segunda-feira, 11 de julho de 2022

Edifício Garcez, visto da Rua Voluntários da Pátria, em 1936

 Edifício Garcez, visto da Rua Voluntários da Pátria, em 1936


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Rua Marechal Deodoro, esquina com a Avenida Marechal Floriano, com vista para o Prédio do extinto Banco de Curitiba, em Março de 1955

 Rua Marechal Deodoro, esquina com a Avenida Marechal Floriano, com vista para o Prédio do extinto Banco de Curitiba, em Março de 1955


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CONHECENDO O VAPOR FERROVIÁRIO "HILDA" O único "Auto de Linha", movido a vapor, fabricado no Paraná

 CONHECENDO O VAPOR FERROVIÁRIO "HILDA"
O único "Auto de Linha", movido a vapor, fabricado no Paraná

CONHECENDO O VAPOR FERROVIÁRIO "HILDA"
O único "Auto de Linha", movido a vapor, fabricado no Paraná, segundo informações de ferroviários mais antigos, foi construído em 1913, na Oficina da Rede Ferroviária de Ponta Grossa/PR.
Tinha por finalidade transportar correspondência e materiais entre Ponta Grossa e Oficinas. Eventualmente, era solicitado para atender, também, nas áreas dos Distritos de Produção entre Ponta Grossa e União da Vitória.
Por volta de 1935, ele foi reformado e aperfeiçoado, tomando a forma atual e permaneceu em serviço até 1963.
No meio ferroviário, esse Auto de Linha a vapor era conhecido por "Hilda", nome que lhe foi dado em homenagem à irmã de seu idealizador, Ewaldo Kruger, na época, Chefe da Locomoção da Linha Itararé-Uruguay.
Paulo Grani.

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domingo, 10 de julho de 2022

O PINHEIRÃO É DE QUEM? A propaganda do início dos anos 1970, era veiculada nos principais períódicos de Curitiba, usando a expressão "O Pinheirão é Nosso"

 O PINHEIRÃO É DE QUEM?
A propaganda do início dos anos 1970, era veiculada nos principais períódicos de Curitiba, usando a expressão "O Pinheirão é Nosso"

O PINHEIRÃO É DE QUEM?
A propaganda do início dos anos 1970, era veiculada nos principais períódicos de Curitiba, usando a expressão "O Pinheirão é Nosso", procurando motivar as pessoas a comprar talões de sorteios, concorrendo a atrativos prêmios, como forma de arrecadação para a Federação Paranaense de Futebol, a proprietária do imóvel.
"O projeto do estádio foi concebido por Airton Cornelsen, com a primeira proposta em 1956, para a construção onde hoje está a Praça Rui Barbosa, no centro de Curitiba. Inicialmente, a capacidade seria para 180 mil torcedores, transformando-o no segundo maior do Brasil, atrás apenas do Maracanã.
A obra só começou a virar realidade em 1968, quando o então prefeito Omar Sabag doou a área de 64.422 metros quadrados, em frente ao Jóquei Clube, no Tarumã. A drenagem do solo e construção das primeiras arquibancadas iniciaram em 1972, na administração do então presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), José Milani, mas paralisadas no primeiro anel, devido à falta de recursos, por um período de 13 anos. Nesta nova proposta a capacidade do estádio cairia para 127 mil espectadores.
Coube ao presidente Onaireves Nilo Rolim de Moura, nos seus primeiros três meses à frente da FPF, em 1985, reabrir o estádio, com o jogo Paraná 1 x 3 Santa Catarina. Um ano depois, ganhou um sistema de iluminação.
Nos anos de 1996 e 1997, o Pinheirão recebeu uma moderna pista de atletismo e as gerais da arquibancada foram transformadas em pista de ciclismo.
Apenas em 1989, o Pinheirão começou a tomar sua forma definitiva, com a criação de um conselho de construção. Com a ajuda de empresários, nesta mesma época, o estádio ganha o setor das sociais (segundo anel) e sua capacidade passa a ser 54 mil espectadores, público oficialmente nunca atingido.
Entre os anos de 1985 e 1992, o Pinheirão foi a casa do Clube Atlético Paranaense, que alugava o estádio. Em 1993, o clube retornou à sua casa, o Estádio Joaquim Américo Guimarães, conhecido como Arena da Baixada.
Entre o final da década de 1990 e início do século 21, o estádio foi a casa do Paraná Clube. Durante este período, a Federação Paranaense de Futebol efetuou grande reforma na estrutura, avançando as arquibancadas cerca de 20 metros em direção ao campo, além da elevação em cerca de 2 metros, em relação as arquibancadas antigas. Como o Paraná Clube mandava seus jogos neste estádio, após a reforma as arquibancadas ganharam as cores paranistas.
O recorde de público do Pinheirão se deu na final do Campeonato Paranaense de Futebol de 1998, que ocorreu em 11/06/1998, com a disputa entre Atlético e Coritiba. O resultado foi a vitória do Atlético por 2x1, com público de 44.475 pagantes.
Havia a possibilidade do estádio ser utilizado na Copa do Mundo de 2014, mas a Arena da Baixada acabou sendo a escolhida. Vários projetos foram apresentados pelo então presidente da Federação Paranaense de Futebol, para a modernização e reforma do complexo esportivo, mas a falta de interesse público e de investidores, aliados as inúmeras dívidas da FPF, inviabilizaram a ideia.
No dia 30/05/2007, oficiais da 18ª Vara Cível de Curitiba, atendendo a pedido de credores da Federação, lacraram os portões do estádio. Só com a previdência social o valor girava em torno de R$ 22 milhões e com a prefeitura de Curitiba, pelo não recolhimento do IPTU, a cifra superava a casa dos R$ 8 milhões. O Governo Federal tentou receber esta dívida, através de um leilão realizado em setembro de 2007, mas a Federação Paranaense de Futebol] conseguiu a anulação e o Grupo Tacla, que havia arrematado o terreno de 124.553 metros quadrados por R$ 11,2 milhões, não recorreu.
Em 28/06/2012 o estádio foi novamente leiloado, sendo arrematado pelo empresário João Destro, do ramo atacadista,[5]pelo valor de R$ 57,5 milhões, mas desta vez a Federação Paranaense de Futebol não conseguiu anular o ato.
A última partida ocorreu no dia 11/03/2007, quando o Cianorte venceu o J. Malucelli por 2 a 1, pelo Campeonato Paranaense."
(Extraído da Wikipédia Fotos: internet)
Paulo Grani

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sexta-feira, 8 de julho de 2022

RELEMBRANDO O COMEÇO DA VILA NOSSA SENHORA DA LUZ DOS PINHAIS " Entre os anos 1950 e 1970

 RELEMBRANDO O COMEÇO DA VILA NOSSA SENHORA DA LUZ DOS PINHAIS
" Entre os anos 1950 e 1970

RELEMBRANDO O COMEÇO DA VILA NOSSA SENHORA DA LUZ DOS PINHAIS
" Entre os anos 1950 e 1970, Curitiba viu sua população mais que triplicar, saltando de 180 mil para mais de 620 mil pessoas. Com elas, veio a demanda por moradias e o poder público foi atrás de alternativas que diminuíssem o déficit habitacional. Nascia assim, há 50 anos, a Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, o primeiro programa de casas populares da cidade. Essa cinquentona que leva o nome da padroeira continua em forma. Afinal, é uma das poucas, entre outras que seguiram o mesmo projeto no país, que preserva sua estrutura original. Está distante de sofrer com a favelização e se desenvolveu, mas sem perder os ares de comunidade. [...]
O terreno escolhido ficava na distante Cidade Industrial de Curitiba (que viria ser criada na década de 1970), e o projeto das casas, assinado pelos arquitetos Alfred Willer, Roberto Gandolfi, Cyro Correa Lyra e Lubomir Ficinski, previa dois modelos – um com 22m² e outro com 50m². Além das casas, a vila ganhou alguma estrutura para conseguir caminhar com as próprias pernas: centros de atendimento social e de saúde, escolas de ensino e profissionalizante, mercado e igrejas.
Em pouco mais de um ano, as 2.150 residências praticamente iguais foram erguidas e a chegada das famílias aos poucos foi dando forma à nova vila. Partindo de uma praça central, quatro ruas dedicadas ao comércio concentravam o movimento, contrastando com a calmaria das 12 outras praças espalhadas pela Vila. Todas as casas foram servidas com abastecimento de luz e água, e tinham estrutura em alvenaria de tijolos e sótão em madeira, uma das marcas registradas do projeto.
A escolha por materiais e técnicas econômicas permitiu a prestação mais baixa do Brasil na época, acessível aos moradores. “Do ponto de vista do resultado, o destaque fica para a rapidez da conclusão e da qualidade final das casas entregues”, diz Willer. Segundo ele, o baixo custo das casas permitiu que a Vila Nossa Senhora da Luz fosse considerada “o maior projeto da COHAB em toda a história”.
A ideia da equipe que projetou o local era permitir que as famílias pudessem se desenvolver e, aos poucos, remodelar as próprias moradias. Desde a inauguração, engenheiros da COHAB auxiliaram moradores para pensar em modificações das casas e, em menos de cinco anos, muitas já tinham garagens, anexos e mais pavimentos."
(Fonte: Texto extraído da Gazeta do Povo / Fotos: Arquivo Cohab, Gazeta do Povo e Biblioteca Nacional)
Paulo Grani

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Apos cinquenta anos, a casa de Suzana Neves da Cruz é uma das poucas da vila a manter as características originais. No imóvel, ela chegou a viver com os pais e oito irmãos. Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo.
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Vista aérea da vila na época da finalização, em novembro de 1966. Foto: Acervo/COHAB

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UM TRIBUTO À WILLIAM MICHAUD, O PINTOR DE SUPERAGÜÍ

 UM TRIBUTO À WILLIAM MICHAUD, O PINTOR DE SUPERAGÜÍ

UM TRIBUTO À WILLIAM MICHAUD, O PINTOR DE SUPERAGÜÍ
"William era o mais velho dos 08 filhos, entre eles Nancy, Elisa, Emma e Jules, recebendo uma educação cuidadosa, quando logo cedo foi mandado à escola primária, perto da casa e em seguida ao colégio, onde com o diretor do August Colomb, aprendia francês e história e o desenhar clássico com o professor Gottlieb Steinie, quando se tornou um pintor de extrema categoria, demonstrando em pequenas pinturas em tempos de escola.
Filho de Jean Henri Michaud e Louise Baer, de Aarau, ele um rico negociante de vinho, teve como padrinhos de batismo Guillaume Frei e Elise Bernoully.
Em 19 de agosto de 1844, William com 15 anos perde sua mãe, já com 40, o que marcaria sua vida para sempre, pois a afeição do pai não se dirigia a ele, que era o mais velho e o herdeiro natural dos negócios paternos, mas ao irmão Jules, três anos mais jovem.
Charles Pradez, um comerciante do Rio de Janeiro, de férias, passa pela cidade a procura de especialista para criação de bicho-da-seda no Brasil, quando aconselha-o a vir ao Brasil, pois está cada vez mais distante do pai e outro grande estímulo veio de um amigo de infância, o jovem Henri Doge, de Vevey, que já tinha resolvido emigrar e trabalharia com Pradez.
No dia 06 de outubro de 1849, William parte para o Brasil, viajando com seu companheiro até Paris com o Correio e após alguns dias, com o trem até Le Havre.
A partida do navio havia atrasado, de forma que os dois jovens viajantes, somente em meados de novembro conseguiram embarcar no veleiro "Achilles", sob o comando do Capitão Lambert. A travessia, bastante tempestuosa, durou 72 dias.
Num álbum que tinha levado, William tentava fixar as variadas impressões e acontecimentos que lhe ocorreram desde o inicio da viagem, com anotações e ilustrações, porém infelizmente este diário de viagem fora mandado ao pai logo após sua chega­da, aparentemente não foi conservado.
Em 1º de fevereiro de 1849 desembarca no Ancoradouro Fort Vellegagnon no Rio de Janeiro, sendo recebido pelos irmãos Decosterd, só­cios da firma Gex & Decosterd Frères, que ofereceram uma cordial hospedagem em sua casa de campo, situada fora da cidade, na praia da baia de Guanabara, onde pode rever e saudar outros compatriotas, encaminhando a casa de um destes, Rosset, numa fazenda em Jacarepaguá, levando lembranças ao conterrâneo já idoso.
Com o amigo Henri Doge vão trabalhar numa fazenda em Palmisal, no Rio de Janeiro, de propriedade de Tavares, que tinha decidido iniciar uma criação de bicho‑da‑seda, onde já trabalhavam cerca de 50 escravos e italianos.
A experiência acabou em fracasso completo, pois os bichos‑da‑seda importados da Itália não satisfaziam as exigências das circunstâncias climáticas diferentes do Brasil e degeneravam, por isso, 15 meses mais tarde, Michaud estava novamente no Rio de Janeiro, onde Pradez tentava encontrar‑lhe uma ocupação, numa casa suíça de comércio.
Conheceu um engenheiro francês, geólogo e agrimensor, chamado Vallée, encarregado pelo governo de Minas Gerais e Goiás de proceder a agrimensuras, levantamentos cartográficos e pesquisas geológicas e que procurava um homem jovem que soubesse desenhar um pouco, contratando Michaud de 1851 a 1853, quando percorrem grande extensão do país ilustrando os levantamentos cartográficos para o governo de Goiás, com desenhos à pena, que provocaram tal admiração, sendo chamado, após a conclusão do serviço, a exercer a função de professor de Francês e Desenho em Goiás, pelo Presidente da Província, o que negou, voltando ao Rio de Janeiro.
Aos 23 anos, Michaud conheceu Charles Perret Gentil (de Neuenburg) - que acabara de fundar a Colônia de Superaguí – e a um ano mais tarde, em suas andanças, estava na mesma Península, onde em 1854 casou-se com uma nativa de nome Custódia Maria do Carmo (ou Custódia Amérigo - Américo).
Deste casamento nasceram em 1855 Marie Louise (batizando-a com o nome da sua mãe), 1862 Robert (casa com Elise Durieux e deste casamento nasceram três crianças: Alfred, Cecília e Eugenia), José, Leocádia, Elisa, Maria Joana, 1867 Antônia (casa-se em 28 de dezembro de 1899 com o filho do tessino Giordano Esquinini, de Sondrio, um dos primeiros cafeicultores de Superagui) e mais tarde Ana (casa-se em 28 de janeiro de 1897 com o brasileiro Antônio dos Passos).
Assim, Michaud virou um pequeno agricultor, rusticamente cortando um pedaço de mata, queimava e após algumas semanas roçava‑se e, em geral, em meados de agosto, plantava‑se no solo virgem que, no início, é de uma fertilidade quase inimaginável e tudo o que se queria, dava, primeiro o necessário a vida de cada dia: feijão, cozido principalmente com carne seca, depois arroz e especialmente milho, para o pão e também como alimento para as aves domésticas e o porco.
Além disso, a mandioca que é transformada em farinha e torrada com banha e acrescentada como fonte nutritiva, também café, tendo especial cuidado com cultura da uva, que lhe deu boas colheitas nos declives do morro Barbados, o que o fez junto com o vizinho alsaciano Sigwalt, se dedicar a vinicultura, chegando ater 1.000 videiras, produzindo o vinho denominado "petit Bordeaux", comparável ao suíço, como se diz no relatório oficial à Assembléia, de 31 de mar­ço de 1877: “o vinho que se produz na colônia (de Superagui) tem tido boa aceitação nesta capital".
Nunca deixou de desenhar e pintar, mais ainda quando em 13 de novembro de 1885, o Presidente da Província do Paraná – Alfredo D’Escragnolle Taunay – visitou Superaguí, juntamente com o Visconde de Nácar e se hospedaram na casa de Michaud, fundando uma associação de imigrantes, designando Sigwalt como presidente e Michaud como secretário, e daquela amizade, começou a ganhar regularmente pincéis, livros, jornais e telas, que pintava e enviava às irmãs enrolados com cartas, dentro de bambú e também presenteava amigos em Paranaguá e Curitiba.
A situação econômica da família melhorou, comercializando madeira, também tinham uma casa comercial e uma olaria. Em 1883 foi nomeado, pelo amigo Luís Ramos Figueira - responsável pelo ensino primário, como professor interino do Superaguí, mesmo que nunca recebera um programa de ensino, manuais ou qualquer outro meio, nunca as autoridades demonstraram interesse por sua conduta, mandava as matrículas de seus alunos e seus relatórios, tentava ensinar leitura, escrita e cálculo e recebia, por tudo isto, o salário de 2OO mil réis anuais, que logo depois, fora aumentado para 30O mil reis e como não havia prédio para a escola, ainda reunia os 43 alunos em sua casa.
Em junho de 1888, as aulas tiveram que ser suspensas "por falta de verba", mas recomeçaram em 03 de novembro de 1890.
Dois anos depois, no mês de julho, perde seu cargo, vitima da derrota sofrida pelo governo nas eleições, sendo convidado a retornar em 1895, mas não aceita, porém reconsidera e em 1898, com quase 70 anos, assume o cargo, por falta de substituto.
Na mesma época em que foi inaugurada a escola, Superagui foi elevada a distrito (incentivada pela visita de Taunay), sendo separada administrativamente de Guaraqueçaba, porém seu fundador Perret‑Gentil já tinha a abandonado deixando Louis Durieux, o mais velho colo­no, como administrador.
Michaud foi Juíz de Paz, onde tinha que fiscalizar os registros civis e, nas eleições comandar a presidência da mesa, atuando como comissário distrital no Censo de 1890. também trabalhou como Agente dos Correios, até a Revolução Federalista (1893/1894), quando recebeu acusações injustas.
Foi preso com seus dois filhos, Robert e Joseph e enviados a Paranaguá, onde por interferência de amigos que tinha na cidade, principalmente descendentes do Visconde de Nácar conseguiu a imediata liberação, enquanto seus filhos foram postos em liberdade no dia seguinte, quando desabafa a suas irmãs na Suíça: "Vocês não fazem sequer idéia do que nós sofremos: felizmente encontramos aqui, em Paranaguá, algumas boas pessoas".
Quando retornou a Superaguí, encontrou sua casa saqueada e destruída pelos soldados da polícia e sua família escondida nas matas, quando financeiramente foram socorridos pelos parentes da Suíça, que lhe enviaram quantias de dinheiro.
Foram penalizados os culpados, porém Michaud ficou extremamente abatido com o acontecido, a ponto de se arrepender de ter vindo ao Brasil, lamentando não poder retornar a Europa, entristecendo-se mais quando recebe a notícia, em 1864, do falecimento do pai.
Sua esposa falece em 10 de novembro de 1895, quando escreve à irmã dizendo que se pudesse voltaria a Suíça, não o faria por estar velho e com raízes na região: "Que bons anos perdidos vindo ao Brasil... Mas a juventude é tola e não aceita conselhos!".
Com o decorrer dos anos, os velhos amigos da Colônia faleciam um a um e Michaud sente-se solitário, ainda que em 1899, convidado pelos irmãos a visitar a pátria, o que foi recusado, apesar da grande vontade, ainda que sua irmã Elisa propôs vir visitá-lo, ele a desestimulou, mas aumentaram os convites depois do falecimento das irmãs Custódia, Emma e Nancy, quando lhe enviam dinheiro para a viagem mas, após reflexões profundas, Michaud devolve o dinheiro e pediu‑lhes, de uma vez por todas, que desistissem desses planos, dizendo que envergonhava‑se de viajar às custas de outros e de encontrar lá, gente que "não Ihe poderia perdoar que ele não tivera sucesso".
No ano de 1900, último censo que organizara, Superagui possuía 1.480 almas, número que expressa um certo progresso, entre elas um dos fundadores, Giovanni Batista Rovedo, todos os outros, suíços, italianos e alemães, estavam mortos.
Em 07 de setembro de 1902, pelo meio-dia, Michaud morreu, deixando seus últimos anos de amargura e tristeza vivido no lugar que tanto amou, Superaguí, onde alí mesmo foi enterrado no velho Cemitério de San Martim.
Para comunicar o fato para as tias na Suíça, os filhos de Michaud, pediram ajuda ao Pe. Hyppolite Lassaiaz, que trabalhava na Santa Casa em Paranaguá, para escrever no idioma francês.
Na sua cidade natal, na Suíça, a sua casa virou um museu, onde há exposição permanente de suas cartas e aquarelas. “ (28/12/1884).
O barão de Taunay escreveu ao então vice‑presidente do Paraná, Dr. Joaquim Almeida Faria Sobrinho, após sua visita a Superagui: "Eu encontrei, naquele lugar mal conhecido mas não menos interessante de nossa Província, um professor verdadeiro, cercado de muitos alunos, que é, ao mesmo tempo, um artista notável com o qual, desde então, cultivo as mais agradáveis relações".
**
Fonte das fotos: William Michaud von Vevey (1829 - 1902). Schicksal eines Schweizer Auswanderers in Brasilien. von P. Dr. Emílio.
(Texto e fotos extraídos de: aguasdepontal.com).
Paulo Grani

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"Também deves pensar, em um país onde não faz frio, nem inverno, o verde é constante, as ervas daninhas crescem com um vigor desconhecido na Europa, sendo o principal trabalho do agricultor arrancá-las e secá-las e deixá-las sobre o terreno, formando uma cobertura vegetal, pois, se não são extirpadas, asfixiam as plantas que nada produzem; Apesar de todos estes incovenientes e de outros, este é um paraíso para as pessoas pobres, honradas e trabalhadoras, que vivem em abundância e não temem os longos invernos da Europa, tão frios e terríveis para os pobres."

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"Atualmente os matos estão coberto de flores vermelhas e violetas, brancas e amarelas. E ao penetrarmos nos bosques encontramos muitas árvores cobertas de frutos, e que portanto, havia florescido antes, se pode crer que estamos no paraíso, os cafeeiros florescem no mês de maio e não acabamos de recolher a colheita do ano passado até o mês de outubro, de modo que ao, colher os frutos maduros, os cafeeiros já estão cheios de frutos e brotos.".

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"Sabes que estamos no verão, muitas vezes faz um calor sufocante que ocasiona tempestades terríveis, na Terça-feira passada tivemos um vendaval terrível , tão forte que a maioria das casas sofreu as consequências, as telhas voaram, as árvores foram arrancadas pelas raízes, todas as bananeiras quebradas e os campos de milhos destruídos, inclusive os vinhedos, atualmente carregados, foram por terra, em alguns lugares as estacas foram quebradas pela violência do furacão, apesar destes ventos, os cafeeiros nada sofreram e estão cheios de frutos."

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"As vinhas estão carregadas de frutos e começaram a amadurecer, a vindima será em janeiro, temos cana de-açúcar o ano todo, também bananas, de abril a setembro são as laranjas e outras frutas.".

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Guillaume Henri Michaud ou William como era chamado, nasceu em 21 de junho de 1829 na Rue d'italie, no "Chateau" em Vevey (Suíça)