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domingo, 14 de junho de 2026

Petra: A Cidade Rosa Esculpida na Rocha

 

Petra
Património Mundial da UNESCO
Al Khazneh ("Câmara do Tesouro")
Critériosi, iii, iv
Referência326
Região Ásia e Oceania
País Jordânia
Coordenadas30° 19' 50" N 35° 26' 36" E
Histórico de inscrição
Inscrição1985
Nome usado na lista do Património Mundial
Região pela classificação da UNESCO

Petra (do grego πέτρα, petra; árabe: البتراء, Al-Bitrā/Al-Batrā), originalmente conhecida pelos nabateus como Raqmu, é uma cidade histórica e arqueológica localizada no sul da Jordânia. A cidade é famosa por sua arquitetura esculpida em rocha e por seu sistema de canalização de água. Outro nome para Petra é Cidade Rosa, devido à cor das pedras do local.

Estabelecido possivelmente já em 312 a.C. como a capital dos árabes nabateus,[1] é um símbolo jordaniano, assim como a atração turística a mais visitada do país.[2] Os nabateus eram árabes nômades que aproveitaram a proximidade de Petra com as rotas comerciais regionais para estabelecê-la como um importante centro comercial. Os nabateus também são conhecidos por sua grande habilidade na construção de métodos eficientes de coleta de água em desertos áridos e seu talento em esculpir estruturas em rochas sólidas.[3]

Petra encontra-se na encosta de Jebel al-Madhbah (identificado por alguns como bíblico Monte Hor[4]) em uma bacia entre as montanhas que formam o flanco oriental de Arabah (Wadi Araba), o grande vale que vai do Mar Morto ao Golfo de Aqaba. O local é um Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1985.

O sítio arqueológico permaneceu desconhecido para o mundo ocidental até 1812, quando foi introduzido pelo explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt. Foi descrita como "uma cidade rosa e vermelha tão velha quanto o tempo" em um poema de John William Burgon. A UNESCO a descreveu como "uma das mais preciosas propriedades culturais da herança cultural do homem".[5] Petra foi nomeada entre uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo em 2007 e também foi escolhido pela revista Smithsonian como um dos "28 lugares para ver antes de morrer".[6]

História

Mapa do sítio arqueológico.
El Deir ("o monastério").
Templo do Jardim
Porta de Adriano e a cardo de Máximus.
Anfiteatro de Petra.
Siq al-Barid.

Antecedentes

A região onde se encontra Petra foi ocupada por volta do ano 1 200 a.C. pela tribo dos edomitas, recebendo o nome de Edom. Como a cidade se situava perto do monte Hor, é muito possível que os horitas, um povo mencionado na Bíblia (Gênesis 14:6, 36:20, Deuteronómio 2:12), habitassem essa região ainda antes da chegada dos edomitas. A região sofreu numerosas incursões por parte das tribos israelitas, mas permaneceu sob domínio edomita até à anexação pelo Império Aquemênida. A cidade de Petra era denominada Sela em edomita, nome que significa "pedra", "penhasco" ou "rocha" nessa língua; o nome grego πέτρα - Pétra e latino Petra - pedra, penhasco, é a tradução da palavra edomita. O nome árabe البتراء, Al-Bitrā ou Al-Batrā é a arabização do seu nome grego e latino.

Importante rota comercial entre a península Arábica e Damasco (Síria) durante o século VI a.C., Edom foi colonizada pelos nabateus (uma das tribos árabes), o que forçou os edomitas a mudarem-se para o sul da Palestina, que passou a ter o nome de Idumeia, nome derivado dos idumeus ou edomitas.

Fundação

O ano 312 a.C. é apontado como data do estabelecimento dos Nabateus no enclave de Petra e da nomeação desta como sua capital. Durante o período de influência helenística dos Selêucidas e dos Ptolomaicos, Petra e a região envolvente floresceram material e culturalmente, graças ao aumento das trocas comerciais pela fundação de novas cidades: Rabate Amom (a moderna Amã) e Gérasa.

Devido aos conflitos entre Selêucidas e Ptolomaicos, os nabateus ganharam o controle das rotas de comércio entre a Arábia e a Síria. Sob domínio nabateu, Petra converteu-se no eixo do comércio de especiarias, servindo de ponto de encontro entre as caravanas provenientes de Aqaba e as de cidades de Damasco e Palmira.

O estilo arquitectónico dos nabateus, de influência greco-romana e oriental, revela a sua natureza activa e cosmopolita. Este povo acreditava que Petra se encontrava sob a protecção do deus dhû Sharâ (Dusares, em grego).

Época romana

Entre os anos 64 e 63 a.C., os territórios nabateus foram conquistados pelo general Pompeu e anexados à República Romana, na sua campanha para reconquistar as cidades tomadas pelos Hebreus. Contudo, após a vitória, Roma concedeu relativa autonomia a Petra e aos nabateus, sendo as suas únicas obrigações o pagamento de impostos e a defesa das fronteiras das tribos do deserto.

No entanto, em 106 d.C., o imperador Trajano retirou-lhes este estatuto, convertendo Petra e Nabateia em províncias sob o controlo directo de Roma (Arábia Pétrea). Adriano, seu sucessor, rebaptizou-a de Adriana Pétrea (Hadriana Petrae), em honra de si próprio.

Época bizantina

O domínio do Império Romano, com uma forte pressão econômica, gradualmente fez com que o comércio dos nabateus entrasse em declínio. No século III, Petra já não estava mais nas rotas comerciais, e sua economia ficava cada vez mais decadente.[7] Em 330, o imperador Constantino transferiu a capital de Roma para Bizâncio, rebatizando-a como Constatinopla (actual Istambul). Um bispado instalou-se na cidade durante esse período, utilizando como catedral um templo afastado da cidade, que ficou conhecido como o Monastério Al-Deir. Sob o domínio de Constantino, Petra passou por um período mais próspero até o ano de 363, quando um terremoto destruiu quase metade da cidade, o terremoto na Galileia em 363 [en].[7] Contudo a cidade não desapareceu. Depois deste sismo, muitos dos edifícios "antigos" foram derrubados e reutilizados para a construção de novos, em particular igrejas e edifícios públicos.[8]

Em 551, um segundo terremoto, mais grave que o anterior, o terremoto em Beirute em 551 [en], destruiu a cidade quase por completo. Petra não conseguiu se recuperar desta catástrofe, pois a mudança nas rotas comerciais diminuíram o interesse de entreposto comercial da cidade.[9]

As ruínas de Petra foram objecto de curiosidade a partir da Idade Média, atraíndo visitantes como o sultão Baibars do Egipto, no princípio do século XIII. O primeiro europeu a descobrir as ruínas de Petra foi Johann Ludwig Burckhardt (1812), tendo o primeiro estudo arqueológico científico sido empreendido por Ernst Brünnow e Alfred von Domaszewski, publicado na sua obra Die Provincia Arabia (1904).

Patrimônio

A 6 de dezembro de 1985, Petra foi reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Em 2004, o governo jordaniano estabeleceu um contrato com uma empresa inglesa para construir uma autoestrada que levasse a Petra tanto estudiosos como turistas. A 7 de julho de 2007, foi eleita em Lisboa, no Estádio da Luz uma das Novas sete maravilhas do mundo.

Século XXI

Em 2024, uma nova tumba foi encontrada sob o Tesouro usando tecnologia de sensoriamento remoto. Quando escavados, os restos de 12 esqueletos foram descobertos junto com cerâmica. Tim Kinnaird da Escola de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade de St Andrews disse que "A tumba foi provavelmente construída como um mausoléu e cripta no Reino Nabateu no início do primeiro século d.C. para Aretas IV Filopátris."[10]

Impacto cultural

O edifício da Câmara do Tesouro, em Petra, foi utilizado como cenário no filme Indiana Jones e a Última Cruzada. O interior mostrado no filme não corresponde, no entanto, ao interior do dito edifício, tendo sido fabricado em estúdio. O filme Transformers 2 também teve cenas gravadas na cidade de Petra. No filme "Mortal Kombat: A Aniquilição", Rayden entra para falar com os Deuses Antigos, cena também gravada na cidade de Petra. Tintim, herói da HQ belga, visita Petra na edição Coke en stock ("Carvão no Porão"). Em novembro de 2009, a cidade de Petra foi palco para a novela brasileira Viver a Vida de Manoel Carlos.

Tumbas na parte sul da cidade.

Petra: A Cidade Rosa Esculpida na Rocha

Petra (do grego pétra, que significa “pedra”; em árabe: Al-Bitrā), originalmente chamada de Raqmu pelos nabateus, é uma histórica cidade arqueológica no sul da Jordânia. É mundialmente famosa por sua arquitetura esculpida diretamente nas falésias de arenito avermelhado — o que lhe valeu o nome de Cidade Rosa — e por seu engenhoso sistema de captação e distribuição de água, uma obra-prima de engenharia para o ambiente desértico. É o símbolo nacional da Jordânia, sua atração turística mais visitada e um dos sítios arqueológicos mais impressionantes do planeta.

Localização e Importância

Petra fica situada na encosta do Jebel al-Madhbah (identificado por alguns estudiosos como o Monte Hor, mencionado na Bíblia), numa bacia cercada por montanhas que formam o lado leste do grande vale de Arabah, entre o Mar Morto e o Golfo de Aqaba. Desde 1985, é reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, que a descreve como “uma das mais preciosas joias da herança cultural da humanidade”. Em 2007, foi eleita uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo e também figura na lista da revista Smithsonian como um dos “28 lugares para ver antes de morrer”.
Durante séculos, permaneceu desconhecida do mundo ocidental até ser “redescoberta” em 1812 pelo explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt, que se disfarçou de peregrino para chegar ao local. O poeta John William Burgon imortalizou-a na frase: “Uma cidade rosa e vermelha, tão antiga quanto o tempo”.

História

Antecedentes: Primeiros Povos

A região foi ocupada por volta de 1200 a.C. pelos edomitas, que chamaram o lugar de Sela — palavra que significa “rocha” ou “pedra”, origem etimológica do nome atual. Antes deles, há indícios de que os horitas, povo citado na Bíblia, já viviam ali. A região passou por invasões de tribos israelitas e foi anexada ao Império Aquemênida antes da chegada dos nabateus.
Por volta do século VI a.C., Edom tornou-se ponto estratégico nas rotas comerciais entre a Arábia e a Síria. Os nabateus — uma tribo árabe nômade — colonizaram a área, levando os edomitas a se mudarem para o sul da Palestina, região que passou a ser chamada de Idumeia.

Fundação e Auge Nabateu

O ano de 312 a.C. é considerado a data oficial da fundação de Petra como capital do Reino Nabateu. Esse povo, originalmente nômade, transformou-se em uma potência comercial graças à localização privilegiada: Petra era o centro de encontro das rotas de especiarias, incenso, ouro, tecidos e mercadorias que vinham da Arábia, África e Oriente, com destino a Damasco, Palmira e ao Mar Mediterrâneo.
Os nabateus eram mestres em duas áreas:
  1. Engenharia hidráulica: construíram barragens, túneis, cisternas e canais que coletavam e armazenavam água da chuva, permitindo que uma grande cidade prosperasse no meio do deserto.
  2. Arquitetura rupestre: esculpiram templos, túmulos, teatros e edifícios públicos diretamente nas rochas, misturando estilos gregos, romanos, persas e árabes.
Eles cultuavam o deus Dhû Sharâ (chamado de Dusares pelos gregos), considerado o protetor da cidade. Durante o período helenístico, sob influência dos impérios Selêucida e Ptolomaico, Petra cresceu muito, enriquecendo com o comércio e se tornando uma cidade cosmopolita.

Época Romana

Entre 64 e 63 a.C., o general Pompeu conquistou os territórios nabateus e anexou-os à República Romana. Inicialmente, Roma manteve Petra com autonomia, exigindo apenas impostos e defesa das fronteiras.
Mas em 106 d.C., o imperador Trajano incorporou definitivamente a região ao Império, criando a província da Arábia Pétrea. Mais tarde, o imperador Adriano rebatizou a cidade como Adriana Pétrea, e durante seu governo foram construídos grandes monumentos, como a Porta de Adriano e a via principal (Cardo Máximo), com colunatas e praças.
Com o tempo, o comércio mudou de rotas — passando a usar mais o mar do que o caminho terrestre — e a importância econômica de Petra começou a declinar.

Época Bizantina e Declínio

Após a mudança da capital romana para Constantinopla (330 d.C.), Petra passou ao domínio bizantino. Tornou-se sede de um bispado cristão, e vários templos foram transformados em igrejas. O grande edifício conhecido como Al-Deir (“O Monastério”) foi usado como catedral nesse período.
O colapso final veio com desastres naturais:
  • 363 d.C.: um forte terremoto destruiu quase metade da cidade, danificando gravemente o sistema de água.
  • 551 d.C.: outro sismo, ainda mais violento, destruiu a maior parte das estruturas restantes.
Sem rotas comerciais e sem infraestrutura, a cidade foi abandonada gradualmente. Ainda foi visitada por viajantes medievais, como o sultão Baibars (século XIII), mas ficou esquecida até sua redescoberta moderna.

Redescoberta e Patrimônio

Em 1812, Johann Ludwig Burckhardt, explorador suíço, foi o primeiro europeu a registrar e documentar as ruínas. Os primeiros estudos científicos detalhados só foram feitos no início do século XX, por pesquisadores alemães.
Em 1985, o reconhecimento da UNESCO impulsionou a preservação e o turismo. Em 2004, foi construída uma estrada moderna para facilitar o acesso. Em 2024, escavações com tecnologia de sensoriamento remoto revelaram uma tumba inédita sob o famoso Tesouro, com 12 esqueletos e cerâmicas datadas do início do século I d.C., provavelmente um mausoléu real do rei Aretas IV.

Principais Monumentos e Estruturas

O Siq

É a entrada principal de Petra: um desfiladeiro estreito e sinuoso, com paredes de até 80 metros de altura, que se estende por cerca de 1,2 km. Ao caminhar por ele, só no final é que se avista, de repente, a fachada imponente do Tesouro — uma das entradas mais espetaculares do mundo antigo.

O Tesouro (Al-Khazneh)

É o símbolo máximo de Petra: uma fachada de 40 metros de altura, esculpida na rocha, com colunas, estátuas e detalhes ornamentais. Acredita-se que foi construída no século I d.C. como túmulo de um rei nabateu. Ficou mundialmente famosa como cenário do filme Indiana Jones e a Última Cruzada.

O Monastério (Al-Deir)

Maior que o Tesouro, com 50 metros de altura, fica no alto de uma montanha, acessível por uma escadaria de 800 degraus. Sua fachada é mais simples, mas igualmente grandiosa. Serviu como templo e depois como igreja cristã.

Anfiteatro

Esculpido parcialmente na rocha, tinha capacidade para 3 mil espectadores. Era usado para eventos, reuniões e cerimônias, com uma vista privilegiada para as tumbas reais.

Cardo Máximo e Porta de Adriano

A via principal da cidade romana, ladeada por colunas, lojas e edifícios públicos. No final, a Porta de Adriano, arco triunfal construído em homenagem ao imperador.

Tumbas Reais

Um conjunto de quatro grandes fachadas funerárias, com diferentes estilos arquitetônicos, que pertenciam à realeza e às famílias nobres nabateias.

Templo do Jardim

Uma estrutura com pátio, piscinas e jardins, que mostra o luxo e a capacidade de criar espaços verdes no deserto graças à engenharia hidráulica.

Impacto Cultural

Petra é um dos sítios arqueológicos mais retratados na cultura mundial:
  • Apareceu em filmes como Transformers: O Lado Oculto da Lua, Mortal Kombat: A Aniquilação e a saga de Indiana Jones.
  • Na literatura, foi cenário de aventuras de personagens como Tintim.
  • No Brasil, serviu de locação para a novela Viver a Vida (2009), de Manoel Carlos.
Hoje, continua sendo um símbolo de criatividade humana: uma cidade inteira construída com inteligência, arte e técnica, que desafiou o deserto e o tempo para chegar até nós.