segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão: A Eterna Marília de Vila Rica

 

Maria Doroteia
Selo postal, estampa de Marília de Dirceu
Nome completoMaria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão
Nascimento
Morte
9 de fevereiro de 1853 (85 anos)

NacionalidadeBrasil brasileira

Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão (Vila Rica, 8 de novembro de 1767 - Vila Rica, 9 de fevereiro de 1853)[1][2] foi uma das mulheres envolvidas na Inconfidência Mineira, e noiva do inconfidente, jurista e poeta Tomás Antônio Gonzaga, de quem supostamente recebeu a homenagem registrada nos versos da obra Marília de Dirceu.[1][3]

Biografia

Filha de Baltazar João Mayrink, Capitão do Regimento de Cavalaria, e de Maria Doroteia Joaquina de Seixas, Maria Doroteia nasceu em Vila Rica (atual Ouro Preto), onde foi batizada na Matriz de Nossa Senhora do Pilar no dia 8 de novembro de 1767, com o mesmo nome de sua mãe.[4] Tinha dois irmãos mais novos, José Carlos Mayrink, que seria senador do Império, e Francisco de Paula Mayrink, tenente-coronel de Cavalaria, e duas irmãs, Anna Ricarda de Seixas Mayrink e Emerenciana Evangelista de Seixas Mayrink.[4] Ficou órfã de mãe em 24 de agosto de 1775, fato que levou o pai a se casar em segundas núpcias, com Maria Madalena de São José.[carece de fontes] Depois da orfandade, passou a residir com seus tios, Antônia Cândida de Seixas e seu marido, José Luis Sayão.[5]

Casa em que residiu o poeta Tomás António Gonzaga, da última janela a direita, contemplava ele a sua noiva a célebre Marilia de Dirceu, Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão.

Aos 15 anos conheceu o poeta e jurista Tomás Antônio Gonzaga, 38 anos de idade, de quem tornou-se noiva aos 22 anos, em 1789. Envolveu-se no movimento que desejava a emancipação do Brasil, mas não foi presa durante a devassa promovida pelo Visconde de Barbacena. Em compensação, viu seu noivo ser preso em 23 de maio de 1789, sendo conduzido ao Rio de Janeiro de imediato.[6][1]

Após o degredo do noivo, retirou-se para a fazenda da família, Fundão das Goiabas, em Itaverava,[7] retornando para a cidade somente em 1815, quando da morte de seu pai. Maria Doroteia tornou-se reclusa, pouco saindo de casa, vindo a morrer em 9 de fevereiro de 1853, aos 85 anos, na mesma casa onde nasceu, em Vila Rica.[1]

Em 1955 os restos mortais de Maria Doroteia foram retirados da Matriz de Nossa Senhora da Conceição e levados para o Museu da Inconfidência, onde está junto dos restos mortais de Tomas Antonio Gonzaga, após o esforço de Antônio Augusto de Lima Júnior.[4][8]

Marília de Dirceu

Retrato de Tomás Antônio Gonzaga - feito com base em gravura do século XIX.

Maria Doroteia é apontada por alguns autores como sendo Marília, personagem presente na obra de Tomás Antonio Gonzaga Marília de Dirceu. Para alguns, Tomás usa seus versos para expressar seu amor por Maria Doroteia; para outros, ela servia apenas como inspiração para os versos, sem ser exatamente a mesma pessoa dos versos.[9] Porém, não há consenso em apontar que Maria Doroteia e Marília sejam a mesma pessoa. Para o historiador Tarquínio José Barbosa de Oliveira, grande estudioso das Cartas Chilenas de Tomás Antônio Gonzaga, a pessoa a quem Tomás dedica os seus versos era, na verdade, uma abastada viúva de Vila Rica, Maria Joaquina Anselma de Figueiredo.[1] A tese é considerada também por Letícia Malard, que não reconhece Maria Doroteia como a musa dos versos do poeta.[10]

O suposto filho

Outra polêmica envolvendo Maria Doroteia trata de sua suposta maternidade, que resulta em especulações, com poucas fontes confiáveis. Uma teoria aponta que ela nunca foi mãe, e o suposto filho, chamado Anacleto, seria na realidade seu sobrinho, filho de Emerenciana com o Tenente Coronel Manuel Teixeira Queiroga, também conhecido como Dr. Queiroga.[4] Entre os que defendem a maternidade de Maria Doroteia está o escritor Adelto Gonçalves, grande conhecedor da obra de Tomás Antônio, que em seu livro Gonzaga, um Poeta do Iluminismo apoia a tese.[8]

Representações na cultura

Maria Doroteia já foi retratada como personagem na televisão e no cinema:

Na telenovela Dez Vidas (1969), foi interpretada por Maria Isabel de Lizandra.[11] Em Os Inconfidentes (1972), direção de Joaquim Pedro de Andrade, Margarida Rey a interpretou.[12] Em Tiradentes (1999), filme de Oswaldo Caldeira, foi interpretada por Giulia Gam.[13]

Referências

  1.  «MARIA DOROTÉIA JOAQUINA DE SEIXAS». Descubra Minas. Consultado em 2 de maio de 2016
  2. SCHUMAHER, Maria Aparecida. Dicionário mulheres do Brasil: De 1500 até a atualidade. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2000. Pág. 421.
  3. NASCIMENTO, Luciana Marino do. Tempo de Ensaio: Múltiplos Olhares Sobre o Literário Ensaios de Graduandos Em Letras. Letra Capital Editora, 2003. Pág. 46-47.
  4.  Ana Jardim. «Segredos eternos da musa». Revista de História. Consultado em 2 de maio de 2016
  5. DORIA, Pedro. 1789: A história de Tiradentes, contrabandistas, assassinos e poetas que sonharam a Independência do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.
  6. GONZAGA, Tomás Antonio. Cartas Chilenas. São Paulo: Cia. das Letras, 2006.
  7. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Vol. 7, 1960. Pág. 388.
  8.  Ana Jardim. «MARÍLIA E DIRCEU». História de Minas. Consultado em 2 de maio de 2016
  9. NASCIMENTO, pág. 48.
  10. MALARD, Letícia. Literatura e dissidência política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006. Pág. 118.
  11. «Dez Vidas». Tele Dramaturgia. Consultado em 3 de maio de 2016
  12. «Os Inconfidentes». IMDB. Consultado em 3 de maio de 2016
  13. «Tiradentes». IMDB. Consultado em 3 de maio de 2016

Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão: A Eterna Marília de Vila Rica

Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão (Vila Rica, 8 de novembro de 1767 — Vila Rica, 9 de fevereiro de 1853) ocupa um lugar singular na história e na literatura brasileira. Conhecida principalmente por ser a noiva do inconfidente, jurista e poeta Tomás Antônio Gonzaga, ela é amplamente apontada como a inspiradora — e a própria personificação — da célebre Marília na obra neoclássica Marília de Dirceu.

Origens e Contexto Familiar

Nascida na então Vila Rica (atual Ouro Preto), foi batizada na Matriz de Nossa Senhora do Pilar em 8 de novembro de 1767.

  • Ascendência: Era filha do capitão do Regimento de Cavalaria Baltazar João Mayrink e de Maria Doroteia Joaquina de Seixas.

  • Irmãos: Tinha dois irmãos mais novos — José Carlos Mayrink (que viria a ser senador do Império) e o tenente-coronel Francisco de Paula Mayrink —, além de duas irmãs, Anna Ricarda e Emerenciana Evangelista.

  • A Orfandade: Após perder a mãe prematuramente em 1775, foi criada e educada na companhia de seus tios, Antônia Cândida de Seixas e José Luis Sayão.

O Noivado e a Inconfidência Mineira

Aos 15 anos, Maria Doroteia conheceu Tomás Antônio Gonzaga, que na época tinha 38 anos. O noivado formal ocorreu em 1789, quando ela completou 22 anos.

Com a deflagração da Inconfidência Mineira, o movimento separatista que contestava o domínio colonial português, a vida da jovem sofreu uma reviravolta dramática:

  • Embora estivesse envolvida com o ideário do movimento, Maria Doroteia não chegou a ser presa durante a devassa liderada pelo Visconde de Barbacena.

  • Seu noivo, contudo, foi detido em 23 de maio de 1789 e sumariamente conduzido ao Rio de Janeiro, sendo posteriormente condenado ao degredo perpétuo em Moçambique.

  • Recato e Reclusão: Após o banimento de Gonzaga, Maria Doroteia retirou-se para a fazenda da família (Fundão das Goiabas, em Itaverava), retornando a Vila Rica apenas em 1815, após o falecimento de seu pai. Vivendo de forma reclusa e distante da vida pública, faleceu em 9 de fevereiro de 1853, aos 85 anos, na mesma casa em que nasceu.

Em 1955, graças aos esforços de preservação histórica de Antônio Augusto de Lima Júnior, seus restos mortais foram transladados para o Museu da Inconfidência, onde repousam junto aos de Tomás Antônio Gonzaga.

A Polêmica Historiográfica: Quem foi Marília?

A identidade de "Marília", a musa imortalizada nos versos de Tomás Antônio Gonzaga em Marília de Dirceu, é alvo de debates entre historiadores e críticos literários:

  • A Tese Tradicional: A maioria dos autores tradicionalmente associa a figura de Marília diretamente a Maria Doroteia, vendo nos poemas uma expressão lírica do amor devotado à jovem noiva de Vila Rica.

  • A Corrente Divergente: Intelectuais como o historiador Tarquínio José Barbosa de Oliveira e a crítica Letícia Malard argumentam que Maria Doroteia servia apenas como inspiração poética geral, ou propõem teses alternativas — como a de que a verdadeira destinatária dos versos seria uma abastada viúva da região, Maria Joaquina Anselma de Figueiredo.

O Supuesto Filho e Outras Controvérsias

A biografia de Maria Doroteia também carrega debates sobre sua vida privada. Um dos pontos de maior especulação envolve a suposta maternidade de um filho chamado Anacleto:

  • Uma das correntes sustenta que ela nunca teve filhos próprios, sendo Anacleto na verdade seu sobrinho (filho de sua irmã Emerenciana com o tenente-coronel Manuel Teixeira Queiroga).

  • Em contrapartida, pesquisadores como o escritor Adelto Gonçalves defendem a tese de que ela foi mãe, conforme aponta em sua obra Gonzaga, um Poeta do Iluminismo.

Representações na Cultura

A mística em torno de seu romance trágico com Tomás Antônio Gonzaga inspirou diversas obras ao longo dos anos na televisão e no cinema brasileiro:

  • Televisão: Dez Vidas (1969), onde foi interpretada por Maria Isabel de Lizandra.

  • Cinema: Os Inconfidentes (1972), dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, com Margarida Rey no papel; e Tiradentes (1999), filme de Oswaldo Caldeira, no qual foi interpretada por Giulia Gam.


Manuel de Jesus Pinto: Mestre da Pintura e da Talha Dourada no Nordeste Colonial

 

A fundação da Igreja, forro do nártex, Igreja de São Pedro dos Clérigos, Recife - PE.

Manuel de Jesus Pinto (?, século XVIIIRecife, c. 1817) foi um pintor e dourador brasileiro.

Hoje se acredita que fosse branco, embora já tenham existido controvérsias acerca de ter sido negro e escravizado[1]. Em 11 de março de 1787 ingressou na Ordem Terceira do Carmo[1]. Deixou obras importantes em diversas igrejas do Recife: o registro mais recuado de sua atuação em Pernambuco data de 1791, quando trabalhou como dourador na Matriz de Santo Antônio, e já no ano seguinte realizou o douramento e a pintura da sacristia da Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo[1]. Em 1793 voltou a realizar trabalhos na Matriz de Santo Antônio. Entre 1797 e 1798 prestou serviços à Irmandade do Santíssimo Sacramento na Igreja do Corpo Santo[1]. Em 1799 aparece nos registros da Ordem 3ª de São Francisco como responsável pelo douramento de sua capela e do arco-cruzeiro[2], ao mesmo tempo em que fazia retoques em uma imagem de Cristo na Igreja de Santa Cruz[3].

Entre 1804 e 1807 e 1809 e 1815 atuou como decorador e pintor na Igreja de São Pedro dos Clérigos. Possivelmente foi o autor da pintura no altar do consistório da Matriz de Santo Antônio, onde realizou diversos trabalhos entre 1804 e 1815. O último registro de sua atuação profissional data de 1815, na Ordem 3ª de São Francisco, onde pintou forros, portas e tribunas[1]. Há registro também de serviços na Matriz da Boa Vista à mesma época, onde teria trabalhado na capela-mor[3].

Também lhe é atribuída a autoria do forro da nave do Convento de Santo Antônio, em João Pessoa, possivelmente executada entre 1795 e 1810[4].

Glorificação dos Santos Franciscanos, c. 1795-1810, forro da nave da igreja do Convento de Santo Antônio, João Pessoa - PB.

Referências

  1.  Acioli, Vera Lúcia Costa. "Manoel de Jesus Pinto". In: Acioli, Vera Lúcia Costa. A identidade da beleza: dicionário de artistas e artífices do século XVI ao XIX em Pernambuco. Recife: FUNDAJ/ Massangana, 2008, p. 354-357.
  2. Ordem Terceira do Glorioso Patriarca São Francisco em Pernambuco, Recife, Livro 5º de Despesa, 1795-1835, f. 67v.
  3.  Pio, Fernando. História da Matriz da Boa Vista e seu monumental frontispício. Recife: UFPE/ Imprensa Universitária, 1967, p. 18-19.
  4. Oliveira, Carla Mary S. "Circulação de artífices no Nordeste colonial: indícios da autoria do forro da igreja do Convento de Santo Antônio da Paraíba". In: Fênix - Revista de História e Estudos Culturais, Uberlândia, Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura, Universidade Federal de Uberlândia, vol. 6, ano VI, n. 4, out./ dez. 2009. Publicação eletrônica. ISSN 1807-6971.


Ligações externas

  • Enciclopédia Itaú Cultural 

Manuel de Jesus Pinto: Mestre da Pintura e da Talha Dourada no Nordeste Colonial

Manuel de Jesus Pinto (nascido no século XVIII — falecido no Recife por volta de 1817) foi um destacado pintor e dourador brasileiro, cuja trajetória artística deixou marcas profundas na arquitetura sacra do período colonial, com especial relevo em Pernambuco e na Paraíba.

Origens e Trajetória Pessoal

Embora no passado tenham existido correntes historiográficas que o apontassem como negro e escravizado, estudos contemporâneos indicam que era branco.

  • Integração Social e Religiosa: Sua inserção na sociedade da época é marcada por sua forte ligação com as corporações religiosas. Em 11 de março de 1787, ingressou oficialmente na Ordem Terceira do Carmo.

  • Cronologia de Atuação: Sua presença documentada em Pernambuco estende-se por quase três décadas, com registros de trabalho contínuos entre 1791 e 1815.

Principais Obras e Atuação no Recife

Manuel de Jesus Pinto destacou-se como um exímio dourador e pintor de interiores sacros, atuando em alguns dos templos mais importantes da capital pernambucana:

  • Igreja Matriz de Santo Antônio: O registro mais antigo de sua atuação em Pernambuco data de 1791, quando trabalhou como dourador na matriz. Retornou ao local em 1793 e, posteriormente, entre 1804 e 1815, sendo possivelmente o autor da pintura do altar do consistório.

  • Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo: Em 1792, executou o complexo trabalho de pintura e douramento da sacristia.

  • Igreja do Corpo Santo: Prestou serviços à Irmandade do Santíssimo Sacramento entre 1797 e 1798.

  • Igreja da Ordem Terceira de São Francisco: Em 1799, assumiu a responsabilidade pelo suntuoso douramento da capela e do arco-cruzeiro. Retornou à igreja em 1815 (seu último registro profissional documentado) para pintar forros, portas e tribunas.

  • Igreja de Santa Cruz: Realizou trabalhos de restauro e retoques em uma imagem de Cristo.

  • Igreja de São Pedro dos Clérigos: Atuou intensamente como pintor e decorador em dois períodos distintos: de 1804 a 1807, e novamente de 1809 a 1815.

  • Igreja Matriz da Boa Vista: Há registros de sua participação artística na capela-mor por volta do mesmo período.

Atuação Fora de Pernambuco

Além de seu vasto legado em solo recifense, historiadores de arte atribuem a Manuel de Jesus Pinto a autoria da elaborada pintura do forro da nave do Convento de Santo Antônio, localizado em João Pessoa (Paraíba), obra executada provisoriamente entre os anos de 1795 e 1810.


Manuel da Cunha: Mestre da Pintura Colonial e Pioneiro das Artes no Rio de Janeiro

 

Manuel da Cunha
Nascimento
Morte
27 de abril de 1809 (71 ou 72 anos)
NacionalidadeBrasil Colônia
Ocupaçãopintor
Nossa Senhora da Conceição, Museu Nacional de Belas Artes.

Manuel da Cunha (Rio de Janeiro, 173727 de abril de 1809) foi um pintor colonial brasileiro. O historiador Nireu Oliveira Cavalcanti diz que seu nome era Manoel da Cunha e Silva, e que sua data de falecimento foi 25 de novembro de 1807.[1]

Nasceu escravo, pertencendo à família do cônego Januário da Cunha Barbosa, de quem adotou o sobrenome. Sua habilidade precoce para a arte fez com que seu senhor lhe permitisse ter aulas com o pintor João de Sousa. Após um período de aperfeiçoamento em Lisboa (c. 1795), retornou ao Rio e um comerciante, José Dias da Cruz, ajudou-lhe comprando sua alforria. No Rio abriu um curso de pintura.

Manuel da Cunha foi pintor de temas religiosos e retratista. Entre suas obras destaca-se a "Descida da Cruz" no teto da Capela do Senhor dos Passos da Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo, inspirado pela obra de Daniele da Volterra. Também executou vários painéis para o Mosteiro de São Bento e para a demolida Igreja de São Sebastião do morro do Castelo, atualmente na nova igreja de mesmo nome, na Tijuca.

Obras tardias são painéis da Capela do Noviciado (1808) da Igreja de São Francisco de Paula. Também são atribuídos a ele os painéis da Capela do Noviciado da Igreja da Ordem Terceira do Carmo.

É o autor de vários retratos de benefactores da Misericórdia e de um retrato do governador colonial Gomes Freire de Andrade. Este retrato, cópia de um anterior perdido num incêndio em 1790, encontra-se hoje no Palácio Pedro Ernesto. Também realizou bandeiras de procissões para a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso.

Referências

  1. Cavalcanti, Nireu Oliveira. O Rio de Janeiro setecentista: a vida e a construção da cidade da invasão francesa até a chegada da Corte. Zahar, 2004. p. 306

Manuel da Cunha: Mestre da Pintura Colonial e Pioneiro das Artes no Rio de Janeiro

Manuel da Cunha (Rio de Janeiro, 1737 — 27 de abril de 1809) foi um dos mais importantes pintores do período colonial brasileiro. Embora registros historiográficos tragam divergências secundárias — como apontado pelo historiador Nireu Oliveira Cavalcanti, que registra seu nome completo como Manoel da Cunha e Silva e data seu falecimento em 25 de novembro de 1807 —, sua relevância artística para a história da arte no Brasil é indiscutível.

Origens e Trajetória de Vida

Nascido em condição de escravidão, Manuel da Cunha pertenceu à família do cônego Januário da Cunha Barbosa, de quem adotou o sobrenome.

  • Formação Precoce: Diante de sua habilidade notável para as artes plásticas ainda na juventude, seu senhor permitiu que recebesse instruções com o pintor João de Sousa.

  • A Conquista da Liberdade: Após um período de aperfeiçoamento artístico em Lisboa (por volta de 1795), retornou ao Rio de Janeiro. Com o auxílio financeiro do comerciante José Dias da Cruz, que adquiriu sua alforria, conquistou definitivamente sua liberdade.

  • Atuação como Mestre: De volta à capital colonial, abriu um curso de pintura, destacando-se não apenas como criador, mas também como formador de novos talentos.

Obras e Principais Trabalhos

Manuel da Cunha destacou-se tanto na pintura sacra (temas religiosos) quanto na retratística, produzindo obras marcantes que dialogavam com correntes estéticas europeias.

Arte Sacra

  • Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo: Destaca-se a impressionante "Descida da Cruz", pintada no teto da Capela do Senhor dos Passos e inspirada na célebre obra do artista renascentista italiano Daniele da Volterra.

  • Mosteiro de São Bento: Execução de diversos painéis decorativos.

  • Igreja de São Sebastião: Pinturas originalmente concebidas para a antiga igreja localizada no Morro do Castelo, hoje preservadas na nova matriz de mesmo nome na Tijuca.

  • Igreja de São Francisco de Paula e Ordem Terceira do Carmo: Autoria de painéis tardios de grande relevo na Capela do Noviciado (datados de 1808) e na Capela da Ordem Terceira do Carmo.

Retratística e Outras Obras

  • Retratos Históricos: Retratos de beneméritos da Santa Casa da Misericórdia.

  • Gomes Freire de Andrade: Autor do retrato do governador colonial (cópia de um original destruído em um incêndio em 1790), obra que atualmente se encontra preservada no Palácio Pedro Ernesto.

  • Trabalhos Cívico-Religiosos: Confecção de bandeiras para procissões destinadas à Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso.