quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Jerônimo de Sousa Queirós: O Último Compositor da Família Sousa Lobo

 

Jerônimo de Sousa Queirós
Página de rosto da parte de baixo vocal das Matinas de Quinta-feira Santa de Jerônimo de Sousa Queirós (Museu da Música de Mariana, CDO.06.001 C01).
Informações gerais
Nome completoJerônimo de Sousa (Lobo?) Queirós
Também conhecido(a) comoJerônimo de Sousa (Souza)
Nascimento1798
Vila Rica, Brasil
OrigemFamília Sousa Lobo
PaísBrasil
Morte1828 (30 anos)
Vila Rica
NacionalidadeBrasil
Gênero(s)Música sacra
OcupaçãoOrganista, organeiro, compositor
ProgenitoresMãe: Ana Maria de Queirós Coimbra
Pai: Jerônimo de Sousa Lobo Lisboa
Instrumento(s)Órgão
Período em atividadec.1810-1826
Outras ocupaçõesProfessor de desenho e história
Gravadora(s)Acervo da Música Brasileira

Jerônimo de Sousa Queirós ou possivelmente Jerônimo de Sousa Lobo Queirós (Vila Rica, 1798-1828) foi um compositor mineiro e brasileiro, último integrante músico de destaque da Família Sousa Lobo.

Dados conhecidos

Filho de pais desconhecidos e identificado como "pardo", Jerônimo de Sousa Queirós foi exposto em 1798 na casa de Jerônimo de Sousa Lobo Lisboa, sendo adotado por ele e sua esposa Ana Maria de Queirós, e deles recebendo o nome pelo qual é conhecido.[1] Viveu na Rua Direita da freguesia do Pilar e na Rua Direita da freguesia de Antônio Dias, falecendo em 1828.[1] Por ter ingressado na Família Sousa Lobo, cuja atividade principal era a música, aprendeu o ofício e atuou como organista, afinador e compositor, exercendo também as atividades de professor de desenho e de história. Seu pai adotivo foi Jerônimo de Sousa Lobo Lisboa, porém ainda não é possível saber se esse foi indivíduo diferente de Jerônimo de Sousa Lobo nascido em Vila Rica em 1717, que iniciou sua atuação musical na Irmandade de Nossa Senhora do Pilar de Vila Rica em 1746. Francisco Curt Lange acreditava que Jerônimo de Sousa Lobo Lisboa era filho de Jerônimo de Sousa Lobo,[2] porém as relações de parentesco dos integrantes da Família Sousa Lobo não foram ainda totalmente esclarecidas. Na ortografia do século XIX seu nome aparece na forma "Jeronimo de Souza Queiroz".

Homônimo

Existe um outro compositor brasileiro de nome Jerônimo de Sousa Queirós (1857-1936), filho de Bernardino de Sousa Queirós (músico e professor do Conservatório de Música do Rio de Janeiro entre 1854-1858) e neto do compositor Bernardo José de Sousa Queirós (1765-1837), autor das óperas Zaíra e O Juramento dos Numes. Não existem conexões próximas desse grupo com a Família Sousa Lobo que se estabeleceu em Vila Rica. De acordo com André Cardoso: "Esse Jerônimo carioca teve parte de sua formação musical na Europa e participou do concurso promovido pelo primeiro governo republicano para a escolha do novo Hino Nacional, ficando em terceiro lugar. Era pianista e compositor, autor, entre outras obras, de uma Tarantela para piano e orquestra, e foi nomeado professor do Instituto Nacional de Musica em 1918. Foi também um dos sócios fundadores do Clube Beethoven."[3]

Autoria das composições

Os músicos integrantes da Família Sousa Lobo são genericamente identificados nas fontes musicais mineiras, na ortografia do século XIX, como "Jeronimo/Jeronymo de Souza Lobo" ou simplesmente como "Jeronimo/Jeronymo de Souza", não havendo informações suficientes para se estabelecer quais deles foram seguramente compositores além de Jerônimo de Sousa Queirós,[4] que deixou autógrafa a Missa e Credo a quatro vozes com acompanhamento de órgão pelo Senhor Jerônimo de Sousa Queirós em 1826 (Coleção Curt Lange do Museu da Inconfidência de Ouro Preto, código 206).[4][5]

Atualmente são conhecidas 26 fontes musicais copiadas nos séculos XIX e XX relacionadas à Família Sousa Lobo (das quais apenas 18 possuem todas as parte vocais e instrumentais), que podem ter sido todas compostas por Jerônimo de Sousa Queirós, mas também por Jerônimo de Sousa Lobo ou Jerônimo de Sousa Lobo Lisboa, se é que estes foram dois músicos distintos.[5] Somente em alguns casos está explícito nas fontes musicais o sobrenome Queirós, como nos Ofícios da Semana Santa (Museu da Música de Mariana, CDO.06.001 C01), no qual as obras são identificadas como Composição de Jerônimo de Sousa Queirós e propriedade de Antonio Luís de Magalhães Musqueira. De acordo com André Cardoso, qualquer tentativa de atribuição de autoria, "no atual estágio de pesquisa sobre os compositores, é de difícil sustentação e deve ser encarada com reservas".[4]

Página de rosto da parte de baixo vocal das Matinas de Quinta-feira Santa de Jerônimo de Sousa Queirós.

A própria memória oral confundiu os integrantes da família Sousa Lobo, como foi o caso de Carlos José dos Santos que, em 1929, publicou interessante notícia sobre os cientistas, literatos e artistas ouropretanos dos séculos XVIII e XIX, afirmando: “Ouro Preto foi um dos mais notaveis centros intelectuais do Brasil e, pode-se dizer, sem exageração, da América do Sul, quando na última metade do século XVIII e no XIX, reuniam-se aqui, em grande número, cientistas e literatos de escol; [...] os músicos Tristão Ferreira, Jerônimo de Souza, o suave compositor dos Ofícios da Semana Santa, o Ferreirinha, o padre João de Deus e tantos e tantos outros artistas, de quem apenas resta uma vaga reminiscência, que em pouco se apagará.”[6] Como informado, os Ofícios [Matinas] da Semana Santa existem no Museu da Música de Mariana com explícita indicação de autoria de Jerônimo de Sousa Queirós.

As Matinas de Quinta-feira Santa de Jerônimo de Sousa Queirós foram impressas na série e Acervo da Música Brasileira, enquanto composições de autores indicados nas fontes musicais como "Jerônimo de Sousa" foram impressas nas coleções Música Sacra Mineira, Música do Brasil Colonial, Ouro de Minas e Acervo da Música Brasileira. O projeto Patrimônio Arquivístico-Musical Mineiro publicou um volume exclusivo com obras de "Jerônimo de Sousa" (v.2), sob direção de Paulo Castagna,[7] que inclui um estudo de André Cardoso sobre os integrantes da Família Sousa Lobo. Algumas dessas obras foram difundidas em projetos como História da Música Brasileira e Alma Latina.

Composições

Missas e música sacra

  • Antífona para Corpus Christi
  • Antífona Salve Sancte Pater para a Novena de São Francisco de Assis
  • O Patriarcha Pauperum, para a Novena de São Francisco de Assis, hymne
  • 3 Credos em Ré
  • 3 Ladainhas em Dó
  • 2 Ladainhas em Si bemol
  • Matinas de Santissimo Antônio
  • Novena de Nossa Senhora do Carmo
  • Responsórios de São Francisco de Paula
  • Setenário de Nossa Senhora das Dores

Ofícios da Semana Santa

  • Ofício para 5ª Feira Santa
  • Ofício para 6ª Feira Santa
  • Ofício para Sábado Santo

Bibliografia

  • Miguel Fischer, Martha Furman Schleifer, John M. Furman: compositores clássicos da América Latina - Um dicionário biográfico, Lanham, Md: Scarecrow Press, Inc., 1996, 407 p., ISBN 978-0-810-83185-8
  • Francisco Curt Lange: compositores não mineiros dos séculos XVI a XIX, (Acervo de Manuscritos Musicais - Coleção Curt Lange Bd. 2), Belo Horizonte 1994
  • Francisco Curt Lange: compositores mineiros dos séculos XVIII e XIX, (Coleção de Manuscritos Musicais - Coleção Curt Lange, Bd.1, sra. Von R. Dupret), Belo Horizonte, 1991
  • Francisco Curt Lange: História da Música nas Irmandades de Vila Rica, Bd. 3: Vila do Príncipe do Serro do Frio e Arraial do Tejuco (Belo Horizonte, 1982)
  • Francisco Curt Lange: História da Música nas Irmandades de Vila Rica, Bd. 1: Freguesia de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto, Belo Horizonte 1979
  • Francisco Curt Lange: Os compositores de Minas Gerais, em: Revista Estudos Históricos 3/4 Marília, (1965), pp. 33–111
  • Ary Vasconcelos: Raízes da Música Popular Brasileira (1500-1889), São Paulo: Livraria Martins Editora, 1991, 324 p., ISBN 85-852-9711-5
  • Ary Vasconcelos: Raízes da música popular brasileira (1500-1889), São Paulo: Livraria Martins Editora, 1977.362 p.
  • Maria Conceição Reende: uma música na história de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1989
  • Marcos Antônio Marcondes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular, São Paulo: Art Editora, 1977

Jerônimo de Sousa Queirós: O Último Compositor da Família Sousa Lobo

Jerônimo de Sousa Queirós — por vezes referido na ortografia oitocentista como Jeronimo de Souza Queiroz ou Jerônimo de Sousa Lobo Queirós (Vila Rica, 1798–1828) — foi um proeminente compositor mineiro e brasileiro. Reconhece-se na história da música colonial e imperial por ter sido o último integrante músico de destaque da tradicional Família Sousa Lobo.

📋 Dados Biográficos e Origem

  • Nascimento e Exposição: Nascido em 1798 em Vila Rica (atual Ouro Preto), era filho de pais desconhecidos e registado como "pardo". Foi exposto na casa de Jerônimo de Sousa Lobo Lisboa, que o adotou juntamente com a sua esposa, Ana Maria de Queirós, dando origem ao seu nome completo.

  • Residência e Morte: Viveu na Rua Direita da freguesia do Pilar e, posteriormente, na Rua Direita da freguesia de Antônio Dias, vindo a falecer prematuramente em 1828.

  • Atividades Profissionais: Como membro da Família Sousa Lobo — cujo núcleo de atuação central era a música —, aprendeu o ofício e exerceu funções multifacetadas:

    • Organista, afinador e compositor musical.

    • Professor de desenho e de história.

  • O Dilema Genealógico: O seu pai adotivo foi Jerônimo de Sousa Lobo Lisboa, embora persista a dúvida académica se este indivíduo difere ou não de Jerônimo de Sousa Lobo (nascido em Vila Rica em 1717 e ativo musicalmente na Irmandade de Nossa Senhora do Pilar desde 1746). O musicólogo Francisco Curt Lange acreditava que o pai adotivo seria filho do primeiro, mas as dinâmicas e o enquadramento completo das relações parentais da família continuam por esclarecer cabalmente.

👥 A Questão dos Homónimos

Existe o risco de confusão com outro compositor brasileiro homónimo, Jerônimo de Sousa Queirós (1857–1936), pertencente a um ramo distinto sem ligações próximas à Família Sousa Lobo de Vila Rica:

  • Origem: Filho de Bernardino de Sousa Queirós (professor do Conservatório de Música do Rio de Janeiro entre 1854–1858) e neto do compositor Bernardo José de Sousa Queirós (1765–1837), autor de óperas como Zaíra e O Juramento dos Numes.

  • Perfil Artístico: Formado parcialmente na Europa, participou no concurso republicano para a escolha do novo Hino Nacional (ficando em terceiro lugar). Pianista e compositor de obras como a Tarantela para piano e orquestra, foi nomeado professor do Instituto Nacional de Música em 1918 e foi sócio fundador do Clube Beethoven.

🎼 Autoria e Património Musical

O Desafio da Atribuição de Autoria

Nas fontes musicais mineiras do século XIX, os músicos da Família Sousa Lobo aparecem genericamente assinados como "Jeronimo/Jeronymo de Souza Lobo" ou apenas "Jeronimo/Jeronymo de Souza". Isto dificulta a separação estrita da autoria entre Jerônimo de Sousa Queirós, Jerônimo de Sousa Lobo ou Jerônimo de Sousa Lobo Lisboa.

Contudo, existem exceções documentadas onde o sobrenome Queirós surge explicitamente:

  • Missa e Credo (1826): Obra autógrafa a quatro vozes com acompanhamento de órgão, assinada expressamente pelo Senhor Jerônimo de Sousa Queirós (conservada na Coleção Curt Lange do Museu da Inconfidência de Ouro Preto, código 206).

  • Ofícios da Semana Santa: Documentados no Museu da Música de Mariana (CDO.06.001 C01), identificados inequivocamente como composição de Jerônimo de Sousa Queirós e propriedade original de António Luís de Magalhães Musqueira.

Nota Crítica: De acordo com o investigador André Cardoso, o acervo total inclui cerca de 26 fontes musicais dos séculos XIX e XX relacionadas com a família (das quais 18 estão completas com partes vocais e instrumentais). Qualquer tentativa de atribuir uniformemente estas obras sem menção direta a Queirós deve ser encarada com reservas técnicas.

Memória Oral e Registos Históricos

A tradição oral e os cronistas posteriores frequentemente misturavam as identidades familiares. Um exemplo histórico ocorreu em 1929, quando Carlos José dos Santos publicou um estudo sobre os artistas ouropretanos, enaltecendo:

“Ouro Preto foi um dos mais notaveis centros intelectuais do Brasil [...] os músicos Tristão Ferreira, Jerônimo de Souza, o suave compositor dos Ofícios da Semana Santa, o Ferreirinha, o padre João de Deus e tantos e tantos outros artistas [...]”

As célebres Matinas de Quinta-feira Santa de Jerônimo de Sousa Queirós atestam a dimensão artística deste legado e foram alvo de edições modernas em diversas coleções de referência nacional, tais como:

  • Acervo da Música Brasileira

  • Música Sacra Mineira

  • Música do Brasil Colonial

  • Ouro de Minas

  • O projeto Patrimônio Arquivístico-Musical Mineiro (Volume 2 dedicado a "Jerônimo de Sousa", com direção de Paulo Castagna e estudos de André Cardoso).

  • Difusão internacional e nacional através de iniciativas como a História da Música Brasileira e Alma Latina.

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