais ligeiros os escravos de um Paulista chamado Pedro de Morais. E queixando-se o dono do capado ao dito Paulista, lhe respondeu que se ele senhor do capado, justificasse em como os seus escravos o tinham morto, o pagaria. Fez o pobre homem a sua justificação perante o guarda-mor Borba Gato, lealmente, o qual mandou se pagasse o dito furto e vindo o pobre a pedir-lhe as ditas 10 oitavas, lhe respondeu o Paulista que quando disse que justificasse, fora só para ter o prazer duma demanda com ele. E assim ficaram até hoje.»

Em 6 de janeiro de 1706, atendendo ao pedido do povo do Rio das Mortes, por ocasião de incidente com os carijós no arraial da Ponta do Morro, D. Fernando enviou homem sincero e respeitado como regente do distrito, com poderes discricionários: era este capitão-mor Pedro de Morais Raposo, paulista a quem deu o Regimento da mesma data: « 1°- Fará tudo quanto se lhe ordenar; 2°- Alistará brancos e escravos para defenderem o Rio de Janeiro; 3° - cobrará os quintos e tomará contas a guardas-mores e administradores das datas Reais; 4°- Administrará no civel e no criminal; 5°- Prenderá assassinos e criminosos; 6°- Levantará corpo de milicias com privilégio de ordenança.»

Raposo era antigo nas Minas, subira com Artur de Sá e Menezes e ajudara a socavar o Rio das Velhas, onde com seus parentes fundou o opulentissimo arraial dos Raposos. Foi a primeira autoridade no Rio das Mortes: tal seu zelo e capacidade que foi elevado em 8 de fevereiro de 1708 a Superintendente do distrito. Desde a retirada de Vaz Pinto para o Rio de Janeiro, a ida de Silva Bueno para São Paulo, abandonando a lavra na serra do Ouro Preto, Borba Gato rumando para sua fazenda no rio Paraopeba, Morais Raposo passou a ser a única autoridade.

Em 8 de fevereiro de 1707 o governador D. Fernando nomeou por patente Pedro de Morais Raposo como capitão-mor do Rio das Mortes, e este se conservou sempre equidistante na guerra dos emboabas.[2]

Casamento e posteridade

Pedro casou com Ana Moreira de Godói, filha de Gaspar de Godói Moreira e de Custódia Moreira (ver Genealogia Paulistana, volume VI página 103). Teve apenas dois filhos:

  • 1 - Custódia Moreira, esposa de Manoel da Costa Gouveia, capitão-mor de São João de El-Rei, irmão de Dom Valim da Costa Gouveia, arcebispo de Lacedemonia. Um dos filhos do casal, José Joaquim da Costa Gouvêa, será guarda-mor das terras e águas minerais, casado com Rosa Felicia de Valois.
  • 2 - Sargento-mor Antonio de Moraes de Godói, falecido solteiro no Rio das Mortes.

Referências

  1.  Comunicação. «História da cidade». Prefeitura Municipal de Raposos. Consultado em 29 de março de 2023
  2.  «São João del-Rei On-Line / Celebridades / Pedro de Morais Raposo». www.sjdr.com.br. Consultado em 29 de março de 2023

Pedro de Morais Raposo: O Pioneiro do Rio das Mortes e Superintendente das Minas

Pedro de Morais Raposo foi um proeminente bandeirante paulista e uma das figuras políticas e administrativas mais influentes do início do período colonial nas minas gerais. Reconhecido como um dos primeiros povoadores do Rio das Mortes, ele desempenhou papel fundamental na consolidação do poder da Coroa portuguesa e na organização institucional da região mineradora durante a transição dos séculos XVII e XVIII.

🌳 Origens e Linhagem Familiar

Nascido em uma tradicional família de sertanistas e administradores coloniais, Pedro era filho do coronel Carlos de Morais Navarro e de Maria Raposo. Pela via materna, pertencia a uma estirpe de grande destaque no movimento bandeirante: era neto do célebre mestre de campo Antônio Raposo Tavares e de sua primeira esposa, Beatriz Furtado de Mendonça.

Pelo lado paterno, sua herança também trazia fortes laços com a hierarquia militar e civil da colônia (seu pai, Carlos, tinha 14 anos em 1647, conforme registros da Genealogia Paulistana de Silva Leme).

Consolidando suas alianças na elite paulista, Pedro casou-se com Ana Moreira de Godói, filha de Gaspar de Godói Moreira e Custódia Moreira. Desta união, nasceu a posteridade que viria a ocupar cargos de relevo na região de São João del-Rei:

  1. Custódia Moreira: Casada com Manoel da Costa Gouveia, capitão-mor de São João del-Rei e irmão de Dom Valim da Costa Gouveia (arcebispo de Lacedemônia). Um dos netos dessa linha, José Joaquim da Costa Gouvêa, tornou-se guarda-mor de terras e águas minerais.

  2. Sargento-mor Antonio de Moraes de Godói: Faleceu solteiro no Rio das Mortes.

⛏️ Ação Sertanista e a Fundação do Arraial dos Raposos

Antes de fixar-se definitivamente na administração das minas, Pedro de Morais Raposo integrou expedições de desbravamento ao lado de importantes autoridades da época:

  • Entrada com Artur de Sá e Menezes: Subiu em direção ao Rio das Velhas acompanhado pelo governador e capitão-general da capitania do Rio de Janeiro, Artur de Sá e Menezes.

  • Fundação do Arraial dos Raposos: Junto a seus parentes, fundou e ajudou a desenvolver o arraial dos Raposos, que viria a se consolidar como um dos núcleos mais opulentos e ricos de toda a região aurífera primitiva.

A mentalidade e os conflitos cotidianos daquela sociedade em formação encontram-se registrados em fontes históricas da época, como o Códice Costa Matoso. Um episódio de 1706 ilustra a altivez dos paulistas frente à frágil justiça local daquele período: um pobre morador teve seu animal ("um capado") morto por escravos pertencentes a Pedro de Morais. Reclamando o prejuízo, o dono ouviu do bandeirante que, se comprovasse o feito perante o guarda-mor Borba Gato, seria ressarcido. Mesmo após a justa causa ser formalmente reconhecida e a indenização ordenada, Raposo recusou-se a pagar, debochando do demandante e afirmando que a exigência da prova servira apenas para lhe dar o "prazer duma demanda".

⚖️ Autoridade Máxima no Rio das Mortes

Em 6 de janeiro de 1706, diante de tensões locais (como um incidente com os índios carijós no arraial da Ponta do Morro), o governador D. Fernando nomeou Pedro de Morais Raposo como regente e capitão-mor do distrito do Rio das Mortes, outorgando-lhe amplos poderes discricionários por meio de um rigoroso Regimento.

Suas atribuições administrativas e militares incluíam:

  • Cumprimento de ordens governamentais diretas;

  • Alistamento de homens livres (brancos) e escravizados para a defesa do Rio de Janeiro;

  • Cobrança de tributos reais (os quintos) e fiscalização de contas de guardas-mores e administradores de datas auríferas;

  • Jurisdição plena em causas cíveis e criminais, incluindo a prisão de criminosos e assassinos;

  • Organização e comando de um corpo de milícias com privilégio de ordenança.

Com a retirada estratégica de outras lideranças pioneiras — como Vaz Pinto para o Rio de Janeiro, Silva Bueno de volta a São Paulo (abandonando suas lavras na serra de Ouro Preto) e Borba Gato recolhendo-se à sua fazenda no rio Paraopeba —, Morais Raposo tornou-se a única grande autoridade operativa na região.

Em 8 de fevereiro de 1708, em reconhecimento ao seu profundo zelo administrativo e capacidade de liderança, foi elevado ao posto de Superintendente do distrito.

🛡️ A Posição na Guerra dos Emboabas

Durante o dramático conflito conhecido como a Guerra dos Emboabas (1707–1709) — a disputa armada pelo controle das minas entre os bandeirantes paulistas pioneiros e os forasteiros recém-chegados (emboabas) —, Pedro de Morais Raposo destacou-se pela prudência política. Nomeado formalmente capitão-mor do Rio das Mortes em 8 de fevereiro de 1707 por D. Fernando, ele conservou-se sempre equidistante no conflito, garantindo a manutenção da ordem institucional, a preservação do seu distrito e o respeito à sua autoridade perante ambas as facções em luta.