segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Antiga estação dos bondes elétricos na Praça Tiradentes, Curitiba, década de 1940. (Foto: Acervo Paulo José da Costa) Paulo Grani.

 Antiga estação dos bondes elétricos na Praça Tiradentes, Curitiba, década de 1940.
(Foto: Acervo Paulo José da Costa)
Paulo Grani.


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Nesta foto da década de 1970, do acervo da sra. Monica Danderfer, contemplamos o Rio Bar e Restaurante-Lanchonete que havia na antiga Estação Rodoviária de Curitiba, propriedade do seu pai José Danderfer. Paulo Grani

 Nesta foto da década de 1970, do acervo da sra. Monica Danderfer, contemplamos o Rio Bar e Restaurante-Lanchonete que havia na antiga Estação Rodoviária de Curitiba, propriedade do seu pai José Danderfer.
Paulo Grani


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RELEMBRANDO A FÁBRICA LUCINDA

 RELEMBRANDO A FÁBRICA LUCINDA

A história dos biscoitos e bolachas da fábrica Lucinda começou um pouco antes da sua criação em 191, conforme veremos:
Paulo Grötzner, seu fundador, nasceu em Curitiba em 15/05/1873 e, desde cedo estudou na Deutsche Schule (Escola Alemã). Ainda adolescente trabalhou na firma do sr. Eduart Engelhard, o qual fabricava cervejas e licores.
Aos 16 ou 17 anos foi morar em São Paulo com o objetivo de apreender os ofícios ligados à panificação e confeitaria. Lá permaneceu por três ou quatro anos como aprendiz e teve excelentes mestres.
Como bom trabalhador, na capital paulista começou pela base entregando pães e congêneres pelos bairros, conforme Atestado de Habilitação nº 1457, emitido pela Câmara M. de São Paulo, o qual autorizava-o a "Dirigir a Carrocinha de Padeiro nº 2198".
Além de ter sido um ótimo aprendiz, foi um empresário nato, fez contato com importadores, conheceu produtos e métodos de fabricação. Foi sobretudo um grande e perspicaz comerciante. Genial sob muitos aspetos.
De volta a Curitiba em 1895, Paulo estabeleceu sua primeira casa comercial na Praça Ozorio, esquina da rua Cabral, dedicando-se além da fabricação de pães e doces, à importação e comércio de produtos alimentícios e outros.
Em 1903, adquiriu a propriedade na Avenida João Pessoa nº 85 (atual Luiz Xavier), inaugurando a padaria Lucinda, onde teve um grande sucesso ao fabricar panifícios com base nos costumes alemães.
Na foto de 1904, vê-se a família Groetzner na sacada do edifício, com destaque para sua filha Lucinda, cujo nome seu pai deu a seus empreendimentos, em sua homenagem.
Com seu grande espírito empreendedor e o conhecimento dos costumes europeus, ele logo criou um sistema de distribuição do panifício através de carrocinhas, as quais podem ser vistas na foto.
Com o sucesso, Paulo comprou um sítio no bairro Juvevê onde montou instalações adequadas a uma grande fábrica que também levou o nome Lucinda.
O “Jornal Reclamo", em sua edição do dia 12 de Janeiro de 1914, publica uma reportagem promocional, abordando uma entrevista com Paulo Grötzner sobre a nova fábrica. A seguir dois destaques:
“A fábrica está estabelecida em uma bem acabada casa de madeira e cimentada por dentro, notando-se em tudo, esmerado asseio.”
Em um compartimento separado, está colocada uma enorme machina a vapor, ingleza, marca <Buston> da firma Procter & Comp. Cuja machina tem força de 20 cavallos.”
“Essa machina fornece também a luz elétrica durante a noite, ao estabelecimento e a vivenda particular do proprietário.”
“A fabrica occupa dois pavimentos: o térreo e o superior e possue differentes apparelhos systemas bem aperfeiçoados, para o fabrico das suas manufacturas: possue também um forno mechanico de mede 14 metros de comprimento, por 3,50 de largura. Esse forno assa 1200 kilos de biscoutos em 24 horas e a sua temperatura é graduada por um pyrometro: o seu valor está calculado em 24:000$000 !”
“A farinha destinada ao fabrico das bolachas, passa primeiramente por uma peneira automática, depois do que, passa por uma batedeira cylindrica, a fim de transformá-la em massa finíssima e com todos os necessários preparos e engredientes.”
“Para que a massa torne-se mais macia e de fino sabor é levada novamente a um outro cylindro automático.”
“Após a massa estar bem macia e em condições de ser moldada, é passada por outro cilyndro afim de extender-se e depois levada para uma enorme mesa. O aparelho cortador com feitios diferentes traz a marca <Bage- Borbeck>, que transforma em pouco tempo centenares de moldes exquisitos e delicados.”
Após relacionar produtos fabricados com seus nomes e preços, bem como tipos de embalagens, continua:
“Por ahi se vê que a fabrica Lucinda acha-se apparelhada para fazer concurrencia a qualquer praça, por mais exigente que seja, não só no Paraná, como nas dos demais Estados do Brasil”.
“Porém, seja-nos permittido referir que os impostos que sobrecarregam as suas indústrias manufactoras, são demaziados, alegações estas do laborioso industrial, que se vê onerado de tantos compromissos perante os differentes cofres arrecadadores.”
A reportagem finaliza:
“O Sr. Paulo Grötzner que na fabrica Lucinda impacou para mais de uma centena de contos de réis, deve merecer de nós, seus patrícios, o nosso apoio, devemos dar preferência aos seus produtos.”
“Biographar a vida do laborioso industrial é dizer que o Sr. Paulo Grötzner desde a sua juventude, isto é, desde que para o Paraná viera (?) se entregára de corpo e alma ao commercio na Capital. Principiando por simples caixeiro, sendo hoje, dono de uma fortuna invejável, conquistada a custa do seu trabalho honesto.”
“O Sr. Grötzner é o exemplo edificante do commerciante industrial.”
A fábrica Lucinda dedicou-se inicialmente à fabricação de biscoitos e bolachas. Em 1916, aumentou sua linha de produção com a fabricação de balas, caramelos, chocolates e confeitos e com a instalação de uma torrefação de café. Três anos depois, montou uma destilaria, iniciando a produção de bebidas.
Em 1925, instalou máquinas para a fabricação de macarrão e talharim. Nos mesmos moldes de outras indústrias auto- suficientes, como a Matarazzo, a Lucinda mantinha, além da linha de produtos, outras indústrias auxiliares, cuja produção era absorvida pela principal.
Contava com fiinilaria, carpintaria, marcenaria, fábrica de caixas e uma oficina mecânica completa, para a assistência ao maquinário. Assim, as caixas de madeira e latas de folha consumidas para o acondicionamento dos produtos eram de fabricação própria. Outra característica da indústria foi a manutenção de um armazém de secos e molhados, aberto em 1937, para atender aos seus empregados.
Contava com vendedores que recebiam por comissão e viajavam pelo interior do Paraná e Santa Catarina. Estes vendiam mercadorias produzidas ou industrializadas pela fábrica, apresentadas em um catálogo em papel couchê, com ilustrações coloridas de todos os produtos.
No início da década de 50, a indústria, agora dirigida pelos filhos do fundador, ocupava uma área dez vezes maior que a inicial e dedicava-se exclusivamente à produção de biscoitos, bolachas e massas alimentícias.
Localizada na Avenida Anita Garibaldi, a fábrica era constituída por um bloco principal, composto de vários pavilhões, e outras construções menores que circundavam o prédio. Dentro do espírito de indústria familiar, os proprietários mantinham algumas casas no terreno da fábrica que eram cedidas aos empregados mais antigos ou àqueles cujo trabalho exigisse uma maior proximidade com a fábrica.
Os produtos da Fábrica Lucinda marcaram época, e Paulo Groetzner se tornou um dos nomes mais expressivos do cenário industrial em Curitiba. A Fábrica de Biscoitos Lucinda funcionou sob este nome até 1980, ao ser incorporada pela indústria de alimentícios Tip Top. Paulo Groetzner faleceu no ano de 1933, em Curitiba e sua importância enquanto empreendedor foi reconhecida com a escolha de seu nome para o batismo de uma via da Cidade Industrial de Curitiba.
Paulo Grani

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As primeiras instalações da Fábrica Lucinda. Mesmo instalado nelas, Paulo permaneceu por um bom tempo com a Padaria Lucinda no centro de Curitiba.
Foto: Acervo Casa da Memória de Curitiba
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Nesta foto, vê-se as ampliações havidas pouco tempo depois.
Foto: Acervo Casa da Memória de Curitiba

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Vista aérea da fábrica Lucinda em seu apogeu nos anos 1940.
Foto: Acervo Casa da Memória de Curitiba

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Operárias trabalhando na secção de embalagem.
Foto: Acervo Casa da Memória de Curitiba

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Funcionários trabalhando na secção de balas.
Foto: Acervo Casa da Memória de Curitiba

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Funcionários trabalhando na secção de de fornos.
Foto: Acervo Casa da Memória de Curitiba

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Uma de suas logomarcas, faz menção à estrada de ferro Paranaguá-Curitiba.
Foto: Acervo Casa da Memória de Curitiba

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Em foto de 1904, a antiga Padaria Lucinda na av Luiz Xavier nº 85. A pequena Lucinda aparece na sacada, entre os pais.

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O casal Groetzner em foto feita num atelier de Hamburg, em uma de suas viagens de negócios.

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A família Groetzner chegando próximo ao sítio adquirido onde o grande empreendimento foi instalado no Juvevê (ao fundo uma olaria vizinha). Da direita para a esquerda, Paulo, Lucinda, Ida, Affonso e Alois.

domingo, 27 de novembro de 2022

ANTONINA EM 1854 (parte 1)

 

ANTONINA EM 1854 (parte 1)



"Vista Geral de Antonina,1872", aquarela sobre papel de William Lloyd, 11 x 34 cm (duas folhas coladas), Liga Ambiental, Curitiba;

Dos seus habitantes, o censo consta com 2664 brancos, 604 mulatos e pardos e 892 pretos. O total de escravos é de 838, o que representa 20% do total da população. Não temos dados a partir destes para ver como era distribuída a posse destes escravos.
Esta população estava espalhada por 12 quarteirões, que eram os bairros a partir dos quais se fazia o censo. Estes quarteirões eram: 1) a vila; 2) a estrada da vila para a capital (a saída da cidade, no caso desde o fim do morro do bom brinquedo até alguma altura da estrada da graciosa); 3) estrada da vila para Porto De Cima; 4). No rio de são João até as Carniças (porto das carniças); 5) Saquarema; 6) Registro (foz do Nhundiaquara); 7) Faisqueira; 8) rio do Serro (Cedro?); 9) Cachoeira; 10) Cacatu; 11) novamente na Faisqueira; 12) Nhundiaquara.
Não temos ideia (o texto não indica) quantos fogos existiam em cada quarteirão. O “fogo”, unidade básica do Brasil nos primeiros séculos eram as casas, onde moravam as pessoas.
Segundo o censo, o município tinha 48 casas de negócio. Em termos de agropecuária, tinha 454 sítios de plantação e lavoura e 56 sítios de criação de animais. A produção deveria ser majoritariamente de cana e mandioca. Haviam 33 engenhos de aguardente em funcionamento trabalhando com bois e 25 engenhos movidos por agua. Além disso, havia ainda 30 olarias, que fabricavam louça, telha e tijolo.
A luz destes dados, a sociedade capelista era fundamentalmente agrária, produzindo como excedentes cachaça e farinha de mandioca. A mão de obra destes engenhos era provavelmente escrava. Faltam maios dados para ir além disso, mas comparando com outras áreas é esse o quadro que surge.
A população deveria habitar majoritariamente a zona rural, só indo à cidade aos domingos para a missa. Nestes dias, deveria lotar a pequena capela da colina. Neste tempo já se havia perdido o costume de se fazer transportar em redes e liteiras, como nos tempos coloniais. As famílias vinham em procissão, com o pai à frente, a mulher e os filhos logo depois. Encerrando o cortejo, os escravos, que ficavam no fundo da igreja. O tamanho do cortejo refletia a riqueza e a importância da família naquela sociedade.
Naquele tempo, era importante socialmente fazer parte das irmandades. Na Deitada-a-beira-do-mar, existiam três: a de são Benedito, a mais antiga, a do Pilar e a do Santíssimo Sacramento. Em geral, estas irmandades tinham a presença de todos, sendo as pessoas mais ricas e poderosas convidadas para cargos de direção. Eram as irmandades que faziam as festas e que organizavam a vida da vila.
Os padres, neste tempo em que não havia separação entre Igreja e Estado, eram funcionários públicos. Recebiam um salário do governo, a côngrua, que mal dava para suas despesas. Complementavam seus ganhos com contribuições recebidas das irmandades e de particulares para festas, casamentos, batizados e funerais.
Haviam três igrejas na vila. Destas, a única que tinha condições para missas era a matriz. A Igreja de São Benedito estava apenas coberta. A do Bom Jesus só tinha as paredes. O cemitério do Bom Jesus era particular, e não havia ainda recebido a benção. Provavelmente, as pessoas eram enterradas, como o costume da época, nas igrejas. Não temos ideia como seriam e onde estão os corpos destas pessoas. As pessoas mais ricas eram enterradas mais próximo do altar. As outras conformavam-se com as partes menos nobre e, aos escravos, era reservado o adro ou as partes externas.
(continua)

ANTONINA EM 1854 (parte 2)

 

ANTONINA EM 1854 (parte 2)



"Bazar eleitoral”, charge de Ângelo Agostini, publicada em “O Cabrião”, 1867 (ver aqui).
A morte em Antonina, como na maior parte do Brasil, era um evento. E um evento público, que poderia e deveria ser assistido por todos. Não era raro que o quarto do moribundo fosse tomado por uma multidão. Em 1855 os irmãos Francisco Antônio, José Candido e Ignacio José de Souza publicam uma nota no jornal (ver aqui) onde agradecem aos que acompanharam o funeral de seu pai. Os irmãos também agradecem aos que “acompanharão os acima em seus desgostos”, ou seja, na hora da morte.
Nos funerais deste período o prestigio e a salvação do morto eram garantidos com funerais numerosos. Quanto mais gente e mais barulho, o funeral tinha tudo para ser bem-sucedido. Segundo as crenças da época, garantia a salvação da alma. Embora já estivesse em desuso, era comum a presença de muitos padres para acompanhar o funeral. Bento Soares da Costa e dona Maria Joaquina Soares da Rocha, além de agradecer as pessoas que acompanharam os funerais de sua filha Anna Bernardina, agradecem também aos padres Antônio Machado Lima e Jordão Homem Pedroso (ver aqui).
Os defuntos eram enterrados com roupas de suas irmandades. No caso de oficiais da Guarda Nacional, eram enterrados com seus uniformes de gala. Crianças eram enterradas com roupas de anjos, os “anjinhos”.
Os funerais, assim como os de hoje, eram feitos imediatamente após a morte, no máximo no dia seguinte. Em setembro de 1856, Joaquim Antônio dos santos Souza publicou matéria no jornal dezenove de dezembro em que reclama do vigário de antonina. O padre João Homem Pedroso, por “capricho indiscreto”, havia retardado o translado do corpo de sua mãe. A senhora fora enterrada no cemitério de Morretes, quarenta horas após seu falecimento (ver aqui).
As igrejas, neste tempo também eram importantes por que ali é que se realizavam as eleições. Afinal, os distritos eleitorais eram divididos em Paróquias. Pode parecer estranho ao leitor de hoje, mas, num regime em que a Igreja era atrelada ao Estado tem uma certa lógica. Em geral, as igrejas eram os maiores e os mais bem construídos prédios de uma cidade ou vila. Era natural que o Estado usasse deste fato para ali fazer as votações e a apuração dos votos.
Só podia votar neste tempo a população masculina livre que podia comprovar uma certa renda anual de 100 mil réis. Não era uma renda alta, mas já excluía muita gente. Cada distrito, pelo número de pessoas aptas a votar, os eleitores de paróquia, elegia um certo número de “eleitores de província” para o colégio eleitoral. Era este Colégio Eleitoral que escolhia os deputados provinciais e os deputados que iam a corte.
Com a emancipação do Paraná a Província, inúmeras modificações estavam sendo feitas. Em 1855 foram criados os colégios eleitorais de Antonina Morretes e Porto de Cima, independentes de Paranaguá (ver aqui). Em 1856 Antonina tinha 8 eleitores (ver aqui), contra os 3 eleitores de Porto de Cima, os 7 de Morretes e os 26 de Paranaguá.
Para ser candidato a eleitor, ou seja, para participar do colégio eleitoral, o cidadão tinha que comprovar uma renda mínima de 200 mil reis. Candidatos a Deputado deveriam ter uma renda mínima de 400 mil reis e para senador essa quantia chegava a 800 mil reis. Eleições no Brasil imperial era um assunto da elite.Não é de estranhar que as listas de eleitores eram geralmente encabeçadas pelos comerciantes e fazendeiros mais ricos de uma determinada localidade. A lista de eleitores de Paranaguá em 1856 era liderada por Manuel Antônio Guimarães, o Visconde de Nácar. Em Antonina e Morretes as listas eram preenchidas com nomes de pequenos comerciantes e agricultores.
As eleições se realizavam no dia 31 de dezembro. Os trabalhos se iniciavam com uma missa solene na igreja. Não raro, as pessoas iam a esta missa com seus melhores trajes. Era comum que os integrantes da Guarda Nacional de cada localidade fossem nestas missas com seus melhores uniformes, cheios de galonas e medalhas.  Depois, a comissão eleitoral tomava posse do edifício e a eleição era feita.
(continua)

ANTONINA EM 1854 (PARTE 3)

 

ANTONINA EM 1854 (PARTE 3)



Charge denunciando o recrutamento forçado no Brasil do século XIX
As eleições de 1854 no paraná foram feitas sob a vigência da nova “Lei Regulamentar”, de 1846. Quem elaborava as listas e coordenava os trabalhos de votação eram as mesas eleitorais dos distritos. Cabia ao Juiz de Paz, juntamente com os eleitores de paroquia eleitos nas ultimas eleições montar as tais mesas. Como as mesas eleitorais escolhiam que podia e quem não podia votar, seu controle era disputado pelos partidos. Em Paranaguá o Juiz de Paz que enviou a lista de votantes era Manoel Antônio Guimarães, futuro Visconde de Nácar, destacado comerciante e membro do Partido Conservador. Nesta eleição Guimarães foi leito deputado provincial. Um dos seus genros um foi eleito deputado provincial e outro deputado geral.  Dizia-se, não sem razão, quem controlava a mesa controlava a eleição.
Em 1854 foram realizadas as primeiras eleições para senador da nova província. Como mandava a legislação, foi eleita uma lista tríplice, posteriormente enviada ao Imperador. O Senador vitalício escolhido foi o mais votado: João da Silva Machado, o Barão de Antonina. Nascido no Rio Grande do Sul, João Machado era envolvido com o comércio de tropas. Sua base era a região dos Campos Gerais, principalmente em Castro.
Não tinha nenhuma relação com a cidade que lhe conferiu o baronato. Aliás, seu título de barão foi resultado de sua lealdade ao poder imperial durante a Revolução Farroupilha e durante a Revolução Liberal de 1842. Foi também um grande incentivador da imigração alemã na província, que culminou com a fundação da colônia alemã de Rio Negro. Aos 72 anos e residente em São Paulo, esta eleição foi um momento alto de sua vida.
O poder na província do Paraná, assim como em todo o Brasil, era um privilégio dos mais ricos. As pessoas simples deveriam, neste contexto, procurar a proteção de um patrono a quem pudessem recorrer nas necessidades. As famílias mais poderosas tinham ao eu redor um grande número de agregados.
Um agregado era uma pessoa que, mesmo sem vínculos de sangue, fazia parte da família em troca de favores. Podia ser um pequeno agricultor que tinha autorização para ter sua terra na propriedade do senhor, ou algum trabalhador urbano avulso que fizesse pequenos serviços em troca de sustento.  As teias de patronagem da sociedade imperial procuravam abranger a todos, em complexas relações de favores e obrigações.  
Uma das maiores ameaças para os homens livres pobres era o recrutamento forçado. Por qualquer motivo – brigas, bebedeiras, ou vagabundagem – alguém podia ser enviado para servir seja no exército seja na marinha ou em alguma milícia. Este recrutamento forçado era utilizado com instrumento de barganha pelas autoridades, tentando conter a violência e garantir a lealdade das pessoas mais humildes.
Em geral, estes alistados a força não tardavam em desertar. O resultado é que a maior parte do trabalho policial era prender e remeter de volta estes desertores a suas unidades. Em novembro de 1854  (ver aqui) José Pereira, natural do Sambaqui, em Antonina, a pretexto de “mal comportado e vicioso” havia sido recrutado para a marinha.
Entretanto, a prisão de José Pereira havia se dado próximo de eleições, quando o recrutamento era proibido. Colocado no navio para o Rio de Janeiro, onde serviria na Marinha Imperial, José Pereira havia conseguido fugir. Agora, travava uma luta judicial para provar que não era desertor.
O transporte tanto dos recrutas quanto dos desertores – era tudo a mesma coisa – era feito da mesma forma que para os escravos.  Em 1855 o delegado de Policia de Antonina foi ressarcido pelo transporte de “recrutas e desertores” de Antonina para Paranaguá (ver aqui). Para tanto, o delegado José Dias Barbosa havia comprado correntes, gargalheiras, algemas e cadeados para o transporte. Foram transportados ao todo onze desertores e três recrutas (ver aqui). 
(Continua)