Foto: Avião que pousou em emergência na Praia da Fortaleza
ALBINO JOSÉ DE SOUZA FILHO
A Ilha Encantada Passei parte da minha infância e juventude ficando pelo menos dois, três meses por ano na Ilha do Mel. Principalmente nas férias de julho, que era a época da grande temporada.
A Ilha tem para mim um marco de alegrias, felicidades e de aprendizados na convivência familiar e, sobretudo, do amor às pessoas e à natureza.
Nossa casa estava sempre cheia, nunca com menos de dez pessoas; irmãos, primos, sobrinhos do meu pai, enteados, parentes próximos, solteiros, noivos e casados. Sempre tínhamos obrigações para cumprir: as meninas arrumavam a casa e os meninos rastelavam o pátio externo e ajudavam a cavar um grande buraco na areia no fundo da casa, para a fossa sanitária e colocar o “castelinho”.
Meu pai foi um dos pioneiros da Ilha. Era reservado, metódico e portador de uma grande generosidade. Minha mãe, dona Heloína (Lilinha) era animada, sonhadora, de espírito artístico, gostava de pintura, música, piano e canto. Ela que marcava e comandava as nossas tarefas. Tínhamos que ler determinadas revistas e livros selecionados que trazíamos em nossa bagagem. Na minha lista estavam os livros de Érico Veríssimo e os do escritor Inglês J. Cronin. Seu livro “A Cidadela”, que li aos treze ou catorze anos, foi que me despertou para a vocação de medicina.
As partidas de futebol que jogávamos descalços na areia eram acirradas, principalmente quando eram feitas com moradores pra lá e pra cá do Forte. Os meus pés ficavam cheios de bolhas.
À tarde em frente ao hotel, os times do jogo de vôlei eram mistos. Era quando, às vezes, arriscávamos, timidamente, algumas paqueras. À noite, após o jantar, à luz das lanternas de querosene (Petromax), comentávamos as ocorrências do dia, líamos ou jogávamos cartas e dominó até no 1 2 máximo às 22 horas.
Nos finais de semana tínhamos o baile no clube de madeira ao lado do hotel, que não existe mais. O tango era a musica da época. Os jovens “maduros” e alguns casais exibiam seus passos “portenhos”. Recebíamos também em casa as esperadas serenatas.
Depois de casado e morando em Criciúma, Santa Catarina, tornou-se mais difícil freqüentar a Ilha; porém nunca deixei de ir esporadicamente, levando a esposa e filhos e ultimamente os meus genros e netos. Sempre fiz questão que todos sentissem, em loco, esse encantamento. E quando agradeço ao Pai celeste pela vida, agradeço os pais que tive, à educação que me deram e de terem nos proporcionado essa vivência nesse pequeno mundo maravilhoso de sua criação: A Ilha encantada.
Texto baseado no depoimento de Albino José de Souza Filho. Seus pais: Albino José de Souza e Heloína Ribeiro de Souza. Data: 07/2009