| Balaur bondoc | |
|---|---|
| Espécime de holótipo | |
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Reptilia |
| Clado: | Dinosauria |
| Clado: | Saurischia |
| Clado: | Theropoda |
| Clado: | Eumaniraptora |
| Gênero: | †Balaur Csiki et al., 2010 |
| Espécies: | †B. bondoc |
| Nome binomial | |
| †Balaur bondoc Csiki et al., 2010 | |
Balaur bondoc é uma espécie de dinossauro terópode do clado Avialae. É a única espécie descrita para o gênero Balaur. Ocorreu no fim do período Cretáceo na área correspondente à atual Romênia. Seu nome é uma homenagem a uma criatura dracônica pertencente ao folclore romeno, o Balaur, e significa, na língua romena, "dragão compactado". Descrito oficialmente em Agosto de 2010, é visto como "uma versão mais encorpada do velociraptor".[1][2]
Descoberta
Os primeiros ossos pertencentes a um Balaur bondoc foram descobertos no final da década de 1990 na Romênia, mas a morfologia do dinossauro era tão invulgar que os cientistas que o descobriram foram incapazes de reunir a ossada e formar o início do que seria seu esqueleto.[3][4] O primeiro esqueleto parcial só seria descoberto em Setembro de 2009, também na Romênia, pelo geólogo e paleontólogo Mátyás Vremir. Representando o Museu Nacional de História da Transilvânia, Vremir descobriu o esqueleto a aproximadamente 2,5 km a norte da cidade de Sebeş, próximo ao rio homônimo, e a nomeou provisoriamente de SbG/A-Sk1. Enviada para análise na Universidade de Bucareste, a descoberta foi descrita em 31 de agosto de 2010 na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.[5][6]
Descrição e comportamento
Estima-se que o Balaur terá vivido aproximadamente há 70 milhões de anos, durante o período Cretáceo. Seus ossos eram mais curtos e mais pesados do que os de outros exemplares da família Dromaeosauridae e, de forma distinta destes - que geralmente possuem uma única garra em formato de foice - possuía duas garras retráteis no primeiro e segundo dedo de cada membro inferior. Adicionalmente, é considerado o mais completo dinossauro terápode com características do clado Avialae, durante o período Cretáceo, na Europa, além de um grande número de autapomorfias[2][6]
O esqueleto parcial descoberto — uma variedade de vértebras e boa parte dos ossos peitorais e pélvicos - foi encontrado na várzea do rio Sebeş, na Romênia, numa área de argilito vermelho e é a primeira de seu tipo encontrada razoavelmente preservada. No final do período Cretáceo, grande parte da Europa encontrava-se fragmentada em ilhas menores, e um grande número de características bizarras teriam resultado dessas condições atípicas a que os animais eram impostos. Espécies isoladas em ilhas estão mais sujeitas à deriva genética e ao efeito fundador, o que pode aumentar exponencialmente o efeito das mutações, que costumam "diluir-se" em populações maiores. Análises filogênicas colocam o Balaur como semelhante às espécies asiáticas de Velociraptor, que possuem tamanho equivalente. Entretanto, cerca de vinte características sem semelhança com outras espécies foram observadas no Balaur, incluindo pernas e pés mais curtos e fortes, maiores porções musculares na área pélvica, e outras distinções que denotam uma maior adaptação para uso da força, e não da velocidade. Na visão de Csiki, "um dramático exemplo da morfologia aberrante que é desenvolvida na taxonomia de ilhas".[2][3][6][7]
Sobre seu comportamento, pouco é conhecido, e embora seja considerado muito difícil o estabelecimento de seus hábitos predatórios e alimentares, Csiki especula que o Balaur se posicionaria como o superpredador do ecossistema da ilha em que habitava, uma vez que nenhum outro dinossauro encontrado na região teria dentes maiores que os dele. As duas garras em formato de foice também contribuem para esse entendimento, e seriam utilizadas para dilacerar suas vítimas. Um dos descobridores originais chegou a descrevê-lo, numa comparação com o Velociraptor, "parecia-se mais com um kickboxer do que com um velocista", e deveria ser capaz de caçar animais maiores do que ele.[1][2][8][9]
Referências
- Novo dinossauro encontrado na Romênia viveu há 80 milhões de anos
- «Beefy dino sported fearsome claws». BBC News. Bbc.co.uk. Consultado em 3 de setembro de 2010
- «'Stocky dragon' dinosaur terrorized Late Cretaceous Europe» (em inglês). Physorg.com. Consultado em 3 de setembro de 2010
- «Scientists Unveil New and Improved Velociraptor Cousin». Time NewsFeed (em inglês). Newsfeed.time.com. Consultado em 3 de setembro de 2010
- «Balaurul bondoc zguduie lumea ştiinţei» (em romeno). Adevarul.ro. Consultado em 3 de setembro de 2010
- Csiki, Z.; Vremir, M.; Brusatte, S. L.; Norell, M. A. (2010). «An aberrant island-dwelling theropod dinosaur from the Late Cretaceous of Romania». Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America. 107 (35): 15357–15361. doi:10.1073/pnas.1006970107
- Stein K, et al. (2010) Small body size and extreme cortical bone remodeling indicate phyletic dwarfism in Magyarosaurus dacus (Sauropoda: Titanosauria). Proc Natl Acad Sci USA 107:9258–9263.
- «New Predatory Dinosaur Discovered in Romania». Wired. 4 de janeiro de 2010. Consultado em 3 de setembro de 2010. Cópia arquivada em 1 de setembro de 2010
- Davies, Caroline. «Frightening new predator found in the homeland of the dragon». The Guardian (em inglês). Consultado em 3 de setembro de 2010
Balaur bondoc: O "Dragão Compactado" das Ilhas do Cretáceo
Descoberta
- Os primeiros vestígios fósseis foram encontrados no final da década de 1990, mas eram tão incomuns que os pesquisadores não conseguiram identificar ou montar o que seriam.
- O primeiro esqueleto parcial significativo foi descoberto em setembro de 2009 pelo geólogo e paleontólogo Mátyás Vremir, a cerca de 2,5 km ao norte da cidade de Sebeș, perto do rio de mesmo nome, em depósitos de argila vermelha.
- O fóssil, catalogado como SbG/A-Sk1, foi analisado na Universidade de Bucareste e o estudo foi publicado em 31 de agosto de 2010 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
Características Únicas
- Corpo e estrutura: Diferente de parentes como o Velociraptor, que eram ágeis e esguios, o Balaur tinha ossos curtos, grossos e muito resistentes, com pernas e pés mais compactos. A estrutura da pelve e dos membros inferiores indica que ele tinha uma musculatura extremamente desenvolvida, projetada para força, não para velocidade. Como definiram os cientistas: ele era mais como um "lutador de artes marciais" do que um corredor.
- Garras especiais: A característica mais marcante é que, enquanto outros dinossauros da família Dromaeosauridae tinham apenas uma garra retrátil e em forma de foice no segundo dedo do pé, o Balaur possuía duas garras desse tipo, no primeiro e no segundo dedo de cada pé, ambas usadas provavelmente para perfurar e dilacerar presas.
- Posição evolutiva: É considerado o dinossauro terópode com características de avialae mais completo já encontrado para o Cretáceo europeu. Apresenta cerca de 20 traços anatômicos exclusivos, que não existem em nenhum outro parente próximo.
O efeito da vida em ilhas
Comportamento e Papel Ecológico
- Apesar de ainda haver muitas incertezas sobre seus hábitos, a estrutura dos dentes e das garras indica que ele era o superpredador de seu ambiente. Nenhuma outra espécie de dinossauro carnívoro encontrada naquela região tinha dentes ou armas tão desenvolvidas quanto as suas.
- Acredita-se que sua estratégia de caça não dependia de perseguição longa, mas sim de força bruta e agilidade em curtas distâncias, usando as garras duplas para segurar e ferir presas — que poderiam ser maiores do que ele próprio.
- Era um dos principais dinossauros que explicam a fauna bizarra e única que existiu nas ilhas do que hoje é a Romênia, um ecossistema isolado onde as regras da evolução funcionavam de forma diferente do resto do mundo.